segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Manifestação em frente ao consulado do Egito no Rio de Janeiro

Terça-feira, dia 1 de Fevereiro, às 13 horas, haverá uma manifestação de apoio aos levantes do povo árabe, em frente ao consulado do Egito. Nós aqui de São João del-Rei estaremos a 6 horas de viagem dessa manifestação, mas rogamos que seja expressiva. O povo árabe de pé nos dá outra correlação de forças! Quem está perdendo, apesar de suas dezenas de milhares de soldados invasores espalhados pelo mundo árabe, é o grande sustentáculo de todas as ditaduras do mundo, os Estados Unidos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Levantes na Tunísia e no Egito

No norte da África, nas margens do mar Mediterrâneo, o povo árabe acaba de derrubar uma ditadura na Tunísia, e está nas ruas para derrubar também a ditadura egípcia. Os dois ditadores sanguinários, o que caiu e o que vai cair, são apoiados pelos EUA, como sempre. Não é possível prever o que vai acontecer, se esses levantes populares realmente conseguirão resultar em Repúblicas democráticas, e muito menos se serão democracias capitalistas ou de um novo tipo, e não é plausivel que do outro lado do oceano, mergulhados em outra cultura, queiramos dar lições aos revolucionários árabes sobre a revolução que eles estão fazendo.

Além dos defeitos relatados por Lênin na obra genial "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", os esquerdistas atuais acrescentaram o mal hábito de colocar defeitos nas revoluções alheias, fazendo coro à imprensa capitalista. Na época de Lênin, como a única revolução socialista em curso era a soviética, os esquerdistas ditos comunistas (ou seja, que apoiavam em todo o mundo a revolução soviética) não tinham como criticar as revoluções alheias, então esses ignorantes "só" eram contra participar de eleições, fazer alianças e participar de organizações sindicais corrompidas. Se Lênin tivesse vivido mais uns anos, teria visto os grupos esquerdistas passarem a atacar a União Soviética, como hoje atacam as revoluções em curso.

Certamente, dada a importância estratégica dos países rebelados, os EUA, somados aos outros ditadores vizinhos e aos países europeus que orbitam Washington, farão tudo, usarão todos os recursos para manter no poder o ditador do Egito e entregar o governo da Tunísia aos mesmos que a governam há mais de 20 anos. Se o levante se espalhou da Tunísia para o Egito, pode se alastrar pelo mundo árabe, derrubando ditadores aliados dos EUA por todo lado, e por isso a luta será árdua nesses dois países. Os partidos comunistas são forças minoritárias nesses dois países, e precisam de todo o apoio do movimento comunista internacional, com destaque para os outros partidos comunistas árabes.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É hora de São João del-Rei virar à esquerda!


Quem dedicar algum tempo a ler as notícias das páginas de São João del-Rei perceberá o caos, mas não saberá tudo. Lerá que a polícia agora vive nas portas da Santa Casa e do Hospital, pois a saúde pública brasileira só existe na TV. Lerá também que, para variar, existem acusações de corrupção contra o prefeito. Notará que o patrimônio arquitetônico e histórico vive ameaçado e sofrendo perdas irreparáveis. Entenderá melhor como querem entregar a água da cidade aos estrangeiros, que a maioria dos vereadores, como sempre em todos os cinco mil municípios brasileiros, está nas mãos do prefeito e mais absurdos que tornam nossa República uma anarquia.

Mas o leitor ainda não ficará sabendo que a cidade vive suja, nem que o número de mendigos cresceu e as pontes estão todas habitadas, nem que a renda per capita da população de São João del-Rei é de meio salário mínimo, nem dos assassinatos de jovens que continuam acontecendo, nem dos detalhes dos crescentes problemas de transito e das diversas mortes que têm causado etc. simplesmente porque todos os blogs juntos não dão conta de tratar de um por um dos problemas que crescem ao nosso redor.

A chamada “democracia” desse tipo que temos tem se mostrado completamente ineficaz para resolver o conjunto de problemas. É uma democracia presidencialista, ou seja, centralista e personalista, na qual para escolher qualquer coisa o povo tem que escolher na verdade uma pessoa em quem confiar e esperar que essa pessoa resolva os problemas. Os legislativos não mandam em nada! Os federais, a Câmara dos Deputados e o Senado, ainda conseguem barganhar com o Palácio do Planalto, mas as Assembléias Legislativas e as Câmaras de Vereadores são simplesmente atropeladas, não tem nem sequer o poder de fiscalizar que afirmam aos quatro ventos ser sua obrigação.

Esse poder exagerado dos prefeitos resulta em que o povo de São João del-Rei fica sem opções! Nas eleições passadas, um terço dos eleitores, que somaram 51% dos votos válidos, ficou com o atual prefeito. Compreende-se! O eleitorado não confia ainda nos candidatos socialistas e comunistas como opção. Os outros dois candidatos tinham relações óbvias com a administração PSDB-PT que foi a pior das últimas décadas. Ao menos no candidato do PMDB esse terço do eleitorado reconheceu o assistencialismo e as obras mal feitas, que já são melhores que o elitismo e a mediocridade que também caracterizam nossos adversários que a nível nacional têm o hábito de vender a pátria.

Em 2012, sobretudo se se confirmar o apoio do ex-governador ao atual prefeito, coisa muito estranha, teremos um cenário pior que o de 2008, estendendo-se esse mandato até 2016. O problema é que essa administração é uma “desadministração”, completamente incapaz de resolver os problemas do município.

É necessário, com urgência, a união dos partidos socialistas, para construírem não só um projeto comum, sério, realizável em quatro anos, mas também para prepararem-se materialmente, as duas coisas que sempre faltaram.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Um fanatismo impede a liberdade !

Com desagradável frequência recebemos notícias bizarras de homens assassinando mulheres desarmadas e aos poucos começamos a receber também notícias de mulheres assassinando homens desarmados, pelo mesmo motivo inventado por senhores de escravos há coisa de cinco mil anos.

Essas covardias nojentas são uma afronta à liberdade das mulheres e de todos nós. São a forma como os animais incapazes de expressarem tal coisa em palavras opinam a favor da escravidão. Tais crimes devem ser punidos com dez vezes mais rigor do que têm sido até agora, mas também devem ser combatidos pela raiz, ou mais exatamente, devem parar de serem estimulados, como hoje o são pelos meios de comunicação de massas.

A escravidão se multiplicou há uns cinco mil anos, e chegou a seu auge há pouco menos de dois mil anos. Antes de se escravizar homens adultos, os primeiros escravos foram crianças, mulheres e idosos. Desde então, a história da opressão sobre as mulheres se confunde com a opressão sobre toda a humanidade. Contudo, encontramos semelhantes nossos, australopitecos, vivendo na África há cerca de dois milhões de anos! E mesmo se levarmos em conta somente nossa espécie, homo sapiens sapiens, devemos contar no mínimo cem mil anos, e no máximo quatrocentos mil, a se levar em conta recentes descobertas na Palestina. O enterro mais antigo registrado tem oitenta mil anos, as flautas mais antigas têm trinta mil anos, que é uma idade semelhante à das pinturas “realistas” de animais no fundo de cavernas, de forma que a escravidão, incluindo a das mulheres, é coisa recente, pois tem só cinco mil anos.

No auge da escravidão, quando Roma já tinha sido novamente reduzida à monarquia sob o nome de Império, a lei romana definia o Famulus como o conjunto da propriedade de um Pater, ou seja, os escravos, as mulheres e as crianças, sobre os quais o Pater tinha o poder de vida e de morte. Como era de se esperar, tal poder dos Pater era compensado pelo poder do Imperador de vida e de morte sobre todos os romanos...

Na idade média européia, quando o aspecto principal da dominação era ideológico, exercido pela Igreja Católica Romana, assim era também mantida a dominação sobre as mulheres, pois a Inquisição levou dezenas ou até centenas de milhares à morte nas torturas, no garrote e na fogueira, sob a acusação de bruxaria. Sabemos, contudo, dando uma simples corrida de olhos pelos documentos que restaram, que a verdadeira bruxaria era simplesmente a mulher viver sozinha, ou ser influente, ou ser viúva, ou ser lésbica, ou adultera, ou muito bonita, ou gostar muito de gatos, em uma palavra, não estar dentro da uniformização, em outra palavra, ser livre.

Somente nas tribos, ou seja, nos povos que nós historiadores chamamos de neolíticos, que ainda estão na idade da pedra, que não têm Estado, nem classes, mas mesmo assim não em todas as tribos, a liberdade se manteve. Sim, o preço que eles pagaram para manter essa liberdade, sem terem opção de escolha, claro, foi permanecerem neolíticos. E o preço que nós pagamos para multiplicar nosso poder sobre a natureza, para multiplicar nossas forças produtivas, foi certamente a liberdade, e também não sabíamos que isso aconteceria.

Nossa sorte é que tudo produz o seu contrário, a sua própria destruição, mesmo a escravidão. A liberdade das mulheres e de toda a humanidade é uma possibilidade da era industrial. Basta observar que onde chega a indústria, seja o país que for, inicia-se a libertação das mulheres. Nem antes, nem depois, mas sim junto com a indústria e com o movimento operário. No Brasil, portanto, foi no século XX que as mulheres puderam tomar as rédeas das próprias vidas, foi quando desapareceram dos tribunais as defesas alegando Crime de Honra em favor de maridos assassinos de esposas e ou de seus supostos amantes, e quando as mulheres puderam pedir divórcio, direito que antes era exclusivamente dos homens. No século XIX, embora existissem no Brasil mulheres livres, na quase totalidade dos casos ainda valia a lei romana, ou seja, um pai de família na prática podia (e era comum) manter “sua” mulher trancada, bater nela e obrigá-la a trabalhar, ou seja, no geral as mulheres eram escravas.

Se pesquisarmos os países em que as mulheres são mais livres, notaremos que são mais industrializados, e ao contrário, os países em que as mulheres são ainda hoje escravas são pouco ou nada industrializados. No Oriente Médio os países mais industrializados são Israel e o Irã, o primeiro é uma base militar dos EUA e de fato segue os hábitos desse país, no segundo as mulheres lutam pelos seus direitos nas ruas, ou seja, vive-se um movimento de libertação aguerrido, o maior do Oriente Médio.

Contudo, a indústria também espalhou pelo mundo o capitalismo, e assim como esse modo de produção oprime toda a humanidade, oprime as mulheres, em um processo complementar, tão complementar que uma coisa parece não ser possível sem a outra! Marx constatou a incrível capacidade do capitalismo de transformar tudo em mercadoria, de colocar tudo no mercado, de dar preço para tudo, de colocar tudo em negociação, inclusive as pessoas... Eis ai a tragédia de nosso tempo! Se mantém por esse caminho invertido a escravidão de mulheres e homens, no mercado, e a máquina de guerra cultural estadunidense, assim como suas dezenas de imitadoras, reforçam de todas as formas possíveis a idéia de propriedade sobre seres humanos.

Trata-se do amor-mercadoria, um amor que se traduz no verbo ter, ter exclusividade, paranóia que só pode resultar em ter controle, de forma que estamos, no século XXI, de volta às manias dos bárbaros que há uns cinco mil anos começaram com isso. Porém, que diferença nos motivos..., pois os bárbaros a princípio queriam ser donos de mulheres para garantir a paternidade dos filhos, enquanto hoje se estimula a propriedade por si mesma, por status. São milhares de filmes, desenhos animados, clips etc., em que o que se decide é quem vai ser exclusivamente de quem, e por isso se bate e se mata! Ter, observem o verbo, uma esposa ou similar se tornou, por força hoje dessa propaganda, algo a se mostrar como um troféu, e como todos sabem chegamos ao absurdo, do qual no futuro darão muitas gargalhadas, em que homens homossexuais se dão ao trabalho de desfilarem também com esposas, mesmo sem gostar delas, que é o exemplo mais bizarro da mercantilização das pessoas, pois do amor-mercadoria, nesse caso, só sobra a mercadoria. Nesse exemplo, o homossexual é escravo da sociedade e por isso tem que adquirir uma mulher. Uma escravidão reforçando a outra.

Por que tanta pressão? Para que essa propaganda incessante do casamento? Por que é que se faz uma campanha abusiva para que todos “tenham” alguém? Ora, lembremo-nos de Roma, onde a escravidão acabou destruindo a República e criando os sanguinários imperadores, ou seja, a envergonhada volta da monarquia. Não podem existir algemas mais fortes do que as pessoas que se ama feitas reféns! Fazer as pessoas se comprometerem a serem propriedades umas das outras e depois fazer delas as únicas responsáveis pelos seus filhos tem sido um mecanismo eficiente para aquietar dezenas de gerações. O trabalhador não pode enfrentar seus exploradores com a mesma decisão, com a mesma ousadia, se tiver atrás de si uma família para alimentar. É só por isso, só pela docilidade dos trabalhadores, ou seja, para manter uma escravidão, que se faz tão forte campanha por outra escravidão. Por se deixarem convencer a “ter” outra pessoa, coisa obviamente cruel, as pessoas perdem a própria liberdade, o que é justo, mas devia ser desestimulado.

Os crimes bárbaros que repetidamente aparecem nos jornais, e deve-se saber que só noticiam os crimes das áreas que cobrem ou os mais bárbaros, são um sub-produto desse conservadorismo capitalista – as pessoas de cabeça mais fraca, burras, realmente chegam a acreditar que são donas ou que deveriam ser donas de outras a ponto de apelarem para a violência. Depois de um bombardeio de centenas de filmes, acabam convencidas de que só podem ser felizes se “tiverem” uma pessoa conforme o modelo estabelecido por Hollywood. Caem então no desespero e destroem diversas vidas, pois junto com a vítima sofrem os parentes e amigos, e como é notório, se estraga também a vida do assassino e seus familiares.

Precisamos combater essa situação por dois caminhos. Primeiro, devem existir punições de verdade para assassinatos, o que não acontece no Brasil, e a motivação ser machista devia ser um agravante maior do que simplesmente “motivo banal”. Segundo, deve ser feita a denúncia da propaganda machista incutida em quase todos os filmes e desenhos animados, e deve ser feita a propaganda da liberdade sexual com mais vigor. Sem a completa liberdade sexual não será possível superar o capitalismo.