sábado, 31 de dezembro de 2011

As verdadeiras perspectivas para 2012

O lado bom é que quando as perspectivas são muito ruins pode acontecer de alguma novidade melhorar o panorama. Porém, para sermos sinceros, temos que informar que 2012 pode nos trazer uma grande guerra na Ásia, envolvendo tantos países poderosos (EUA, China e Rússia mais os aliados devem chegar a uns 20 países) que se poderá talvez falar de uma terceira guerra mundial. Embora a tensão esteja crescendo e tropas e armamentos sendo movimentados conforme o necessário nas vésperas de um conflito, é de se esperar que o poder de dissuasão de ambos os lados cumpra sua função de desanimar os oponentes. O que não tem solução, a não ser uma grande guerra (que mesmo assim só daria resultados anos depois), é a crise econômica. Podem ser aplacadas as crises financeiras, ou seja, de endividamento dos governos, mas não a crise econômica, que é uma crise de super-produção crônica com ondas de agravamento.

A solução dos dois problemas seria a revolução socialista, mas temos que confessar que as forças revolucionárias não estão preparadas para isso em quase lugar nenhum do mundo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Coréia: Resposta de Silvio Pedro Rodrigues e Alex Lombello Amaral para o camarada Mazzeo


O artigo do Mazzeo aliada à opção do PCB em não enviar uma nota em referencia ao falecimento do líder coreano Kim Jong Il e a grande discussão veiculada nas redes sociais de relacionamento a respeito do tema traz à baila a questão dos pontos de vista diferentes, que acabam se consolidando e virando correntes dentro do Partido.
Apesar de negarmos a existência das correntes internas no Partido, sabemos da existência de inúmeras tendências. Muitas delas conflitantes entre si. Marx afirma que o capitalismo, pelas suas características, traz em seu seio a semente de sua destruição. Acredito que isso também se deu com o marxismo expressado pelas tendências cristalizadas. O socialismo marxista, logo após a morte dos dois maiores expoentes dessa ideologia/filosofia, começou a cavar a sua "sepultura". Esse fato se deu em virtude de cada liderança que esposava o marxismo ter adaptado esta ideologia para o momento em que vivia, tornando-a mais eficaz de acordo com as especificidades táticas do momento, de acordo com as peculiaridades de cada sociedade onde se desenvolvia a luta. Isso aconteceu na URSS, com o leninismo; na China com o Maoismo; em Cuba, com o foquismo, etc. Além dessas interpretações peculiares do marxismo que acabaram sendo vitoriosas em seus países, existem outras que nunca conseguiram chegar ao Poder, tais como o trotskismo, luxemburguismo, etc.
Levando-se em conta que cada adaptação utilizada foi fruto da crítica às outras correntes já existentes, de que foi uma tentativa de aperfeiçoamento do marxismo, muitas das correntes criadas, desgarradas, acabaram, se tornando uma antítese do marxismo. Principalmente porque as correntes sempre disputam entre sí o epíteto de descendente direta de Marx, ou de Lenin (a interpretação que melhor se adaptou ao seu tempo), e principalmente a hegemonia na classe operária, ou do “pensamento” de esquerda. Isso faz com que elas sejam concorrentes entre si. E mais que isso. Essas correntes se comportam como inimigas. Essas disputas são tão absurdas que chegaram a ir a campos de batalha em lados opostos, como aconteceu em Angola, com Jonas Savimbi (Unita) apoiado por China e o MPLA pelos soviéticos, ou mesmo na URSS, onde “trotskystas” e “stalinistas” fizeram praticamente uma guerra civil entre si.
Mesmo na atualidade encontramos dezenas, talvez centenas de correntes pretensamente marxistas concorrendo entre si, e facilitando e perpetuando o capitalismo. Mesmo dentro de um mesmo partido encontramos diversas correntes "marxistas" (luxemburguistas, stalinistas, trotsquistas, gramcinianos, lukacsistas, titistas, etc). Esse movimento correntista já estava presente entre os revolucionários ao tempo de Lenin. Entretanto aquele Camarada tratava os divisionistas-diversionistas com a dureza necessária. Por isso o Partido tinha uma atuação mais coesa. Após a morte de Lenin várias lideranças se assanharam para assumir seu posto. E cada uma dessas lideranças tinha formulas distintas para a aplicação do marxismo à sociedade. Como não aconteceu uma hegemonia avassaladora de uma corrente sobre as outras, se perpetuou o divisionismo, este mal acabou se perpetuando até a presente data. Isso trouxe indisfarçável prejuízo à classe trabalhadora que tem atuado dividida, ou mesmo perdido a confiança de que os marxistas são seus legítimos representantes, e adotado ideologias estranhas como guias de suas lutas.
Os representantes dessas correntes, como se fossem portadores de ideologias distintas, aprofundando as divisões e diferenças, acabam repassando aos seus liderados um marxismo interpretado à luz do que pensava os seus gurus ou tentando isolar seus inimigos, como no presente caso. E essas interpretações são as mais díspares possíveis. Encontramos teóricos marxistas como Megnad Desai que entende que o socialismo só será possível depois do capitalismo esgotar suas potencialidades em todos os quadrantes do mundo, quer dizer, remete a revolução para as calendas gregas. E temos intérpretes trotsquistas e filo-trotiskistas que entendem que a revolução está na ordem do dia. Entre essas duas tendências existem outras que, por suas matrizes, valorizam mais o campesinato, o proletariado, os intelectuais, etc. Os “marxistas” se dividiram, se “especializaram”, e hoje atuam de formas diferentes e muitas vezes contraditórias. Esse diversionismo se deu porque seguidores de líderes, que interpretaram o marxismo adaptando à realidade objetiva, tentaram transplantar in totum as experiências – propostas formuladas – para a realidade brasileira, praticamente sem adequação.
Entre nós, PCB, existe ainda problemas históricos mal resolvidos, que ainda pesam fortemente sobre o Partido. O principal deles é necessário balanço histórico das experiências do socialismo real vivido no leste europeu. O Partido assumiu como verdadeiro o “relatório secreto” de Kruchev quando do XX Congresso do PCUS, e, conseqüentemente classificou o período entre o governo de Lenin e Kruchev comprometido com crimes, desmandos e ditadura. Logo após esse alinhamento ao “relatório secreto” já aconteceu entre nós os primeiros “rachas”. Apesar do PCB, nas Resoluções do XIV Congresso, assumir toda a história do movimento comunista, conforme Declaração Política do XIV Congresso: “Nascemos em 1922 e trazemos marcadas as cicatrizes da experiência histórica de nossa classe, com erros e acertos, vitórias e derrotas, tragédias e alegrias. É com esta legitimidade e com a responsabilidade daqueles que lutam pelo futuro que apresentamos nossas opiniões e propostas aos trabalhadores brasileiros” (Resoluções do XIV Congresso Nacional, pag 18). Mesmo assim ainda existem entre os militantes as resistências “naturais” a essa herança “maldita”, e ainda aqueles que admiram o período “proscrito” e o seu principal líder. Quem visitou a comunidade do Partido no Orkut sabe as batalhas “campais” que existiram ali entre “stalinistas” e “trotskystas”.
Esse esgarçamento ideológico, por óbvio, também se refletiu nas bases sociais de sustentação dos partidos comunistas. Com as constantes divisões, defecções, alienações, perseguições da direita e conseqüentes derrotas, as fileiras dos comunistas foram reduzidas drasticamente. Em proporção direta também foi reduzida a influencia dos comunistas na sociedade.
Por causa da crise por que passa a esquerda de uma forma geral, e a esquerda brasileira em especial, existe um grande descontentamento entre os militantes de esquerda, com uma grande procura de alternativas realmente revolucionárias. A esquerda institucional (PCdoB e PT, principalmente) ao se afundarem no institucionalismo, perderam o caráter reformista de esquerda e se afundam no oportunismo, na corrupção, no arrivismo. As organizações de extrema esquerda, dado o seu descompasso com a realidade, também não conseguem oferecer uma alternativa viável ao processo revolucionário brasileiro, não sendo compreendidas pelo povo. Em um quadro desses, o PCB, por sua história ímpar, e por estar se reconstruindo revolucionariamente deveria ser um desaguadouro “natural” dos egressos das outras várias organizações de esquerda que realmente anseiam por transformação radical da sociedade. E é inegável que existe uma corrente que traz ao PCB os militantes descontentes originários de outras organizações. Na maioria das vezes esses militantes nos procuram atraídos pela nossa fantástica história, pelos nossos heróis e também pela proposta racional apresentada nas resoluções do XIV Congresso.
Entretanto, o militante, ao conhecer mais o PCB, acaba se decepcionando e se afastando. Isso acontece principalmente porque o Partido, dadas as suas atuais limitações, o seu descompasso com a história, a sua falta de inserção nas massas, já não consegue se apresentar como alternativa viável de Poder Revolucionário. Como grande parte dos militantes buscam nas organizações políticas de esquerda uma espaço de luta pela conquista do Poder, da revolução, não conseguem ficar muito tempo na inatividade e decidem buscar outros rumos.
Essa paralisia existente no Partido, que o fez e faz perder espaços e militantes acontece principalmente pela falta de uma identidade precisa, uma feição característica, que possa marcar a Organização que emergiu daquela oriunda do Relatório “secreto” de Kruchev, que culminou com a diarréia de 1992 (criação do PPS).
O presente caso, Mazzeo, dirigente comunista, tratando do caso da morte do líder da Coréia do Norte, formulou crítica pejorativa ao stalinismo da mesma forma que fazem os capitalistas e trotskistas. Disse Mazzeo: “A cultura de saudar seus governantes como "seres celestiais" vem dessa tradição, não totalmente desarticulada. A própria revolução socialista não somente deixou de combater esse tradicionalismo subserviente aos poderosos, como corroborou em transformar a liderança do país, particularmente o dirigente Kim Il-Sug como o "pai celestial", a estrela gia (sic) ,etc.
O Stalinismo, a pressão imperialista acabaram corroborando para que essas distorções continuassem e fortalecessem os segmentos burocráticos mais empedernidos do partido. A dinastização do poder é uma deformação claramente burocrática. É um tipo de stalinismo de corte feudalizado ou asiatizado útil para fortalecer os setores da burocracia que hegemoniza o partido.
Essa opinião semi institucionalizada no PCB, muito parecida com as críticas formuladas pelas organizações ligadas principalmente à LIT-QI mostra uma clara divisão entre aqueles que ainda têm em Stalin uma referencia e aqueles que acham que o líder soviético, assim como seus admiradores, são figuras perniciosas ao movimento revolucionário e democrático mundial. As críticas do Mazzeo, um destacado membro do Comitê Central do PCB, aliada à falta de uma nota sobre o passamento do líder da Coréia do Norte, mostram uma posição mais sectária do que alguns trotskistas confessos. Por exemplo, as críticas produzidas pela Liga Bolchevique Internacionalista (LBI-QI) que além de publicar a opinião pública da organização, com críticas, afirmando: “A morte do dirigente stalinista foi saudada tanto pelo imperialismo como pelo amplo arco revisionista do trotskismo que comemoraram juntos o desaparecimento do "burocrata que esmagava o povo da Coreia do Norte". Pequenos grupos revisionistas que até pouco tempo fingiam serem defensistas agora se somaram descaradamente a LIT em sua cruzada "democrática" contra o Estado operário norte-coreano”. Se diferenciando dos quinta colunas a LBI se coloca na defensiva da Coréia do Norte, apesar das críticas: “ Os genuínos trotskistas da LBI e o povo norte-coreano que está de luto pelo morte de seu dirigente não tem nada a comemorar com o falecimento de Kim Jong Il, cujo regime, mesmo deformadamente, representa a ditadura do proletariado contra as investidas imperialistas lançadas desde a Coreia do Sul, responsável por defender ainda que de forma torpe as conquistas da revolução! Se a morte de Kin Jong il foi produto de um assassinato tramado pela ala restauracionista do PTC ainda mais se intensificará a pressão do imperialismo por uma "transição democrática" contrarrevolucionária, como almejam os revisionista do trotskismo não só na Coreia do Norte mas também em Cuba!”
Mazzeo, em vez de reconhecer o cerco militar, econômico e político vivido pela Coréia do Norte,  em proposta parecida com aquelas feitas aos líbios pela esquerda pós-sionista, prefere “renovar e radicalizar” o socialismo: “No entanto, é bom que se diga, existe um núcleo socialista no Estado da República Popular Democrática, e é o que a mantém em pé, mesmo depois da crise econômica que se abateu sobre aquele país. É nessa força que apostamos, é em seu povo que tem consciência que sem o socialismo seria o aprofundamento da pobreza e a perda da autonomia e das conquistas realizadas pelo socialismo.
Há que se avançar, há que se renovar e radicalizar a democracia socialista na Coréia do Norte, temos esperança naquele povo heroico ... tenho certeza que o socialismo vencerá!”
O artigo do líder comunista em referencia, além de não acrescentar nada de positivo em relação à Coréia do Norte, representa a opinião de um grupo antistalinista, que de uma forma sub-liminar vem influenciando o Partido, e que deve ser debatida pelos militantes do PCB, e combatida por aqueles que defendem que o período em que Stalin esteve à frente da URSS e ainda os admiradores daquele líder merecem respeito. Se nos mantivermos calados estaremos concordando não só com o isolamento do Partido, nos termos acima expostos, mas também estaremos dando azo à continuidade desse macartismo antistalista. Se nossos problemas já não nos deixa militar a contento, como prova temos a nossa pouca influencia, vamos nos debruçar sobre eles e dar a solução mais viável.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

IBGE revela que em 9 anos de governo o PT não fez nenhuma reforma agrária

É o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, um órgão público federal, que revela que a situação no campo brasileiro continua a mesma que na trágica década dos Fernandos, Collor e HC, com 1% dos proprietários concentrando 40% das propriedades. O governo Dilma ainda cortou verbas, já ridículas, destinadas à reforma agrária. O governo petista também não aprovou leis que permitam ou facilitem a reforma agrária, e nem mesmo tomou medidas administrativas que dependem da vontade do presidente. Ver mais em: http://www.pcb.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=3361:governo-abandona-de-vez-a-reforma-agraria&catid=65:lulismo .

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Sind-UTE acertou no alvo

Como estamos sempre prontos para bater no Sind-UTE (sindicato dos professores estaduais de Minas) pelas suas táticas infrutíferas, temos que elogiar quando ele acerta. Foi com prazer que descobri hoje que conseguiu publicar um encarte, nO Tempo, de grande circulação no estado, denunciando o governo do PSDB e os deputados que estão sufocando a educação pública propositalmente (quantos mesmo são sócios de escolas particulares?). O Sind-UTE publicou a foto de cada um dos deputados inimigos da educação, inclusive um de São João del-Rei, tucano, só podia ser.

O quanto isso dói nos tucanos ficou claro pela censura que fizeram dentro das escolas, proibindo que se afixasse cartazes com o mesmo conteúdo que saiu nesse encarte, como tratamos em artigo de alguns dias atrás. Logo os professores vão notar, essa publicação vai fazer mais efeito que os 3 meses de greve! Publicar, sobretudo quando o adversário é um político, que teme perder votos, é obviamente muito eficiente. Esperamos que o Sind-UTE tenha aprendido isso de vez, para não precisarmos voltar tratar do assunto... 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Governo Federal dá presente de Natal amargo para base aliada

A partir do dia 16 de janeiro de 2012, os dados sobre a liberação de recursos, acompanhamento e fiscalização, execução e prestação de contas de todos os convênios, contratos de repasse ou termos de parceria, firmados pelo Governo Federal com estados, Distrito Federal, municípios e organizações não-governamentais (ONGs) deverão ser registrados no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv) e disponibilizados ao público no Portal de Convênios (www.convenios.gov.br). O prazo foi estabelecido no Decreto 7.641, assinado pela presidenta Dilma Rousseff e publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (13).

Além de ser uma boa notícia, é teoricamente e historicamente interessante. O governo federal tem que adotar essa medida para controlar seus próprios ministros e os partidos da base aliada. Não se trata de controlar politicamente, porque isso se garante com dinheiro, mas de controlar a voracidade por dinheiro público, que já derrubou oito ministros esse ano. Ou seja, a crise moral é tão grande entre as elites políticas e econômicas que já perturba o governo. Para a teoria marxista o interessante é notar os capitalistas sendo obrigados a recuar, limitando sua própria capitação de recursos. Antes desse decreto, diversos órgãos que têm sistemas próprios de controladoria (piada) não precisavam registrar no Siconv, dificultando propositalmente a fiscalização.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Crise de superprodução empurra mundo para a guerra

Por que os líderes mundiais estão marchando para a guerra ao invés de costurarem a paz ? São crescentes e incessantes os alarmes de guerra. O Irã está sob ameaça dos EUA e seus paus mandados há muitos anos, e agora a Primavera Árabe deu oportunidade para a guerra na Líbia e na Síria. A Líbia foi destruída por 4 meses de guerra civil e bombardeios estrangeiros, mas a voracidade pela guerra não foi satisfeita. Outros países, como Coréia, Cuba e até a Venezuela vivem sob ameaça imperial, mas seu poder de causar estragos e de resistir é maior que o apresentado pelos países árabes, muito divididos e despreparados militarmente. Melhor para os EUA é fazer a guerra no centro da Ásia, bem longe de casa, no terreno que se quer conquistar. Seria a conquista do mundo! Em óbvia reação, os boatos crescem de que o presidente Hu, da China, já deu ordens ao Exército Vermelho de que se prepare para a guerra, e de que iniciou tramites para uma aliança com a Rússia. A Rússia já deu declarações públicas de que está se preparando para destruir o cerco de mísseis que os EUA estão montando contra ela, já moveu navios de guerra e mísseis para a Síria.

Por que se caminha para outra catástrofe mundial ? Há menos de uma semana, no início de Dezembro de 2011, a bolsa de valores de São Paulo teve grande baixa devido a informações sobre a maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce. A Vale precisou renegociar preços, reduzindo-os !!! A queda da demanda de aço é o mais importante indicador das crises de superprodução! Marx já explicou há uns 150 anos, e desde então vem se confirmando que a economia capitalista tem ciclos de superprodução, quando o excesso de produção de mercadorias, que não podem ser absorvidas pelo mercado, leva empresas a terem prejuízos e quebrarem, aumentando o desemprego e daí diminuindo ainda mais o poder de consumo, agravando a superprodução e daí por diante. A crise só acaba quando grande quantidade de forças produtivas e destruída, ou por falência ou, mais rapidamente, pela guerra ! É verdade que há alguns anos o mundo vive uma crise crônica de superprodução, mas mesmo assim continuam havendo períodos de agravamento.

A TV só divulga uma faceta distorcida e amena da crise econômica, praticamente reduzindo-a a crises financeiras desse ou daquele governo, até outro dia dos EUA, agora da Europa. Bobagem, as crises financeiras - o endividamento dos EUA e da Europa - não são nem sequer a pontinha do iceberg. Todo país capitalista tem dívidas, e alguns defendem que a dívida é a verdadeira riqueza de um país. Se até os particulares conseguem negociar dívidas, quanto mais os países. É claro que os países europeus da zona do euro perderam um grande poder de negociação com os credores quando abriram mão de emitir as próprias moedas. Uma coisa é um credor que emite o próprio dinheiro, outro um credor normal, que tem que ganhar seu dinheiro. O mercado sentiu essa fraqueza dos governos europeus e cobrou juros mais altos. Mas mesmo assim, se se tratasse somente de uma crise financeira, necessariamente se resolveria em pouco tempo, na pior das hipóteses com fortes desvalorizações do dólar e do euro.

Contudo, o problema é outro. O que leva os EUA e a Europa a se endividarem e daí suas moedas a se enfraquecerem é que estão perdendo o controle do planeta. Apesar da queda da URSS, nas últimas décadas os EUA e seus aliados não conquistaram mais espaço e ainda se dividiram, por exemplo com a criação do euro, que foi uma facada no dólar. A superprodução é outro aspecto dessa perda de poder, pois também significa que mercados antes dos EUA e da Europa agora estão em disputa.

A saída protecionista está fechada pela própria estratégia de domínio dos EUA, que criaram e defenderam com unhas e dentes a Organização Mundial do Comércio, e em sua própria área de influencia condena o protecionismo. A estratégia de construir o capitalismo na China também não pode ser combinada com uma virada protecionista nas relações mundiais. Ou seja, para os capitalistas vai ficando difícil ao mesmo tempo defender o capitalismo contra o socialismo e continuar no topo da economia capitalista. Uma saída óbvia para os EUA e a Europa, se não houvesse o perigo da China rumar para o socialismo, seria isolar a China economicamente, tomando seus mercados. Mas então os comunistas retomariam o controle do Partido Comunista Chinês.

Guerras pequenas não estão resolvendo nada. As guerras do Iraque e do Afeganistão, de vários anos, não foram suficientes para aquecer a economia nem dos EUA, e nesses países já não havia muita capacidade produtiva para ser destruída. A guerra civil na Líbia destruiu o país que até então tinha o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África, mas também não satisfez a voracidade da economia capitalista. Outras pequenas guerras portanto também não vão resolver, e é mais arriscado para os EUA uma guerra com países como Coréia, Cuba e Venezuela, que podem resultar em fortes baixas no próprio território estadunidense e, como já foi dito, não resolveriam a crise. A guerra com a Coréia seria nuclear, possivelmente extinguindo a Coréia, a Coréia do Sul ocupada e o Japão, além de atingir a costa oeste dos EUA. A guerra com Cuba e a Venezuela poderia resultar em uma revolução latino americana, deixaria os EUA sem seu petróleo mais barato e atingiria o sudeste dos EUA, e talvez toda a costa leste.

A guerra na Ásia, mesmo nuclear, poderia poupar o território estadunidense, mas certamente prejudicaria diretamente Rússia e China. Em caso de vitória, os EUA se estabeleceriam firmemente no maior continente do planeta, cujas riquezas são imensas. Seria, de fato, o domínio do mundo pelos EUA. Os atos terroristas da Al Quaida, provocados pela própria CIA, que sempre esteve por trás desse grupo terrorista, foram a desculpa para ocupar o Afeganistão e o Iraque. Agora a crise política na Síria e o suposto perigo nuclear iraniano são novas desculpas. A retirada de tropas estadunidenses do Iraque, longe de ser um bom sinal, parece uma preparação de ataque contra o Irã. É de praxe retirar as tropas que podem ser alvos fáceis para o país que se pretende agredir.

Diante dessas evidências, não se pode descartar que China e Rússia não esperem pela agressão dos EUA, e tomem a ofensiva na Ásia. Em ambos os casos, além de ser uma questão de sobrevivência, poderia ser uma saída para evitar ou adiar a volta dos comunistas ao poder. Na Rússia, o Partido Comunista e seus aliados venceram as eleições parlamentares e foram golpeados pelo governo. Grandes manifestações se espalham pelo país. Na China, volta a crescer a ala maoista do Partido Comunista no poder. Em todos os dois casos os capitalistas estão certos em prever que os comunistas adiarão seus planos para colaborarem em uma guerra contra o Império.

Na América Latina duas prioridades devem ser assumidas. 1 - Acelerar a revolução. 2 - Incentivar os governos latino-americanos a fortalecerem a UNASUL, com destaque para os projetos de defesa do continente.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Nota da União da Juventude Comunista e do Movimento Universidade Popular sobre a eleição do DCE-UFMG de 2011


Superar o paradigma das eleições diretas e construir o poder pelas entidades de base

A União da Juventude Comunista (UJC) e o Movimento Universidade Popular (MUP) vem a público trazer sua contribuição à análise da eleição do DCE da UFMG que aconteceu no mês de novembro de 2011. Antes de prosseguirmos, é importante trazer ao leitor dessa nota uma importante informação: No ano de 2010 a UJC compôs a chapa 03, Todo Poder ao C.A.´s e D.A.´s, que apresentou um avançado programa, questionando a falsa democracia por trás das eleições diretas e debatendo a crise dos métodos pelos quais parte da esquerda vem atuando no movimento estudantil nas últimas décadas. Chamamos os estudantes a discutir modelos mais avançados de organizar um DCE, muito além das capitalistas eleições diretas e das crises de direção. Enfim, em 2010 propomos a discussão uma nova concepção de movimento estudantil (M.E). Politicamente saímos vitoriosos do processo, porém as barreiras impostas pelas eleições diretas (recursos humanos e financeiros) impossibilitaram um debate maior em todos os espaços da universidade.

Com um propósito claro de defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, por maiores investimentos para a educação pública, por mais democracia na entidade central dos estudantes da UFMG e pela total independência em relação à Reitoria e ao Governo Federal, compomos junto com outras forças politicas e estudantes independentes a Chapa 1*, Há Quem Sambe Diferente. Novamente chamamos a atenção para uma das principais pautas do programa da chapa 03 em 2011: O Conselho de D.A.´s e C.A.´s seria a instância máxima de deliberação do DCE-UFMG.

A chapa 01* foi a única a levar aos estudantes o plebiscito por 10% do PIB para a educação, que se desenvolve nacionalmente. Elevamos o debate na universidade e, de fato, houve uma grande discussão sobre a educação e universidade que temos e a que queremos. Por 149 votos de diferença, perdermos nas urnas, mas vencemos ao trazer um debate qualificado que, acreditamos, tenha grandes chances de conquistar mentes e corações para uma universidade de novo tipo e uma sociedade mais justa e igualitária.

Não poderíamos deixar de citar a forma como foi conduzida a gestão “Voz Ativa”, que teve fez aquilo que o movimento estudantil mais abomina: não oferecer espaços democráticos para a pluralidade de ideias. Pelo contrário, vimos reuniões fechadas, informações imprecisas ou inverdades sobre vários fatos. Soma-se ainda a falta de prestação de contas, e o total desrespeito ao Conselho de DA´s e CA´s, ferindo a soberania e ignorando as deliberações do mesmo.

Aquilo que discutimos em 2010 se concretizou em 2011. O problema do DCE UFMG não se resume a uma simples crise de direção (vide as quatro últimas gestões da entidade, ambas de grupos diferentes), as eleições diretas, o aparelhamento da entidade, ou a autoritária gestão da “Voz Ativa” que semeou o campo para o florescimento de uma chapa como a “ONDA”.

 A ascensão do discurso de direita sob o mito do apartidarismo

A chapa Onda, formada por membros de diferentes matizes ideológicas, mas com um discurso de direita e práticas que fomentam a despolitização dos estudantes, soube explorar muito bem as redes sociais e a alienação de muitos estudantes, conseguiu um vácuo para desmoralizar a já desmoralizada eleição direta. E fez isso da pior forma possível: ao invés de discutir propostas, distribuiu algodão-doce, fez um showmício no bandejão, propôs “sexo grátis” e tudo isso sob um discurso machista e de perseguição às organizações politicas, colocando essas como únicas responsáveis pelos erros no movimento estudantil da UFMG. Que ironia! Na mesma UFMG que nos anos 70 e 80 lutou pela livre organização politica, se viu em 2011 uma caça as organizações politicas e sublevação do apartidarismo.

De fato, muitos dos votos que foram para a chapa Onda, foram votos de protesto (Tiririca?) ao fato de como parte da esquerda está se portando na universidade. Foram também votos de amigos, que não pararam para refletir nem um minuto sobre o que estavam fazendo e a quem estavam servindo. Não acharam nem um pouco estranho que nesse pleito, chamou a atenção o fato de que, diferentemente de outras chapas que nos anos anteriores propagaram o antipartidarismo, o programa da chapa “Onda” ganhou considerável espaço em grandes veículos de comunicação, tais como Veja, Estadão e Estado de Minas. Veículos, digam-se de passagem, notadamente conhecidos por seu enviesamento ideológico.

Nas entrelinhas, o grupo Onda tomou alguns posicionamentos políticos. Primeiro, e talvez o mais grave, foi tentar desvincular os problemas externos da universidade com os problemas daqui. Nesse prisma, a luta pelos 10% do PIB para a educação é uma “utopia”, a greve dos professores é somente dos professores. Como se a UFMG fosse uma cúpula à margem do restante da sociedade, onde somente os estudantes estão aptos a debater os assuntos referentes à UFMG. Nós da União da Juventude Comunista entendemos que o debate sobre educação é central e aberto às contribuições dos movimentos sociais e do restante da sociedade.
  
A União da Juventude Comunista e sua concepção de Universidade
  
Na ótica da União da Juventude Comunista e do Movimento Universidade Popular, a universidade tem um papel central na formação e na produção de conhecimento. Deve, portanto, cumprir um relevante papel social, sendo a essência da universidade um espaço de ampla fluidez de ideias. A formação acadêmica e profissional não deve ser simplesmente para a produção ideológica do regime econômico e político dominante, oferecendo nada além de subsídios ao mercado, mas sim com formação e fomento de agentes transformadores da atual realidade social, contribuindo assim para a emancipação do pensamento humano.

Para tanto, propomos o debate sobre os rumos da universidade, com a perspectiva que ela se torne uma Universidade Popular. Entendemos que é errado que os trabalhadores brasileiros são os que sustentam uma estrutura como essa e que a mesma não consiga, ao menos, dar minimamente os resultados da produção de seu conhecimento de volta. Propomos que a universidade através da pesquisa e extensão consiga trabalhar para o benefício da população em várias áreas: da tecnologia, da educação, da saúde, da agricultura, dentre outras, quebrando a virtual distância entre universidade e sociedade.

Defendemos uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Se para isso, tivemos que apoiar os professores por melhores salários ou fazer plebiscitos sobre o aumento de verbas para a educação, assim vamos fazer. Notem a semelhança para que consigamos alcançar tais objetivos: primeiro a discussão entre a comunidade acadêmica e setores da sociedade que incluem até os movimentos sociais e por último, lutar incessantemente.
A contribuição da União da Juventude Comunista sobre o debate de democracia para a UFMG e a polêmica sobre a participação dos Partidos Políticos



Nós da União da Juventude Comunista entendemos como fundamental uma reflexão por parte dos estudantes sobre as muitas concepções em torno do termo democracia. E qual democracia nós, comunistas, defendemos para o DCE UFMG?

As entidades de base são eleitas em processos eleitorais bem mais simples, baratos economicamente e com um debate muito rico sobre a realidade dos estudantes. São os verdadeiros representantes dos mesmos, pois estão mais próximos do seu dia a dia e de suas principais reinvindicações.

É evidente que quaisquer reivindicações precisam de espaços abertos a participação. Existem várias propostas, mas a nosso ver, um espaço consagrado do movimento estudantil, onde vários pensamentos, ideologias se encontram é no Conselho de DA´s e CA´sPortanto defendemos a realização de muitos Conselhos de DA´s e CA´s em 2012 e que suas decisões sejam soberanas e imediatamente acatadas pela nova gestão. Entendemos que a chapa ONDA, não representa perfeitamente quase quarenta mil estudantes e os D.As podem contribuir para uma representação mais ampla, enriquecendo o debate sobre os rumos da universidade que queremos.

Durante a campanha a chapa ONDA se reivindicou apartidária e disseminou na comunidade acadêmica o mito de que a raiz dos problemas aqui enfrentados perpassa pelos partidos políticos. Mas para entender melhor este contexto existem duas questões que devem ser discutidas com clareza: a participação de partidos políticos no movimento estudantil e aparelhamento das entidades estudantis.

A União da Juventude Comunista não vê nos partidos políticos, nem os estudantes a eles ligados, a fonte das principais contradições do Movimento Estudantil. Muito pelo contrário, é na pluraridade da expressão de pensamentos e na unidades de setores da esquerda partidária e independentes que várias conquistas foram feitas! Propor a exclusão total dos partidos políticos tentando resolver a crise do movimento estudantil é o mesmo que defende os “apartidários” da revista Veja e do Estado de Minas. Aliás, para defender a ideologia dos partidos políticos não é necessários filiar a eles, é só aceitar o que eles defendem e propagar suas ideologias.

Voltando a gestão Onda, nos dirigimos a mesma contestando a sua tentativa de não se posicionar como, nem de direita, nem de esquerda, mas sim, que será uma gestão que defende os estudantes, como se os “estudantes” fossem um grupo homogêneo de pensamento e de interesses. Defender os estudantes é uma obrigação do DCE, mas neutralidade política só existe na possibilidade de não existir relações políticas. Talvez isso seja possível caso algum ser humano consiga viver sozinho em outro planeta. Como isso não é possível até o momento, respeitaremos o fato de não querer ser rotulados, falando de qual lado vocês estão, logo, ficamos com a célebre frase de Karl Marx que diz: “o critério da verdade é a prática”.

Faremos Oposição Independente e Consciente

A União da Juventude Comunista e o Movimento Universidade Popular fará uma oposição independente em relação a gestão “Onda”, ou seja, temos a liberdade para criticá – los ou elogiá – los quando necessário, admitindo até trabalhos conjuntos para o benefício dos estudantes. Mas nos comprometemos perante toda a comunidade acadêmica a fazer a oposição mais responsável e inteligente possível. Não esperem de nós palavras de ordens vazias, intrigas sem sentidos, manifestações intolerantes, mas atitudes concretas que se manifestarão nas nossas idéias e nas nossas práticas diárias exemplares.

Mas daremos um conselho importante para a próxima gestão. Uma grande virtude da esquerda é trabalhar para descentralizar o poder. Em relação ao DCE, reiteramos e pedimos que a gestão Onda respeite os DA´s e CA´s no Conselho, procure fazer plebiscitos estudantis na universidade e tentar dar voz a pluraridade de pensamentos entre os estudantes. Também pedimos que debates sejam feitos sobre vários temas da atualidade com pessoas de várias óticas de pensamento, com a perspectiva de estimular a politização dos estudantes. Finalizando, solicitamos a realização do Congresso dos Estudantes, vide estatuto do DCE UFMG.





Por fim, ao invés de tentar esfriar os ânimos com um algodão doce, deixamos a mais doce reflexão de um grande poeta e revolucionário alemão:

“Mas quem é 
o partido?
Ele fica sentado
em uma casa com
telefones?
Seus pensamentos
São secretos,
Suas decisões
Desconhecidas?
Quem é ele?

Nós somos ele.
Você, eu, vocês – 
Nós todos.
Ele veste sua roupa,
Camarada, e pensa
Com sua cabeça.
Onde moro é a casa
Dele, e quando você é 
Atacado ele luta.”

Bertolt Brecht

  
União da Juventude Comunista

Movimento Universidade Popular – UFMG

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PCB, PSOL, PSTU, Brigadas e Consulta lançam publicação unificada em São João del-Rei

Clique nas páginas para poder ler cada uma delas em página cheia.


Textos:

Essa é a São João que queremos?

Que problemas nos dificultam o acesso ao bem viver e à felicidade em São João del-Rei?
Por que faltam médicos nos hospitais e postos de saúde? Se existe dinheiro para investir no aumento do número de vereadores, por que falta dinheiro para mais médicos e outros profissionais da saúde?
Você aprovaria o monopólio do transporte público que o prefeito concedeu «sozinho» por mais 15 anos? Você concorda que o gerente que monopoliza o transporte público na cidade seja também o presidente da Câmara de Vereadores de São João Del Rei? Porque você acha que o preço da passagem anda tão cara? 
Frente ao desemprego, subemprego, baixos salários, e ao consumo abaixo de nossas reais necessidades, por que os governos municipais (Nivaldistas e Ptucanos) mostraram-se incapazes de propor políticas públicas de desenvolvimento geradoras de trabalho e renda dignas? 
Quantos campos de futebol, quadras e piscinas públicas existem em São João Del Rei? Quantas praças foram invadidas e destruídas com o aval das últimas administrações? Quem manda mesmo no espaço público?
Será porque as administrações pemedebistas, petistas e tucanas, anteriores e atuais adoram fazer obras desnecessárias nas áreas centrais da cidade enquanto as periferias agonizam no esgoto a céu aberto?
Porque foram investidos cerca de dez vezes mais na reforma do aeroporto do município que em casas populares? O que é prioridade para os políticos profissionais?
Por que o serviço de água potável e esgoto, fundamentais para a saúde, higiene pessoal e pública, não serve todas as casas e em muitos locais há falta sistemática de água? Por que um setor vital como o Damae é sucateado nas últimas administrações (PMDB e PSDB-PT) e não vitalizado? Onde estão as estações de tratamento de esgoto da capital brasileira da cultura?
As últimas administrações lembraram que existe o Rio das Mortes, São Sebastião da Vitória, São Miguel do Cajuru, Emboabas, São Gonçalo do Amarante? Se lembraram, porque esses distritos estão tão abandonados aonde falta tudo? Eles não fazem parte de São João Del Rei?
Como uma cidade que tem dezenas de mendigos vivendo em condições sub-humanas nas ruas; transporte público caro e precário; esgotos a céu aberto aonde crianças brincam; uma saúde pública e privada precária aonde pessoas morrem na fila de espera; as ruas sujas habitadas por cavalos, vacas e porcos;  bairros que não raramente sofrem enchentes, ser considerada uma cidade com alto índice de desenvolvimento humano?
Se não é essa São João Del Rei que queremos, então que tipo de democracia é essa em que vivemos aonde os políticos decidem tudo contra a nossa vontade?
Qual é a São João Del Rei que queremos e como nos organizarmos para construí-la de forma mais justa?
A frente São João del-Rei para o Povo Trabalhador (PSOL, PSTU, PCB, BP, CP e autônomos) iniciará 2012 com seminários e grupos de estudos, disposta a construír políticas públicas capazes de responder efetivamente aos problemas populares sãojoanenses, isto é, que busquem a raíz dos problemas para solucioná-los e não maquiá-los, aliviar brevemente ou falsamente os sintomas.

Eleitores Irados

A respeito do projeto de lei que aumenta o número de vereadores em SJDR, contrariando a vontade do povo, perguntamos aos vereadores por que não deixar o próprio povo decidir, em um plebiscito? Sabem que o povo é contra, então porque insistem? Estão ai para representar o povo ou seus próprios interesses e os interesses daqueles que financiaram suas campanhas?

Os dias que vivemos

Dizem que o povo é sábio! É sábio ao saber que neste mundo existem mentirosos, oportunistas, astutos, falsos profetas, mercenários de todo tipo; Além de muita farsa e conchavos! Assim sendo é fundamental que surjam e sejam ditas as grandes verdades!
Existe você, trabalhador em todos os setores, que observa e verifica o crescimento vertiginoso da riqueza, das desigualdades, injustiças, descriminações, da luxúria e da opulência. Em volta disso tudo a exploração do seu trabalho por uma minoria abastada e elitista!
Você constata no seu dia a dia a profunda dificuldade em pagar as contas; bancárias e empréstimos consignados, energia elétrica (Cemig), aluguel, água, transportes, remédios e todos os impostos embutidos.
E você ainda tem que suportar os noticiários das mesmas corporações de sempre das mídias escrita, falada e televisiva que anunciam as mazelas da corrupção local e nacional. Puro Engodo! Na sua maioria são meias verdades, muito marqueting e propaganda pagos por nós a preço de ouro!
O que teria que ser dito é que o sistema está podre em suas crises permanentes e cíclicas que arrastam a maioria esmagadora dos humanos à miséria e barbárie! Nunca a minoria capitalista especulativa ganhou tanto, por isso sustentam e financiam de todas as formas quase todos os políticos e mandatários atuais do aparelho do Estado, através de suas empresas, trustes e transnacionais imperialistas!
Entendam, está tudo armado, viciado, vilipendiado, conspirado contra os reais interesses do povo trabalhador, simples e alienado, de uma realidade mascarada e acobertada por vários agentes e formas!
Ah, já sabemos da trama do que dizem ser democracia, muita grana, promessas e mais promessas elaboradas por especialistas após muita pesquisa!
Chega de delegar aos mesmos e seus comparsas as nossas vidas e demandas! Chega de entregar os nossos destinos a um jogo de regras e cartas marcadas, de 2 em 2 anos ou coisa do tipo.
Assim sendo só nos resta uma saída: Reivindicar, lutar, brigar, denunciar, xingar, desmascarar, manifestar, ocupar como tem ocorrido no plano municipal, estadual, nacional e internacional.
Convenhamos, o sistema vigente está ruindo e continua matando, expoliando e degradando o planeta de forma irreversível!
Cabe-nos detonar esse sistema até seus escombros; organizar a resistência e planejar a real mudança e transformação! Esta é uma exigência atual e tarefa coletiva e de cada um de nós! Ocupemos todos os espaços, ruas e praças, mentes e corações! 

São João del-Rei a favor do aumento para 10% do PIB para a educação pública

Do dia 28 de novembro ao dia 6 de dezembro ocorreu na cidade o plebiscito pelos “10% do PIB para a educação pública, já!”, uma mobilização nacional na defesa da educação. Organizado por diversas entidades (setores universitários, partidos, movimentos sociais, etc.) que tomaram a iniciativa de chamar a atenção do povo brasileiro, o plebiscito pretende pressionar o governo a investir mais na educação PÚBLICA. 
De acordo com estudos, a educação pública básica passa por um processo de sucateamento sendo atrofiada pelo aumento exponencial da rede privada na nossa cidade. Infelizmente, essa é a realidade de todo país, escassez de creches públicas, baixos salários, pouca infraestrutura, pouco comprometimento com a qualidade do ensino por parte dos governos e outros problemas que ocorrem por falta de investimentos.
Hoje o Brasil investe menos de 5% do PIB em Educação, enquanto que só este ano quase metade do Orçamento da União foi destinado ao pagamento de juros e amortizações da divida pública. Ou seja, paga-se uma dívida aos grandes banqueiros e agiotas internacionais que na verdade não existe e que supera 16 vezes o valor destinado a educação. Além disso, está tramitando no Congresso Nacional o novo Plano Nacional da Educação (PNE) que provavelmente vai consolidar em lei no inicio de 2012 os planos de privatização e transferência de dinheiro publico para o ensino privado, mantendo a proposta do PNE anterior de 7% do PIB para educação somente para daqui 20 anos !?  Nós queremos 10% do PIB para a educação PÚBLICA e JÁ para garantir:
- Escolas publicas, gratuitas e de qualidade
- Mais vagas e assistência estudantil nas universidades publicas
- Alimentação e Moradia condizente com o número de alunos
- Melhores condições de ensino 
- Garantir o piso nacional salarial dos professores da educação básica
-1/3 da carga horária dos professores para o planejamento das aulas

A frente de esquerda "SÃO JOÃO PARA O POVO TRABALHADOR"  apoiou esse importante plebiscito que aconteceu em vários pontos da cidade, universidade, escolas, porta de fábricas e ruas.
Para saber mais sobre a campanha e o plebiscito nacional, visite o blog www.dezporcento.blogspot.com.
Assinam esse texto: Rafael Sedov (PSTU) e Petterson Ávila (PSTU)


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Governo tucano de Minas promove censura dentro das escolas


Liberdade é uma palavra que vive na boca dos capitalistas, quase sempre como última justificativa para defender o capitalismo. O problema do socialismo seria a falta de liberdade, e por outro lado a existência de liberdade justificaria todas as desgraças do capitalismo. Várias vezes nesse blog tivemos ocasião de desmascarar a "liberdade" capitalista. Agora, é dentro das escolas mineiras que vemos o exemplo - o governo de Minas proibiu o Sind-UTE de afixar nas escolas cartazes com as fotos dos deputados (incluído o tucano que teve a maioria de seus votos em São João del-Rei) que votaram contra os professores, ou seja, votaram por mais alguns meses de greve em 2012, prejudicando mais uma vez os estudantes.

É uma censura duplamente absurda, por si só e pelos fatos que pretende acobertar. Ou seja, para os tucanos os eleitores não têm direito nem de saberem em que votaram seus deputados. Eis ai não só a "liberdade", mas também a "democracia" do regime político que temos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A "esquerda" parasita, a "esquerda" lunática e a onda "de direita" no movimento universitário

Os porta vozes do capital, meios de desinformação, que não merecem nossa confiança nem quando afirmam que 2 e 2 são 4, afirmam que estudantes de direita, ou seja, liberais, capitalistas, estão vencendo os estudantes de esquerda, ou seja, socialistas de todas as matizes, no movimento universitário. Esse seria o caso da UNB e da UFMG. A direita estaria tomando um reduto histórico da esquerda. E o que fazem nossos "companheiros" parasitas e nossos "camaradas" lunáticos? Acreditam na Veja !!! Os últimos acreditam de verdade, mas os primeiros, os parasitas dilmistas ou que fazem oposição à esquerda, "acreditam" por conveniência.

Comecemos pelos lunáticos. No mundo deles, quando os DCEs estão nas mãos do PCdoB ou do PSTU, estão nas mãos da esquerda. Os caras dizem que são revolucionários, então são mais aliados que os que dizem que não são! Alguns estão dispostos a aceitar que um DCE sob controle do PCdoB está sob controle capitalista, mas acreditam que se o controle for do PSTU, ou do PSOL, ou de militantes de nosso Partido, então estará à esquerda. Deve ser verdade, na Lua!

Já os parasitas não precisavam de nada mais que um inimigo virtual para tentar juntar ao seu redor um monte de lunáticos. O setor abertamente corrompido, base governista, já não se pronuncia muito, e deixa a imprensa capitalista dominar entre seus militantes. O setor "de luta", que faz oposição de esquerda ao governo Dilma, mas na base parasita entidades estudantis e sindicais, reforça a avaliação da imprensa capitalista, de que a direita está ganhando terreno. Somente colocam a culpa disso na "esquerda" governista, segundo a velha fórmula trotskista da "crise de direção". Finge desconhecer que sua própria prática, aparelhando DCEs e Sindicatos, tem o mesmo papel nocivo do aparelhismo dos governistas.

Infelizmente, quase não há no Brasil uma esquerda sensata. Aqueles que aceitam a realidade, que a estudam, estão quase todos no campo parasita, carreirista, quadrilheiro, corrupto. Basta dizer que em uma análise detalhada, e isso nesse momento, porque as coisas podem mudar muito rápido no movimento universitário, a Aliança pela Liberdade que venceu na UNB, e a Onda que venceu na UFMG, não têm nada haver uma com a outra. Todas as duas fizeram a denúncia do parasitismo de alguns partidos sobre os DCEs, mas isso é natural, a não ser para os próprios parasitas e para idiotas. Contudo, o projeto da Aliança pela Liberdade é entregar o DCE nas mãos dos estudantes, via poder das entidades de base, os Centros Acadêmicos, enquanto o projeto da Onda é fazer uma gestão. Ou seja, na UNB vai rolar, já está rolando, um debate rico, importante, o mais central da atualidade, e o DCE pode ressuscitar, enquanto na UFMG vai continuar não rolando nada, como nos últimos anos.

Os conceitos de esquerda e direita nasceram durante a Revolução Francesa, quando os monarquistas se ajuntavam à direita, e os republicanos à esquerda. Ou seja, originalmente, direita é quem defende a manutenção de um regime político ultrapassado, e esquerda é quem defende um regime político mais democrático. Então, na UNB, o que há de mais a esquerda nos últimos anos é a Aliança pela Liberdade, e todos os agrupamentos que defendem as eleições diretas, o regime político fracassado, mesmo que suas bandeiras sejam vermelhas e mesmo que levem a foice e o martelo, são a direita.

O problema dos Sindicatos e dos DCEs não são os partidos que os parasitam, e isso será provado mais uma vez (acontece de dois em dois, três em três anos, cada hora em uma universidade) na UFMG. O problema é o regime político com o qual se organizam ! Não mandamos nada em nosso país, apesar das eleições diretas. Não mandamos nada em nossos estados, nem em nossas cidades, apesar das eleições diretas. Por que os estudantes e trabalhadores conseguiriam mandar alguma coisa nos DCEs e Sindicatos com eleições diretas? Essa forma de participação popular é um engodo, e não é culpa dos eleitores, porque não vale nada em país nenhum do mundo !!! Em todo lugar, a forma capitalista de democracia resulta no poder dos ladrões, mesmo entre os povos mais bem educados do mundo.

Certamente existem estudantes bem intencionados na Onda, mas se só conseguem pensar em fazer uma boa gestão, então terão uma decepção muito grande, durante pelos problemas de sempre e depois se trabalharem muito quando virem seu trabalho sendo desfeito pelas gestões ruins que sempre acontecem. Será decepcionante sobretudo perceberem que não conseguirão ser muito diferentes das recentes gestões do PCR, do PSTU e da UJS, assim como para o estudantado isso tudo foi a mesmo coisa - nada.

Ou seja, o único recuo que aconteceu na UFMG é que no ano passado existiu uma chapa defendendo o poder dos Centros Acadêmicos sobre o DCE, e esse ano isso não rolou. Na UNB, por outro lado, está acontecendo um avanço que pode ser a ressurreição daquele movimento.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O capitalismo está com fome de guerra - a estratégia imperialista para a revolução árabe

O artigo cujo link está logo abaixo, publicado no Diário da Liberdade, da Galiza, em sua conclusão chega a uma verdade lastimável, que a revolução árabe, a partir de uma guerra na Síria, pode se transformar de uma grande guerra envolvendo toda a região e países distantes, e é exatamente disso que a economia capitalista precisa.

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=22192:siria-nas-barricadas-da-luta-anti-imperialista&catid=317:contra-ataque&Itemid=21

O artigo tem informações muito mais corretas sobre a situação que o artigo que escrevi há alguns dias sobre a Síria. Sobre a relação entre o capitalismo e a guerra, já era compreendida por Marx. O capitalismo de vez em quando precisa destruir grande quantidade de forças produtivas, para reconstruí-las. Sem fazer isso a economia capitalista mergulha em uma profunda crise de super-produção.

A estratégia capitalista, infelizmente, é possível. Se uma guerra pode ser transformada em revolução, uma revolução pode ser transformada em guerra.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Síria já vive uma guerra civil que pode se alastrar


Defensores e oponentes do regime sírio reivindicam a paz, os primeiros em chocante inocência, os últimos em flagrante hipocrisia, porque o único nome que se pode dar para o que acontece hoje na Síria é guerra civil. Fora de dúvidas, o que explica a guerra civil tanto na Líbia quanto na Síria é a atuação criminosa dos EUA, de seus aliados menores a Europa ocidental, da Turquia, de monarquias árabes completamente submissas aos gringos e de Israel, que estimulam, sobretudo grupos radicais islâmicos a pegarem em armas. Nos diversos países árabes em que os governos são fantoches dos EUA, a revolução que já entrou na história como Primavera Árabe está acontecendo de forma bem mais pacífica, pois ninguém fornece armas aos manifestantes nem lhes estimula a praticar atos de guerra.

O quadro na Síria, porém, é mais complicado que na Líbia em diversos sentidos. Em primeiro lugar, a ditadura de Asad é mais hábil que a de Kadafi, como se nota até pela imagem apresentada por cada uma delas. Kadafi, desde que passou a se curvar, privatizou empresas, abriu a Líbia ao capital estrangeiro, fez diversas concessões, perdeu apoio interno e externo no mundo árabe. Até mesmo grupos palestinos apoiaram os rebeldes contra Kadafi. Asad, por outro lado, é um sustentáculo do Líbano e de grupos palestinos contra Israel. Kadafi não tinha o apoio do Irã, potência do Islã, mas Asad o tem. Ou seja, o apoio árabe de Asad é maior que o de Kadafi.

É verdade que sem o apoio dos bombardeios da OTAN (leia-se EUA, Inglaterra, França e Itália) os rebeldes não teriam derrotado Kadafi, mas no caso sírio, mesmo que a OTAN ou outra força bombardeasse o país, é possível que não mudassem a correlação de forças a favor dos rebeldes.

A situação geográfica da Síria diminui as chances de uma guerra rápida como a da Líbia. Esta última tem suas grandes cidades todas no litoral do mar Mediterrâneo, dominado pelos navios de guerra da OTAN. A Síria se espalha bem no centro do pedaço mais conflituoso do Oriente Médio, em uma região bem mais urbanizada, com caminhos bem mais complexos. Os rebeldes sírios têm dificuldades de se concentrar, enquanto o exército tem dificuldades de encontrá-los.

O prolongamento da guerra civil na Síria, que parece ser o objetivo dos EUA e seus capachos, é a coisa mais perigosa que pode acontecer. Israel se sentirá mais forte para agredir os palestinos, o Líbano, a própria Síria e talvez um governo egípcio desfavorável a Tel Aviv. Todas essas prováveis vítimas de Israel, sentindo medo, se tornarão perigosas. O próprio governo sírio pode pensar na guerra externa como forma de abafar a guerra civil reunificando o povo. Monarquias árabes abaladas pela Primavera podem pensar o mesmo. No caso sírio, possíveis alvos seriam Israel e a Turquia, que tem dado armas aos rebeldes e denunciado a ditadura de Asad, interessada que está em se firmar como potência na região. A queda da Síria também poderia apressar um ataque ao Irã, que assim perderia um aliado importante. Deve-se levar em conta que todas essas possibilidades acarretam a possibilidade inversa, ou seja, que o alvo provável de um ataque resolva atacar primeiro.

Não se pode esquecer que essa guerra civil se desenrola em meio a um mundo em revolução, o que acarreta mudanças rápidas no cenário. Ninguém sabe ainda qual papel terão os diversos governos que surgirão da Primavera Árabe. O que serão a Tunísia, a Líbia, o Yemem, o Egito? Nas eleições têm vencido os partidos islâmicos, trazendo a tona o fantasma da Argélia. A Argélia está passando sem muitos abalos pela Primavera Árabe porque já viveu sua própria primavera, e apesar de também não ser do agrado dos EUA, na Argélia não se pode estimular uma guerra civil porque a Argélia já viveu sua guerra civil, mais parecida com a síria que com a líbia, no estilo das guerras sujas, e pode-se dizer que até hoje vive o clima político de uma guerra civil, entre radicais islâmicos e militares laicos. Ou seja, a Argélia está vacinada, tragicamente vacinada. As revoluções, ao derrubarem regimes políticos, colocam todas as forças de uma nação em luta umas com as outras, em disputa pelo espaço deixado pelo regime derrubado. No mundo árabe, do qual a Argélia faz parte, existe uma forte tendência política que levanta Al Corão como fundamento de suas propostas políticas. Existe em contra-partida uma tendência que deseja seguir o exemplo do mundo cristão e criar estados laicos. A Primavera Árabe pode colocar essas duas forças em choque frontal em diversos países, sobretudo quando isso é estimulado, como o foi na Líbia e na Síria.

Ao contrário do que parece, o radicalismo religioso é estimulado pelos EUA, por Israel e outros interessados em dominar o mundo árabe. Quando agridem os árabes, os estadunidenses e seus capachos estimulam os árabes a se apegarem a suas tradições, a se lembrarem de seu poder passado, e isso leva direto às páginas de Al Corão. Na Líbia e na Síria, assim como no Afeganistão contra o comunistas, os EUA armaram grupos radicais islâmicos. Diante da impossibilidade de abafar a revolução, uma saída possível para os dominadores dos povos árabes é estimular exatamente os partidos islâmicos, na esperança de levar a revolução ao fracasso.

A Primavera Árabe ainda está se desenrolando, e nos próximos meses muita coisa acontecerá nas terras do Islã.

PS: A Rússia, também aliada da Síria, e da qual indesculpavelmente me esqueci no artigo acima, concentrado que fiquei no árabes e outros muçulmanos, acaba de atuar como fator que pode gerar a paz, presenteando Damasco com mísseis (foto acima), radares e outros equipamentos avançados de defesa aérea. Está assim neutralizada toda a aviação da OTAN, que só se "arrisca" contra alvos indefesos. Já os russos, sempre amigos dos amigos, ao contrário dos EUA que enforcam seus ex-aliados, movem tropas para o sul. Visa pacem para bellum...


Nota: Os camaradas de meu Partido me fizeram ver que uma frase desse artigo pode gerar confusão. No segundo parágrafo, falei de "apoio árabe". Não me referi aos governo árabes, quase todos monarquias fantoches dos EUA. Quis dizer que em todo país árabe, inclusive na Síria, existem grupos que apoiam os palestinos, os libaneses e o Irã (apesar dos iranianos não serem árabes), e que portanto tendem a apoiar o regime sírio, enquanto Kadafi não contava com essa mesma rede de apoios.

sábado, 26 de novembro de 2011

Governador tucano ensina professores estaduais a lutar

O Palácio da Liberdade está usando o Ministério Público para tentar impedir as divulgações do Sind-UTE, com destaque para as notas na TV. Na verdade essa é a primeira vitória do Sind-UTE em muitos anos, pois é a primeira vez que consegue incomodar o patrão da professorada. Existe um ditado popular segundo o qual cada um sabe onde dói o próprio calo. Meses com os estudantes sem aulas, a deserção de professores, o pior salário do país para professores, não são fatos que abalam um governo, pois com propaganda os governos jogam a culpa da greve sobre os professores, e jogam a culpa dos salários baixos em uma suposta falta de dinheiro, quando a questão verdadeira é como se distribui o dinheiro.

Esses mesmos tucanos que questionam os gastos do Sind-UTE com suas divulgações, aliás insuficientes, gastaram em oito anos um Bilhão e trezentos Milhões de reais de dinheiro público com sua própria publicidade, revelando mais uma vez a centralidade da comunicação na luta política. Três meses de greve só arrancaram do governo promessas de pagar melhor no ano que vem, palavras de quem não tem palavra, mas algumas inserções na TV das quais sequer tive notícia fazem esse mesmo governo se descabelar e tocar em um assunto do qual devia correr - gastos com publicidade ! Ou seja, o cala-a-boca na grande imprensa "mineira" e "brasileira", além do financiamento de centenas de órgãos de publicidade tucanos mal disfarçados como imparciais.

O governo mineiro continua (Novembro de 2011) pagando aos seus professores seiscentos reais e uns trocados, mas se esses professores soubessem lutar no campo político, se cada grupo de professores indignados de cada escola fossem distribuidores de jornais do Sind-UTE para a comunidade, e não somente público alvo das publicações do Sind-UTE, sem necessidade de greve nenhuma o governo pagaria mais e mais até aquietar os professores.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mais um motivo para se extinguir o Senado

O Senado revogou, há dias, a lei que anexaria uma impressora às urnas eletrônicas, imprimindo os votos, como documentação para conferência, que hoje está extinta. Trata-se de uma atitude suspeita, pois as urnas eletrônicas têm sido desmascaradas em diversos países, o que é sempre abafado pela imprensa "brasileira". Se nem os bancos e as financeiras, que investem fortunas em segurança, conseguem deixar de ser vítimas de fraudes em seus caixas e computadores, só mesmo a propaganda pode fazer pessoas sensatas acreditarem que as urnas são a prova de fraudes. Trata-se do contrário, as fraudes eletrônicas, depois de apagados os programas, são quase a prova de serem descobertas. Se não há fraude, por que há defensores de que não se imprima os votos?

O Senado, dessa como de outras vezes, prova que é uma instituição criada para conservar o atraso, para impedir avanços. Só precisamos de uma casa legislativa nacional.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Queremos voltar à URSS", dizem os russos



Selecione as legendas em espanhol ou francês.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No Brasil, que classe(s) compõem a foice de nosso símbolo ?

É chegado o momento de iniciar entre os comunistas um debate que não pode ser rápido, que necessariamente se arrastará e não chegará a ser consenso entre as organizações revolucionárias. Todos sabem que a foice (na verdade é um cutelo) e o martelo do símbolo comunista representam os camponeses e os operários, ou seja, a aliança de classes que permitiu a revolução soviética. Esse símbolo foi adotado pela maioria dos Partidos Comunistas do mundo porque representava em todos eles uma estratégia indispensável, forjar essa mesma aliança, ou seja, juntar a maioria do povo.

Hoje, no Brasil, os camponeses são somente 3% da força de trabalho, segundo o próprio MST. Existem trabalhadores rurais em diversas outras situações que não são camponesas, porque já aconteceu por aqui o previsto por Marx para o campesinato, ou seja, sua extinção gradual, sua migração em massa para as cidades, sua proletarização no campo mesmo, enquanto uns poucos se transformam em pequenos, médios ou grandes fazendeiros. Mas somando toda essa população rural, ainda não temos nem sombra da massa que foi campesinato com o qual os bolcheviques se uniram na Rússia e entre os quais os comunistas propagaram a revolução na China, no Vietnã e na Coréia. Ademais, boa parte dos pequenos fazendeiros, certamente a maioria esmagadora, longe de pensar em se aliar aos trabalhadores da cidade, os teme porque acha que o comunismo significaria que seriam tomadas suas terras.

O proletariado, por mais amplo que o consideremos, incluindo em sua fileiras todos os funcionários públicos e ainda a maioria das categorias de autônomos, ainda não chega, sozinho, a ser a maioria da nação. Portanto, somente a expulsão dos parasitas das fábricas não daria aos trabalhadores força suficiente para dirigir a nação sem fazer alianças.

A burguesia é cada dia uma minoria mais isolada e desmoralizada.

Então onde está o pendão da balança? O que sustenta o capitalismo? Que força se mantêm atrelada à burguesia a ponto de a manter no poder? E mais ainda, partidos de que base social conseguem enfraquecer os trabalhadores parasitando seus movimentos? Não é difícil notar que o que falta é a massa disforme, e no Brasil numerosíssima, chamada de pequena-burguesia, um povo que muitas vezes tem medo de comunistas, mas de entre os quais saem milhares de nossos melhores militantes.

É necessário começar a pensar e testar programas em que fique claro para essa massa que ela não será vítima de uma revolução, mas que compartilhará de seus benefícios.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre os choques entre estudantes e policiais na USP

Com a Constituição de 1988, da qual não somos fãs, só sobrou um motivo direto de choque entre a polícia e os universitários de todo o país - a proibição da maconha !

É verdade que os universitários se chocam com a polícia quando a polícia é mandada para bater em trabalhadores grevistas e em manifestantes, mas isso é diferente, não é um motivo direto de uma rivalidade exagerada. Exagerada - alguns policiais durante seus estudos escondem que são policiais e os estudantes dizem abertamente que não gostam de policiais. Se a rivalidade fosse somente resultante da repressão política, há muito tempo os estudantes só não gostariam da tropa de choque, não de toda a polícia.

Se não soubéssemos que a única forma de a maconha dar dinheiro é sendo proibida, poderíamos acreditar que essa proibição resultante de um fanatismo religioso e de preconceitos racistas só é mantida para alimentar a rivalidade entre os intelectuais e as tropas.

Três outros comentários são indispensáveis:

1 - Não é possível que um campus do tamanho da USP não seja policiada, e uma polícia universitária, sem poder de abrir fogo (que a PM não tem por lei mas tem de fato), não adiantaria nada na situação social brasileira. Sabemos que os campus gigantescos sem polícia viram alvos de ladrões, assaltantes, sequestradores, estupradores e locais de desova de cadáveres. Na UFMG a polícia passeia pelo campus da Pampulha há muitos anos, e os maconheiros se adaptaram a perder alguns fumódromos ao ar livre. O único conflito se deu por iniciativa da direção da Universidade, quando um fascista qualquer se aproveitou da viagem de um reitor e pediu que a polícia impedisse um filme sobre a maconha.

2 - Por parte dos policiais, levar dois maconheiros para delegacia é algo tipo fazer cera, descansar, fugir do serviço, pois é óbvio que esse tipo de prisão é uma bobagem, e que os maconheiros são soltos logo depois de assinarem uns papéis. Ou seja, é desperdício de dinheiro público, só isso. Portanto, foi muita estupidez da polícia prender esses dois maconheiros e gerar essa confusão. Se a ideia foi gerar o conflito para se impor, o comando dessa polícia precisa ser trocada por completa incapacidade política. Se a prisão foi decidida pelos policiais que a efetuaram, o comando é incompetente da mesma forma, pois devia ter dado instruções para que isso não acontecesse.

3 - A direção da Universidade devia deixar claro ao comando da polícia que os policiais foram chamados para defender os estudantes de criminosos, não para prender maconheiros. Que enquanto uma patrulha está levando um maconheiro para a delegacia, pode estar acontecendo um crime de verdade.

sábado, 5 de novembro de 2011

No país que deu ao mundo a palavra "democracia" o povo não pode decidir nada

Democracia é uma palavra de origem grega. É o nome dado ao regime político adotado por Clios, Atenas e dezenas de outras cidades gregas meio milênio antes de Cristo. Nesses regimes políticos os homens livres (escravos, mulheres e estrangeiros estavam fora) decidiam sobre todos os assuntos da cidade em Assembléias e Conselhos, elegiam e depunham seus generais, tesoureiros, diplomatas etc. Seus detratores é que cunharam o nome, que poderíamos traduzir pela expressão "poder do povão", embora literalmente fosse "poder dos povoados", ou poder das zonas políticas que depois das reformas de Clistenes tomaram o nome de "demos".

Esse nome depois foi usado por diversos regimes políticos, praticamente todos completamente diferentes entre si. A Grécia de nossos dias, e mais ainda o resto da União Européia, fazem questão de ressaltar serem democracias. Mais que isso, modelos de democracia! Pois bem, foi somente o primeiro-ministro grego recuar perante seu povo e propor um plebiscito sobre a situação do país e iniciou-se toda uma campanha mundial, em que entraram até as redes de TV "brasileiras", condenando desesperadamente a participação do povo grego nas decisões.

Vão ser cortados salários e benefícios, vão ser dificultadas as aposentadorias, reduzidos os investimentos públicos, sucateados os servições de saúde e a educação, elevados os impostos, e o povo não pode decidir se deseja esse caminho ou outro. Eis ai, mais uma vez, um retrato das "democracias" de nossos dias.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Grã-Bretanha vai deportar Julian Assange

Rompendo com séculos de tradição, a Grã-Bretanha vai deportar um refugiado político. Trata-se de Assange, o Australiano criador do Wikileaks. Existem contra Assange, na Suécia, denúncias montadas por agentes da CIA. Fato é que os EUA não engolem a divulgação de seus segredos sujos sem se vingar, e os países europeus estão reduzidos a colônias de forma que não podem se negar a participar da farsa.

Isso é que é a decadência de um império (aliás, curto e impotente) - criar um mártir só por vingança, pois não há outra utilidade, visto que Assange não pode desfazer o que fez.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ERRATA sobre as eleições do DCE da Universidade de Brasília (UnB)

A chapa Aliança pela Liberdade, vencedora, que propõe o fim das aparelhistas eleições diretas e sua substituição pelo poder dos Centros e Diretórios Acadêmicos, esclareceu em seu blog, http://liberdadeunb.blogspot.com/ , que nenhum de seus membros têm vínculos com partidos políticos, desmentindo as informações repassadas por nós, de que alguns seriam membros da juventude do DEM.

Eles negam, inclusive, terem idéias conservadoras.

Nota-se que não gostam de partidos políticos, mas mesmo assim terão que aturar nosso apoio. Se reclamarem, temos pronta para eles a resposta de Luis Carlos Prestes a Leonel Brizola de uma feita em que o PCB apoiou Brizola, e Brizola reclamou! Prestes então respondeu que isso não era da conta de Brizola, pois o Partido Comunista apoia quem bem entende. 

domingo, 30 de outubro de 2011

O fim das eleições diretas e o início da democracia

A Universidade de Brasília está começando a viver o mais importante debate político que permeará todo o século XXI, por mais rápidas que as coisas estejam acontecendo. Trata-se da escolha entre tipos de democracia, ou para agradar os leigos, entre a democracia falsa que vivemos e outro tipo em construção. Por ser a única chave para os problemas de nosso mundo, esse debate é muito mais importante que as eleições de 2012, junto com as de 2014 e também mais importante que a crise econômica mundial que promete gerar maremotos políticos. Na UnB esse debate foi colocado no centro das atenções pela vitória de uma chapa de DCE que propõe o fim das eleições diretas para o DCE e sua substituição pelo poder dos Centros e Diretórios Acadêmicos.

Não é difícil constatar que a farsa democrática dos países "ocidentais" e de imitações espalhadas por todo o mundo se baseia em grandes eleições diretas. Também não é difícil perceber que as revoluções vitoriosas são as que se baseiam em outro tipo de democracia, com participação direta, debates sobre as coisas, e não a enganadora escolha de um chefe. Não há nenhuma regra que impeça os estudantes de jogarem no lixo a democracia ultrapassada dos capitalistas e exercerem um novo tipo de democracia, onde todos podem participar diretamente, a exemplo do que já fazem, desde 2004, na Universidade Federal de São João del-Rei.

Todos sabemos que o poder político em nosso país, assim como em quase todo o planeta, é de uma minoria de capitalistas muito ricos (das 400 famílias que controlam metade das riquezas do globo). Mas é óbvio que esse poder tem que se legitimar. É muito difícil manter um poder sem aceitação de uma boa parte da população submetida, de forma que sempre existiram formas de legitimar o poder. Enquanto funcionou, a argumentação foi religiosa, e hoje foi substituída pela argumentação democrática. Os capitalistas governam porque são eleitos políticos venais, jogando nas mãos dos eleitores a culpa de tudo. São as eleições diretas, portanto, a primeira proteção do capitalismo, sua mais forte defesa, assim como foi a mais forte arma para destruição das conquistas dos povos do leste europeu e da URSS.

Não é fácil explicar isso para o povo, nem mesmo para universitários, quando todos os dias as TVs fazem volumosa propaganda das eleições diretas, do poder do voto etc. Contudo, dar esse tipo de má notícia sempre foi o que diferenciou os revolucionários dos parasitas (carreiristas, corruptos e infiltrados). Sem derrubar o mito das eleições diretas como democracia, não é possível derrotar o capitalismo de forma bem derrubada, portanto, contrariando a opinião pública vigente, temos que fazer esse trabalho. Os ratos nunca têm essa coragem, a maioria vai se esquivar diante da crueza dos debates que virão, e uma minoria vai até adotar o discurso capitalista e defender as eleições diretas.

O momento não é para muita diplomacia - é importante denunciar como nunca o aparelhismo e a corrupção que caracterizam o movimento universitário dos últimos 30 anos, dirigido por eleições diretas. Se alguma força envolvida nesses casos de corrupção se levantar para defender as eleições diretas, deve ser imediatamente denunciada, de forma a ficar claro que esse tipo de "democracia" é o reino dos corruptos.

Sobre a acusação de dissolução do DCE, que será lançada pelas quadrilhas aparelhistas, deve ser respondido que o DCE na verdade vive dissolvido, pois reduzido a comitê eleitoral rotativo entre os partidos, e que agora será ressuscitado.

A argumentação de que o número de votantes foi baixo é hipócrita a olhos vistos, pois esse número sempre é inexpressivo, exatamente porque o movimento está desmoralizado, e está desmoralizado porque é parasitado por partidos ditos revolucionários mas que defendem o poder no modelo capitalista e também roubam como capitalistas.

Já está circulando também a acusação de que essa proposta é anti-partidária, despolitizadora etc., à qual se deve responder que são os próprios partidos que fazem uma constante campanha anti-partidária entre os universitários de todo o país, quando promovem suas sujeiras nas eleições e nas contas das entidades estudantis.

sábado, 29 de outubro de 2011

Estudantes da UNB votam pelo poder dos CAs e DAs sobre o DCE-UNB

Pela primeira vez os estudantes de uma grande Universidade Federal seguem o exemplo da UFSJ. Nas eleições diretas para o DCE da UNB venceu a chapa que propõe o fim dessas eleições e sua substituição por uma direção cujos membros são eleitos, também em eleições diretas, mas por curso, formando um parlamento, que em São João é conhecido como CEB, o Conselho de Entidades de Base, na UFMG é chamado de Conselho de CAs e na UFJF de CONCADA. Em toda Universidade os Conselhos de CAs são a mola mestra do movimento, mas só na UFSJ e agora, se o estatuto for mesmo reformado, na UNB, eles têm o poder oficial no mesmo movimento. Em cerca de outros 200 DCEs impera a eleição direta, e portanto os partidos e as máfias, a corrupção e a traição.

Em Brasília, os organizadores da chapa que propõe o poder das entidades de base são aliados a uma célula da juventude do DEM (ex-PFL), ou seja, reivindicam serem de direita. Que isso não sirva de desculpa para nenhum camarada defender a democracia capitalista contra o poder das entidades de base. As formas de organização política, as regras do jogo político, sejam quais forem, não são neutras. Essa questão não é adiável, nem contornável, nem menos importante que nenhuma outra, mas é sim a questão central, o poder, como ele se organiza, como acontece, com funciona. Em outras palavras, ser comunista é defender o poder organizado como na Comuna de Paris ou como nos Soviets. Não é possível ser comunista e defender que o poder seja organizado como no Brasil, nos EUA, França, Alemanha e países capitalistas em geral.

Deixemos mais claro. O poder capitalista se legitima nas democracias capitalistas em grandes eleições diretas. Quanto maior a eleição em número de eleitores, maior a influencia do dinheiro, portanto menor a democracia em seu significado literal de poder do povo. Defender as eleições diretas como modelo de democracia é defender o capitalismo. Não afirmar claramente que existem formas reais de democracia é deixar de fazer o que tem que ser feito; É dar tempo e combustível aos fascistas e a outros projetos autoritários; É não contribuir em nada para a revolução; É como se Lênin na Rússia tivesse medo de atacar o Tzar em seus jornais.

Certamente, a célula da UJS na UNB, se ainda existir, ou de Brasília, defenderá as eleições diretas, revelando mais uma vez a capitulação do PC do B ao capitalismo. É essencial que o PCB se pronuncie imediatamente a favor do poder dos CAs e DAs e que denuncie o PCdoB logo que ele fizer o favor de defender o indefensável.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ainda sobre a degeneração do PC do B

Com o pipocar de denúncias contra o Ministério dos Esportes, começam a surgir análises lunáticas sobre a degeneração do PC do B. Os fatos escandalosos seriam resultado do stalinismo, ou do maoísmo, da conquista do PCdoB pela AP etc. São somente formas como a esquerda cegueta brasileira tenta se defender, pois são como dizer - isso aconteceu com o PC do B porque eles têm tal matriz política-ideológica, que não é a nossa, portanto estamos imunes.

A degeneração do PC do B, como está explicado no artigo abaixo, tem raízes bem materiais, na sua história dos últimos 25 anos. A sua militância juvenil, a UJS, é treinada nas mesmas práticas agora descobertas no Ministério dos Esportes, no exercício do domínio sobre cerca de 200 DCEs, as UEEs e a UNE. Então, treinados nisso há duas décadas, não podiam fazer outra coisa! Eles podem até ter uma formação socialista teórica, mas o que eles sabem fazer mesmo, a prática deles, é essa ai que agora os jornais burgueses denunciam, e é capitalista.

Claro que se entra nesse caminho como se cai em uma armadilha. A influencia nas universidades é a grande fonte de vitalidade do PC do B, então seus militantes se empenham em mantê-la. Manter essa influência, desde o fim da ditadura para cá, se converteu em vencer todos os anos centenas de grandes e caras eleições diretas. De onde então pode vir o dinheiro? Vinha, antes do governo Lula, do próprio movimento, uns DCEs financiando as campanhas eleitorais para outros, assim como Congressos de UEEs e da UNE, e vice-versa, em um círculo de corrupção. Como as eleições e congressos acontecem o tempo todo, a militância acabava reduzida exclusivamente a esse "trabalho", que seria, na cabeça deles, revolucionário, pois corresponderia a uma acumulação de forças !?!?!

Trata-se de uma opção tática predatória, que está longe de ser exclusividade do PC do B.

Vejam só, camaradas, ao que ela leva - Nesses 30 anos o PC do B não conseguiu construir quase nada, e com esse escândalo pode perder mais da metade de tudo o que conseguiu com essa tática.