terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Cristianismo, o Catolicismo e o Comunismo

“[a] unidade na real luta revolucionária das classes oprimidas por um paraíso na terra é mais importante que a unidade na opinião proletária sobre o paraíso no céu” Lênin


Embora o catolicismo e as igrejas protestantes reivindiquem a herança do cristianismo, o cristianismo dos primeiros cristãos, que seguiam obviamente mais de perto os ensinamentos atribuídos a Cristo, já não existe há muitos séculos. Dessa forma, o cristianismo que talvez exista em nossa sociedade é residual.

Não se sabe muito sobre Cristo, mas sabemos algumas coisas sobre o cristianismo. As histórias contadas nos livros do Novo Testamento nos contam pouco sobre Cristo, pois são cópias das histórias que já circulavam há séculos no mar Mediterrâneo. Diversos filhos de Deus, nascidos de virgens, que foram mortos e ressuscitaram eram cultuados nessa região desde muito antes do tempo a que se atribui a existência de Cristo, sendo os mais famosos Osíris e Mitra. Contar essa mesma história foi uma decisão da Igreja Católica no século IV, quando estava nascendo o catolicismo sob as barbas do imperador romano. Obviamente, foi escolhida uma história de fácil aceitação em amplas regiões do domínio romano, e comprovadamente de sucesso, uma vez que vários povos a reproduziam e espalhavam embora modificando o nome principal.

Sobre as comunidades cristãs sabemos bem mais. Os cristãos, segundo os Atos dos Apóstolos, mas também segundo alguns de seus inimigos, viviam em comunhão, não somente espiritual, mas também de bens de uso. Faziam as refeições em comum, ajudavam seus doentes, as viúvas e os órfãos etc., em uma época em que o destino normal destes era a miséria. Aceitavam em sua comunidade qualquer um, mesmo que fosse escravo ou mulher, contanto que o mesmo dispusesse todos os seus bens (se os tivesse). As propriedades eram vendidas e revertidas para a comunidade e não havia um plano de produção em comum, pois se esperava o Apocalipse para breve. Tratavam-se como irmãos, de forma que o termo “senhor” muito provavelmente não seria bem tolerado por Cristo ou pelos fundadores do movimento cristão. A palavra “igreja” tem origem no grego Eclésia, que podemos traduzir por assembléia. Eram realmente assembléias, com poder, pois elegiam seus bispos e diáconos, ou seja, ao contrário da Igreja Católica, as primeiras comunidades cristãs eram democráticas.

Nota-se duas coisas – primeiro, que o cristianismo dessa forma não existe mais, a não ser talvez na mais radical das comunidades hippies. Segundo, que esse cristianismo era uma forma de comunismo, mas não o comunismo de Marx e sim o comunismo do senso comum, ou das anedotas, que imaginam ou descrevem o comunismo como igualitário, inimigo da prosperidade material e marcado por um voto de pobreza de seus adeptos.

O cristianismo certamente não chegou ao século IV exatamente como em seus primeiros tempos, mas foi nessa altura, sobretudo no Concílio de Nicéia, que recebeu um golpe fatal. A partir de então o Império passou a reconhecer a Igreja oriunda desse Concílio, que logo se tornou a religião oficial do Império Romano, por decisão do Imperador Constantino, e obrigatória, tanto para o terço de cristãos quanto para os dois terços de não-cristãos do império. A democracia dos primeiros tempos foi completamente substituída pela hierarquia religiosa romana. Até em alguns nomes, a começar pelo título de Sumo Pontífice, existente muito tempo antes de nascer o cristianismo. O comunismo inocente foi substituído por estruturas de caridade, como hospitais e orfanatos e os que insistiam em viver em comunhão acabariam, com o passar dos séculos, sendo isolados em monastérios e conventos, ou mesmo perseguidos pela Igreja.

Embora se repita com certa freqüência que “Cristo era um comunista”, e isso possa atrair apoios e votos aos comunistas contemporâneos, nossa obrigação é esclarecer as profundas diferenças entre o comunismo de Cristo e o comunismo de Marx. O cristianismo propunha a igualdade na pobreza, a doação de todos os bens terrenos. Já o marxismo propõe a coletivização somente dos meios de produção, ou seja, dos bancos e similares, das grandes indústrias e da grande produção rural. Está completamente fora dos planos marxistas tocar nos bens de uso, nas casas, nos carros, nas pequenas propriedades etc. O cristianismo era hostil às pessoas dos ricos, enquanto o marxismo nunca o foi, tendo sido o próprio Marx de família de algumas posses e tendo Engels, seu companheiro de lutas, herdado a fábrica da família.

O cristianismo tolerava a escravidão, já o comunismo não tolera nem a exploração assalariada. Mas ambas as formas de exploração são relações sociais de produção, cuja transformação exige grandes movimentos na sociedade. Não se trata de pecados individuais, passíveis de penitências. O cristianismo planejava salvar os que a ele se unissem, por meio do convencimento individual, similar à crença de que se pode transformar o mundo transformando primeiro os indivíduos. Já para o marxismo as sociedades são complexas e os indivíduos são por ela condicionados, ou seja, fazem a história mas não como a desejam. Assim o marxismo concluiu que não se pode realmente melhorar as pessoas apenas individualmente, mas somente transformando a sociedade. Por isso o cristianismo exigia dos cristãos o modo de vida piedoso acima citado, enquanto os Partidos Comunistas só pregam a luta dos trabalhadores por uma sociedade mais justa. Os comunistas não são monges que pretendem, pelo seu exemplo, uma sociedade baseada na pobreza igualitária, mas militantes que defendem a socialização dos meios de produção e da riqueza produzida.

O cristianismo primitivo era de mártires pacifistas, resultantes da crença na vida eterna. Os marxistas admitem a violência apenas diante da violência primeira das classes dominantes. Inicialmente buscam a via pacífica, não usando da força senão pelas necessidades da luta dos trabalhadores. Um pequeno exemplo disso foi o do PCB em meados dos anos 1970, sob a ditadura militar, que, mesmo diante da tortura e assassinato de dois terços do seu Comitê Central, não apelou para a luta armada. A violência revolucionária não é gratuita ou passional, mas a, segundo Marx, por vezes necessária, “parteira [da] velha sociedade que se encontra grávida de uma nova”.

O marxismo e as igrejas cristãs surgem influenciados pelo patrimônio ético do antigo cristianismo. Porém, as respostas encontradas para compreender e atuar na sociedade variam muito. Desde as igrejas mais hierarquizadas e, mesmo, mercantis, justificadoras intransigentes da sociedade de classes, passando por cristãos mais críticos das injustiças sociais, até a proposta radical dos comunistas de superação da sociedade de classes e da emancipação do conjunto da humanidade. Nas intenções de justiça, paz, liberdade e solidariedade estão as semelhanças entre Cristo e Marx, e o comunismo e as idéias religiosas só se excluem e se opõem quando a religião serve à preservação da exploração e da dominação.


Obs: Esse texto foi publicado originalmente no número 2 do São João del-Pueblo de papel, em Dezembro de 2009.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quinta, dia 17, 15 horas, Debate sobre o Pré-Sal

Nessa Quinta-feira, dia 17 de Dezembro, às 15 horas, acontecerá no Sindicato dos Metalúrgicos um interessante debate sobre o petróleo encontrado pela Petrobrás abaixo da camada de sal no leito do oceano em área de exploração econômica exclusiva do Brasil, o chamado Pré-Sal. Teremos então um choque entre dois partidos que se pretendem socialistas, o PC do B, hoje mais lulista que o PT, que será representado pelo Gilson Reis, e o PSTU, mais anti-Lula que os Demos, que será representado por Zé Maria. Para nós do PCB, que não estamos em nenhum desses extremos, o espetáculo será certamente divertido.

Nota: Ao afirmarmos que o PCdoB é hoje mais lulista que o PT estamos falando do país em geral, porque em São João del-Rei, depois que nós comunistas deixamos o PCdoB, essa sigla foi absolutamente controlada pelo PT local, de forma que a afirmação seria incorreta, pois o PT não pode ser mais lulista que o próprio PT.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Transparência: Bolívia dá passo certeiro em direção ao socialismo

Acabo de encontrar, no site da agência de notícias oficial da Bolívia, a notícia de que será regulamentado o artigo 333 da nova constituição desse país vizinho, que extingue o segredo bancário de todos os funcionários públicos que exerçam cargos de governo, sejam eleitos ou indicados, incluindo os parlamentares!

Evo Morales venceu as eleições ontem, portanto abrir suas próprias contas e as dos dois terços de deputados que sua aliança elegeu foi uma de suas primeiras medidas. É um ato revolucionário! De fato, um dos mais revolucionários possíveis, que desorganiza os capitalistas e blinda os socialistas. Trata-se de forte instrumento de combate à corrupção, e para os capitalistas a corrupção é um instrumentó de poder político. Sempre afirmo que se tivesse sido possível eliminar a corrupção na URSS, teria sido impossível a contra-revolução, pois a força central dos contra-revolucionários foram burocratas corruptos e contrabandistas, uma máfia que manda na Rússia até hoje.

Na Venezuela desde o início um dos principais problemas enfrentados pela revolução é que não consegue conter a corrupção. Seria um forte golpe contra o capital que a medida adotada pela Bolívia influenciasse os venezuelanos.

Quem quiser ler a notícia em castelhano clique em Levantarão segredo bancário para funcionários públicos e políticos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CONSTRUÇAO COLETIVA: O PCB E A QUESTAO DA ESTRUTURA PARTIDARIA


BREVE SÍNTESE
Organização
E preciso sempre levar em consideração a relação indissolúvel entre política e organização. Não basta ter uma boa linha política, se não temos organização suficiente para levá-la à prática.
As Organizações de Base (OB)
São o centro de gravidade do Partido, a sua razão de ser, as células de que seu organismo depende. A Base, portanto, é o Partido em sua área de atuação. A Base não é um organismo voltado para si próprio. Pelo contrário, tem a finalidade de ligar o Partido às massas, num sentido de mão dupla. A Base é a forma como os comunistas, em seus locais de atuação, se organizam. Nela, os militantes discutem a política do Partido, analisam a realidade da área de sua atuação, elaboram os planos de ação, opinam sobre os documentos e resoluções do Partido, exercendo o direito à critica e à autocrítica. O importante para o enquadramento dos militantes nas diversas organizações de base é o critério do ESPAÇO COMUM DE ATUAÇÃO E LUTA. A Base deve possuir um secretariado, eleito pelos membros da mesma, com a finalidade de dirigi-la entre uma reunião e outra, acompanhando o encaminhamento das deliberações, de forma que os planos de ação e a distribuição das tarefas atinjam os objetivos traçados.
O Trabalho de Direção
No partido revolucionário, ser membro da direção não é privilégio de qualquer espécie. Pelo contrário, significa mais responsabilidade, mais sacrifício pessoal e, em algumas circunstâncias, mais risco de todo tipo. Nos últimos 40 anos, o Partido passou por duas fases que trouxeram muitas deformações. A primeira delas foi a clandestinidade, em que não era possível vigorar a democracia interna, o que hipertrofiava as direções, abrindo espaço para o cupulismo, a manipulação de informações, o autoritarismo, a exclusão política. Quanto mais evoluirmos para um sistema de direção coletiva, menos sobra espaço para culto à personalidade, carreirismo, individualismo. Reforçar e aprofundar a prática da direção coletiva como método de trabalho permanente em todos os níveis de direção do Partido.
As Frações
O camarada deslocado para atuar numa dada fração não se desliga da política geral do Partido nem tampouco perde a perspectiva do movimento no seu conjunto. Portanto, não se desliga da base. É preciso atentar sempre para a regra geral de que fração não substitui base. Simpatizantes sao aqueles que, em geral, seguem a orientação política do Partido, buscam ajudar com opiniões, colaboram nas lutas e campanhas políticas, contribuem financeiramente de forma eventual, mas não se submetem às decisões partidárias, não desejam militar sistematicamente, não têm vínculo orgânico com a organização;
O militante comunista
O PCB será composto apenas por seus militantes. Os militantes do Partido são agentes políticos com iguais direitos e deveres. Os dirigentes partidários têm mais responsabilidade. O militante tem que ter vida orgânica; tem direito de se organizar numa base. O centro da atuação do militante do Partido é a base, não a sede do Partido. O militante comunista é, antes de tudo, um militante social. Deve buscar inserção na massa, procurando participar ativamente, se possível das direções, das entidades populares que tenham a ver com seu trabalho, estudo, moradia ou militância social ou com nossa linha de atuação política. Mas e preciso combater entre nós a supervalorização da atuação no movimento de massas, quando ela se dá em detrimento da atuação no Partido, que é subestimado. Esta é uma tendência que encontramos principalmente no ambiente do movimento sindical e no parlamento, onde alguns militantes comunistas jogam suas principais energias, muitas vezes negligenciando suas tarefas partidárias. Este fenômeno acaba por acentuar desvios como carreirismo e corporativismo.
O centralismo democrático e o princípio da direção coletiva
Empobrece o instituto do centralismo democrático resumi-lo apenas ao princípio fundamental da submissão da minoria à maioria. Isto é comum a qualquer partido, mesmo que burguês. A correlação entre centralismo e democracia variou ao longo da vida do Partido, segundo as condições concretas em que a luta de classe se desenvolvia. O PCB aprendeu com as experiências positivas e negativas resultantes dos critérios, orientações e estilo do trabalho de direção. Em certos momentos de nossa história, o Partido conheceu os malefícios tanto dos excessos de centralismo como do democratismo anarquizante. Melhorou métodos, corrigiu erros. Aprendeu com a vida. O centralismo democrático, tal como é concebido e aplicado no PCB nos dias de hoje, é o resultado do aprofundamento e enriquecimento dos seus princípios e da sua prática através de longa experiência. Estes são os princípios fundamentais que definem o centralismo democrático: A democracia interna, tendo como base a unidade de ação, alcançada à custa de extensa e profunda discussão, do convencimento das minorias, do respeito a elas, da circulação vertical e horizontal das informações, da disciplina consciente. O cumprimento obrigatório das resoluções partidárias, com o acatamento por parte da minoria às decisões da maioria. A liberdade de discussão nos órgãos e instâncias partidárias. A responsabilidade de cada militante perante o órgão partidário a que estiver organicamente ligado. A direção colegiada, sem prejuízo das responsabilidades pessoais. O controle e acompanhamento permanente das atividades partidárias. É esta relação dialética que viabiliza o Partido como vanguarda revolucionária. A democracia, sem direção coletiva e centralizada, converteria o Partido num clube de discussões ou de atividades voluntaristas. O centralismo sem democracia, por seu turno, engendra o culto à personalidade, as mistificações e o caudilhismo; deságua no burocratismo. Por outro lado, é preciso sempre reafirmar que no interior do PCB não existem tendências organizadas, ideológicas nem políticas. Não há plataformas nem grupos que se confrontem; não há dirigentes que se digladiam. O partido tem uma só direção nacional, regional ou local, uma só política nacional, a partir da qual se elaboram as políticas regionais e locais.
A democracia e as eleições internas ao Partido
Como informação é poder, a falta dela produz caciquismo e pesrsonalismos em todas as esferas. É preciso também envolver o conjunto da militância na formulação política, com amplos debates, inclusive horizontais, entre organismos do mesmo nível. Quanto mais democracia, menos erros, menos descolamento das direções das bases e, portanto, das massas. Os organismos eleitos não se apossam do poder, como sucede nos partidos burgueses. A atividade da direção é inseparável da constante intervenção democrática das organizações e militantes. Como o PCB não comporta tendências nem grupos organizados, deverão ser banidas de nosso meio práticas que foram utilizadas no passado, sobretudo em meio a lutas internas fratricidas, como é o caso das listas secretas, que só encontravam ambiente para ocorrer em função de outro equívoco que vicejou entre nós: o voto secreto. Entre comunistas, não pode haver qualquer hipótese de voto secreto, cuja única explicação, nos fóruns colegiados burgueses é o não constrangimento do eleitor. Entre comunistas, as opiniões e votos não podem constranger qualquer camarada, pois o pressuposto da camaradagem é a franqueza, a crítica e a autocrítica. (…) um Partido revolucionário, o que nos distingue dos demais partidos, fundamentalmente porque no PCB fazer parte de uma direção não é um privilégio que possa trazer benefícios de natureza pessoal, como na maioria dos partidos. Pelo contrário, é fator de mais sacrifícios pessoais e, porque não dizer, de mais riscos pessoais, de vários tipos, inclusive profissionais.

sábado, 21 de novembro de 2009

Pernambuco: De volta às diferenças entre comunistas e anarquistas

É com tristeza que informamos nossos leitores que chegaram de Pernambuco informações que desmentem nosso anterior otimismo, que pode ser notado no texto publicado há alguns dias ai embaixo, do qual portanto temos que fazer uma autocrítica.

A informação é que os anarquistas não defendem o poder das entidades de base sobre o DCE, mas a dissolução de todas as entidades, DCE e entidades de base. Acontece que querem acabar não com as grandes eleições movidas a grana e sujeira (como são as de um DCE, com milhares de eleitores), mas com TODAS as eleições, mesmo as pequenas, onde a publicidade marqueteira tem pouca ou nenhuma influência, em que os eleitores sabem em quem estão votando e o uso de dinheiro não tem lugar.

Ora, isso somente criaria um período de bagunça, e propiciaria a volta da "democracia" capitalista mais forte ainda! Isso tem um nome, porque já não é novidade, mas foi feito várias vezes sem nenhum sucesso - é o assembleismo. Assembléia toda hora, para tudo, sem outra regra. É claro que funciona em períodos de auge do movimento, mas depois as Assembléias se esvaziam, e os poucos que sobram, nem sempre os melhores, passam a dirigir tão distantes das bases quanto os diretores "donos dos mandatos". As Assembléias são sim melhores que eleições diretas, mas é possível e necessário que existam ambas as coisas, mas ambas previstas em um estatuto, de forma a manter viva a organização também nos períodos de baixa do movimento.

Se interessa a alguém o que acontece a esse respeito hoje em São João del-Rei, informamos que há 6 anos o DCE é controlado pelas entidades de base, e que essa experiência gera constantemente nos militantes a percepção de que é necessário democratizar as entidades de base também. Mas isso não pode significar acabar com as eleições, tanto porque para um máximo de 400 alunos (que é o que têm os cursos) esses processos não são dominados pelo vil metal, nem por calúnias, mentiras, politicagem e manipulação marqueteira, quanto porque não existe como formar conselhos uma vez que as turmas nunca são fixas, quanto porque só com assembléias, como já explicamos, não existiria organização. É sim possível que as entidades de base substituam eleições diretas por assembléias para escolher e depor diretores, mas isso teria que ser feito em estatutos, não abolindo os estatutos! Começam a acontecer experiências diversas, em entidades de base da UFSJ, de reformas estatutárias tentando superar a democracia capitalista, que tendem na verdade a um poder realmente misto! Alguns eleitos em eleições diretas, outros em assembléias, outros representantes de turma. Também existem estatutos onde a revogação dos mandatos é possível.

Mas o que temos de concreto a apresentar, que está testado e já deu resultados positivos, é o poder das entidades de base. Se os anarquistas da UFPE defendem isso, não estão conseguindo o fazer com toda a eficiência pois optaram por uma explicação de acordo com suas ideologias - afirmam que não existe representatividade e são anti-partidários! Assim não explicam que na verdade o poder das entidades de base é muito mais representativo que qualquer eleição direta, mesmo pelo critério estreito dos capitalistas, que é o número de votos, pois muito mais estudantes votam nos seus Centros Acadêmicos que no DCE em qualquer universidade. Também as pesquisas indicam que os estudantes se sentem muito mais representados pelas entidades de base que pelos DCEs eleitos diretamente. Com o anti-partidarismo só conseguem colocar em dúvida o que defendem e afastar os membros de partidos, afinal que liberdade é essa, que democracia é essa em que todos os estudantes que têm partido são discriminados? Ora, uma coisa é ser contra os partidos dominarem DCE, Sindicatos e outras entidades, fazendo delas seus "aparelhos". Também somos contra isso. Outra coisa é ser contra a existencia dos partidos no Brasil, onde os partidos de esquerda são uns dos poucos espaços de participação política verdadeira. Lutou-se vinte anos contra uma ditadura, ao preço de milhares de vidas, para se ter a liberdade de organizar o Partido Comunista, e agora vamos ter novamente sua perseguição? Vamos assistir estudantes fazendo o trabalho da ditadura?

O que leva os anarquistas como diversos estudantes ao anti-partidarismo é a aparencia de que os partidos são os agentes, os vilões, os culpados dos "aparelhamentos" e consequentemente da crise do movimento. Não podem superar essa leitura superficial porque não têm acumulo de experiência partidária, ou seja, só vêm o problema por um dos lados. Quando o vemos pelos dois lados fica evidênte que na verdade os partidos e as entidades sociais são ambos vítimas, são ambos engolidos pela mesma engrenagem capitalista. Assim como candidatos a presidente da República, a governos de estados, prefeituras e aos parlamentos se comprometem com multinacionais, bancos e outros capitalistas para conseguir recursos para suas campanhas, estudantes que iniciam acriticamente a fazer movimento se comprometem com "seus" partidos, com reitores, com deputados, para conseguir rodar milhares de programas, panfletos, adesivos e cartazes. Assim como os políticos se corrompem ao satisfazer seus "apoiadores" financeiros e sanar as próprias dívidas, os estudantes destinam dinheiro de umas entidades para eleições de outras, para montar bancadas em congressos etc., dando prosseguimento à política de "seus" partidos ou chefes políticos.

Quem acha que isso é bom para os partidos não pensou direito. Como pode ser bom, sobretudo para comunistas, formar políticos capitalistas? Como pode ser bom treinar os millitantes em corrupção, golpes eleitorais, burocratismos etc.? Como pode ser bom atrair falsos comunistas que só se aproximaram com intenções eleitoreiras? Ora, de fato a degeneração de partidos inteiros só pode ser atribuída ao "aparelhismo". Lênin, tratando dos partidos que se degeneraram no início do século XX, culpou a participação no Estado burguês (sem deixar de ser a favor de participar), e seu diagnóstico não estava errado. Mas no Brasil degeneraram organizações com participação eleitoral irrisória! Ora, a degeneração dessas organizações foi fruto exatamente da atuação intensa e acrítica nas miniaturas de Estado burguês que têm sido os Sindicatos e DCEs. Organizações revolucionárias formaram "aparelhistas" pelos quais acabaram "aparelhadas"! Só existe uma maneira de não ser triturado por essa engrenagem capitalista, e é destruindo-a, o que só é possível substituindo-a por outra democracia, e não tentando substituí-la por nada!

Estamos, nota-se, de volta à velha polêmica entre anarquistas e comunistas, tão bem explicada por Lênin no Estado e a Revolução. Tanto os comunistas quanto os anarquistas sabem que o Estado capitalista é inimigo e deve ser substituído, mas os comunistas sabem que isso só é possível criando um novo Estado, do proletariado, enquanto os anarquistas defendem o fim dos Estados em geral. Claro que se trata de uma forma confusa de comunicação, pois na verdade sabemos que os verdadeiros anarquistas russos defenderam os Soviets e depois se incorporaram ao Partido Comunista, ou seja, na prática ajudaram a construir um Estado proletário. Assim também, na UFSJ, os anarquistas continuaram pregando suas utopias, mas na hora necessária souberam defender o poder das entidades de base (a única coisa que temos deles a reclamar por aqui é que continuam resmungando contra o Partido Comunista).

Apesar dessa confusão, em que existe a idéia do poder das entidades de base, mas embaralhado no meio de uma pregação anti-partidária e confusa, o simples surgimento em um estado da importância de Pernambuco do debate sobre a democracia já é interessante. Ao mesmo tempo, como se pode observar pelos sites do Partido em Santa Catarina, essa debate foi colocado em pauta na UFSC. No sul, a reflexão está mais clara, mais profunda, enquanto o fato em si é simplesmente um apelo a não se formar chapa para concorrer ao DCE, mas isso não de um ponto de vista esquerdista, e sim de perplexidade, em que se constata que é necessário refletir mais antes de agir. Foi desse documento de Santa Catarina que tiramos a palavra "engrenagem" que usamos várias vezes acima.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cresce a luta pelo poder das entidades de base na UFPE

Pela barra de notícias do São João del-Pueblo digital foi possível acessar o seguinte panfleto:

ConeUFPE: "Bloco Democrático" rejeita democracia!

Trata-se de um texto aparentemente anarquista em um site, o Centro de Mídia Independente, também de tendências libertárias, o que me fez lembrar que em Outubro de 1917 os anarquistas mais consequentes ajudaram a colocar os Soviets no poder! Essa lembrança não me veio gratuitamente. De fato, o problema é o mesmo, só em outro lugar, em outra dimensão e com outros nomes.

O tal Bloco Democrático defensor na verdade da democracia capitalista, ou seja, da manutenção das eleições diretas para o DCE da UFPE, é formado pelo PSTU, o PCR e o PT. Que essas forças são capitalistas não é novidade para nós. Entre eles existem muitos socialistas de coração, mas o socialismo é uma ciência, e não se pode ser socialista só de coração, assim como não se pode ser físico, químico etc. O socialismo precisa ser estudado, e quem não estuda sempre acaba defendendo o capitalismo mesmo sem o querer e saber.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A mentira do combate à fome

Obama e Hillary Clinton, certamente inspirados no “Cara” aqui do Planalto, anunciaram um plano de combate à fome no Mundo, obrigando-nos a escrever essa breve nota explicando por que eles não podem acabar com a fome nem mesmo dentro dos EUA, que têm hoje, segundo seus próprios cálculos, 35 milhões de famintos.

Temos uma primeira pista no Brasil, hoje aclamado mundialmente como campeão no combate à fome, onde Lula tornou-se famoso pelo seu Fome Zero. Como se nota passados 7 anos, a fome persiste! O Fome Zero beneficiou cerca de 44 milhões de famintos, e reduziu a desnutrição infantil em 73%, mas não colocou fim à fome, que segundo o IBGE ainda atinge 14 milhões de brasileiros (são famílias que passam fome ao menos uma vez a cada 90 dias). Claro que o Brasil tem recursos para acabar com a fome de vez, pois é bem mais rico que Cuba, onde a fome foi extinta. Porém, nem Lula nem nenhum presidente do Brasil pode acabar com a fome pelo mesmo motivo que nenhum presidente dos EUA poderá acabar com a fome nos EUA.

O capitalismo precisa da fome, precisa de miséria, pois precisa do desemprego, e que o desemprego seja o desemprego, ou seja, miséria e fome. Os países capitalistas com seguro desemprego permanente e suficiente precisam compensar essa situação com os imigrantes sem direitos (ou seja, quando os imigrantes ganham direitos, são necessários os imigrantes ilegais). Isso é uma descoberta de Marx, a necessidade que os capitalistas têm de uma massa de desempregados disputando os empregos com os empregados, de forma a reduzir os salários.

Sem fome, sem miséria, os trabalhadores poderiam arrancar dos patrões salários muito melhores. Um governo que fizer isso estará portanto em guerra contra todos os capitalistas, e só não cairá se tiver um apoio muito forte do povo trabalhador, ou seja, terá iniciado uma revolução ou cometido suicídio político se não físico.

Diversos avanços são possíveis ainda sob o capitalismo, e devemos lutar por eles, que facilitarão a revolução e o pós-revolução, mas o fim da fome não é um deles, pois colocaria o capitalismo em crise, e uma crise conforme nunca se viu. As taxas de lucro, já estreitas, desabariam.

A proposta apresentada por Clinton confessa os reais objetivos do plano ao afirmar que existem no mundo conflitos por comida em 27 países. O objetivo, nota-se, não é acabar com a fome, mas com conflitos que não são do interesse “imperial”, limites nítidos nos recursos financeiros de três e meio bilhões fornecidos pelos EUA, que no entanto imprime essa papelada cada dia menos valiosa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A transparência no Campo das Vertentes

É ótima notícia o acordo feito entre a Promotoria Pública e as prefeituras do Campo das Vertentes que prevê a criação de sites onde os cidadãos possam acompanhar as contas públicas. Esperamos, e devemos mesmo exigir, que não sejam sites labirínticos, que na verdade não garantem transparência nenhuma, e que tem sido o que existe até o presente momento no país. As contas só serão transparentes quando estiverem organizadas de forma clara, que qualquer leigo entenda, visto que se trata de um dinheiro também de todos os leigos.

O Promotor Público responsável por esse avanço, que há dias deixou esse posto, era atuante, nos parece pelas suas ações muito bem intencionado (embora não concordemos com todas as suas posições), e saiba disso ou não, com esse acordo realizou seu maior feito em sua passagem por São João del-Rei. Alguns camaradas inexperientes podem perguntar – que importância tem isso? Poderá haver verdadeira transparência sob um regime capitalista? E se for possível, acaso tornará essa sociedade mais humana, um pouco decente? Não seria bom para o capitalismo, fortalecendo-o contra a revolução socialista?

Sobre a importância, analisemos pelo ponto de vistas da luta de classes. Não há nada que não tenha alguma influência sobre a luta de classes, como em um campo de batalha qualquer irregularidade do terreno deve ser levada em conta. No caso de um assunto como este, que modifica o próprio funcionamento dos governos, dificultando a corrupção, os favorecimentos etc., a importância é ainda maior. E quem perde com a transparência é o Estado capitalista, pois a corrupção faz parte da estrutura de poder, da forma como os capitalistas realmente participam do poder de Estado, e da forma como os chefes políticos capitalistas estabelecem conexões com as classes dos detentores do capital, incluindo as alianças internas entre os capitalistas. Atrapalhar a corrupção é atrapalhar a movimentação do inimigo!

Se é possível? As possibilidades em qualquer sociedade dependem dos interesses em jogo e da correlação de forças. Nenhuma lei, nem natural, nem histórica, nem escrita pelos homens, impossibilita nenhum avanço. Não se deve apostar em impossibilidades, sob pena de cair no ridículo dos físicos que no passado “provaram” que era impossível o vôo de qualquer instrumento humano mais pesado que o ar. É do interesse de quase toda a nação a transparência mais completa e detalhada de todas as contas públicas. Até mesmo os capitalistas despolitizados e sem vínculos fortes com a corrupção, que são maioria, de fato defendem a transparência das contas públicas. Somente têm interesse em proteger a corrupção, além dos próprios corruptos, os chefes políticos capitalistas de mais pé no chão! Terão forças para conter todas as classes por quanto tempo? Conseguirão distorcer as leis e os sites de forma a falsificar a transparência por mais quantas vezes? Poderão sequer unificar suas próprias forças nesse assunto?

Se a transparência melhorará ou até fortalecerá o capitalismo? Não, a transparência das contas públicas pode dificultar o poder dos capitalistas sobre seu próprio Estado, e isso pode tornar os serviços públicos mais eficientes, o que é positivo para a qualidade de vida do povo. Porém, o estudo da economia e da sociedade capitalista não nos permite fazer previsões otimistas. Diante dos problemas em curso o mais eficiente Estado capitalista é como uma concha d’água para apagar o incêndio de uma floresta.

Deve-se acrescentar que a transparência é uma necessidade especialmente socialista! Na URSS, exemplo clássico de derrota sofrida por nós, os contra-revolucionários sobreviveram enquanto grupo, fortaleceram-se e uniram-se em torno da corrupção. As forças que em 1957 tomaram o poder das mãos dos comunistas eram completamente atreladas aos burocratas corruptos das cidades e dos campos e portanto indiretamente aos marginais que faziam o comércio ilegal entre os bens roubados por esses burocratas, o chamado “mercado negro”. Toda a nova burguesia russa é oriunda do saque dos bens públicos. Ou seja, uma transparência verdadeira, completa, detalhada, teria dificultado a contra-revolução mais que tudo o que foi feito.

Concluindo – a transparência ajuda a revolução e atrapalha a contra-revolução!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Manuel Zelaya está na capital de Honduras

Na manhã desse 21 de Setembro de 2009, o presidênte legítimo e popular de Honduras chegou ao prédio da embaixada brasileira em Tegulcigalpa, capital de Honduras! A população está se concentrando em torno do prédio para defender o presidente dos golpistas fascistas. Os carros passam buzinando.

Os golpe revelou-se um tiro no pé dado pelas próprias elites ghondurenhas. Elas se comprometeram, comprometeram todo o seu Estado, incluindo o oficialato das Força Armadas, os bispo da Igreja, o Parlamento e a Justiça. Por outro lado, o golpe organizou mais o povo de Honduras do que os quatro anos de Manuel Zelaya, e esse povo agora exige uma Assembléia Nacional Constituinte, ou seja, a revolução!

O desespero dos golpistas é tanto maior quanto o único apoio internacional importante que têm, os EUA (pois Espanha, Israel e Colombia não são hoje mais que províncias dos EUA), negaceiam seu apoio, ciosos de se comprometerem com um golpe cada dia mais isolado.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A necessidade de um programa socialista viável a partir da democracia capitalista

Não pretendemos voltar ao debate sobre a transição do capitalismo ao socialismo, não acreditamos na possibilidade reformista, ou seja, de que uma nova sociedade possa ser construída gradualmente a partir do capitalismo. Todos os estudos, todos os casos, mostram o contrário – o que é possível é a revolução.

Porém, como se constrói a revolução? E o que é a revolução? Existe um trecho da obra mais madura de Lênin, pois a que escreveu mais experiente, que nos interessa, pois tratava exatamente de países onde os comunistas enfrentavam uma democracia liberal:

O autor compreendeu de modo admirável que não é o parlamento, e sim apenas os Soviets operários que podem constituir o instrumento necessário do proletariado para atingir seus objetivos. E, naturalmente, quem até agora não compreendeu isso, é o pior dos reacionários, mesmo que seja o homem mais culto, o político mais experiente, o socialista mais sincero, o marxista mais erudito, o mais honrado cidadão e chefe de família. Há, porém, uma questão que o autor não apresenta e nem sequer pensa que seja necessário apresentar: se se pode levar os Soviets à vitória sobre o parlamento sem fazer com que os políticos “soviéticos” entrem no parlamento, sem decompor o parlamentarismo estando dentro dele, sem preparar no interior do parlamento o êxito dos Soviets no cumprimento de sua tarefa de acabar com o parlamento.

É claro que a resposta do próprio Lênin era “Não”, por que de fato, de nós que estamos sob uma democracia capitalista, e que lutamos pela legalidade dos partidos comunistas no mundo todo, o povo espera que utilizemos a liberdade desses partidos! Se temos propostas, se somos capazes de conduzir o país a um rumo melhor, espera-se que apresentemos esse caminho, não vaga e futuristicamente, mas para executar em um mandato.

Sim, existem diversos problemas ai envolvidos, desde a impossibilidade da vitória eleitoral comunista, passando pela impossibilidade de um governo comunista na atual conjuntura, até a impossibilidade de uma transição do capitalismo ao socialismo sem uma ruptura com a ordem constitucional, mas uma coisa não tem nada haver com outra! De dois em dois anos, sabemos bem, temos que nos apresentar ao povo durante as eleições, e portanto todas as verdades sobre a democracia capitalista não ser democracia não nos salvam da necessidade de apresentar um programa socialista eleitoral, ou seja, razoável para quatro anos de governo sem maioria nos parlamentos!

Ao não fazermos isso, nos colocamos para escanteio na luta política, e pior, permitimos aos inimigos diversos que coloquem em prática suas estratégias. A estratégia política do capital no Brasil é manter a democracia liberal, e ao mesmo tempo manter uma reserva de forças autoritárias. Tal esbanjamento de forças capitalistas é possível por que a própria esquerda é a primeira defensora democracia capitalista, deixando os capitalistas mesmo de mãos livres para engrossar seus grupelhos fascistas. Grupos mais esquerdistas, que não defendem a democracia liberal, a atacam de forma maniqueísta – a democracia liberal seria somente o disfarce do Estado, onde atuar seria inútil.

Precisamos seguir um caminho equilibrado, de combate à democracia capitalista, mas propondo-nos a destruí-la por dentro, transformando-a de forma a dificultar a vida dos capitalistas. Nossas propostas, portanto, devem ser de reformas políticas! Mesmo as nossas propostas econômicas têm que estar de acordo com uma reforma política revolucionária. Esse programa tem que falar por nós, quem nós somos.

Exemplo primeiro, por ser mais importante, a revogabilidade de todos os mandatos, característica da Comuna de Paris e dos Soviets, deve ser nossa principal bandeira de reforma política. Ter abandonado essa bandeira é inexplicável, mas explica nossa fraqueza diante da direita e de partidos pseudo-socialistas, uma vez que abrimos mão de nosso diferencial. Levantar essa bandeira não nos levará à vitória eleitoral, e é mesmo muito difícil supor que um dia qualquer país capitalista possa ter uma democracia tão avançada. Mas o que interessa é que atrairia para nós os comunistas de todo o país, hoje quase todos dispersos, e que reconheceriam – eis que alguém levantou novamente a bandeira da Comuna! O que o povo diria então de quem nos chamasse de autoritários? Como poderiam nos acusar de querer implantar uma ditadura? E poderiam os capitalistas aceitar nossa proposta? Qual carreirista se sente a vontade com a revogabilidade permanente dos mandatos?

Outro exemplo, a socialização das empresas estatais! Falamos de reestatizar, e nas teses ao XIV Congresso se propõe a estatização de tudo, mas de fato o povo não está nem convencido da necessidade de se manter as atuais estatais. As privatizações foram um fiasco, e a população vai entendendo isso (trabalho no qual deveríamos ajudar), mas não significa que volte a ficar satisfeita com as estatais como são. Temos que propor a socialização das estatais, para explicar ao povo o conceito de socialização com exemplos, e para explicar que socializar e estatizar não são a mesma coisa. Atualmente, contra o socialismo milhões de pessoas argumentam com os problemas das estatais!? Ou seja, ao contrário do que já se pensou em fazer, agora é necessário começar a socializar, ou ao menos a falar disso, e assim ganharemos forças para ampliar as estatizações!

Terceiro exemplo, a transparência. Existe uma demanda social por transparência, mas de fato todos os programas de transparência são farsas, uma vez que a verdadeira transparência colocaria em xeque o poder burguês, que necessita da corrupção. Nesse aspecto nós comunistas não seremos voz solitária, mas devemos mesmo assim defender a transparência mais irrestrita, das contas públicas e das contas das pessoas públicas! Não só na destruição do Estado capitalista, mas na construção do socialista, é importante dificultar a corrupção, que se no capitalismo é parte do jogo político, no socialismo é a base central da contra-revolução.

Quarto exemplo, o exercício direto do poder na educação e na saúde. Devemos propor para já o poder dos estudantes e professores sobre as escolas, secretarias municipais, estaduais e o ministério da educação, assim como devemos propor que os Conselhos do SUS sejam libertados do controle dos executivos municipais, estaduais e nacional e de fato tenham o poder sobre a saúde, quando hoje não passam de uma caricatura disso. O sucesso da gestão popular dos sistemas de saúde e educação abriria espaço para conquistar o controle popular sobre outros setores, arrancando-os do Estado inimigo e começando a agrega-los a um novo.

Esses quatro pontos bastariam para nos alçar à posição de força política influente no país. Deviam ser aprovadas por esse XIV Congresso, e não pelas Conferências eleitorais de 2010, pois devem servir não somente para as eleições de 2010, mas para todas, municipais e gerais, de 2010, 2012, 2014 etc.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fidel!

(Reuters) Cuba Informacion exibiu no domingo um vídeo da reunião com os advogados venezuelanos em 22/08/2009. Na primeira filmagem tornada pública em mais de um ano, Fidel parece animado e de bom humor.

Os cubanos já haviam amanhecido no domingo com uma fotografia do ex-presidente com uma boa aparência durante uma visita do presidente do Equador, Rafael Correa, na capa do diário oficial Juventud Rebelde.

Os cubanos puderam acompanhar a evolução de Fidel Castro por meio de imagens esporádicas, mas nunca com tanta frequência como nas últimas 24 horas.

Veja o vídeo abaixo.

cubainformacion.tv

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

XIV Congresso do PCB - Etapa de São João del-Rei

Sábado, dia 22
9 horas da manhã
Local: Sindicato dos Metalúrgicos

Aberto ao público!

Os comunistas de São João del-Rei vão se reunir, nesse Sábado, para debaterem e enriqueceram as teses do XIV Congresso, eleger seus delegados à etapa mineira do XIV Congresso e comporem um novo secretariado municipal.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

AGOSTO REVOLUCIONÁRIO!!!

Para o nosso segundo semestre a UJC- Autocrítica, em parceria com o PCB São João del-Pueblo, continuará seus trabalhos de formação intelectual através dos ciclos de leitura e reuniões periodicas para a estruturação do jornal São João del-Pueblo e nosso trabalho de imprensa. Temos uma importante pauta, que é o nosso XIV Congresso Nacional, onde realizaremos nossa Etapa Municipal nos dias 13, 14 e 15 de Agosto em São João del-Rei, com local a ser definido. Planejamos para o dia 29 de agosto um curso de formação sindical com os trabalhadores e demais interessados no Sindicato dos Metalúrgicos (SINDMETAL), com a presença ilustre do camarada Sílvio, advogado e vice-prefeito de Borda da Mata. Ele contribuirá com debates a respeito dos direitos trabalhistas, especificamente sobre as negociações coletivas entre trabalhadores e patrões em momentos de reivindicações da classe operária.
Esse agosto será, sem sombra de dúvidas, um mÊs importante nas atividades da nossa organização. Esperamos a participação de todos os camaradas na construção das nossas futuras tarefas.Eis o nosso calendário para o Agosto Revolucionário:
10 de agosto (segunda-feira)- Publicação do São João del-Pueblo nº 1;
13 e 14 de agosto (quinta e sexta-feira)- Discussão das teses para o XIV Congresso Nacional do PCB (local e horário a ser definido);
15 de agosto- Etapa Municipal do XIV Congresso Nacional do PCB (local e horário a ser definido);
29 de agosto- Curso de Formação Sindical no Sindicato dos Metalúrgicos (SINDMETAL);
Contatos : André Luan
andreluand2@hotmail.com
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3291175882

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ciclovia sob as pontes de pedra

Sei que não é novidade, que já se pensou nisso, portanto não reivindico a autoria da ideia, nem para mim, nem para o Partido Comunista. Mas defendo que São João del-Rei precisa, com urgência, de uma ciclovia utilizando o espaço das margens do córrego do Lenheiro, desde o fim do Tejuco até o início da Leite de Castro, ou seja, cortando toda a cidade. Conheço o mais forte argumento contrário, de que isso buliria com um cartão postal da cidade, que é a ponte da Cadeia, mas é um argumento de gente que não conhece a história desse cartão postal, nem a ciência do paisagismo. Também conheço os verdadeiros interesses contrários, que são os capitalistas. Porém, os resultados positivos me levam a defender a adoção dessa bandeira pelos comunistas de São João del-Rei.

O Arraial Novo, que viria a ser a Vila de São João del-Rei, nasceu centenas de passos acima das margens do Lenheiro, então bem mais caudaloso, e como o Caminho Geral passava junto a essas margens, o arraial se estendeu naturalmente em sua direção, e depois o atravessou, para o que se usava, pasmem, barcos! Não sabemos se podemos acreditar nos desenhos que nos mostram um pequeno barco com uma vela latina, mas certamente se usava barcos para o que hoje um bom atleta pode pular!

O nome do córrego hoje, oriundo do nome da serra de onde nasce, indica um dos motivos de seu emagrecimento – o desmatamento nas nascentes. Certamente a agricultura e a pecuária também contribuíram, mas certo é que ainda cento e cinquenta anos depois de fundado o arraial, o que passava por baixo das poucas pontes então existentes era um rio. A ponte da cadeia já existia então há cinquenta anos, e já era um cartão postal. Passados mais quase cem anos, no aniversário da Estrada de Ferro Oeste de Minas, tendo então a ponte cento e cinquenta anos e suas fotografias estando distribuídas pelo país em jornais, livros e cartões postais, sobre um rio e não um gramado, ainda se represou as águas, o que já então era necessário para colocar barcos para as pessoas passearem.

Nada disso denegriu o cartão postal da cidade, muito pelo contrário. Então, com um bom projeto, que leve em conta as cheias que acontecem no verão e a beleza, o que pode ser feito mantendo o gramado e o melhorando, teremos uma via de transporte eficiente, barata e ecologicamente inteligente. Se por um lado os turistas veriam um novo cartão postal, com gente e bicicletas onde hoje só se vê grama, por outro poderiam eles mesmos passear por baixo dos arcos das pontes, assim como toda a população.

Teriamos significativa melhoria no trânsito, com súbita redução dos acidentes, que matam cada vez mais em São João del-Rei. Com 82 mil habitantes, São João tem cerca de 24 mil veículos automotores! Que os interesses do lucro, das empresas que ganham com o transporte poluente, fiquem acima da vida, é prova cabal de que o capitalismo tem que ser morto! Eis a força da bandeira, de denúncia do capitalismo, que é duplamente útil, pois facilita a vitória da mesma e enquanto não é vitoriosa flagela o inimigo.

Não somente para o bolso dos trabalhadores, mas para a economia da cidade, trata-se de enorme economia, pois o que os trabalhadores ganham, gastam por aqui mesmo, em nosso pequeno comércio. É estranho, até burrice, que existam comerciantes da cidade que não apóiem os trabalhadores, como se seus ganhos não fossem proporcionais aos salários dos clientes.

Os lucros das empresas de ônibus, de peças e de combustíveis quase não ficam na cidade, pois as duas últimas não são produzidas aqui e a primeira envia seus lucros embora. O que fica na cidade dessas empresas é o salário dos empregados, e esse não vai se reduzir pois as que poderiam demitir, as de ônibus, não podem pois suas linhas são fruto de concessão pública, não podem ser reduzidas até a próxima licitação, que (se o povo tivesse algum poder) poderia até melhorar e ampliar as linhas, incluindo inclusive empresas da cidade, e até motoristas de vãs.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ditadura em Honduras

O governo dos golpistas de Honduras está se revelando sanguinário, cometendo assassinatos a sangue frio por todo o pequeno país. O apoio dos EUA aos gopistas, embora subterrâneo, fica cada vez mais nítido.

Ver mais no Expresso Vermelho ou nos sites da barra lateral ->

domingo, 28 de junho de 2009

Golpe fascista em Honduras demonstra imperialismo dos EUA sob Obama

Diga o que disser Obama, sabemos que os EUA estão por trás de mais esse golpe fascista. Se não estão, que façam o favor de bloquear Honduras como têm bloqueado a democracia cubana.

Leia mais a respeito no Expresso Vermelho ou em outro site da nossa barra lateral.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A suspeita ética tucana: Câmara de Vereadores aprova censura prévia

Em seu número de 20 de Junho, o semanário do PSDB, a Gazeta, publicou um artigo sobre a aprovação de uma resolução que oficialmente deve servir à manutenção da ética na casa. De fato é uma lei de censura prévia, pois prevê a punição dos vereadores que falem coisas desagradáveis aos demais. A única a votar contra foi Silvia Fernanda (PMDB), que sempre se reivindicou de direita, mas que aqui merece nossa defesa.

O que os tucanos entendem por ética ficou claro nessa mesma matéria da Gazeta, que criticou a vereadora Silvia por ter dito que fez “campanha pedindo voto humildemente, Não gastei um tostão, nem meu, nem de empresa nenhuma, nem de deputado. Não comprei voto, não dei cesta básica, não dei manilha, não dei saco de cimento.” O comentário da Gazeta a esse respeito é absurdo - “esbravejou”, disse sobre Silvia Fernanda! Ora, em que as palavras da vereadora são ofensivas? Onde isso é esbravejar? É ético fazer tal comentário sobre uma frase que não tem nada de esbravejar? Essa é a neutralidade da folha tucana?

A fala de Silvia Fernanda foi seguida por protestos de diferentes vereadores, dando mostra do que consideram ofensa – É quando alguém fala a verdade que eles querem manter escondida! Algum brasileiro acaso desconhece que a compra de votos e o abuso do poder financeiro são as principais características de nosso regime político? Falta de ética não seria todos os vereadores saberem disso e fingirem que não sabem?

É público e notório que alguns vereadores foram pegos comprando votos, que diversos gastaram fortunas de deputados e empresas e que um deles até coagiu os funcionários de uma empresa! A “justiça” eleitoral, que cassou a candidatura de um candidato comunista por questões burocráticas não foi capaz de punir os verdadeiros criminosos. Isso é público em São João del-Rei! Mas agora, aprovada essa lei de censura prévia, nada disso pode ser dito por um vereador nas sessões da Câmara! Ética, agora, é ser cúmplice desses crimes. Esperávamos coisa melhor dessa Câmara e até da folha tucana.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Silvio Rodrigues em São João del Rei

Sexta-feira, dia 19 de Junho de 2009, teremos conosco o camarada Silvio Rodrigues, advogado que luta em defesa dos trabalhadores há vários anos, é secretário sindical do PCB de Minas Gerais e vice-prefeito de Borda da Mata.


Teremos com ele duas atividades:


14:30 - Conversa aberta sobre o PCB, o socialismo, a revolução, as eleições de 2010 etc.


17:30 - Reunião sobre a crise do movimento sindical, hoje completamente dividido a nível nacional em cerca de dez centrais, e a proposta dos comunistas para a unidade dos trabalhadores, a Intersindical.


Os interessados nesses dois assuntos estão convidados a participar.


A reunião será no Sindicato dos Metalúrgicos, próximo à rodoviária nova.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Grupo de Estudos: II Capítulo do "Que Fazer?"

A União da Juventude Comunista, em parceria com o PCB de São João del-Rei, está promovendo espaços de formação política para aqueles que se interessam por marxismo e querem discutir as questões teóricas que envolvem a ciência do proletariado. Convidamos a todos aqueles a participarem, no dia 19/06,sexta-feira às 10h na sala do Mestrado em História (1.49)- Campus Dom Bosco do nosso próximo encontro, que debaterá o o segundo capítulo do livro "Que Fazer" do camarada Lênin.

É possível acompanhar os estudos a partir de qualquer momento!

Interessados, entrem em contato com André Luan para o fornecimento do texto: andreluand2@hotmail.com
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A NECESSIDADE DA LUTA IDEOLÓGICA E CULTURAL: COMO ESTABELECER UMA CONTRA-HEGEMONIA ANTI-CAPITALISTA?

Já passadas duas décadas da queda do Leste Europeu vemos que, do ponto de vista cultural, o capitalismo ainda consegue propagar os valores individualistas nas relações sociais de produção na humanidade. O capitalismo mantém a luta daqueles que resistem em um plano econômico- corporativo, sendo a resistência política e o apontamento de um novo projeto de sociedade algo bastante distante da esquerda brasileira. Nesse sentido, quais seriam os caminhos a serem trilhados para nossa luta ideológica? Como fazer com que as necessidades econômicas do povo se transformem em indignação ao sistema vigente? Enfim, como fazer com que o marxismo se torne uma teoria que seja discutida pela opinião pública em geral?
Em “Que Fazer?” Lênin tentou responder a essa série de questões no início do século XX. O objetivo em organizar o partido social-democrata no sentido de ampliar as discussões teóricas foi, para o líder bolchevique, o passo inicial para a transformação de sua sociedade; “sem teoria não há movimento revolucionário”, dizia ele. A conjuntura atual faz com que voltemos a analisar tal obra; a queda da URSS fez com que a esquerda em geral discutisse teoricamente as razões pelas quais a Revolução de Outubro entrasse em colapso em 1989.
Debatendo com os populistas russos, Lênin se aliou ao “marxismo legal” com o intuito de intensificar a luta teórica e fazer com que as massas pudessem discutir com mais amplitude a teoria marxista. Entretanto, jamais foi proposto por tal revolucionário o dogmatismo e a cristalização do marxismo, algo que o diferenciou dos “economicistas”, a vanguarda dos “marxistas legais” da época. Fazer concessões teóricas caminhava sempre para uma conciliação entre classes antagônicas que não favoreciam o processo revolucionário. A abertura do campo de debates surge, portanto, como ferramenta fundamental para que o estágio econômico-corporativo, através de um amplo debate sobre o marxismo e de um trabalho massificado de imprensa , pudesse ser elevado ao grau de luta política.
Atualmente no Brasil, o marxismo é conhecido por uma ampla camada de intelectuais e entrou com força nas universidades. Porém, com todo o acúmulo dos processos históricos, a ciência do proletariado é vista como algo ultrapassado no senso comum. Apesar de tal ciência ter de encarar novos desafios históricos e ter se tornado mais complexa, ela é compartilhada ainda entre poucos. Em São João del-Rei, por exemplo existem três partidos marxistas que, se somados, não passam de uma dezena de indivíduos. No DCE UFSJ tal teoria ainda não é discutida com mais intensidade, e nos sindicatos os programas de formação política são secundários. Enfim, os limites da discussão teórica são semelhantes àqueles em que Lênin teve de conviver, no qual o marxismo é restrito a poucas cabeças “iluminadas”. Mas diferencia-se devido ao processo histórico pós- URSS e da Guerra Fria, onde os comunistas ainda tem que responder a uma série de questões recentes sobre as experiências socialistas em âmbito global.
Sugerimos uma leitura leninista quanto à profissionalização da imprensa revolucionária e que todos os movimentos de luta intensifiquem sua preocupação em relação à comunicação entre as massas. O trabalho intelectual é elemento fundamental para o avanço da revolução socialista em nosso país. Só assim difundiremos nossa visão de mundo e de valor, contrárias ao individualismo defendido pela burguesia.

terça-feira, 2 de junho de 2009

CICLO DE LEITURAS: LÊNIN


A União da Juventude Comunista, em parceria com o PCB de São João del-Rei, está promovendo espaços de formação política para aqueles que se interessam por marxismo e querem discutir as questões teóricas que envolvem a ciência do proletariado. Convidamos a todos aqueles a participarem, no dia 05/06,sexta-feira às 10h na sala do Mestrado em História (1.49)- Campus Dom Bosco do nosso próximo encontro, que debaterá o o primeiro capitulo do livro "Que Fazer" do camarada Lênin.
Interessados, entrem em contato com André Luan para o fornecimento do texto:
andreluand2@hotmail.com
www.saojoaodelpueblo-pcb.blogspot.com
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domingo, 31 de maio de 2009

Novas informações sobre a Guerra do Paraguai

Diante dos debates entre PCB e PC do B sobre a Guerra do Paraguai, nós que somos historiadores comunistas não podemos deixar de apresentar novas informações e esclarecer alguns assuntos. Não somente o dever de historiador, mas também o de comunista, exige inclusive que não aceitemos uma história oficial de acontecimento nenhum, mas isso não significa relativismo algum, mas somente que os problemas novos com que a humanidade se depara sempre exigem dos comunistas e dos historiadores novas pesquisas históricas, que resultam em novas interpretações. Por isso, uma força política qualquer que adota uma história oficial está se desarmando teoricamente, pois a existência de uma versão final sobre qualquer assunto indica a inutilidade de novas pesquisas.

Em pesquisa recente (2006-2008), financiada pela Capes, aprovada por uma banca de mestrado, estudamos centenas de jornais publicados entre 1876 e 1889, e neles a Guerra do Paraguai sempre era lembrada como um grande divisor de águas da história brasileira. Tendo morrido cem mil brasileiros, nem os monarquistas mais convictos a apoiavam.

Alguns pontos de vista foram unânimes entre os mais renhidos adversários políticos, o que não significa que fossem verdade, mas mostra certezas compartilhadas por toda a sociedade que viveu a guerra - em nossas fontes todas não existiam dúvidas sobre ter sido Lopes um ditador, nem sobre ter sido a guerra necessária ou sobre o heroísmo de seus veteranos. Porém, mesmo os “cascudos” por vezes deixavam escapar que a continuidade da guerra até o fim foi capricho do Imperador, e não tinham dúvida nenhuma de que os paraguaios foram massacrados. Note-se esse fragmento do Arauto de Minas de 19 de Maio de 1877 (somente sete anos após a guerra):

desmoralizados restos de pequenas forças sem armas nem munições não podiam ameaçar-nos mais: com trabalhos e fadigas, mas sem perigos chegaríamos, como chegamos, não mais a vitória, porém a aniquilação completa e ao extermínio dos Paraguaios.”

Tanto que, em 1880, o Paraguai criou impostos sobre solteiros, para estimular casamentos e “compensar a perda da população causada pela longa e terrível guerra com o Brasil, e aliados”, como afirmou o Arauto de Minas de 12 de Fevereiro de 1880. Não se trata de nenhuma acusação com objetivos políticos, pois nenhum dos dois partidos se livrava do massacre, pois se o início da guerra podia ser lançado às contas dos "liberais", o massacre não. O comandante do final da guerra foi o Conde d”Eu, conhecido como “liberal”, mas o governo, desde 1868, estava nas mãos dos “conservadores”. Ou seja, o Arauto de Minas não inventou o massacre para desmoralizar seus adversários.

Também devemos salientar que ninguém reclamou de nenhuma das vezes em que se falou de massacre dos paraguaios! Os veteranos eram homenageados e certamente sentiam orgulho de terem participado da guerra, e não deram mostras de se sentirem vexados pelas referências ao extermínio dos adversários.

Sim, nos parece que a sensibilidade era diferente. Mas devemos lembrar que se tratava de uma sociedade escravocrata, que não podia mesmo ser muito sensível a massacres pois massacrava toda uma população dentro do próprio Brasil. Não era um massacre rápido, a bala, mas de fome, frio e trabalhos forçados. Pode-se perceber como os senhores tratavam os escravos pela forma como depois se livrava deles, conforme reclamação exatamente do jornal escravocrata:

Hoje atravessou pelas ruas mais públicas desta cidade um carro, desses que conduzem viveres para aqui, conduzindo um cadáver de um escravo que, pelo modo com que vinha acondicionado, chamou a atenção pública...
(...)
“Vinha o defunto atirado a toa nas taboas do carro, nem um travesseiro, à descoberto e aos encontrões e reviravoltas
!” (Arauto de Minas. 30 de Setembro de 1881.)

Por fim, é necessário que se saiba que se as recentes versões ufanistas engolidas pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados do PC do B são até irresponsáveis por desconsiderarem uma enormidade de documentos, por outro lado a versão de Chiavenatto não é a verdade absoluta. As pesquisas sobre as relações entre a Inglaterra e a Guerra só revelam fortes simpatias pela causa da livre navegação do rio da Prata, então compartilhada pelo Brasil e a Inglaterra. A Inglaterra emprestou dinheiro, mas cobrou juros altos, ou seja, não colaborou financeiramente com a Tríplice Aliança, mas aproveitou para sangrá-la enquanto ela sangrava o Paraguai.

Nota: A foto, do século XIX, é de um senhor com seus escravos. Observem a magreza e as roupas deles! E eram certamente as melhores roupas que puderam arranjar para eles, uma vez que para tirar uma foto. O senhor fez questão de registrar com coisa digna de orgulho o que hoje para nós é uma barbaridade.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma política socialista para as estatais

São João del Rei está mergulhada na polêmica sobre o Damae ser ou não ser comprado pela Copasa, ou seja, sobre duas estatais, uma municipal, outra estadual. A nível nacional, lutamos pela reestatização de tudo o que nos foi roubado pelos governos Collor, Itamar, FHC e Lula, com destaque para a Petrobrás, que está em um fogo cruzado entre manifestações que pedem a reestatização e a “CPI da direita”, organizada pelos que sempre defenderam a privatização.

Em um assunto que só pode ser central, sobretudo para comunistas, de fato mantemos uma posição defensiva! Os capitalistas pedem a privatização dessas empresas, ou seja, sua completa doação aos próprios capitalistas, e nós só defendemos que não sejam privatizadas, ou seja, que continuem oficialmente públicas. É uma bandeira insuficiente, pois não responde a todos os problemas.

A opinião pública, no final da década de 1980 e início dos 90, tendeu claramente para as privatizações, pois conhecia a corrupção das estatais e foi convencida de que era gasto com essas empresas dinheiro que poderia ser gasto com educação, saúde e segurança. As privatização dos anos 90 provaram que não, que de fato o avanço do capitalismo piorou a educação, a saúde e acabou com qualquer segurança. Essa decepção enfraqueceu as hostes privatistas, mas não fortaleceu significativamente a defesa do patrimônio público.

Há um problema, e sem resolvê-lo não teremos apoio público para o “patrimônio público”, e esse problema é que esse patrimônio não é público! A população não se entusiasma em defender as empresas estatais tais como são, pois assim faz muito pouco sentido. O que podemos sentir é a necessidade de se adotar a estratégia socialista imediatamente – Temos que pedir não somente a reestatização de tudo o que foi privatizado, mas também a SOCIALIZAÇÃO de todas as estatais e autarquias, incluindo os bancos!

É hora de explicar o conceito “socializar”, tornar social, propriedade da sociedade de fato, sob controle social. Em outras palavras, a unificação de todas as empresas públicas em um grande conglomerado absolutamente transparente, o que a Internet permite hoje como nunca antes foi possível, e sua gestão por um Conselho representativo dos trabalhadores empregados dentro ou fora dessas empresas (note-se bem, não dos burocratas), com todos os mandatos revogáveis. Isso é socializar. Devemos explicar isso em todos os detalhes, criar mesmo a estrutura política para gestão desse conglomerado de empresas socialistas.

Defender a socialização das estatais não significa a crença na possibilidade dessa transformação acontecer pacificamente, mas a necessidade de se expor imediatamente nosso programa nesse aspecto. Chegou o momento em que não temos mais aliados a ganhar com adiarmos nosso programa. Não existem mais de fato defensores da estatização que não sejam também defensores da socialização. Hoje, quem é contra socializar é a favor de privatizar! Mas por outro lado, existe um campo crescente que já não aceita lutar somente por estatizar, que só se entusiasma com a socialização.

domingo, 17 de maio de 2009

CICLO DE LEITURAS: ANTONIO GRAMSCI


A União da Juventude Comunista, em parceria com o PCB de São João del-Rei, está promovendo espaços de formação política para aqueles que se interessam por marxismo e querem discutir as questões teóricas que envolvem a ciência do proletariado. Convidamos a todos aqueles a participarem, no dia 29/05,sexta-feira às 10h na sala do Mestrado em História (1.49)- Campus Dom Bosco do nosso próximo encontro, que debaterá o Caderno 13 do pensador Antonio Gramsci.
Interessados, entrem em contato com André Luan para o fornecimento do texto:
andreluand2@hotmail.com
www.saojoaodelpueblo-pcb.blogspot.com
3291175882
3233714240

terça-feira, 12 de maio de 2009

A saga do restaurante popular e os governos burgueses

Muitos comunistas sem experiência e sem estudos defendem que os governos burgueses são todos iguais. Que tanto faz uns como outros. Cada item de cada administração indica que as coisas não são tão simples, mas o exemplo do Restaurante Popular é significativo, pois trata-se de um tipo de instrumento de bem estar social avançado, adota até mesmo por países socialistas.

No final de seu mandato passado, o prefeito Nivaldo (PMDB) tinha criado três Restaurantes Populares. Em 2004, formou-se uma ampla aliança, com apoio dos governos federal e estadual, pois centrada na aliança PSDB-PT, contra os nivaldistas que apoiram Jorge Hannas (PMDB). Na época, os comunistas, que vinham negociando uma aliança com o PT, não aceitaram a aliança com o PSDB na cabeça de chapa, e tiveram por isso que romper com o PC do B, cuja direção estadual preferiu ficar ao lado do PT. Alguns comunistas, com destaque para Alex Lombello Amaral, subiram nos palanques nivaldistas. A aliança tucana, com abuso do poder político e financeiro, venceu. Uma de suas primeiras medidas foi fechar os Restaurantes Populares, mas essa foi só uma das dezenas de provas de que os comunistas estavam certos.

De volta à prefeitura, Nivaldo abriu outro Restaurante Popular. Ora, trata-se somente de um aspecto da administração de Nivaldo, a partir do qual não podemos concluir tratar-se de um governo progressista. Na verdade, mais uma vez temos prova da inteligência de quem se finge de burro - Nivaldo escolheu inugurar o Restaurante do Povão uma semana depois de fazer o impopular anúncio de que defende a entrega do Damae para a Copasa. Pode-se notar em outros artigos do São João del Pueblo que os comunistas têm diversas críticas a essa administração. Porém, um comunista não deve ser cego na política, nem deve mentir, enfeiando seus adversários e embelezando seus aliados. Deve reconhecer as diferenças que existem.

Nivaldo e seus seguidores, hoje no PMDB, são um grupo que qualquer historiador, sociólogo etc. classifica de populista. Já o PSDB é em São João del Rei hoje o principal partido das elites, e sua administração teve essa marca e por isso foi detestada pelo povo. O PT de São João del Rei sempre esteve mais próximo do PSDB que do PMDB, e de fato adota há dezessete anos um discurso anti-nivaldista.

Hoje, tanto em São João, como em Minas, como no Brasil, sabemos que nenhum desses partidos é socialista, ou seja, que os três são portanto capitalistas (pois não existe uma terceira opção), mas são diferentes. A nível nacional, por exemplo, embora Lula mereça nossa oposição, reconhecemos que seu governo é melhor que os do PSDB. Devemos conhecer as diferenças entre os capitalistas, para explorá-las e joga-los uns contra os outros.

Nota: A fotografia é do Blog do JP, que pode ser encontrado na barra lateral com mais fotos da inauguração.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Eleitorado foi traído por apoio de Nivaldo a Copasa

O site de notícias mais lido de São João del Rei, o Blog do JP, publicou que o “Prefeito Nivaldo quer Copasa em São João del Rei”. Trata-se de mais uma prova de que o povo não manda em nada no Brasil! Nivaldo foi eleito defendendo o Departamento Autônomo de Água e Esgotos, Damae, contra a instalação da Copasa. Ora, nenhum governante devia poder abandonar seu programa, e se algo muda as condições de forma a exigir o descumprimento do programa de governo, devia ao menos convocar um plebiscito, sobretudo tratando-se de assunto tão importante. Mas sabemos que essa não é a realidade. A realidade é que o povo não manda em nada, pois só tem o poder de eleger os governantes, mas esses podem fazer o que quiserem depois de eleitos, e todos de fato traem sempre os eleitores. Plebiscito então, nunca foi realizado nenhum pelos poderes municipais de São João del Rei, nem de Minas Gerais, e no Brasil, desde a Constituição de 1988, o código da corrupção, só foram realizados dois!

A alegação dos defensores da Copasa, que após as eleições aumentaram muito entre os políticos eleitos, é a falência do Damae, outra prova de que democracia é ainda uma coisa fictícia em nossa sociedade. Como todos sabemos, o Damae está quebrado por que é “administrado” sempre por políticos indicados pelos prefeitos. Trata-se, assim como no caso da Copasa, de uma empresa pública só no papel, pois na prática sempre foi privatizada. Se o Damae tivesse suas contas completamente transparentes, e sua gestão fosse feita pelo povo (e não, nenhum prefeito nunca representou o povo), não estaria quebrado.

O mesmo podemos dizer da Copasa, que a população não quer por que cobra taxas elevadas por um serviço igual ou pior que o do Damae, e na verdade para usar a mesma água. A Copasa cobra taxas pesadas por que Aécio Neves (PSDB) a utiliza para arrecadar, e não para servir ao povo mineiro. Se fosse uma empresa democrática de verdade, ou seja completamente transparente e administrada pelo povo, sua taxas não seriam tão altas, pois é elementar que uma empresa pública não precisa nem deve ter lucros.

Toda empresa pública deveria ter TODAS as suas contas e movimentações financeiras completamente abertas na Internet, o que realizaria de fato a transparência que está em todos os discursos. Administração pelo povo significa que o conselho diretor dessas empresas, e poderia ser um só grande conselho para todas as empresas públicas funcionarem como um potente conglomerado, deve ter seus membros eleitos pelos trabalhadores e pela população em geral, sem nem um representantes dos políticos, que já têm poder demais. É isso que nós comunistas chamamos de socializar uma empresa! Ou seja, uma empresa não é socialista por que é estatal. Estatizar não é socializar. As estatais precisam ser socializadas!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Palestra sobre os zapatistas e o México

Dia 8 de Maio, Sexta feira, às 21 horas, no Campus Dom Bosco, acontecerá uma palestra do Cássio, doutorando que estuda o levante dos zapatistas, em Chiapas, México.

terça-feira, 5 de maio de 2009

História recente do PCB em São João del Rei

No Brasil, o PCB tem 87 anos, uma história com diferentes fases, que não cabe aqui. Mas em São João del Rei, a célula atual do PCB tem menos de dois anos, tendo sido fundada em Setembro de 2007.

Já escutamos uma vez a história de que o PCB chegou a existir em São João del Rei em meados do século XX, tendo sido dissolvido pelo golpe de 1º de Abril de 1964. Esse golpe resultou em uma ditadura fascista de vinte anos, que liquidou a nata da direção do PCB, além de infiltrar esse partido com seus policiais.

Quando terminou a ditadura, ainda foi necessário aos comunistas reconquistar o PCB, que estava sob direção de capitalistas, escolhidos a dedo pela ditadura para destruir o PCB por dentro (o termo técnico para esses criminosos é “provocadores”). Esse PCB degenerado, se existiu em São João del Rei, não deixou nenhum sinal.

Em 1991, os dirigentes capitalistas que aprisionavam o PCB resolveram terminar seu trabalho sujo, mudando o nome e o símbolo do partido. Contudo, para isso tiveram que tentar um golpe, permitir a não-filiados, e até a filiados a outros partidos terem voz e voto em um Congresso. Os comunistas então aproveitaram a chance de romper com essa direção, deixando-a ir para seu novo partido, o PPS, e recuperar o PCB para os comunistas. O PPS existe em São João del Rei há anos, quase sempre aliado ao PSDB, mas o PCB, como já dissemos, surgiu somente em 2007.

Isso não significa que os comunistas não se organizaram em São João del Rei antes de 2007. Existiu, desde 1999, uma minúscula célula do PC do B, reunindo os comunistas. Porém, o mesmo que aconteceu com o PCB entre as décadas de 1950 e 1980, ou seja, a queda nas mãos de capitalistas, está acontecendo com o PC do B desde os anos 1980 e acentuou-se durante o governo Lula. Em São João del Rei, essa degeneração descambou no escândalo de 2004, quando a direção estadual do PC do B decidiu que os comunistas de São João del Rei deveriam apoiar a aliança PSDB-PT, que resultou na pior administração que a cidade teve nas últimas décadas. Os comunistas são-joanenses se recusaram a tal submissão ao petismo, e romperam coletivamente com o PC do B. Depois, a presidente estadual do PC do B apareceu nos programas eleitorais do PSDB, e acabou entregando a sigla em São João para petistas.

Entre 2004 e 2007 houveram tentativas diversas dos comunistas de São João se reorganizarem, e por outro lado um movimento centrifugo, espalhando-se os antigos membros do PC do B e seus simpatizantes por siglas tão diversas quanto MR 8, PSOL, Refundação Comunista e PDT.

O que permitiu aos comunistas manterem alguma ligação, ampliarem-se e em 2007 reorganizarem seu núcleo no PCB foi uma inovação tática que inauguraram quando ainda estavam no PC do B, mas que já causava atritos internos que acabariam resultando no rompimento, se esse não tivesse sido apressado pela submissão do PC do B ao PT nas eleições de 2004. Os comunistas de São João del Rei fizeram autocrítica pela prática da esquerda brasileira de usar os movimentos sociais como trampolim eleitoral, fonte de recursos, sede, gráfica etc., ou para usar a gíria dos movimentos sociais, fizeram autocrítica do “aparelhismo”. Mesmo sem partido, continuaram unidos em torno da defesa de uma nova relação entre os comunistas e os movimentos sociais, ou seja, continuaram tendo uma política justa.

Não se trata de uma política de boas intenções, não se trata de uma questão de direção, nem de caráter ou de qualquer questão moral. O combate ao aparelhismo é o combate por substituir a democracia liberal pela democracia socialista nas organizações dos movimentos sociais. O que permite o “aparelhamento” de uma entidade é a existência de um tipo capitalista de democracia, que permite o controle dessa entidade por uns poucos. Ou seja, trata-se de arrancar o aparelhismo pela sua raiz.

Em 2007, ao criarem o PCB na cidade, o primeiro ponto que os comunista de São João esclareceram com a direção estadual foi que essa nova tática seria mantida e defendida obstinadamente nos fóruns estaduais e nacionais do Partido. Hoje, embora não exista ainda uma unidade dentro do PCB nacional em torno da nova tática para os movimentos sociais, há uma boa aceitação da mesma.

Em 2008, o PCB participou das eleições municipais elaborando o programa de João Bosco, do PSOL, e como não foi possível, por questões burocráticas, lançar um candidato a vereador (estava escolhido Abiatar David Machado), apoiaram Rafael Sedov, do PSTU.

O PCB está crescendo, e já é hoje muito maior do que chegou a ser o PC do B. A nova tática para os movimentos sociais afastou do PCB os carreiristas, tornou o Partido respeitado pelos militantes e por todos que o observam atentamente.

Com essa nova tática, o PCB não pode usar o dinheiro dos DCEs e Sindicatos, nem seus telefones, nem “liberar” seus militantes, nem usar a imagem e os jornais dessas entidades para promoverem sua sigla e seus candidatos. Mas pela primeira vez, nada disso está nos fazendo falta! Pela primeira vez temos uma célula ativa e crescente, dois blogs na Internet (um do PCB e outro da UJC), membros compondo as direções estaduais do PCB e da UJC, estamos editando livros e panfletos.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sobre a Assembleia Popular do Campo das Vertentes

Organizou-se entre os dias 18 e 21 de Abril de 2009 a Assembleia Popular do Campo das Vertentes, citada em alguns artigos do São João del Pueblo e no Autocrítica, com a presença de mais de cem inscritos.

São João del Rei, que sediou o encontro de fundação da Assembleia, recebeu então visitantes de diversos pontos do estado, a exemplo de Diamantina, Viçosa, Juiz de Fora, Barbacena, Visconde do Rio Branco, Conceição do Mato Dentro, Alfenas e outras cidades do sul de Minas. Sim, nesse sentido foi muito maior que do Campo das Vertentes.

A Assembléia Popular nasceu para cumprir o papel de “articulação dos movimentos e forças” na luta por viabilizar um “projeto popular” para o Brasil. Em sua organização participaram o Diretório Central dos Estudantes da UFSJ, o Núcleo de Investigação em Justiça Ambiental (Ninja, do qual faz parte o autor do artigo abaixo), o Sindicato dos Metalúrgicos e diversas outras organizações do povo das cidades das Vertentes.

Sobre o tema do encontro, relacionado aos conflitos ambientais, o professor Eder Carneiro, coordenador do Ninja, explicou que “os problemas ambientais que temos provêm do fato de que uns poucos que têm dinheiro e poder conseguem controlar o meio ambiente”. Ou seja, a solução para os problemas sociais é a mesma que para toda a enorme série dos mais graves problemas sociais!

Como é óbvio, o PCB está comprometido, na medida de suas parcas forças, a auxiliar esse novo esforço para organizar o povo. Faz inclusive uma autocrítica no sentido de que deveria ter se empenhado mais na organização do evento, o que não fez tanto pela sobrecarga dos militantes quanto por incompreensão.

Obs: A foto é da Plenária Final.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A crise, o trabalho precário e a "escolha infernal": Morrer de fome ou de doença

A atual crise econômica mundial é o centro das atenções de todo o mundo. Seja no meio acadêmico, nas conversas de boteco, na mídia, nas falas das autoridades públicas, o que mais se ouve são discursos sobre os efeitos da crise. Efeitos que afetam mais intensamente, é claro, a classe dos trabalhadores, a mais duramente atingida no processo de acumulação indefinida de capital. Demissões e férias coletivas viraram notícias corriqueiras nos meios de comunicação. Mas sempre existiram outras crises graves que atingiram e atingem “silenciosamente” a vida do trabalhador, sobre a qual a população, de forma geral, não é informada. Gostaria, aqui, de, com base em informações levantadas junto aos movimentos sociais, apresentar um panorama geral da precariedade do trabalho que se realiza em algumas empresas na região do Campo das Vertentes, que tem causado a morte de muitos trabalhadores por silicose e doenças provenientes do uso de agrotóxicos em lavouras.

Na cidade de Santa Cruz de Minas, por exemplo, lá onde existe uma grande “mancha branca” resultante do processo de atividades da mineradora ÔMEGA, muitos trabalhadores têm morrido de silicose, deixando várias crianças órfãs, e muitos outros estão doentes, segundo o SINDICATO DA SAÚDE DO TRABALHADOR, órgão que está exigindo da empresa melhores condições de trabalho. O trabalho da mineradora produz uma poeira muito fina e a empresa não dispõe de equipamentos para aprisionar a sílica livre. E, por mais que os trabalhadores usem equipamentos de segurança, não é possível colocar os trabalhadores a salvo da doença. A questão é tão grave, que virou até notícia de destaque no Estado de Minas, em junho de 2008. Devido às irregularidades, a empresa chegou a ser interditada, mas pouco depois foi liberada, devido ao grande esforço e articulações políticas do gerente da empresa. E por ironia ou acaso do destino, o gerente da mineradora pertence ao PV – Partido Verde, partido que tem como uma de suas maiores bandeiras a preservação ambiental.

Contradições à parte, indo agora para o complexo industrial do Distrito do Rio das Mortes, existe um grande problema da empresa LIGAS GERAIS, onde recentemente foram demitidos praticamente todos os trabalhadores. A situação das condições de trabalho lá, também é alarmante, pois o local onde estão os fornos para fazer a liga de metais é pequeno, e os trabalhadores ficam muito expostos ao calor do fogo com roupas de segurança precárias. Vários trabalhadores já se acidentaram com queimaduras graves, e outros disseram ser quase impossível ficar perto dos fornos. Além dessas mazelas, eles também sofreram uma série de descasos em relação aos alimentos que “ganhavam” da empresa. Já constataram por várias vezes alimentos vencidos nas cestas básicas. Atualmente esses trabalhadores enfrentam além da demissão, o descaso em seus direitos trabalhistas como: o não ressarcimento de 2 meses de trabalho e o pagamento de insalubridade. Devido a esses problemas, uma série de manifestações promovidas pelo SINDICATO DOS METALURGICOS, TRABALHADORES e ESTUDANTES têm acontecido na porta da empresa, no centro da cidade e na Câmara de Vereadores para pressionar pelo pagamento das dívidas. Muitos trabalhadores até dormiram na porta da fábrica, em protesto.

Ainda no complexo industrial do Distrito do Rio das Mortes, existe a questão do uso de agrotóxicos nas lavouras da empresa ESTEIO, onde recentemente foram demitidos quase todos dos trabalhadores também, por causa da crise. Muitos trabalhadores têm-se contaminado com produtos tóxicos e casos de doenças e abortos são cada vez mais comuns na região, e as pessoas não reclamam porque têm medo de perder o emprego. Alguns integrantes da ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO RIO DAS MORTES têm tentado alertar sobre esses problemas de intoxicação, mas encontram uma grande dificuldade que é a falta de mobilização de outros moradores e a omissão de órgãos públicos municipal e estadual para fazer a fiscalização.
Na região de Barbacena, o problema do uso de agrotóxicos também é gritante, principalmente no que se refere às lavouras de rosas e morangos. Casos de câncer estão cada vez mais comuns na região. Cerca de 300 casos de câncer são registrados mensalmente. Isso será apenas um acontecimento natural da vida? Muitas crianças, jovens e, principalmente, mulheres de 35 a 40 anos têm morrido da doença. A maioria dessas pessoas são pobres e moram na zonal rural. E, segundo líderes de movimentos sociais que lutam na região contra o trabalho precário, como a CPT – Comissão Pastoral da Terra - muitas dessas mortes não recebem diagnóstico de doenças relacionadas ao uso de agrotóxicos, ou seja, existe uma grande suspeita de que as verdadeiras causas de doenças e óbitos não aparecem nos laudos médicos. Já os laudos dos que vão tratar em Juiz de Fora, mostram constatações diferentes, indicando que muitos morrem, sim, de doenças provenientes do uso de agrotóxicos.

Ainda em Barbacena, na empresa SAINT-GOBAIN, produtora de carbeto de silício para a fabricação de abrasivos, a situação do trabalho também é insegura, pois os trabalhadores ficam expostos à sílica livre. A empresa emprega pessoas com idade de 23 a 24 anos, e depois de 4 ou 5 anos as demite, pois sabe que eles vão ter problemas de saúde no futuro próximo, como silicose e outras doenças relacionadas.

Com problemas semelhantes, a indústria de cimento HOLCIM do Brasil, localizada na cidade de Barroso, também explora trabalhadores expostos à poeira, devido à moagem de cimento. Outro grave problema da Cimenteira é a emissão de fumaças nocivas resultantes da incineração de resíduos tóxicos que vêm de várias capitais do país, como gasolina adulterada, tintas com prazo de validade vencido, pneus inservíveis e lixo hospitalar. A gasolina adulterada, por exemplo, é tão tóxica que, em um derramamento acidental, ocorrido em abril de 2006 numa rua de Barroso, intoxicou seriamente vários moradores, causando vômitos e fortes dores de cabeça. Imaginem como está ou será a saúde dos trabalhadores que trabalham perto dos fornos que incineram tal produto? E a população que mora ao redor da indústria e tem que respirar ar poluído todos os dias? Como será a saúde deles no futuro? Quem pagará pelos danos, depois? A ODESC – Organização para o Desenvolvimento Sustentável Comunitário – Ong que luta contra a poluição da cimenteira desde 2002, tem alertado o Ministério Público Estadual e a população sobre o problema da queima de resíduos tóxicos. Atualmente a Holcim está respondendo a 3 processos, mas ainda não se teve nenhuma ação concreta para solucionar o problema da poluição. Um dos grandes questionamentos da ODESC é porque ainda não se teve um estudo rigoroso sobre os poluentes emitidos pelas chaminés da cimenteira por órgãos ambientais isentos e competentes.
Faz-se necessário ainda lembrar que as indústrias Saint-Gobain e Ômega também promovem uma grande poluição que atinge principalmente as populações de baixa renda que moram aos arredores das atividades das empresas. Problemas respiratórios em crianças, além do mau cheiro provocado por resíduos tóxicos e poeiras exaladas, fazem parte do dia-a-dia dos que estão expostos a tal situação. E não existem até agora estudos sobre a poluição de forma que as atividades dessas indústrias continuam como se estivesse tudo bem.

Em meio a todos esses problemas mencionados, surge uma grande indagação sobre os órgãos ambientais do Estado e dos municípios que têm o dever de fiscalizar e exigir solução para todas essas situações de precariedade do trabalho e poluição atmosférica. Por que os órgãos ambientais como FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente) e COPAM (Conselho Político do Meio Ambiente), órgãos ambientais municipais e Ministérios Públicos não solucionam os problemas das condições de trabalho nas indústrias e nas lavouras? Todas as empresas citadas neste texto estão sendo questionadas pelo Ministério Público de Minas Gerais, mas os processos se arrastam por anos e anos, e as empresas continuam funcionando. Enquanto isso, o trabalhador que tem que trabalhar para não morrer de fome, tem que sujeitar-se ao trabalho de alto risco para morrer de doença, situação legitimada pelos órgãos ambientais do Estado e pelas referidas empresas, que, para manter seus lucros, sacrificam vidas.

Diante de toda essa situação, as entidades supracitadas e outras não mencionadas que lutam contra a poluição e o trabalho precário, estão começando a se organizar e articular por meio de reuniões e assembléia popular, para denunciar e desvelar as mazelas ambientais do Campo das Vertentes, que estão repletos de conflitos que a mídia não mostra.

Petterson Ávila Corrêa.
Membro e Pesquisador do NINJA – Núcleo de Investigação em Justiça Ambiental.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Brasil não tem liberdade de expressão

Toda vez que nós, comunistas, informamos sobre o que era URSS, sobre o que é o Vietnã, a Coreia, Cuba sobre o que serão o Nepal, a Venezuela, a Bolívia, o Equador, ou seja, que o socialismo não tem desemprego, nem mendigos, nem crianças famintas, nem falta de saúde e educação de péssima qualidade, os capitalistas afirmam que os países que conseguiram banir esse males são ditaduras.

Portanto, o capitalismo tem todos esses males, mas seria um espaço de liberdade.

Acontece que nem essa dita liberdade o capitalismo nos oferece !!! É uma porcaria, e sem liberdade!

Eis que hoje, por meio de um camarada do MST (note-se a ineficiência de nossas comunicações!), fiquei sabendo que João Pedro Stédile está proibido, pela "Justiça", de pronunciar em público a palavra "Vale" !!??? Sob pena de pagar multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais!) por cada vez que pronunciar esse termo.

É isso mesmo! Censura prévia!

Coisa alarmante - o governo federal é oficialmente do PT e na prática do PMDB. A "esquerda", mesmo a dita radical, não está nem resmungando... E o próprio MST está engolindo esse absurdo (justiça seja feita, está em uma situação dificil, isolado e perseguido).

Como é óbvio, trata-se de assunto escandaloso, vale um julgamento em Haia, merece barulhentas denúncias internacionais.

E voltando ao assunto inicial - onde está a propalada liberdade oferecida pelo capitalismo?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Assembléia Popular das Vertentes dias 18 a 21 de Abril


A partir desse próximo Sábado, dia 18, se reunirá no Campus Dom Bosco, da UFSJ, ao lado da Igreja Dom Bosco (da foto), uma Assembléia Popular com o tema "Desvelando conflitos ambientais".

Serão disponibilizadas salas de aula para alojamento dos participantes, que terão que trazer colchão, lençol, cobertor (muito importante) e travesseiro.

Serão servidas refeições, mas os participantes deverão trazer pratos, talheres e copo.

As inscrições serão feitas no próprio local, nos dias mesmo da Assembléia.

Não há taxa obrigatória, mas pede-se uma contribuição voluntária.

Mais informações: apconflitosambientais@yahoo.com.br . Ou tel (35) 8852-4598.

sábado, 11 de abril de 2009

São João del Rei presenciou duas manifestações no dia 7 de Abril

Logo abaixo, publicamos, no dia 7, uma chamada para uma manifestação dos metalúrgicos, em protesto contra o desemprego. Foi uma manifestação boa para os padrões recentes de São João del Rei, onde até o Fora Collor, que incendiou o país, não contou com mais que um punhado de manifestantes. Além de dezenas de operários demitidos da Ligas Gerais, compareceram vários universitários e outros apoiadores. A vereadora Silvia Fernanda (PMDB) esteve presente no ato, e o prefeito Nivaldo (PMDB), quando a manifestação passava pela ponte da Cadeia, saíu da Prefeitura e manifestou sua solidariedade. Os manifestantes entraram na Câmara dos Vereadores, que abriu uma fala a mais para o povo (normalmente só são permitidas três) de forma que os metalúrgicos pudessem se pronunciar. O secretário de agitação e propaganda do PCB de Minas Gerais, convidado a falar pelos líderes metalúrgicos, esclareceu que só existe uma verdadeira solução para os problemas do povo trabalhador - a revolução socialista!
Enquanto essa manifestação se concentrava na avenida Tancredo Neves, uma passeata de professores, trajados de negro, percorria a cidade. Protestavam contra o governo de Aécio Neves (PSDB), o mesmo que entrou na justiça contra o piso mínimo nacional para os professores, que é uma das poucas coisas boas do governo Lula (PT). Em determinado momento essas duas manifestações se cruzaram e solidarizaram.