terça-feira, 29 de maio de 2012

Eleições diretas para presidentes e deputados fracassam também no mundo árabe

Um regime político que sempre foi um fracasso no "Ocidente" não poderia dar certo em outro lugar. Os árabes estão elegendo ou fanáticos religiosos, ou figuras fortemente ligadas às ditaduras derrubadas, tanto para os parlamentos quanto para as presidências de diversos países. As massas de jovens e trabalhadores que derrubaram regimes ditatoriais não estão satisfeitas, não reconhecem nas eleições os seus objetivos. Não devia ser surpresa para nós, mas os desejos dos povos árabes não puderam se expressar nas urnas. O que as urnas expressaram, como sempre, foi o poder já existente. As ditaduras em queda ainda têm infinitos recursos para apoiar seus próprios candidatos, no jogo que elas mesmas escolheram, diga-se de passagem. E os religiosos também têm um poder milenar entre os árabes. Toda eleição com esse desenho escolhido pelos ditadores funciona assim! Que eles a tenham escolhido, que tenham convocado grandes eleições diretas para presidentes e deputados, não parece nada demais para um bando de idiotas que conheço. Acham que as ditaduras não tinham escolha, ou que foram forçadas a fazer essa escolha. A inocência pode ser tolerada nos muito jovens, mas em cavalões é burrice. Tanto a ditadura brasileira quando manteve sindicatos e municípios com eleições diretas durante quase todo o seu período (1964-1985), forçou os DCEs a se submeterem às eleições diretas, manteve eleições diretas de deputados e senadores, e na saída ainda tutelou a constituição de 1988 para ser assim como é, quanto os ditadores árabes quando, ao optarem pelo que serão seus países daqui em diante, decidem por esse tipo de democracia (cleptocracia) muito cientes de seus resultados.

Infelizmente o cenário resultante das eleições lembra o panorama que gerou a guerra civil suja que há décadas faz sofrer a Argélia. Os partidos religiosos venceram as eleições e as forças não-religiosas apoiaram um golpe militar. Entre os religiosos surgiram grupos mais aguerridos, quanto às idéias, fundamentando-se mais n'Al Corão, e quanto aos métodos, passando à violência. O pior que pode acontecer é a "argelinização" do mundo árabe. A guerra civil na Líbia seguiu esse esquema, fanáticos religiosos contra forças laicas, e a guerra civil na Síria também. Se as vitórias de partidos religiosos gerarem golpes militares anti-partidos religiosos então infelizmente acontecerá o mesmo. Parece uma armadilha, da qual os povos árabes só podem sair inventando uma outra democracia, na qual sua forte religiosidade não se transforme em um problema político. Ou se não terão que se contentar com fórmulas de divisão dos poderes entre religiosos e laicos, como acontece no Irã (que não é árabe mas é muçulmano), embora com uma mal tolerada supremacia religiosa.

As potências "ocidentais", como era de se esperar, lutam pelo pior, entregam armas a grupos religiosos irresponsáveis, apoiam ditadores, estimulam a guerra civil com todo tipo de apoio, com todo tipo de sujeira, inclusive com mentiras de seus meios de difamação em todo o mundo. O que mais podiam fazer países que, por meio de eleições diretas, são sempre governados por ladrões?

sábado, 26 de maio de 2012

Maio de 2012 já é o segundo mês com mais visitas ao São João del-Pueblo

O mês de Maio de 2012 já deixou para trás Agosto e Setembro de 2010, meses das eleições gerais, e atingiu o segundo lugar em visitas ao São João del-Pueblo. O primeiro lugar ainda é de Julho de 2011, reflexo das revoluções que começaram a sacudir o mundo árabe. O que lançou Maio de 2012 nessa posição foi sobretudo a notícia da greve da UFSJ. A dicotomia entre lutas e eleições não parece real observando-se os leitores de nosso blog. Esse ano, por termos eleições, todos os blogs e sites do Partido serão mais visitados nesses próximos meses. Eis porque os comunistas precisam participar de eleições.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Brigadas Populares não fazem mais parte do grupo São João para o Povo Trabalhador

Surpreendidos com a decisão das Brigadas Populares de apoiar uma coligação eleitoral adversária composta majoritariamente por um agrupamento que tem sido o adversário das organizações e interesses dos trabalhadores e dos estudantes do município de São João Del Rei, percebemos, decepcionados, que as Brigadas Populares não fazem mais parte do Frente São João para o Povo Trabalhador.

Há meses as Brigadas já não participam das nossas reuniões, e não nos informaram dessa decisão que vai contra os interesses desta coligação; assim como contrárias às nossas decisões coletivas. A condição para participar de qualquer organização democrática é cumprir as decisões da maioria.

A Frente São João para o Povo Trabalhador terá candidatos próprios, para prefeito e vice, e para vereadores. Por não sermos um agrupamento meramente eleitoral, após as eleições continuaremos vivos, participando de todas as lutas populares do município. Será o momento para avaliarmos e superarmos esse desconforto, para seguirmos juntos nas lutas do dia a dia.

Continuamos como sempre abertos ao diálogo com os companheiros.

PSTU, PCB, PSOL e Consulta Popular

terça-feira, 22 de maio de 2012

A aproximação de um tsunami econômico e a grande encruzilhada do governo Dilma - um ensaio

Exatamente quando o governo Dilma está com elevadíssima popularidade é que é a hora de lembrar que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) não faz parte desse governo, para depois não dizerem que pulamos do barco afundando. Também é necessário lembrar disso quando temos que fazer alguns julgamentos positivos sobre Dilma e algumas medidas. Acontece que o momento é especial, o preço do aço, como há algumas semanas já publicamos a respeito da Vale, está mesmo em queda, a China está reduzindo sua produção e a Usiminas informou que está cancelando o planejado crescimento da extração de ferro. Em economês que funciona (não a bobajada da TV) isso significa agravamento da crise de super-produção, e agora (Vale e Usiminas) atingindo o Brasil. Não é, de forma alguma, motivo para comemorações, nem desânimo, nem pânico. É motivo para apontarmos soluções socialistas.

sábado, 19 de maio de 2012

Dados estatísticos e econômicos de São João del-Rei

Em 2010, tínhamos 84.404 habitantes, em 27.327 residências. A renda per capita dessa população era de R$ 9.617,00 ao ano (menos que um salário e meio), perdendo para três pequenas cidades vizinhas, Piedade do Rio Grande, Nazareno e Madre Deus de Minas, porém o dobro de Santa Cruz de Minas, onde portanto a renda per capita está abaixo do salário mínimo. Como em termos econômicos Santa Cruz de Minas é um bairro de trabalhadores de São João del-Rei e Tiradentes, podemos imaginar que tem a mesma realidade dos bairros de trabalhadores dessas cidades. Os extremos são poucos, ou difíceis de contabilizar. O IBGE encontrou, em 2010, 800 miseráveis, pessoas vivendo com menos de um quarto de salário mínimo, e 64 pessoas cuja renda excedia 30 salários mínimos. Não é necessário muito discernimento para entender que existem mais miseráveis e mais ricos, e que viver com um salário mínimo, que é a regra, é viver sem liberdade para nada. Contudo, como se nota pela renda per capita, São João del-Rei parece não ter muito o que distribuir.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

UFSJ deve entrar em greve dia 17 de Maio

Segundo as Assembleias que estão sendo realizadas os professores da UFSJ devem entrar em greve dia 17 de Maio de 2012, ou seja, daqui há uma semana. Os técnicos já estão em estado de greve mas não têm data para parar. As Federais no país todo estão entrando em greve e a menos importante das reivindicações é a salarial. Os funcionários públicos estão contrariados com os planos do governo para seus planos de carreira e para suas aposentadorias. Em Junho, os funcionários públicos federais todos, de todo o país, devem fazer uma paralisação. No dia 14 de Maio acontecerá uma nova Assembléia dos professores da UFSJ, que deve ser decisiva.

Para São João del-Rei, se a greve for forte e prolongada, é uma má notícia do ponto de vista econômico imediato, pois os estudantes voltam para suas cidades. Porém, se a greve for vitoriosa a cidade toda ganha prolongadamente, pois os professores e técnicos da UFSJ gastam seus salários aqui. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vão se definindo as candidaturas em São João del-Rei - sobre a possível retirada de Nivaldo da disputa e outras novidades

Não que faça diferença para a tática que adotaremos. Aconteça o que acontecer com as demais candidaturas nós teremos um candidato próprio escolhido entre os pré-candidatos que lançamos, um do PSOL, um do PSTU e um do PCB. Nenhuma das demais pré-candidaturas apresenta um programa nem sequer parecido com o nosso, portanto, embora reconheçamos que existem diferenças entre elas, nenhuma nos agrada. Mas é importante refletir sobre o panorama político eleitoral.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As eleições mais sujas da história da UFSJ

Sujeira é a essência das grandes eleições diretas, isso não é novidade. Qualquer cidadão atento e que não tenha interesses pessoais em esconder a verdade se lembra das diversas eleições para prefeito e vereadores, presidente, governador, deputados, senadores, sindicatos e da própria reitoria da UFSJ e o raro é quando uma dessas eleições não é marcada por sujeira da grossa, e praticamente nunca, mesmo quando não rola podridão, os eleitores mandam em nada. Porém, as eleições para reitoria da UFSJ que terminam nessa Terça, dia 8 de Maio, são as mais baixas que já aconteceram na UFSJ. O golpe das eleições de 2008, em que o reitor conseguiu impossibilitar a existência de uma chapa de oposição, ficou ofuscado pela atual lambança. Só vai piorar!

Fui defensor das eleições diretas desde as Diretas Já (1985), quando eu tinha dez anos, até 1998, já veterano no curso de História da UFMG, tendo então participado diretamente de no mínimo três eleições diretas por ano (todo ano tínhamos eleições para o CA de História, o DA da Fafich e o DCE da UFMG, todas sujas). Quanto maior era a eleição, maior a sujeira. As eleições para o CA podiam não ser nenhum exemplo de democracia, já aconteciam fofocas e mentiras, o debate já era pessoal e não político, mas ao menos nem o poder financeiro, nem a publicidade, tinham força alguma nelas. As eleições para o DA, uma vez que a Fafich tinha uns 5 mil alunos, já eram bem mais sujas, miniaturas das sujíssimas eleições de DCE. Não havia nada que fizesse tão mal ao movimento estudantil da UFMG que essas eleições. Elas destruíam a imagem do DCE uma vez por ano, além de dividirem os alunos de forma difícil de reunir (se hoje um sujeito te chama de ladrão, golpista, sujo, fica difícil estar lado a lado com ele amanhã), e de serem o motor da corrupção, pois eram eleições caras, e os estudantes só tinham uma fonte de financiamento possível... Eu poderia ter me iludido acreditando que isso era só na UFMG ou só na minha época, mas minha participação na direção estadual da UJS, juventude do PCdoB, entre 1995 e 1998, me permitiu perceber que os 200 DCEs do país viviam a mesma autodestruição. Eu também comecei a participar, em BH e em São João del-Rei, de eleições municipais e gerais, para descobrir que a baixaria não se resumia ao movimento estudantil, e passei a ser informado das eleições sindicais, igualmente nada democráticas.

Mesmo assim, as eleições da UFSJ desse ano ainda estão além do aceitável. O próprio reitor entrou diretamente na baixaria, cedendo fragmentos editados de uma conversa particular sua com uma das candidatas à reitoria! As mentiras, as historinhas, as fofocas novelescas, estão rolando há mais de um ano. De cobranças de favores a ameaças, as eleições deflagraram uma guerra pessoal dividindo a comunidade da UFSJ de forma traumática. O desespero da reitoria é paradoxal, deveria ser desnecessário, uma vez que tem em mãos a máquina e oito anos de distribuição de favores, mas o medo é maior, porque caso perca a reitoria, o reitor não poderá ser candidato a prefeito. A reitoria da UFSJ tem sido um trampolim do qual os reitores pulam para outras carreiras, conforme aconteceu com todos os reitores, mas eles foram discretos ou ao menos o tentaram. Já o atual quer dar seu salto em público, usando a imagem da UFSJ assim como usou seus recursos, confiante na impunidade e no descaso com a coisa pública reinantes em nossa sociedade. O primeiro obstáculo que ele está enfrentando é a oposição interna da própria UFSJ, contra a qual ele usa de repressão há 4 anos.

Não devia existir um cargo com tanto poder dentro de um Universidade como o de reitor. Ou os reitores têm que ser extintos ou seus poderes super reduzidos. Mas mesmo com redução de poderes, um cargo importante como o de reitor não deveria ser preenchido em processos sujos como têm sido no Brasil todo. Nossa sociedade precisa recuperar o poder sobre sua própria existência. Hoje o mundo ocidental quase inteiro é governado de forma autoritária por bandidos que se legitimam em processos sujos chamados "eleições diretas".