quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre o voto em lista fechada

Eis que ao contrário de nossa previsão a comissão de parlamentares que está escrevendo a proposta de reforma política-eleitoral aprovou o voto em lista fechada, que é a melhor proposta em debate no Congresso. Significa que os eleitores votarão diretamente no partido, ou na coligação, se elas não forem extintas, e os eleitos serão os primeiros da lista apresentada ao público pelo partido. Então, necessariamente, o debate eleitoral sairá da atual baixaria bairrista e personalista, e se tornará um pouco mais politizado, uma vez que os partidos terão que se diferenciar em busca dos votos. Dito de outra forma, os primeiros candidatos da lista é que atrairão ou afastarão os votos dos eleitores, e cada partido portanto não poderá recorrer ao bairrismo em mais de uma ou duas regiões, muito menos usando para isso todos os candidatos, em todas as regiões, como faz hoje. O personalismo será usado pelos partidos com os cabeças das listas, mas também não funcionará com a lista inteira, pois todos os eleitores logo perceberão que de um terço da lista em diante ninguém será eleito.

O apelido "lista fechada", dado pelos seus opositores, se refere ao fato de que são os partidos que escolhem a lista dos deputados. Alega-se que isso fortalece as burocracias partidárias, uma hipocrisia tremenda visto que o controle dos partidos já é completamente centralizado e burocratizado, de forma que as bases não têm mais poder nenhum para perder para as direções.

O fim das coligações, por outro lado, é um retrocesso, e um golpe dos grandes partidos contra os pequenos, que assim tendem a ser extintos. Ora, eu já disse e repito que se algum partido tem que ser extinto nesse país, então comecemos pelos grandes, que são os culpados de tudo, pois têm as maiorias de todos os parlamentos, assim como os governantes, e são os envolvidos em escândalos de corrupção e outras baixarias, e são já completamente desmoralizados perante o público.

Penso que para acabar com os partidos de aluguel basta acabar com a razão dos aluguéis, permitindo que as pessoas se candidatem sem terem partido.

Contudo, não podemos esperar nada de bom vindo de Brasília, e ainda estou duvidando que teremos mesmo o voto proporcional em lista fechada. Creio que a direita acabará arrancando, no mínimo, metade dos deputados por voto distrital. 

terça-feira, 29 de março de 2011

Pesquisadores da UFSJ estudam pegada gigante em Dores de Campos

Coordenador do GEPHIS, Moisés Romanazzi observa descoberta
Integrantes do Grupo de Estudos da Pré-História (GEPHIS), do Departamento de Ciências Sociais da UFSJ, descobriram pegada fossilizada de padrão Theropoda no entorno rural do município de Dores de Campos. Trata-se de descoberta inédita naquela região, que pode indicar a existência de um sítio paleontológico até então inexplorado.

Segundo o coordenador do GEPHIS, professor Moisés Romanazzi Tôrres, a pegada permite deduzir que um dinossauro de grande porte, muito provavelmente carnívoro, habitou a região. “O padrão indica que o animal pisou em ângulo inclinado, voltado para a esquerda, afundou completamente o pé e mesmo a parte inferior da perna”, destaca.

Contatado pelo proprietário rural Josino Élcio, Moisés e mais três alunos do GEPHIS – Adriana Pereira, Herbert Custódio e Rivelino Miranda – visitaram o sítio e coletaram as características básicas do que viram: uma pegada isolada, tridáctila, em formato de dígitos espalmados, digitígrada, preservada em profundidade (46 cm), medindo aproximadamente 1,52 m de comprimento por 1,23 m de largura. “No dígito esquerdo e no do meio aparecem, nitidamente, as garras. O dígito direito não está tão bem preservado”, informa Moisés Tôrres, responsável por identificar e caracterizar a pegada.

A equipe coletou fragmentos do sedimento para posterior análise química, o que vai permitir a reconstrução paleoambiental. E já preparam artigo para informar a comunidade científica sobre a descoberta. “Vamos também enviar projeto de pesquisa aos órgãos de fomento para assegurarmos o financiamento das etapas subsequentes, que abrangem a moldagem da pegada e a construção de um cercado coberto para sua proteção”, avisa o coordenador.
Mais informações: (32) 3379-2459. O Grupo de Estudos da Pré-História funciona no Campus Dom Bosco, em São João del-Rei.



Publicada em 27/03/2011
Fonte: ASCOM

quinta-feira, 24 de março de 2011

O REI ESTÁ NÚ

Sammer Siman

Economista e ex-conselheiro universitário da UFSJ



Quem manda na UFSJ são os conselhos superiores, sendo o conselho universitário a instância máxima de deliberação. O REItor só tem o rei no nome, pois é um mero executor das deliberações dos conselhos superiores. Logo, para dirigir a Universidade, é comum os reitores buscarem influenciar na composição de tais conselhos.

Desde 2004 o atual reitor da UFSJ acompanha todas as eleições de conselheiro que pode. Na sua ânsia de obter unanimidade ou ampla maioria do conselho, por algumas vezes fere a autonomia de entidades ou, no popular, “enfia os pés pelas mãos”, “enfia o pé na jaca”.

O caso mais emblemático ocorreu em 2010. Para compor uma vaga estudantil que estava aberta, o DCE elegeu o estudante de História André Luan Nunes Macedo. E o elegeu de acordo com o estatuto da UFSJ, alterado pelo CONSU em 2005 numa AMPLA DISCUSSÃO com a comunidade universitária.

Inconformado com a indicação feita pelo DCE o reitor iniciou a intervenção. Questionou a primeira eleição por meio da Procuradoria Jurídica. Diante do questionamento, o conselho achou por bem fazer nova eleição, elegendo novamente o estudante André Luan. Não obtendo êxito, o reitor iniciou investidas junto aos CA’s e DA’s (que são as entidades que elegem o conselheiro por meio do conselho de entidades de base), interferindo na autonomia das entidades. Um caso é simbólico:

Numa reunião com o CA de engenharia mecânica, o reitor condicionou um apoio financeiro à semana de engenharia ao voto da entidade em outro candidato a conselheiro que não fosse o estudante André Luan. Mostrando sua autonomia e coragem, mesmo diante da ameaça o CA de engenharia manteve seu voto no estudante André.

E com iniciativas desta natureza o reitor não obteve êxito. O estudante André Luan foi eleito e reeleito por CINCO vezes, ficando claro pra todo movimento a ingerência do reitor. Hoje tramita um processo na comissão de ética contra tal intervenção.

Na data de hoje, 24 de março de 2011, a reitoria propôs como pauta única da reunião do CONSU do dia 28 de março mudanças no estatuto da UFSJ, na tentativa de enfraquecer a autonomia do movimento estudantil. Sugere a alteração do artigo 10 do estatuto da Universidade, justamente o artigo que garante ao DCE a indicação dos conselheiros, querendo submeter a eleição do conselheiro ao voto difuso de cada estudante. Trata-se de um fato preocupantemente inédito nos últimos anos, propor importantes alterações estatutárias tão rapidamente, sem possibilidade de ampla discussão na comunidade universitária e, ainda, sem a participação de um dos dois representantes dos estudantes, que terá seu mandato vencido no dia 27 de março!

Além do que, tentando um gesto de esperteza, a reitoria sugere na alteração a expansão das vagas de estudantes no conselho, pra tentar confundir e dividir os estudantes. Algo ilegal, pois o Parágrafo Único do artigo 8º do Estatuto da UFSJ afirma que a composição do conselho deve ser de no mínimo 70% de professores, cabendo os outros 30% serem divididos entre técnicos e alunos.

Ou seja, pra cada aluno a mais, deverá haver um técnico a mais e sete professores a mais, algo impossível sem uma revisão geral do estatuto e do regimento da UFSJ!

Na sua ingerência, a reitoria levanta tal proposta em “nome da DEMOCRACIA”. Momento interessante pra debater tal tema, certamente uma boa hora pro DCE convidar alguém da reitoria pra debater o assunto. Democracia, palavra de origem grega, significa poder do povo. Ou seja, significa poder da maioria. No foco de análise, significa poder dos estudantes.

Ora, o que se propõe é dar a cada estudante um mísero voto. E nada mais. O conselheiro, por este tipo de eleição, seria eleito em eleições grandes, caras, de baixo nível, pois a reitoria obviamente se mostra como um pólo interessado, logo não mediria esforços para financiar a campanha de seus indicados. A “vantagem” deste tipo de eleição é que o representante não é controlado pelos “representados”, podendo votar do jeito que quiser, negociar seu voto do jeito que quiser.

Tal gesto nega a existência de uma representação estudantil, que, diga-se de passagem, já mostrou e tem mostrado sua força e organização, inclusive já ocupando a reitoria uma vez, uma ocupação declarada legítima por este mesmo reitor.

No entanto, é de se esperar que a atual reitoria seja atraída por esta pseudo-democracia. Em 2008, quando foram eleitos por este mesmo tipo de eleição de voto difuso, Helvécio-Valéria deixaram explícito em seu programa político a “defesa da autonomia dos departamentos”. Hoje, como os ventos mudaram na política universitária, eles falam de fim dos departamentos.

Este tipo de eleição funciona assim. Prometem mundos e fundos antes do voto e depois, com o passar do tempo, ignora-se promessas na mesma naturalidade em que se bebe um copo com água.

É interessante tratar de outro exemplo atual, guardada suas devidas proporções, é claro. A “democracia” norte-americana, sustentada nos mesmos pilares da atual defendida pela reitoria (do voto difuso), afirma dar opções ao povo.

Ora, Obama foi eleito encarnando a figura do “anti-guerra”, com a promessa de que retiraria rapidamente as tropas do Iraque e do Afeganistão. E o que aconteceu? Manteve as tropas, e agora lidera outra carnificina, outra invasão bélica.

O que dizer então? Teria o Obama alguma espécie de humor bipolar? O fato é que o fundamento do poder econômico norte-americano está na indústria de guerra e, independente do presidente, quem manda é tal indústria.

O poder que o DCE possui de indicar o conselheiro é amplo. O conselheiro é eleito e deposto a qualquer momento pelo conselho de entidades de base e deve estar sempre presente nas reuniões de DCE, discutindo com a base e prestando contas a ela. O dinheiro não faz sentido neste tipo de eleição, sendo eleitos os conselheiros mais competentes, mais estudados e que tenham maior compromisso com a base. Ao contrário das eleições individualistas, onde é eleito o mais bonitinho, o mais carismático, o mais rico, o mais subserviente, o mais cínico...

Enfim, mais um triste capítulo da UFSJ, que vê cada dia mais sua democracia ameaçada e atrofiada em nome de interesses obscuros.

Presidente da Câmara dá provas de incapacidade de lidar com o público



Pela segunda reunião seguida o presidente da Câmara dos vereadores de São João del-Rei, do PSDB, interrompe a sessão para brigar com manifestantes. Que descontrole! Pode-se notar no vídeo feito pelo Instituto Apoiar que o presidente tucano se indispôs antes com uma vereadora, o que parece ser aliás o seu hábito, pois na semana passada ele interrompeu outra vereadora, de forma que podemos dizer que uma Câmara em que metade são mulheres elegeu um homem para cortar as falas das mulheres!?!? Ele estava com dificuldades para falar, o que também parece descontrole.

Pode-se discordar da encenação feita pelo estudante conterrâneo, Petterson Ávila, mas isso é o menos importante de tudo que se aprende com esse vídeo. Deve-se notar que o próprio representante do PSDB afirmou que a polícia já estava "lá embaixo", ou seja, que já planejava acionar a polícia contra o público. O que será que ele pensa? Será que acha que pode legislar escondido do povo? A panelinha podia ter escolhido um vereador mais preparado entre a sua maioria garantida, menos suscetível a opiniões contrárias.

Falando em polícia, deve-se elogiar a atuação dos policiais que assistimos, que foram, como agora tem se tornado comum em São João del-Rei, educados, como deve ser na civilização. Eu já estava para escrever um artigo sobre uma abordagem da polícia militar que recebi com uns amigos em uma pracinha escura e suspeita, e na qual fomos todos muito bem tratados. Essa outra atuação exemplar da polícia militar mineira é digna de elogios, e aliás, precisa ser elogiada. Os policiais são funcionários públicos, e como tais devem ser premiados por seus méritos e punidos pelos seus erros. Se não elogiamos o que é certo ficam sem valor as acusações que já fizemos e que talvez tenhamos que fazer no futuro.

Notem, os policiais estavam claramente constrangidos de estarem ali se envolvendo em uma luta política. Eles são instruídos e sabem que esse é o papel que a polícia nunca deveria ter. O presidente da Câmara podia poupar os policiais dessas situações! Se ele não dá conta de aguentar os manifestantes, renuncie, mas não apele. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Diversas organizações de São João del-Rei fazem requerimento ao Ministério Público

A ASSEMBLÉIA POPULAR DAS VERTENTES, que congrega as organizações abaixo relacionadas vem a público manifestar sua solidariedade á vereadora Vera do Polivalente e ao cidadão e estudante, Petterson de Ávila Corrêa, em face dos fatos ocorridos na reunião da Câmara de Vereadores do dia 15 de março pp; quando a vereadora foi cerceada de manifestar seu pensamento - direito e dever enquanto vereadora - pelo vereador Mauro da Presidente, que preside aquela casa. Por ser órgão previsto constitucionalmente, custeada com recursos públicos, portanto dinheiro do povo., trata-se de organização que não pode ser usada ou manipulada ao bel prazer  para atender interesses particulares ou de grupos. E ao estudante Petterson de Ávila Corrêa, cidadão participativo, que não se conteve e manifestou seu protesto pela atitude prepotente vereador Mauro da Presidente, que vem demonstrando ser pessoa despreparada para dirigir a Egrégia Câmara Municipal da nossa culta e vetusta  São João del-Rei .
               A vereadora Vera do Polivalente tem tido comportamento altamente ético nas lides da Câmara Municipal, exercendo seu mandato com dignidade, sem fisiologismo, ou submissão ao prefeito, avaliando  criteriosamente os projetos em tramitação, votando favoravelmente quando de real interesse municipal, apresentando emendas quando necessárias ou votando contra quando são projetos que  escondem má fé ou tem objetivos eleitoreiros, que podem privilegiar aos detentores do poder atual nas próximas eleições. A vereadora Vera do Polivalente não se submete a vontade do prefeito, em troca de favores ou vantagens.
               Aproveitando a oportunidade, AS ORGANIZAÇÕES QUE COMPÕEM A ASSEMBLÉIA POPULAR DAS VERTENTES vem requerer publicamente que o Ministério Publico investigue a fundo todo o processo para a concorrência do transporte Público de São Joãodel-Rei. Desde a tramitação do Projeto de Lei dos Transportes nº 5959 de 20 de agosto de 2010, hoje Lei municipal nº       projeto que tramitou de forma ilegal, sem passar por audiência pública, sem ouvir o Conselho da Cidade, e que revogou a lei municipal que previa duas empresas de ônibus para explorar o transporte público no município de São João del-Rei., revogando ainda, inúmeros artigos do Código de Posturas, o que suspeitamos, visando beneficiar a atual empresa concessionária dos serviços de transporte público de passageiros municipal, por ocasião da nova Concorrência. REQUEREMOS também, que o Ministério Público investigue a responsabilidade do chefe do executivo municipal nas alterações citadas e se o vereador funcionário da atual concessionária usou de sua função para de alguma forma  favorecer  a empresa onde trabalha,  na concorrência ( prevaricação).

Diretório Central dos Estudantes (DCE)
Sindicato dos Metalúrgicos (SindMetal)
Centro Acadêmico de Filosofia
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Mobiliária e Construção Civil (Sinticom)
Centro Acadêmico de História
Centro Acadêmico de Psicologia
Sindicato dos Serv. Municipais (SindServ)
Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia (ENEBIO)
Coordenação Nacional de Lutas(CSP-Comlutas)
Grupo Fé e Política
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Assoc. dos Movimentos Sociais, Moradores e Amigos de São João del-Rei (AMMAS Del-Rei)
Partido Socialista dos trabalhadores Unificado (PSTU)
Associação dos Usuários de Transporte
Partido dos Trabalhadores (PT) )
Assoc. de Moradores dos Bairros do Rio Acima e Bonfim
Consulta Popular (CP)
Partido Democrático Trabalhista (PDT)
Assoc. de Moradores do Bairro São Dimas

domingo, 20 de março de 2011

As mentiras da imprensa "brasileira" em São João e no Saara

Como já se espalhou pela cidade, inclusive com grande ajuda da Internet, a TV Record e a R7 divulgaram para o país todo uma notícia completamente errônea sobre as bolsadas e cadeiradas na Câmara dos Vereadores. Mostrando as imagens da Internet, a tal TV afirmou que se tratava de uma vereadora batendo em um vereador, enquanto a agressora era na verdade apoiadora do vereador do PSDB. Apesar das diversas reclamações, com destaque para o estudante que está indignado por ser confundido com o vereador tucano, a TV Record e a R7 não desmentem suas mentiras em público, e até da última vez que conferimos as mantinham na Internet.

Compreende-se, é a versão que interessa, colocando o tucano como vítima, a petista como agressora. São parvos os que acreditam que a grande imprensa de qualquer lugar é uma prestadora de serviços, que dá voz às principais versões em choque. Imprensa é como exército, é como polícia, é como governo, é, aliás, o principal instrumento dos governos brasileiros, e por vezes governa sozinha. A imprensa ser particular, privada, ter uns poucos donos, é a coisa mais anti-democrática e anti-republicana de nosso país, é como se o exército tivesse um dono. Não haverá verdadeira democracia, verdadeira liberdade, portanto progresso social, político e econômico, enquanto continuarmos sob a ocupação de uma imprensa que, na verdade, é estrangeira.

Temos duas provas que essa imprensa está bombardeando esses dias. A atitude serviu, submissa, subserviente diante do presidente Obama, cujas tropas e armas matam por esporte e lucros em várias regiões do mundo, que continua promovendo a tortura em suas próprias prisões e nas alheias, e no entanto é protegido pelas mentiras dessa imprensa "brasileira". Ele foge de locais públicos onde receberia vaias e sapatadas, e a imprensa serviu afirma que foi a segurança dele que não permitiu o evento, ou que não foi devido ao tempo nublado.

A outra prova é a cobertura da agressão covarde contra a Líbia. Os serviços de inteligência do império insuflaram a guerra civil na Líbia, então os meios de comunicação em todo o mundo dominado pelo capital começaram a transformar al-Kadafi em um monstro, assim como fizeram com Sadam Hussein, como desculpa para uma agressão. Toda essa propaganda reforçou a pressão dos EUA por uma resolução da ONU contra a Líbia. Essa resolução foi aprovada e a Líbia a acatou, e chamou os observadores internacionais para mediarem o conflito interno. Contudo, a imprensa afirma o contrário, que a Líbia desacatou as resoluções, justificando o injustificável, que é o bombardeio das cidades líbias. Toda a guerra civil entre os líbios não é capaz de matar um terço do que estão matando os bombardeios da OTAN.

O presidente do Parlamento líbio afirmou - "Nós pedimos observadores, eles nos enviaram bombas!"

sábado, 19 de março de 2011

A Líbia está sendo bombardeada apesar de ter obedecido resolução da ONU

Conforme previsto, EUA e aliados, somando uns dez países, estão bombardeando a Líbia. As vítimas são quase todas civis, assim como no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e na Palestina. Trata-se de simples assassinatos em massa, encobertos com o nome de guerra. Um dos representantes dos assassinos, Obama, está no Brasil hoje, mas não vai falar em praça pública, pois certamente seria vaiado.

É triste e inútil a "guerra" do "Ocidente" (do qual felizmente nós latino-americanos parece que fomos excluídos) contra os árabes e alguns outros povos islâmicos, como os persas. Os países agressores conseguem ganhos táticos momentâneos, destroem e massacram em larga escala, mas não enfraquecem os árabes, nem lhes faz diminuir a população, nem lhes toma definitivamente um naco de terra, ou seja, estrategicamente, não vencem, e não podem vencer. Os países agressores, apesar de já fazerem guerra contra metade do Islã, não logram um renascimento do capitalismo, nem mesmo conseguem brecar a decadência de suas economias. Ou seja, todas essas agressões são estrategicamente inúteis mesmo pelos mais nojentos pontos de vista.

Mas como sabemos, os interesses que dominam os países agressores, capitalistas, não têm nada haver com estratégia, são mais mesquinhos e imediatos, e se fundam na certeza de que o futuro na existe. São o lucro que beneficia desde a indústria armamentista até a de construção civil e a manutenção do lastro do dólar por meio do domínio das principais fontes de petróleo.

A imprensa "brasileira" preparou o espírito de seus seguidores para a agressão, e agora certamente afirmará que os alvos são somente militares e que a Líbia desobedeceu as resoluções da ONU. Essa imprensa é parte da máquina de guerra do império, encoberta por uma dita liberdade de imprensa. Hipocrisia, tanta que as redes de TV e rádio da líbia já devem estar sendo colocadas fora do ar pelos bombardeios imperialistas.

quinta-feira, 17 de março de 2011

EUA e seus rabos tentam abafar a Revolução Árabe atacando a Líbia

De bem longe, podemos notar que o imperialismo caça uma maneira de intervir militarmente para abafar a revolução que se inicia no mundo árabe. A Arábia Saudita foi encarregada de abafar a revolução nos países vizinhos, enquanto a guerra civil na Líbia está sendo insuflada e usada como desculpa para uma intervenção dos EUA e seus rabichos, que instalariam suas tropas, coincidência, no Egito e na Tunísia!

Na Líbia, as tropas republicanas cercam os rebeldes monarquistas em Bengazi nesse momento. A velocidade do contra-ataque republicano surpreendeu os estadunidenses, que estão a ponto de lançar um ataque desesperado contra a Líbia, e ameaçam fazê-lo em poucas horas. Temem perder a desculpa que necessitam para ocupar militarmente o norte da África. Com essa agressão se completa um quadro de guerra entre a liga dos EUA e os povos árabes e alguns outros povos muçulmanos que se pode dizer que compõem o Islã.

Na Arábia Saudita já ocorrem manifestações contra a monarquia submissa aos EUA, que podem crescer agora que tropas sauditas são enviadas aos países vizinhos e a Líbia deve ser agredida com bombardeios. Se a revolução chegar à Arábia Saudita o preço do barril de petróleo dobrará de um dia para outro. Este só pode ser, agora, o maior pavor dos EUA.

Não se trata de uma guerra religiosa, a não ser para os fanáticos que não sabem nem o que passa sob os próprios narizes, mais numerosos e poderosos nos EUA, é claro. Trata-se de uma guerra pelo domínio do mundo: Petróleo; rotas estratégicas; lastro da moeda. O petróleo ainda é uma necessidade, apesar de todo o avanço tecnológico dos últimos anos, qualquer economia do mundo rui sem petróleo. O domínio de tanto petróleo quanto há no mundo árabe permite que o dólar não se desvalorize como uma moeda normal, e é o que tem segurado seu valor, que se não estaria caindo muito mais. A economia capitalista está delicada, em sua tensão máxima. É isso o que explica as loucuras que os EUA e seus "aliados" estão dispostos a cometer.

O preço do petróleo vai disparar, porque todas as notícias apontam para isso. A produção mundial chegou ao pico ou quase, e o preço do petróleo já estava crescendo quando a recessão econômica mundial derrubou seu consumo e daí seu preço. Os levantes no mundo árabe, a guerra civil na Líbia, que tem as maiores reservas da África, as necessidades aumentadas do Japão para substituir a energia que deixou de produzir devido ao grande terremoto, ao tsunami e ao acidente nuclear e agora uma possível agressão extrangeira contra a Líbia são todos fatores que farão subir o preço do petróleo. Em consequencia sobem todos os outros preços, com destaque para os alimentos, que já estão subindo de preço, mesmo com a crise econômica mundial, e que tendem a subir mais na medida em que se lhes transforma em combustível.

As lideranças capitalistas mais uma vez vão provar sua inaptidão para governar o mundo. Não sabem o que qualquer estudante entende logo que estuda a Revolução Francesa, ou qualquer outra, e é que a intervenção estrangeira normalmente espalha a revolução ao invés de apagá-la. Para abafar a Revolução Árabe os agressores teriam que usar de um poder que as intervenções no Iraque e no Afeganistão provam que eles não têm. Então, vão entrar só para tornar o velho mundo um inferno.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Apoiadora de presidente da Câmara agride estudante durante sessão - vídeos


O presidente da Câmara, tucano e ligado à empresa de ônibus da cidade, é aliado do prefeito, do PMDB. Nesse dia, tinha perdido uma votação, pois se opusera a que a policlínica de Matosinhos ganhasse o nome de nosso saudoso Pedro Chavez e, talvez irritado, transmitiu sua irritação aos estudantes quando cortou a fala da vereadora Vera (PT), de forma desrespeitosa e anti-democrática, pois sob o argumento de que ela se desviara do assunto. Ora, quem é uma pessoa para julgar se outra está dentro ou fora de um assunto? Qual a diferença disso para censura?

O fato resultou em dois boletins de ocorrência, do estudante contra a agressora e, pasmem, da Câmara contra o estudante agredido. Será que votaram uma lei proibindo as pessoas de tomarem bolsadas ou deram queixa contra os berros do estudante? Ouvimos o berro: "Você não é dono da Câmara não, rapaz!". Onde está o crime? Chamar de "você" e "rapaz" será ofensa, ou o crime está em berrar que o presidente não é dono da Câmara?

É claro que a presença de gente na platéia desagrada certos vereadores, que já até expressaram isso. Nota-se que o presidente correu a encerrar a sessão e certamente usará esse fato, de uma agressão de uma eleitora sua contra estudantes, para tentar ficar livre de platéia, ou para proibir que a platéia se manifeste.

A ligação entre políticos ligados a empresas, ou seja, ao capital, capitalistas, de partidos como o tucano que são historicamente vendidos ao capital estrangeiro, e o autoritarismo é uma constante! Acusam sempre a nós, comunistas, de sermos anti-democráticos, mas são eles quem de fato não suportam nem mesmo que os adversários falem e se manifestem. Se dizem defensores da liberdade, mas não suportam nem a liberdade de expressão.

Detalhe, a vereadora Vera foi impedida de falar que não assinava os projetos que "passam" pela Comissão de Justiça e Constituição porque essa comissão na verdade não se reúne... Mas o mesmo presidente da casa não impediu outro vereador, esse de seu lado, de dizer o que se vê nesse outro vídeo:

terça-feira, 15 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Conselheiro Pedro Walsh

O senhor Pedro Chaves lutou pelos direitos do povo de São João del-Rei, com destaque para sua saúde, durante décadas! Homem corajoso e inteligente, desagradou a todos os bandidos que dominam nossa sociedade, desagradou os corruptos, os que compram votos usando marcação de consultas, os que usam a medicina para enriquecer, todos esses ratos, que para continuarem sendo desprezíveis defendem com unhas e dentes a manutenção das injustiças, do poder do capital, na avacalhação geral do país.

Falecido há alguns meses, merece nossa homenagem, e a Vereadora Vera propôs o seu nome para a Policlínica de Matosinhos. Eis que se levantaram vozes contrárias, que não querem o nome do senhor Pedro. Que situação mais ridícula! Gente que nem é de São João del-Rei, gente que sempre se beneficiou da desgraça alheia, gente que não tem dignidade para lamber os pés do senhor Pedro, agora, por ressentimento de um morto, querendo lhe negar uma homenagem.

São os mesmos vereadores que têm reclamado do público que frequenta a Câmara. Provas ambulantes da ineficiência e da corrupção de nosso sistema político, esses vereadores afirmam que são as pessoas que assistem as sessões as culpadas pela má imagem da Câmara perante a população! Estão certos, uma tal Câmara só pode ter uma imagem boa se ficar em segredo.

Fico pensando no que o senhor Pedro mais gostaria. Se preferiria receber a justa homenagem pelos seus anos de luta, ou se preferiria não receber, pois ser homenageado por essa gente não é lá muito válido, não é muita vantagem, tanto pelo que eles são quanto porque afinal eles só gostam de dar às coisas nomes de cúmplices de suas politicagens, "dondocas" e mães de políticos. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Infantilidades dos comunistas brasileiros no século XXI

Quando surgiu o movimento comunista internacional, liderado pelo Partido Bolchevique, os novos partidos, Comunistas, começaram a sofrer do que Lênin chamou de “doenças infantis”. Podemos dividir em três partes principais as críticas de Lênin no livro “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo”. Primeiro Lênin demonstrou que o preconceito dos revolucionários contra as eleições é inaceitável. Depois, que é impossível qualquer revolução, ou mesmo qualquer movimento comunista de verdade, sem alianças. Em terceiro que somente aos contra-revolucionários interessa que os comunistas fiquem longe das organizações de massas, mesmo que essas sejam controladas por pelegos. Em meio a tudo isso Lênin identificou um espírito de seita, o sectarismo, muito forte nos grupos políticos que apresentam sintomas de doença infantil. Hoje, podemos acrescentar ao menos duas características normais nos infantis esquerdistas, que é a mania de fazer oposição às revoluções dos outros, e em alguns casos o culto à luta armada. No Brasil, surgem características nacionais do esquerdismo, que assim como as utopias, nasce espontaneamente, pois é pura ignorância, pura falta de estudos do marxismo, são posições a que qualquer pessoa chega a partir do que aprende na TV, na escola, na família, na igreja e nas ruas, ou seja, a partir do senso comum.

Lênin inicia o Esquerdismo informando aos ignorantes que sem participar de várias eleições o Partido Bolchevique nunca teria derrubado o Tzar, e que foi necessário participar de eleições capitalistas mesmo depois de instalado o poder dos Soviets. Podemos acrescentar que também os revolucionários de Sierra Maestra construíram parte de seu movimento revolucionário participando de eleições, pois muitos dos que estavam com Fidel no dia do ataque a Moncada haviam participado com ele de diversas eleições. Hoje, como na época de Lênin, só restam dois casos em que revolucionários não participam de eleições, quando não podem ou quando não participar é a forma mais eficiente de participar. No primeiro caso estão lutando para que aconteçam eleições ou para poderem participar delas, e no segundo estão participando!

Porém, na totalidade dos agrupamentos brasileiros do campo revolucionário, existe horror às eleições. Constatamos em nossa última reunião da célula do Partido em São João del-Rei que nossa forma de participar das eleições é de fato uma forma de não participar. Não preparamos as eleições antes, não aprimoramos nossas táticas eleitorais, não pensamos realmente em eleger, e nossos militantes não se empolgam. Essa participação envergonhada é também um esquerdismo envergonhado, uma infantilidade, e um delírio! Delírio, miragem, esquizofrenia, pois afinal podemos afirmar que a frente eleitoral é aquela em que hoje mais atuamos, de dois em dois anos, a única em que atuam todas as células. Temos uma ou outra célula atuando no movimento sindical, uma ou outra célula atuando no movimento estudantil, mas nas eleições atuam todas as células, ainda que pouco e envergonhadas. Então porque não dar ao debate eleitoral a devida importância?

Portanto, também é uma infantilidade afirmar que não podemos criar células no interior “só para participar de eleições”. Como “só”? Nem nas grandes cidades conseguimos atuar em todos os movimentos. Em São João del-Rei, por exemplo, a atuação comunista é praticamente restrita à UFSJ. Então, como exigir dos camaradas espalhados pelas 800 pequenas cidades de Minas que não participem “só” das eleições?

Depois de debochar muito dos grupelhos que na sua época subestimavam as eleições, Lênin demonstrou o quanto eram inseguros e ingênuos por também não gostarem de alianças. Mais uma vez Lênin demonstrou que sem fazer muitas alianças, com os mais diversos agrupamentos nacionais e até inimigos da pátria, o Partido Bolchevique não teria chegado nem perto da Revolução. Isso também podemos dizer de todas as outras revoluções que vem seguindo a bolchevique durante os séculos XX e XXI – algumas até aconteceram sem que os revolucionários participassem de eleições pois em alguns casos não haviam eleições das quais participar, mas em TODAS as alianças foram indispensáveis, mutáveis, por vezes feitas com o próprio inimigo.

No Brasil, contudo, essa mania de não gostar de alianças é reforçada por uma das mais conhecidas frases cristãs, “diga-me com que tu andas e eu te direi quem és”, à qual de fato seguem os nossos “revolucionários”, ao invés de seguirem os conselhos de Lênin. Ou seja, “revolucionários” que não estudam servem mais para esperar o Reino dos Céus do que para lutar pela Revolução!

Uma análise completamente míope do governo Lula reforça o engano. Acreditam os esquerdistas que o PT se degenerou porque fez alianças com partidos como o PL e o PMDB, o que é uma inversão da ordem das coisas. Muito antes de chegar à presidência da República o PT já tinha riscado o socialismo de seus textos, já concordava com a maioria dos projetos e crenças da direita, já estava envolvido em escândalos em sindicatos (desde que nasceu), entidades estudantis, prefeituras etc. Mas essa crença de que o PT foi influenciado por seus novos aliados é interessante porque demonstra um dos principais motivos dessa infantilidade - é medo, insegurança! A falta de firmeza em uma estratégia e em táticas correspondentes, de que trataremos em outro artigo, leva ao receio de se deixar influenciar, ou de que a militância seja influenciada por outros.

No caso mineiro, o posicionamento ultra-esquerdista de restringir o leque de alianças gera situações ridículas, pois na maioria das pequenas cidades não existe nenhum partido revolucionário ou socialista, e não raro as forças mais avançadas de centenas dessas cidades estão em agrupamentos como o DEM ou o PSDB. Então, decretar letrinhas com as quais os comunistas não podem se aliar é o mesmo que decretar que o Partido Comunista não pode existir em umas 700 cidades mineiras. Lênin teria nojo de ditos revolucionários que atrasam a Revolução por conta de crenças religiosas, insegurança e ignorância de tudo o que ele escreveu! Um comunista precisa ser capaz de analisar cidade por cidade, cada contexto, as principais contradições, quais são as forças que realmente existem e o que elas realmente significam naquele contexto, e não tentar adivinhar o que é cada força pelo nome (letrinhas) que ela mesma escolheu.

Por fim, Lênin explica uma coisa muito óbvia, que qualquer um que pretenda atuar entre os trabalhadores tem que ir onde eles estão! Já naquela época havia a ilusão de, ao invés de enfrentar os parasitas que sufocam o movimento sindical, tentar criar outro movimento sindical, puro e revolucionário. Não é nem preciso dizer que os “revolucionários” brasileiros são também adeptos dessa ilusão. Se estivéssemos acordados nesse aspecto estaríamos atuando ao menos nas cinco maiores centrais sindicais, com as mesmas propostas para todas, filiando gente em todas, distribuindo e vendendo nossos materiais em todos os encontros. Porém, embora estejamos acostumados a décadas vendo que 80% ou mais dos sindicatos são parasitados, e não adotemos quanto a isso uma atitude de intolerância, muito menos quando se tratam de nossos próprios militantes, continuamos presos a uma dita ética que diz que temos que nos limitar só a uma central. No caso da central estudantil, a UNE, existem entre nós traidores que querem nos afastar de seus fóruns. Ou seja, o que as ditaduras sonharam a fazer, o que a direita deseja do fundo do coração, alguns de nossos próprios militantes se dispõem a defender em nome da mesma “ética” esquerdista e infantil.

Qualquer pessoa que realmente luta pela Revolução deve aprender com os revolucionários, sobretudo pelos que tiveram sucesso, e destes o mais brilhante foi Lênin. Sendo plenamente alfabetizado mesmo um chipanzé deixaria de ter infantilidades esquerdistas depois de ler “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, cujos argumentos são destruidores. Portanto, como essa doença atinge fortemente os agrupamentos revolucionários brasileiros, só podemos concluir que nossos camaradas se acham muito sabidos, acham que não têm nada a aprender com Lênin, e mentem ao dizer que leram esse livrinho.

De fato surgiram coisas novas desde 1923, quando esse livro começou a circular, e o esquerdismo passou a ter mais dois sintomas graves – o culto à luta armada e a implicância com as revoluções alheias.

O culto à luta armada é mais velho do que Lênin, já tinha quando este nasceu até nome, blanquismo, que consiste na ilusão de que um grupo de homens bem unidos, preparados e organizados pode realizar uma insurreição bem sucedida e fazer a Revolução. Ou seja, é tomar a Revolução pela sua aparência! O mais visível, o momento mais marcante, o dia D da Revolução, para esses inocentes se torna a própria Revolução. Depois da Revolução de Outubro, embora esta não tenha sido nem um pouco blanquista, o blanquismo retomou força, escondido dentro dos Partidos Comunistas. A Revolução Cubana também contribuíu sobretudo na América Latina, para essa ilusão. Como tem a mesma raíz das outras características esquerdistas, a ignorância, via de regra são os mesmos que têm preconceitos contra as eleições, contra as alianças e contra participar de organizações pelegas os que fazem o culto da luta armada. É perfeitamente natural que um jovem revolucionário deseje chegar rapidamente à Revolução e creia que pode fazê-lo por meio da luta armada, mas se estudar vai aprender que para se fazer uma Revolução é necessário muito mais que tiros e bombas.

O PCB se destaca pelo seu pacifismo, pois durante a ditadura, quando a moda na América Latina era combater as ditaduras a bala, nosso Partido acertou não seguir esse caminho então suicida. É hoje óbvio que esse acerto esteve ligado a um engano internacional, que foi a orientação do Partido Comunista da União Soviética, a partir de 1960, de se tentar em todo o mundo a “via pacífica para o socialismo” e de negar a luta armada por princípio. Claro que não se pode negar a luta armada em qualquer circunstância, e claro que em qualquer país chega uma hora em que as coisas são decididas pelas armas, de forma que a orientação do PCUS era um absurdo. Porém, nas circunstancias brasileiras de então era simplesmente suicídio pegar em armas, e em geral embora as armas vez que outra devam ser usadas, em qualquer país do mundo as Revoluções se fazem no campo nas idéias, e em 99% do tempo as armas são inúteis. Ou seja, o PCB estava certo, mas hoje, dentro do PCB, aparecem militantes cultuando a luta armada e negando esse acerto do passado.

No Brasil, país muito cristão, a maioria dos pretensos comunistas são ainda cristãos, cristãos mais verdadeiros que o Papa, mas ainda não comunistas, porque para isso têm que estudar não só os testamentos, mas os livros de Marx, Lênin, Engels, Gramsci etc., além de trabalhos teóricos sobre a realidade brasileira. Então, nosso esquerdismo tupiniquim tem muito de culto à pobreza, maniqueísmo, purismo, misticismo, todas coisas nada comunistas.

O culto à pobreza é especialmente anti-comunista, mas na verdade forte entre os comunistas brasileiros. Acredita-se que o comunista tem a obrigação de ser pobre, e que o rico não pode ser comunista. É claro que tal preconceito está ligado a um engano muito difundido, segundo o qual comunismo seria igualitarismo. Também está relacionado a uma compreensão idólatra dos trabalhadores. No final do século XX e início do XXI entrou na moda cultuar especificamente os trabalhadores rurais. Os pobres seriam os revolucionários, naturalmente. Como todos que já estudaram Lênin e Marx sabem, os que pensam assim não leram nem um nem outro, ou se não são gênios brilhantes para terem derrubado seus argumentos. Deve-se destacar que Marx, Engels, Lênin, Fidel e diversos outros revolucionários não tiveram origem pobre, muito pelo contrário, Engels era industrial e Fidel latifundiário.

O maniqueísmo é também presente na maioria de nossas análises. O lado bom e o ruim, a esquerda e a direita, os proletas e os capitalistas, trotskistas e stalinistas com quem se pode e não se pode aliar, o pobre e o rico. Por isso Lênin chamava a coisa de Infantil, porque só as crianças pensam assim, os adultos começam a perceber a imensa complexidade da coisa. Comunistas não são militantes braçais, precisamos de cientistas, que portanto têm que entender o mundo em seus detalhes e não tentar simplificá-lo.

Era normal, desde a década de 40, grupos esquerdistas se identificarem como trotskistas, tanto que uma coisa virou sinônimo da outra para a maioria das pessoas. De fato, Trotski não era tão esquerdista quanto seus pretensos seguidores, e o uso de seu nome é um pouco de distorção, como blanquismo vindo de Blanqui. Eram ambos revolucionários que não podem ser julgados no lugar de seus pretensos seguidores. Porém, combater, no Brasil, o trotskismo e as infantilidades é quase sempre a mesma coisa! Portanto, é óbvio que os comunistas devem ler Trotski, mas não devem se curvar às limitações infantis de seus pretensos seguidores. Deve-se acrescentar que hoje existem grupos ditos stalinistas mas tão esquerdistas quanto os trotskistas.

È completamente normal que um partido que está crescendo filie jovens esquerdistas o tempo todo, pois o esquerdismo brota do capitalismo, é a vontade de derrubar o capitalismo sem a ciência de como se faz uma revolução. Mas precisamos combater esse esquerdismo com determinação, pois estamos mergulhados nele. De fato, por vezes o aceitamos como normal, e isso nos enfraquece e impede de realizar nosso trabalho.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Tiririca e a reforma política

O fenômeno Tiririca desmoralizou a atual legislação eleitoral mais do que todas as críticas sérias feitas desde 1988. Ao se eleger e ainda levar consigo diversos deputados de poucos votos, gerou hilariedade (sincera) em massa, indignação (quase sempre hipócrita) e desconforto (político). Os risos foram sinceros de norte a sul do país, pois um palhaço que nunca fora realmente engraçado pela primeira vez nos fez rir, desde a campanha até entrar na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A indignação foi hipócrita porque sempre se elegeram os tiriricas, e a diferença dessa vez foi somente que entre os candidatos que usam a estratégia de ganhar o voto de avacalhação, muito maior que o de protesto, um foi tão competente que se destacou a nível nacional. Ou seja, o que aconteceu de novo não foi Tiririca, foi que se tornou visível que se elegem os tiriricas. Em outras palavras, a indignação foi com a verdade! E o desconforto vem da mesma fonte, a verdade mostrando às massas que uma Câmara de Deputados cujo preenchimento de vagas tem uma falha dessas, uma grande porta pela qual entram os tiriricas, não é eficiente para nos governar.

Tiririca abriu a bolsa de Pandora! O sistema proporcional mal feito brasileiro está condenado, mas não há entre o povo nem sombra de um consenso sobre o que deve substituí-lo. Então, da direita a esquerda, surgem as propostas. O vice-presidente da República, Michel Temer, se apressou a defender a sua proposta e a do PMDB, segunda maior bancada e aliado indispensável do PT. A proposta peemedebista é o voto distrital puro e simples, já apelidado de "distritão", ou seja, o país seria dividido em distritos eleitorais, por exemplo, 53 em Minas elegendo cada um, um deputado. O PT fez a defesa do que seria de longe o mais politizado dos métodos possíveis nesse momento, que é o sistema proporcional de uma forma compreensível pelo povo, que podemos dizer que é o sistema proporcional de verdade, em que os eleitores votariam em partidos e coligações, e não em pessoas, a chamada "lista fechada" pela grande imprensa, que obviamente prefere o sistema distrital. O PSDB, por sua vez, pela voz de Aécio Neves, está propondo o meio termo, o sistema proporcional misto, no qual metade dos deputados seriam eleitos por distrito e metade por coligação de forma proporcional.

Como de costume, além de ter em mãos toda a imprensa, a direita brasileira está sabendo falar com as massas, pois embora o voto distrital vá de fato aumentar o poder dos capitalistas e do personalismo, ele é mais fácil de compreender - cada região elege seu deputado, que é o mais votado, e pronto. Temer usou isso muito bem, aproveitando a indignação do povo com a eleição de uns candidatos com os votos de outros, na medida em que esse povo não compreende o voto proporcional e portanto quando vota não pensa estar dando seu voto para uma coligação.

Mas como a decisão não será do povo, mas do Congresso, e o PT tem a maior bancada, resistirá ao voto distrital, tornando o PSDB o fiel da balança com sua proposta mista. Em poucos meses teremos um resultado para esse assunto, e é de fato o mais importante da reforma política, embora para o povo interesse muito mais o fim da obrigatoriedade do voto.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Basismo e poder das entidades de base - coisas diferentes e opostas

Nós comunistas temos que defender o poder das bases em todos os Sindicatos e DCEs do país, mas isso não significa que estejamos isentos de combater o basismo. Poder das bases e basismo são não só coisas diferentes como opostas.

Não temos no Brasil um exemplo de Sindicato realmente dirigido por seus trabalhadores. O melhor exemplo que temos, de São João del-Rei, é um Sindicato, dos Metalúrgicos, em que as bases de fato conseguem influenciar na formação da diretoria, e depois têm voz na decisão de seus próprios assuntos, mas de resto o Sindicato é dirigido pela diretoria. O que permite essa situação, rara no Brasil, é um Congresso que compõe a chapa que ratificada pela eleição dirige a entidade. Mas mesmo assim, e apesar de todos os esforços (por exemplo, é caso raro de Sindicato que consegue manter um jornal mensal, o que não é problema de dinheiro), as bases ainda permanecem a maior parte do tempo afastadas. Em todo o país a situação é ainda pior, com Sindicatos que têm "donos", o que explica a atual crise do movimento sindical. Isso se deve à imposição da ditadura de Vargas (1937-1945), que tomou todos os Sindicatos pela força da lei e da polícia e lhes impôs a estrutura política à qual estão presos até hoje. A "esquerda" brasileira é cega para isso, e em sua ignorância acredita piamente que o design político não interessa, que "o que interessa são as pessoas", uma tremenda demagogia.

No movimento estudantil temos um exemplo de poder da bases, no DCE-UFSJ, mas nesse caso existe a facilidade de já existirem entidades de base, ou seja, Centros Acadêmicos e Grêmios de cada curso ou escola. A Ditadura de 1964 a 1985 tentou liquidar de todas as formas possíveis as entidades de base, e criou DCEs com o mesmo princípio organizacional (design) dos Sindicatos de Vargas, mas não conseguiu extinguir as entidades de base, enquanto as empresas têm tido sucesso em impedir a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho.

Então, obviamente, no movimento estudantil os comunistas devem defender o poder das entidades de base, e no movimento sindical têm que criar maneiras de dar o poder aos trabalhadores. Mas os comunistas param por aqui! O poder deve ser do povo, dos trabalhadores nos Sindicatos, dos estudantes em suas entidades, dos moradores em suas cidades, do povo todo sobre os governantes etc. Mas isso não significa que "a voz do povo é a voz de Deus", até porque isso seria blasfemar contra os deuses de qualquer religião. O poder deve ser do povo, mas o trabalho dos comunistas não é concordar com o povo, cheio de preconceitos e idéias atrasadas.

O mais forte e limitador desses preconceitos é contra a política! O preconceito contra a política tem uma forte base na realidade dos países capitalistas e é ainda alimentado pelos meios de comunicação de massas. Todos percebem que nisso que no mundo capitalista se chama democracia o povo não manda em nada, pois já elegeram prefeitos, governadores, presidentes etc, por trinta anos e continuam tendo mais e mais do que não querem de forma alguma, e é claro que isso desmoraliza a política. Por sua vez, como é do interesse das classes dominantes, capitalistas, a sua imprensa só mostra ao povão o que há de mais sujo na vida política, relacionando como coisas inseparáveis política e podridão, de forma que ser chamado de político virou ofensa.

Deixadas a si mesmas, as bases serão guiadas pela imprensa capitalista, pelas igrejas e por todas as formas de se propagar as idéias dominantes. Nos movimentos sindical e estudantil, as bases por si sós se afundam cada vez mais em seus problemas específicos, desligando-se do mundo, devido a seus preconceitos e ao egoísmo reinante. Os Sindicatos passam a lutar somente por salários e direitos, e as entidades estudantis por coisas como preços das cantinas, dos xerox e do transporte. Ou seja, os movimentos ficam limitados aos anseios espontâneos e aos preconceitos de qualquer trabalhador ou estudante. Basta lembrar que nem mesmo os escravos eram contra a escravidão antes da propaganda abolicionista. Cada escravo queria ser livre, mas isso não é ser contra a escravidão. As irmandades de escravos, constituídas só por escravos, na maioria das vezes chegavam no muito à ajuda mútua e só em raríssimos casos levantaram a voz contra a escravidão. Conhecemos em São João del-Rei só um caso, de uma carta enviada pela Irmandade do Rosário ao Rei em Lisboa, pedindo-lhe que estendesse ao Brasil a lei que abolira a escravidão em Portugal. Ou seja, nem a escravidão com suas torturas físicas e morais fazia com que a base fosse naturalmente politizada.

Quem sempre combate essa tendência natural basista a se limitar são os revolucionários de todas as épocas que ao invés de se abaixarem aos preconceitos das bases, se esforçam por puxar as bases para enxergar a política. Se não chegam a romper seu preconceito com a política, não há utilidade para as bases em terem o poder! Contudo, mesmo quando assumem o poder em uma entidade, as bases carregam consigo seus preconceitos, e caem facilmente em uma confusão - confundem ser contra o parasitismo partidário sobre os Sindicatos e entidades estudantis com ser contra a luta política, eleitoral e partidária. Ou seja, confundem ser dominados com dominar. É claro que evitar um gol e fazer um gol são coisas muito diferentes, mas todo brasileiro sabe que time que não faz leva, ou seja, as coisas têm relação. As bases, para terem poder, têm que exercê-lo. Se, com o pouco poder que têm, se intimidam, logo perderão até esse pouco. Uma coisa é não deixar os Partidos parasitarem os movimentos, outra coisa é os movimentos não buscarem influenciar as eleições, a vida política e partidária!
   

terça-feira, 1 de março de 2011

Imprensa "brasileira" prepara invasão da Líbia

A imprensa sob controle estadunidense em todo o mundo está preparando os ânimos para mais um crime de gigantescas proporções. Essa imprensa dita brasileira, mas completamente assalariada e atrelada a Washington, afirma que os líbios estão bombardeando outros líbios, para desculpar previamente os bombardeios que os seus patrões de fato pretendem fazer, matando milhões de civis. Essa mesma imprensa mentirosa então mostrará vídeos de propaganda de seus chefes em que as bombas só atingem alvos militares. Esconderá as estatísticas, que mostram que enquanto na II Guerra os civis foram somente 30% das vítimas, nas últimas guerras feitas pelos imperialistas os inocentes chegaram a 90%. A imprensa é um poder, como o governo, a justiça, as forças armadas. No Brasil esse poder está hoje majoritariamente em mãos estrangeiras, e essa é agora a maior limitação à nossa soberania. A imprensa "brasileira" faz a propaganda de guerra de seus chefes estadunidenses aqui dentro do Brasil !!! Essa mesma imprensa vendida cria uma rivalidade sem motivos entre brasileiros e argentinos; é inimiga dos investimentos militares e espaciais brasileiros; é contra qualquer medida nacionalista etc.

O projeto do governo Dilma para a imprensa, que está passando por alterações, se continuar com o espírito anterior será derrotado, se não no Congresso, na justiça, ou se não nas ruas. Acontece que é um paliativo muito inábil, pois é a criação de uma censura com um nome bonito. Tal palhaçada só empurrará as massas para o colo da imprensa controlada por Washington! Se não se quer o controle estatal, então o caminho só pode ser democrático, o que não pode ter nada haver com a criação de um conselho censor, mas sim com a democratização de CADA órgão de imprensa, colocando todos sob controle direto da população e colocando fora da lei a apropriação privada, direta ou indireta (aparelhamento), de meios de comunicação de massas.

É possível, assim como existem leis regulando as cooperativas e os sindicatos e tentando mantê-los com um funcionamento democrático, também são possíveis leis dando poderes aos trabalhadores dos jornais e à população atingida pelos meios de comunicação. Assim como cooperativas e sindicatos não podem ser propriedade de ninguém mas também não são propriedade do Estado, é possível com os órgãos de imprensa.