terça-feira, 31 de março de 2009

Assembleia Popular do Campo das Vertentes

Por iniciativa do Núcleo de Investigações da Justiça Ambiental (Ninja) e do Diretório Central dos Estudantes da UFSJ, está convocada para os dias 18 a 21 de Abril uma Assembleia Popular, que será realizada no Campus Dom Bosco.

Os comunistas devem levar sua solidariedade ao povo lá reunido, e mais, suas palavras.



terça-feira, 24 de março de 2009

Artigo censurado na UFSJ

De que lado você quebra o ovo? Ou a Universidade laica em risco

Em As viagens de Gulliver (1726), Swift narra as guerras entre os reinos de Liliput e Blefuscu, cujo motivo era: como quebrar um ovo quente, pela parte mais fina ou mais grossa da casca? Ele satirizava as guerras religiosas que, nos séculos XVI e XVII, opuseram católicos e calvinistas na Europa, causando um milhão de mortos, por divergências de dogmas e ritos. As guerras religiosas, como a Inquisição moderna, com um saldo de milhares de mortos e torturados e requintes de crueldade, nasceram da confusão entre Estado e religião. Hoje, a promiscuidade entre religião e Estado é um ingrediente de conflitos que são gerados pelo fundamentalismo estadunidense e, a sua nêmesis, o islâmico, vendidos como “um choque de civilizações”.
Caminhando pelo Campus Tancredo Neves vemos uma capela católica em funcionamento e, no carnaval, um concorrido encontro religioso. Assuntando, descobrimos que, em 2006, o CTAN abrigou a Mocidade Presbiteriana e que na capela são realizados encontros da Renovação Carismática. Essas atividades não estão no site da UFSJ, o que configura uma intransparência e sugere que podem ser correntes. Atos religiosos em instituições públicas são anti-republicanos e antidemocráticos, pois ferem o princípio do Estado laico, no qual essas são opções de caráter pessoal e privado. Na educação essa prática é mais grave, pois a religião implica a revelação e o dogma, e o conhecimento exige a plena liberdade de crítica e questionamento. A história nos remete ao filósofo e astrônomo Giordano Bruno e ao médico e anatomista Miguel de Servet, queimados, respectivamente, pela Inquisição Católica e pelos calvinistas.
Para quem a intolerância é coisa do passado e dispensa cuidados, recordamos uma declaração do atual Papa, então cardeal, em 1990, declarando que o “julgamento contra Galileu foi razoável e justo”. A lembrança foi feita pelos docentes da Universidade de Roma La Sapienza, repelindo o convite do reitor para que o Papa lá discursasse. Nesse início de milênio vemos a imiscuição religiosa junto ao Estado e à ciência nas polêmicas das células-tronco; nas ações de prevenção (o Estado pode ou não divulgar a “camisinha”) e tratamento de doenças (religiões que negam o uso de vacinas ou transfusão sangüínea) e no direito à eutanásia em casos irreversíveis (Eluana Englaro na Itália); na introdução do ensino religioso em escolas públicas (imposto pelos evangélicos “garotinhos”) e do dogma criacionista nas aulas de ciência; e no combate à união civil de homossexuais.
Alguns dirão que o nosso povo, em especial o de São João del-Rei, é católico. Outros, que ninguém liga para isso. Ou ainda: no Brasil não há conflitos religiosos! Pode ser. Mas não devemos entender que esses conflitos não existem e que não podem aprofundar-se, num mundo globalizado e prenhe desses conflitos ditos “culturais”. Mas, sobretudo, não cabe ao Estado e à Universidade Pública chancelar quaisquer hegemonias religiosas e a dominação e os constrangimentos por ela gerados.
A Universidade Pública deve ser o espaço no qual cristãos, católicos protestantes ou ortodoxos, muçulmanos, judeus, camdomblecistas, umbandistas, budistas, hinduístas, materialistas, agnósticos e outros exerçam a sua crítica no campo da ciência e da cultura, sem constrangimentos, privilégios ou tráfico de influências. Nela não importa de que lado você quebre o seu ovo quente, ou que não os consuma, pois isso não implicará nenhuma discriminação.

Wlamir Silva
Professor do Curso de História

Censurado:
Este artigo foi enviado, em 26 de fevereiro de 2009, para publicação na tradicional seção Opinião do Jornal da Universidade da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Não houve resposta da mensagem eletrônica que o encaminhou e na edição de 20 de março de 2009 o Jornal da Universidade saiu sem a seção Opinião, ironicamente, na capa do jornal a chamada era “50 anos de jornalismo”.
Essa censura, que como toda boa censura pretende ser velada, já se mostrou quanto a artigo sobre a tentativa de imposição de cotas raciais na Universidade e em relação a fatos evidentemente significativos na vida da UFSJ, como a ocupação da reitoria pelos estudantes e a greve dos alunos no Campus de Divinópolis.
Impossível não lembrar do ditador de plantão Emílio Garrastazu Médici, no auge da repressão pós-64, que se dizia feliz porque “no noticiário da TV Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz. É como tomar um calmante após um dia de trabalho”.
Quanto ao assunto tratado, nada mudou, antes piorou. Na UFSJ foram realizadas missas católicas e um culto evangélico (esse com chamada no portal da Universidade) pelo início do semestre letivo. O triste episódio do aborto da menina de nove anos estuprada pelo padrasto evidenciou a pressão, com o a excomunhão e ameaças legais, sobre funcionários públicos, mostrando o destempero de uma autoridade eclesiática, sob um Vaticano vacilante. Em visita à África o Papa atacou as políticas públicas de distribuição de preservativos e caracterizou as religiões autóctones, origens das religiões afro-brasileiras, como bruxaria a ser combatida pelos católicos.

domingo, 22 de março de 2009

COMITÊ CENTRAL DESTITUI DIREÇÃO DA PARAÍBA

COMITÊ CENTRAL DESTITUI DIREÇÃO DA PARAÍBA
FORMAÇÃO POLÍTICA E LUTA CULTURAL:O QUE FAZER?

Na última semana, o Comitê Central do PCB destituiu a direção estadual do partido na Paraíba devido à aliança com o governo corrupto do PMDB-PB de José Maranhão, agindo de maneira correta contra o oportunismo da cédula paraibana. Entretanto, muitos acreditam que o problema inicial deste processo seria uma questão de caráter, onde os representantes paraibanos são vistos como "maus elementos" e que a práxis oportunista pudesse ser freada através de uma “moral comunista” padronizada, voltando ao velho maniqueísmo na política. Como os comunistas devem enfrentar, portanto, esse problema relacionado ao poder e a corrupção? Quais seriam as táticas para que houvesse uma mudança nas práticas políticas nos espaços de disputa da sociedade civil? Como se diferenciar dos partidos de direita, servos do capital (que conduzem práticas corruptas e aparelhistas já naturalizadas) nos diferentes campos de atuação?
O caso paraibano nos mostra os efeitos colaterais da reprodução ideológica burguesa, onde muitos desses militantes por mais bem-intencionados que fossem, não possuíam um projeto inicial para construir uma disputa nas relações sócio-culturais. Somente através de um trabalho que proponha transformações na constituição do Estado que poderemos aplicar a democracia operária dentro dos nossos espaços de atuação; certamente, acreditamos que não há bem e mal nesse caso, e sim uma possível ineficácia na formação de intelectuais orgânicos na esfera do partido.
Argumentos relacionados ao moralismo são um equívoco, pois não conseguimos responder a um dos principais dilemas de luta existentes entre comunistas e sua atuação contra o capital; um problema que, certamente, se liga à cultura política existente e o nosso descaso em não querer mudá-la. O moralismo deve ser quebrado através de uma intervenção intelectual estruturada, onde as relações de poder seriam modificadas dentro do espaço da “pequena política” e que, consequentemente, num processo dialético, a “grande política” também seria repensada e reestruturada. Nesse sentido, devemos pensar em transformar as relações de cultura política existentes nos sindicatos, DCE’s, etc., tomando como base as propostas revolucionárias que a história nos forneceu, como a comuna de Paris, os Soviets na Rússia e a Constituição Cubana, por exemplo. Só através dos estudos que poderemos combater a lógica cultural hegemônica e, portanto, compreender o marxismo como uma ciência, e não como uma doutrina religiosa
André Luan Nunes Macedo- UJC/PCB São João del-Rei

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assassinatos políticos no Rio de Janeiro

A Assembléia Popular está denunciando pela Internet que dois dirigentes do movimento de luta por moradias, José Carlos de Moraes e Oséias José de Carvalho, foram assassinados em menos de duas semanas. Esses assassinatos seriam prova da crescente repressão aos movimentos sociais.

É triste que a burguesia mais uma vez opte por esse caminho. Depois, resmungarão os feitos da revolução, quando o que acontece é o mesmo que com uma bola de basquete, que volta às mãos do jogodor que a impulsionou para o chão. É simplesmente a lei da ação e reação - Quanto mais violência se fizer contra o povo hoje, mais violenta será a população quando o dique se romper.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Associação de Empregadas Domésticas de São João del Rei

No dia 14 de Março, Sábado, às 16 horas, acontecerá a Assembléia de fundação dessa associação, que deve tomar o nome de Associação Companheiras do Lar, COMLAR. Os organizadores estão estendendo o convite a quem quiser estar presente.

Desnecessário explicar para comunistas a importância da organização dessas trabalhadoras. As comunistas que trabalham no setor têm a obrigação de se filiar e ajudar na organização desse sindicato.

sexta-feira, 6 de março de 2009

EUA tem 31 milhões de miseráveis

Os Estados Unidos são tão ricos que mesmo no epicentro da crise econômica mundial ainda gastam com suas forças armadas mais que todos os outros países do mundo juntos. Isso equivale a 3% do orçamento do governo da União, como eles chamam o que chamamos de governo federal. Tal desperdiço é possível por que 25% do comércio mundial passam pelos EUA; Economias inteiras, da maioria dos países da América e da África, mas também de países europeus e asiáticos, são de fato controladas por bancos e acionistas estadunidenses; Mais de um terço dos minérios e da energia do mundo são sugados por esse país, que tem somente 4% da população mundial.

Contudo, essa riqueza toda não garante a esses 4% da população uma vida decente. Trinta e um milhões (31.000.000) de estadunidenses, quase um décimo da população, vive atualmente de tickets alimentação distribuídos pelo governo! Esses tickets correspondem a 6 dólares por dia, o que é insuficiente para matar a fome nos EUA. O número de pessoas sem assistência médica é maior, atinge 46 milhões. Devemos salientar ainda que os EUA têm a maior população carcerária do mundo, tanto em números absolutos quanto em porcentagem, embora se pretenda “o país da liberdade”. Pior que isso, existem atualmente mais de 17 mil pessoas sequestradas em todo o mundo e mantidas presas pelos EUA sem julgamento! Óbvio, para manter essa riquíssima tragédia humana, a educação precisa ter níveis muito baixos, e é o que de fato acontece, tendo algumas pesquisas constatado que mais da metade de população é incapaz de encontrar o próprio EUA no mapa mundi, e acredita que o Sol gira em torno da Terra. É tal realidade que permite que essa potência seja o país mais racista do mundo (o que a eleição de Obama não modifica) e que o fanatismo religioso esteja por lá se fortalecendo, de forma que o Partido Republicano é hoje um partido presbiteriano não menos que o Hamas é muçulmano.

Eis o modelo que os capitalistas nos apresentam!!? E o que alegam em defesa dos EUA? Coisas como o número de automóveis por habitante e salários nominais em dólares, ou seja, o sonho de consumo de bugigangas, como se fossemos tupiniquins.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Câmara dos Vereadores inflige derrota estratégica ao poder de Nivaldo

Por anos a fio, talvez décadas, as leis orçamentárias de São João del Rei têm sido votadas com um artigo absurdo, que permite ao prefeito modificar todo o orçamento por decreto. Ora, as leis orçamentárias têm sido portanto anuladas no momento mesmo em que são aprovadas! Ou seja, Câmara após Câmara tem cedido seu maior poder aos prefeitos.

Esse ano a história já ia se repetir. A completa liberdade de modificação orçamentária pelo prefeito estava no artigo 34 da Lei Orçamentária, e já ia sendo aprovada pelos vereadores, com o voto contrário somente de Vera (PT), que merece elogios por isso. Porém, entre a primeira e a segunda votação, a assessoria jurídica da Câmara pode constatar o óbvio, ou seja, a inconstitucionalidade desse acrescimo de poderes ao já exagerado poder executivo.

Assim, os vereadores que votaram a favor de se anularem reconheceram seu erro, e vão reformar esse artigo da lei orçamentária. É uma pena que tal avanço seja feito sob o argumento legalista, revelando seus limites, ou seja, que não traduz nenhum grande avanço da consciência política. O argumento legal pode indicar, pelo contrário, motivações politiqueiras, visto que os vereadores ficaram mais fortes. Nivaldo saiu derrotado, pois perdeu um poder estratégico, sem nem poder se defender.

Esse assunto não é indiferente aos comunistas! Basta lembrar que todos os países onde ocorreram revoluções socialistas praticamente extinguiram o poder executivo, unificando-se o legislativo com o executivo em parlamentos muito mais representativos que os desejados pelos capitalistas. Isso foi feito pelo reconhecimento de que a concentração de poderes nas mãos de um homem, seja em uma prefeitura, em uma escola, no Palácio da Liberdade ou do Planalto, é algo ineficiênte, e mais ineficiênte quanto mais complexa se torna a sociedade, e também é corruptor e perigoso.

E é uma idiotice imaginar que a revolução liquidará os assuntos políticos do regime capitalista como quem varre o chão. Não é assim que acontece na história humana. Pelo contrário, as revoluções sempre herdam muito dos regimes que derrubam. A União Soviética manteve muitos traços que todos os que não são russos percebiam como semelhantes ao tzarismo, e Cuba tem muitas semelhanças com os EUA, de quem foram na prática colônia nos 70 anos antes da Revolução. Isso por que, como dizia Lênin, é com os escombros do regime derrubado que se constrói o novo, por que é só o que se tem a princípio. Portanto, cuidemos para que no futuro o material de demolição seja o melhor possível.