segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma política socialista para as estatais

São João del Rei está mergulhada na polêmica sobre o Damae ser ou não ser comprado pela Copasa, ou seja, sobre duas estatais, uma municipal, outra estadual. A nível nacional, lutamos pela reestatização de tudo o que nos foi roubado pelos governos Collor, Itamar, FHC e Lula, com destaque para a Petrobrás, que está em um fogo cruzado entre manifestações que pedem a reestatização e a “CPI da direita”, organizada pelos que sempre defenderam a privatização.

Em um assunto que só pode ser central, sobretudo para comunistas, de fato mantemos uma posição defensiva! Os capitalistas pedem a privatização dessas empresas, ou seja, sua completa doação aos próprios capitalistas, e nós só defendemos que não sejam privatizadas, ou seja, que continuem oficialmente públicas. É uma bandeira insuficiente, pois não responde a todos os problemas.

A opinião pública, no final da década de 1980 e início dos 90, tendeu claramente para as privatizações, pois conhecia a corrupção das estatais e foi convencida de que era gasto com essas empresas dinheiro que poderia ser gasto com educação, saúde e segurança. As privatização dos anos 90 provaram que não, que de fato o avanço do capitalismo piorou a educação, a saúde e acabou com qualquer segurança. Essa decepção enfraqueceu as hostes privatistas, mas não fortaleceu significativamente a defesa do patrimônio público.

Há um problema, e sem resolvê-lo não teremos apoio público para o “patrimônio público”, e esse problema é que esse patrimônio não é público! A população não se entusiasma em defender as empresas estatais tais como são, pois assim faz muito pouco sentido. O que podemos sentir é a necessidade de se adotar a estratégia socialista imediatamente – Temos que pedir não somente a reestatização de tudo o que foi privatizado, mas também a SOCIALIZAÇÃO de todas as estatais e autarquias, incluindo os bancos!

É hora de explicar o conceito “socializar”, tornar social, propriedade da sociedade de fato, sob controle social. Em outras palavras, a unificação de todas as empresas públicas em um grande conglomerado absolutamente transparente, o que a Internet permite hoje como nunca antes foi possível, e sua gestão por um Conselho representativo dos trabalhadores empregados dentro ou fora dessas empresas (note-se bem, não dos burocratas), com todos os mandatos revogáveis. Isso é socializar. Devemos explicar isso em todos os detalhes, criar mesmo a estrutura política para gestão desse conglomerado de empresas socialistas.

Defender a socialização das estatais não significa a crença na possibilidade dessa transformação acontecer pacificamente, mas a necessidade de se expor imediatamente nosso programa nesse aspecto. Chegou o momento em que não temos mais aliados a ganhar com adiarmos nosso programa. Não existem mais de fato defensores da estatização que não sejam também defensores da socialização. Hoje, quem é contra socializar é a favor de privatizar! Mas por outro lado, existe um campo crescente que já não aceita lutar somente por estatizar, que só se entusiasma com a socialização.

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