segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A mentira do combate à fome

Obama e Hillary Clinton, certamente inspirados no “Cara” aqui do Planalto, anunciaram um plano de combate à fome no Mundo, obrigando-nos a escrever essa breve nota explicando por que eles não podem acabar com a fome nem mesmo dentro dos EUA, que têm hoje, segundo seus próprios cálculos, 35 milhões de famintos.

Temos uma primeira pista no Brasil, hoje aclamado mundialmente como campeão no combate à fome, onde Lula tornou-se famoso pelo seu Fome Zero. Como se nota passados 7 anos, a fome persiste! O Fome Zero beneficiou cerca de 44 milhões de famintos, e reduziu a desnutrição infantil em 73%, mas não colocou fim à fome, que segundo o IBGE ainda atinge 14 milhões de brasileiros (são famílias que passam fome ao menos uma vez a cada 90 dias). Claro que o Brasil tem recursos para acabar com a fome de vez, pois é bem mais rico que Cuba, onde a fome foi extinta. Porém, nem Lula nem nenhum presidente do Brasil pode acabar com a fome pelo mesmo motivo que nenhum presidente dos EUA poderá acabar com a fome nos EUA.

O capitalismo precisa da fome, precisa de miséria, pois precisa do desemprego, e que o desemprego seja o desemprego, ou seja, miséria e fome. Os países capitalistas com seguro desemprego permanente e suficiente precisam compensar essa situação com os imigrantes sem direitos (ou seja, quando os imigrantes ganham direitos, são necessários os imigrantes ilegais). Isso é uma descoberta de Marx, a necessidade que os capitalistas têm de uma massa de desempregados disputando os empregos com os empregados, de forma a reduzir os salários.

Sem fome, sem miséria, os trabalhadores poderiam arrancar dos patrões salários muito melhores. Um governo que fizer isso estará portanto em guerra contra todos os capitalistas, e só não cairá se tiver um apoio muito forte do povo trabalhador, ou seja, terá iniciado uma revolução ou cometido suicídio político se não físico.

Diversos avanços são possíveis ainda sob o capitalismo, e devemos lutar por eles, que facilitarão a revolução e o pós-revolução, mas o fim da fome não é um deles, pois colocaria o capitalismo em crise, e uma crise conforme nunca se viu. As taxas de lucro, já estreitas, desabariam.

A proposta apresentada por Clinton confessa os reais objetivos do plano ao afirmar que existem no mundo conflitos por comida em 27 países. O objetivo, nota-se, não é acabar com a fome, mas com conflitos que não são do interesse “imperial”, limites nítidos nos recursos financeiros de três e meio bilhões fornecidos pelos EUA, que no entanto imprime essa papelada cada dia menos valiosa.

Um comentário:

Pablo Pedroso disse...

Camaradas, a caridade do imperialismo não passa de mais uma falácia. Todos os anos, eles afirmam investir na erradicação da fome, mas, com a manutenção desse sistema econômico decrépto e opressor, a realidade da fome jamais mudará. Enquanto que os magnatas de Wall Street se esbanjam em boa vida, com ganhos absurdos através de sua ações, os povos oprimidos da Africa, latinoamericanos e asiáticos estão a morrer por falta de alimento e por falta de um governo popular que trabalhe pelos proletariados...
Portanto, lutemos por uma revolução permanente, seja através de eleições, seja pela luta armada, se for preciso...

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