sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lei Delegada e Lei Habilitante - Duas confissões da mesma coisa!


Enquanto em Minas Gerais Antonio Anastásia está aprovando a Lei Delegada, na Venezuela Hugo Chavez aprova a Lei Habilitante. O conteúdo legal das duas é o mesmo, o repasse de amplos poderes do legislativo para o executivo, ou seja, dos parlamentos para o governador e o presidente, respectivamente em Minas e na Venezuela, que assim se livram dos parlamentares, ao menos na hora de aprovarem as leis. Em Minas Gerais isso deve durar todo o mandato de quatro anos, na Venezuela durará um ano, mas em ambos os casos é elementar que os parlamentos estão sendo, se não fechados, rendidos. São fechamentos brancos dos parlamentos! Na Venezuela isso é um avanço e uma confissão, mas em Minas Gerais é só uma confissão.

A confissão é simples – Essa forma de organização política, essa forma de Estado, a “democracia liberal”, fracassou. Não é a primeira vez que os fatos demonstram isso. Esses dias mesmo, quando o parlamento italiano, por três votos, manteve Berlusconi primeiro ministro, e o povo italiano foi para as ruas fazer violentos protestos, o que diziam ao mundo era “nós não mandamos em nosso país por meio de nossos deputados, então estamos tentando mandar no braço”. Também os franceses vivem dando essa demonstração. Os povos, mesmo os mais cultos, não conseguem fazer valer suas vontades mais básicas por meio dessa forma de organização política, que de fato é legitimação do poder financeiro, atropelando as pessoas.

Mas dessa vez, quem confessa são governantes experientes. Antonio Anastásia praticamente já está governando há 8 anos, a acreditar nos boatos, e Hugo Chavez há uns dez. Quando pedem Leis Delegadas e Habilitantes estão dizendo que terão muito mais trabalho para fazerem o que pretendem fazer se tiverem que aprovar cada detalhe com todos aqueles deputados. E o mais interessante é que esses dois governos caminham em sentidos completamente opostos! Em outras palavras, a “democracia ocidental” é ineficiente seja qual for o caminho, ela só é frutífera para a corrupção.

No caso venezuelano, é certo que Hugo Chavez deve, em meio as reformas que realizará caso seja aprovada a Lei Habilitante, tentar criar um novo tipo de parlamento, correspondente a uma democracia mais avançada, que não seja controlada pelo dinheiro. Isso, aliás, é o que mais falta para o avanço da revolução bolivariana na Venezuela, que ela se desprenda da forma capitalista de organizar o Estado. Mas em Minas Gerais a Assembléia Legislativa está sendo somente rebaixada mesmo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks comprova ligação de PSDB com petroleiras estrangeiras

As concessões do governo Lula às multinacionais são menores do que essas desejam, e encontraram em Serra um candidato que lhes prometeu entregar-lhes tudo o que desejam. O documento é sobre a Lei do Pré-Sal, que agora exige que a Petrobrás seja parceira em todos os consórcios de exploração e única operadora dos campos. As empresas estrangeiras correram para pedir ação dos tucanos logo que tal lei foi proposta, e Serra prometeu que se eleito acabaria com ela - "Nós mudaremos de volta", ele teria dito, segundo o diplomata. Para as multinacionais que perderam petróleo para a Petrobrás ele teria dito "Vocês vão e depois voltam".

Meu pedantismo de historiador me obriga a lembrar que sempre existiram partidos assim, avessos a nossa independência, inimigos de nossa liberdade, partidário do domínio estrangeiro. Desde 1820, quando a Revolução do Porto se alastrou pelo Brasil, surgiu um agrupamento político defendendo que o poder continuasse monopólio de Lisboa, do outro lado do Oceano, e por isso mereceu o título de Partido Português. Mesmo depois de proclamada a Independência, o Partido Português manteve-se no governo até 1831, quando foi expulso daqui Pedro I, sua principal liderança. O Brasil então tinha independência política pela primeira vez, mas os remanescentes do Partido Português continuaram atuando contra, e fazendo mesmo apologia da restauração de Pedro I ao trono do Brasil, do que só desistiram quando este morreu, em 1835.

Mas se já não se podia entregar o país ao domínio estrangeiro por meio da casa real portuguesa, ao invés de lutarem por mais liberdade interna, da qual o país muito carecia sob as botas da Guarda Nacional, criada pelos escravocratas logo que Pedro I se fez ao mar, e na verdade exatamente por temerem a liberdade do povo pobre, os traidores arranjaram outros senhores estrangeiros. Tanto nas fileiras do Partido Liberal, quanto nas do Partido Conservador, surgiram renegados defendendo entregar aos estrangeiros todo nosso mercado interno, todas as concessões, em troca de comprarem parte de nossos produtos agrícolas. Porém, era o Partido Conservador, o mais ligado aos senhores de escravos, o mais forte portanto nas regiões agro-exportadoras, o principal defensor da entrega do Brasil aos banqueiros ingleses. Para justificar tal despojamento da liberdade alheia era usado o dogma liberal, então chamado simplesmente de livre-cambismo, ou seja, as teorias de Adam Smith.

A República, depois de alguns anos de disputa pelo poder, caiu nas mãos dos grandes proprietários de terras, não raro os mesmos que mandavam na monarquia, e por isso o país continuou agarrado às saias da Inglaterra. Quando a República acabou por engendrar um serviço diplomático profissional, apesar da sanha exportadora dos donos do poder, teve início um trabalho sério de defesa da soberania nacional, mas somente a Revolução de 1930 libertaria por um tempo o país dos dogmas liberais e dos traidores que sempre lutaram pelo poder estrangeiro sobre o país.

Getúlio Vargas fez seus mais perigosos inimigos pela ousadia de ser nacionalista. Não adiantou nada ele perseguir e matar centenas de comunistas, pois as potências capitalistas, quando puderam, fizeram seus capachos derrubá-lo em 1945 e depois em 1954, quando ele reagiu ao golpe militar com o suicídio. Entre 1945 e 1964 o país se dividiu exatamente entre os que defendiam um desenvolvimento nacional autônomo e os defensores de atrelar o país aos EUA, que não hesitaram, em 1964, em desfechar um golpe militar que resultou em uma ditadura de 20 anos.

Os militares, porém, não satisfizeram as exigências dos gringos. Pelo contrário, desde 1967 adotaram uma política externa que chamaram de "pragmática", na qual os EUA viram independência excessiva. O poder estrangeiro sobre o Brasil se tornou mais forte com a instalação da democracia liberal de 1988, que consagrou o poder financeiro sobre o Estado. Ora, isso é o mesmo que consagrar o poder estrangeiro! Tivemos então o desprazer de assistir os herdeiros do Partido Português deixando as indústrias nacionais irem à falência sob uma chuva de mercadoria baratas, doando as empresas estatais aos seus sócios, sabotando as Universidades públicas e a rede pública de saúde, sacrificando tudo à sanha de seus senhores.

É portanto como um presente de Natal que recebemos essa informação do WikiLeaks, a comprovação documentada das denúncias que sempre fizemos sobre os tucanos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O poder das informações: O caso WikiLeaks

Existem jovens que acreditam que melhorarão o mundo usando bombas e fuzis, e acham graça dos conselhos de revolucionários treinados, como Lênin, cuja obra é um tratado sobre como se faz uma revolução, de que qualquer panfleto faz mais estragos contra o capitalismo que uma bomba. A destruição das Torres Gêmeas e o ataque ao Pentágono, por exemplo, não causaram ao mais poderoso país capitalista do planeta nem sombra dos danos feitos agora, pelo WikiLeaks, ao publicar 250 mil telegramas entre Washington e suas embaixadas espalhadas pelo mundo.

Os EUA confessam que estão abalados com sua histeria por tentar fechar o WikiLeaks. A "inteligência" estadunidense fez brotar acusações de estupro contra o fundador desse portal, Julian Assange, e já arrancou da Interpol uma ordem de prisão. O banco por onde o WikiLeaks recebe recursos cortou sua conta. Alguns senadores dos EUA já falam em pena de morte para os responsáveis por vazar as informações.

Esse desespero, ridículo e comprometedor, não é por pouca dor! Como bem disse Julian Assange, as informações agora divulgadas darão dor de cabeça para os EUA por muitos anos. A imprensa "brasileira" televisiva, mais imperialista que o Império, já está quase torcendo pela prisão de Assange, apesar dos furos jornalisticos que este promete. Os jornais impressos ao menos estão explicando, embora não com destaque, que os tais telegramas revelam o que qualquer pessoa acordada já imaginava - que os EUA não gostam de nossa independência, e destacadamente, não gostam de nossa diplomacia, que habilidosamente tem defendido essa mesma independência.

Acrescentamos que felizmente não é só o Império que joga. Ao lado do WikiLeaks estão todas as pessoas que defendem a liberdade e a democracia no mundo todo. Basta dizer que temendo a censura, o WikiLeaks pediu ajuda e em todo o mundo já existem centenas de espelhos desse portal, para impossibilitar que as informações sejam destruídas. E ao menos um governo, o Equador de Rafael Correa, já ofereceu apoio e mesmo cidadania a Julian Assange e ao WikiLeaks.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

EUA contra a liberdade de expressão

Nos últimos dias, os principais dirigentes políticos estadunidenses, chefes dos partidos Democrata e Republicano, manifestaram-se contra a existência de um importante meio de comunicação, o WikiLeaks, um dos poucos que se destacam da imprensa marrom e vendida de nossa sociedade. Esse site está publicando documentos que revelam as ações criminosas dos EUA pelo mundo.

Leiam mais em http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=9253:comunicado-de-wikileaks-em-galego-portugues&catid=87:comunicacom&Itemid=104&sms_ss=twitter&at_xt=4cf3bd7bf7c70d37,0 .

terça-feira, 23 de novembro de 2010

EUA agride Coréia para tentar iniciar outra guerra

A chamada Coréia do Sul, base militar estadunidense, ou para usar um termo antigo, colônia, militarmente ocupada, fez há algumas horas um bombardeio contra o litoral da República da Coréia. Os coreanos, combativos como sempre, reagiram imediatamente.

Não existe Coréia do Sul sem Estados Unidos. Se os soldados estadunidenses se retirarem, a Coréia se reunifica sob a hegemonia do norte, um regime de transição ao socialismo, muito isolado, mas também muito poderoso, tendo adotado, por força da constante agressão externa desde 1958, uma organização estatal praticamente militar. Se a Coréia do Sul, sob o risco de se tornar um campo de batalha, provoca o norte, só pode ser por decisão dos EUA, se não foi, na verdade, executada a agressão também por soldados estadunidenses, o que sempre é uma possibilidade.

Ou seja, está se cumprindo a previsão do comandante Fidel Castro Ruz, e os EUA estão criando outra guerra. Para que? Acreditam eles que podem se salvar da decadência econômica com essas guerras. Obviamente não podem, pois não têm mais a fatia do comércio mundial que tinham há 60 anos. Terminada a II Guerra, tinham no mínimo 40% de todas as transações comerciais do mundo em suas mãos, talvez tivessem até 60%. Hoje, restam no muito 20% desse total, de forma que o poder de consumo dos EUA tem caído constantemente, e isso se traduz em crises, aumento da pobreza e da miséria nesse país.

Os estudantes estadunidenses só estudam a própria história, e nota-se que não aprendem direito. Se não perceberiam que os EUA atingiram seu auge exatamente esquivando-se das guerras até ser obrigado a entrar. Perceberiam também que a guerra do Vietnã não aqueceu a economia das EUA mas a afundou, e que o atoleiro no Iraque e no Afeganistão também não estão ajudando.

Esse ano inteiro, os EUA estão tentando abrir uma nova frente de combate na Ásia, cercando a China pelo lado da Coréia e pelo sul, o Irã. Porém, o Irã tem se defendido diplomaticamente melhor, e é bem maior que a Coréia, o que conta nessa hora. A Coréia, certamente dada a sua cultura milenar, não mostra temer a guerra, e parece pronta, com mísseis e bombas nucleares, a varrer da Terra o Japão, as tropas estadunidenses de ocupação e talvez acertar uma bomba na costa oeste dos EUA, o que talvez inicie o previsível grande terremoto que colocará fim a San Francisco.

Que os EUA desejem toda essa destruição é normal, sobretudo do Japão, cujo mercado pretendem engolir, e a reconstrução de San Francisco seria um negócio "da China", mas o que realmente assusta é a tranquilidade com que China e Japão assistem esse perigo de aproximando. O Japão prestes a ser alvo de bombas nucleares do inimigo jurado e milenar, a China vendo as tropas estadunidenses fazendo um cerco. Será que só nos coreanos sobrou a lendária coragem dos orientais? Será que as divergências entre coreanos, chineses e japoneses continuará tão grande que não consigam se unir contra o inimigo comum que é os EUA? Essa desunião entre os orientais pode lhes custar uma guerra mais feia do que todas que vimos no século XX.

domingo, 21 de novembro de 2010

I Encontro Regional de Blogueiros Progressistas

Entre os dias 25 e 27 de Novembro acontecerá, em Juiz de Fora, o Primeiro Encontro Regional de Blogueiros Progressistas. Eis a programação:


25/11 (Quinta) - 19:00h
ABERTURA
Filme: Utopia e Barbárie

Debate com o Diretor Sílvio Tendler
Anfiteatro João Carriço
Entrada franca



26/11 (Sexta) - 21:00h
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
SHOW SERTÃO DA PALAVRA
Espaço Mezcla
Com Aliciane Rodrigues, Marcos Marinho e banda.
música popular brasileira e latinoamericana
onde a palavra, a poesia, tem grande destaque.
Ingresso antecipado a R$ 6,00
(no Mezcla - Rua Benjamim Constant, 720 - Centro - Tel.: (32) 3083 - 2351 e na Abertura do Encontro dia 25/11)


DEBATES
(Universo)


27/11 (Sábado)

08:00h
AS NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO
SEUS IMPACTOS NA ALDEIA GLOBAL
AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E A INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

Alex Lombello Amaral - Historiador
Laerte Braga - Jornalista
Thiago Adão Lara - Professor de Filosofia

12:00h
INTERNET O FUTURO DA COMUNICAÇÃO
RELAÇÕES HUMANAS E DIREITOS

Cláudia Cardoso - Blog Dialógico
Edmilson Costa - Pós-Doutor no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - UNICAMP
Maria Helena Falcão - Professora de Filosofia
Tarcísio Delgado - Advogado

15:00h
FORMAÇÃO DE GRUPOS

Desenvolvimento de Propostas para confecção e aprovação da Carta

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PSDB, PSTU, PSOL, PCR, CP, PT e UJS contra o poder dos CAs e DAs na UFMG

Quatro chapas, compostas pelos partidos acima, estão dedicando alguns minutos de suas falas em sala de aula para combater a proposta comunnard de substituir a palhaçada que nesse momento se pode assistir ao vivo e a cores na UFMG por uma democracia de verdade. Mas já ninguém pode parar o movimento, e qualquer resultado confirmará as denúncias da Chapa 3, A Hora é Essa: Todo Poder às Entidades de Base. Os CAs, DAs e Grêmios que se uniram em torno da propostas, e são muitos, certamente agora passam a ter como ponto de unidade esse objetivo, estratégico, de recuperar o controle do DCE-UFMG, que lhes foi roubado pela ditadura.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O marxismo e o movimento universitário brasileiro: Porque não existe unidade da "esquerda" na UFMG?

Foto do autor desse artigo em 2008. Em sua
defesa de dissertação de mestrado. Alex
estudou História na UFMG na década de 90.
Se especializou na UFSJ e é mestre pela UFJF.
Quem, entre uma democracia por conselhos (eu russo soviética) e as eleições diretas escolhe a última opção não é stalinista, nem trotskista, não é maoista, não é leninista, nem marxista, não é socialista, muito menos comunista, mas de fato, no assunto central da política, essa pessoa é capitalista, ou para usar um nome bonito para a mesma coisa, liberal. Existe a possibilidade de substituir a democracia capitalista pela qual o DCE-UFMG vive partidarizado por uma democracia de conselho, mais participativa, mais transparente, mais eficiente. É nessa hora que diferenciamos os comunistas dos carreiristas. Que no Estado burguês nós comunistas sejamos obrigados a aceitar regras individualistas, mercadológicas, corruptoras, enganadoras, em uma palavra, capitalistas, pois não temos forças para mudar isso agora, ao menos não por completo, compreende-se. Mas onde temos forças para fazer avançar a democracia para características proletárias, essa é nossa obrigação.

Observemos primeiro os sucessos revolucionários. O movimento considerado por Marx e Engels como inauguração da atuação política da classe operária, o Cartismo, lutava por democracia, pois exigia direitos políticos para os trabalhadores, e entre os direitos incluia-se que os mandatos durassem somente um ano, ou seja, quase inventaram a revogabilidade dos mandatos. O que Marx, que assistiu diversas revoluções na França, considerou mais avançando nesse país foi a Comuna de Paris de 1871, sobre a qual escreveu sua última obra, Guerra Civil em França, que a Estudos Vermelhos publicou com a tradução correta mas arbitrariamente trocou o título para A Comuna de Paris. Foram os comunards que inventaram a revogabilidade de todos os mandatos, ou seja, os eleitores poderem depor os políticos que elegeram.

A Comuna se deixou massacrar pelas armas, mas seu exemplo não foi esquecido. Em 1905, na Rússia, surgiram os Soviets, à semelhança da Comuna, embora não idênticos, e em 1917 os Soviets chegaram ao poder e elevaram a Rússia da destruição completa ao posto de grande potência. Os exemplos da Comuna e dos Soviets inspiraram as Comunas Populares da China, do Vietnã, da Coréia, assim como os exércitos revolucionários desses países e o Exército Rebelde de Cuba. Em outras palavras, democracia soviética é sinônimo de vitória das forças revolucionárias.

Deve-se acrescentar que o contrário também é verdade, ou seja, refluxos da democracia proletária geram refluxos revolucionários. Os Soviets existiram na URSS até 1936, depois o poder foi mantido por comunistas até 1953, perdido para a contra-revolução e se foi o socialismo. Na China também já não ouvimos mais falar de Comunas Populares, e cada dia mais escutamos falar de capitalismo na China.

Os teóricos marxistas confirmam esse raciocínio. Já mostramos que Engels e Marx apoiaram o Cartismo e a Comuna de Paris. Na Rússia, Lênin foi o descobridor de que o poder dos Soviets seria o poder do povo trabalhador, que eram quase a mesma coisa que o conselho que os parisienses chamaram de Comuna, quase com as mesmas regras. É de enorme importância para se compreender todo esse assunto o livro escrito no calor de 1917, O Estado e a Revolução, cuja tradução correta é também a da Estudos Vermelhos.

Gramsci, em Turim, inspirou verdadeiros Conselhos de Fábrica e criou um Conselho desses Conselhos na direção da organização dos trabalhadores de Turim, pelo que se nota sua posição bolchevique, pró soviética. Ele mesmo escreveu sobre isso, com destaque para “Sobre o movimento turinês dos conselhos de fábrica”. Na China, como já fica claro acima, Mao Zedung e Zo Enlai criaram Comunas Populares, assim como Ho Chi Minh acabou fazendo no Vietnã. Igualmente, quem observar as regras das eleições cubanas notará que a única sustentação da revolução cubana é a sua democracia, completamente ao contrário de tudo o que se diz por ai... Fidel é um defensor dessa democracia sempre ameaçada e cercada que lembra o sonho dos comunards.

Mas sempre existem contra-revolucionários enrustidos, que por conveniência se dizem marxistas, e podem até aceitar semelhanças entre a Comuna, os Soviets, Cuba, as Comunas chinesas, a organização sindical de Gramsci etc., mas quando se trata de perceber que devem apoiar uma experiência do mesmo tipo debaixo de seus narizes, ficam cegos. Eles apóiam longe e no passado, mas hoje e agora apóiam mesmo é o poder do capital, pois é a democracia capitalista que temos no Brasil, cada estado, cada município, e desnecessariamente também mantemos nos sindicatos, DCEs etc.

É de se esperar, enfrentaremos no campo marxista a afirmação que a democracia dos últimos 30 anos de DCE-UFMG não é capitalista, e que o poder dos CAs e DAs sobre o DCE não é semelhante aos Soviets e à Comuna, nem à organização sindical de Turim de Gramsci.

Onde estariam as semelhanças? No fato que a atual “democracia” do DCE é movida a dinheiro como toda democracia capitalista e o Conselho de CAs escapa desse controle? No fato que atualmente os estudantes só participam uma vez por ano, enquanto no Conselho participam sempre que querem? Em que no atual estatuto depor um diretor é praticamente impossível e com o poder do Centros e Diretórios Acadêmicos a deposição será, como nos Soviets e na Comuna, a regra? Ou no fato que nessa democracia capitalista por um ano um grupinho é dono do DCE, podendo decidir o que bem entender a portas fechadas, enquanto no Conselho as decisões são tomadas quotidianamente pela coletividade?

É impossível não afirmar que desconfiamos profundamente da honestidade e da vergonha na cara de quem “não vê” que a democracia, mesmo de um DCE, necessariamente é capitalista ou superior à capitalista, e nas opções dadas, é capitalista ou de conselho, em russo, soviética. Sobretudo desconfiamos da honestidade dos que se dizem leninistas e alegam sofrer dessa cegueira, pois nesse aspecto Lênin era até exagerado, só aceitando duas possibilidades na atualidade – ou bem uma democracia é capitalista ou socialista, burguesa ou proletária. Ou seja, alguns “leninistas” que conhecemos, ou nunca leram Lênin, ou acham que a democracia do DCE-UFMG é proletária, socialista, ou que fugindo à regra geral, as democracias do movimento estudantil não são uma coisa nem outra. Ou seja, em um momento ou em outro estão mentindo, ou estão mentindo ao afirmarem que leram Lênin ou ao afirmar que concordam com ele, ou seja, que são leninistas!

Também dentro da tradição marxista, mais precisamente leninista, nos perguntarão sobre a direção. Estamos entregando o poder às bases. Isso não é abrir mão de dirigir? Não, dirigir não tem nada haver com “aparelhar”. Para dirigir é necessário saber o caminho e saber indicar o caminho. Para tanto é melhor que os “dirigidos” estejam ouvindo! E mais, nós queremos dirigir de verdade, não oficialmente. Nos DCEs capitalistas quem ganha dirige oficialmente, e na prática não há nada para ser dirigido, quase não há movimento. Nos DCEs soviéticos (até agora só conheço o de São João) ninguém ganha, nem perde, e dirige, um movimento real, quem tem idéias. Ademais, deviam ter o bom senso de perceber que o mesmo Lênin que defendia o papel de vanguarda do Partido também foi o pioneiro na defesa do poder dos Soviets, ou seja, nem Lênin viu essa contradição que nossos “marxistas” querem ver no Brasil. Lênin não viu “basismo” nenhum nos Soviets, que eram no entando muito mais de base que o Conselho de CAs e DAs ao qual vamos entregar o DCE, mas os “leninistas” daqui veem em nossa proposta enorme “basismo”. Quando não têm muitos argumentos, esses nossos maravilhosos teóricos tupiniquins inventam nomes e acrescentam o sufixo “ismo”. Não pararam para constatar um pequeno detalhe – há 30 anos os DCEs brasileiras estão perdidos, a deriva, sem direção. Os partidos tem conseguido aparelha-los, raramente dirigir qualquer movimento.

Nossos aliados de algumas eleições pedem que recuemos de nossa tática em nome de uma tal “unidade da esquerda”. Que esquerda? Voltemos à origem do termo, na Revolução Francesa. À esquerda assentavam-se os republicamos, ou seja, os que desejavam uma democracia mais avançada do que a monarquia constitucional à moda inglesa, que era desejada pelo centro, e bem mais democracia do que suportavam os nobres absolutistas, assentados à direita. Se usarmos o mesmo critério, a posição quando ao Estado, quanto à forma de democracia, para a realidade atual, não encontramos esquerda nenhuma defendendo a democracia capitalista, que é obviamente a posição conservadora. Para se posicionar à esquerda, hoje, é necessário defender uma democracia mais avançada, sem vacilos e tergiversações. É claro que já houve tempo em que defender a democracia capitalista era necessário, a saber, sempre que se precisa derrubar o fascismo deve-se aceitar a democracia pela qual for possível montar a maior frente anti-fascista, e só (mas nessa época os trotskistas que hoje nos chamam para recuar em nome da unidade não aceitavam compor a frente anti-fascista!!??). Quando, como hoje, os fascistas estão isolados em minoria, ou seja, quando é o momento de avançar, não precisamos de capitalistas nem de vacilões nos atrasando. Quando o principal escudo capitalista, a democracia liberal, é colocada em xeque no DCE da mais importante Universidade de Minas Gerais, qualquer atitude em defesa do capitalismo, com qualquer justificativa, é uma declaração de guerra, é contra-revolução.

Certamente desses partidos ditos socialistas e comunistas, mas que estranhamente não defendem o poder das entidades de base sobre o DCE e sim a forma capitalista de poder, receberemos a estapafúrdia acusação de despolitização. Deixamos de falar da situação internacional, da brasileira, da mineira e até citamos pouco os problemas da própria UFMG, e por isso estaríamos com um discurso “limitado”, “só organizativo”. Que besteirada! Que inocência! Que incultura! A própria palavra “política” refere-se às Polis, as cidades-estado gregas, mas não se trata da “administração da cidade”, não, porque a Polis não era o aglomerado urbano, mas o Estado, ou seja, fazer política é atuar no Estado. A questão central da política seria “limitada”, “só organizativa”. Isso não é conservadorismo tal qual o do governo e o dos demotucanos? São mesmo muito politizados esses conservadores de bandeiras vermelhas, só não entendem a centralidade da... Polis! Pretendem fazer funcionar uma estrutura política, mas não se perguntam se essa estrutura é feita para funcionar, e para fazer o que? Estão “pensando que berimbau é gaita”, acreditam que uma máquina que há 30 anos é uma produtora de carreiristas, corruptos, aparelhistas, uma fabricante de rachas, discórdias, brigas, violências, fraudes etc., pode passar a fabricar lutas e cidadãos decentes ou até revolucionários.

Ou seja, despolitizadas são todas essas repetições das mesmas “verdades”, do mesmo catecismo, de obviedades, e promessas já feitas mil vezes, e que não tocam no assunto central da política, que é a Polis. Pode-se fazer política de diferentes formas – Pode-se simplesmente atuar no Estado sem questiona-lo (que é que quase todos sempre fazem) e essa atitude é conservadora; Pode-se buscar transformar os Estado aos poucos, que é uma atitude reformista, oficialmente a governista hoje, mas na prática os governistas não reformam nada, são conservadores, em todo canto; Ser revolucionário, para um marxista, é tentar construir outro Estado, com os restos do atual, com os recursos dele, mas não com suas formas! A questão da forma é de extrema importância para o Estado, e se confunde mesmo com seu conteúdo, uma vez que as classes são muito diferentes entre si, e a forma de organização que serve bem a uma não serve a outra. Marx percebeu bem a importância das formas, ou como dizemos hoje, do design, e divulgou entusiasmado, quando contou a história da Comuna de Paris. Lênin o percebeu na realidade russa, diante dos Soviets e dos Conselhos de Fábrica, o que está claro no Estado e a Revolução e em todos os seus livros posteriores. Gramsci, novamente, em Turim, experimenta e teoriza com os Conselho de Fábrica. Ou seja, os pseudo-marxistas que afirmam deforma leviana que a democracia é “só” a forma do Estado, que não devemos nos apegar a “questões de forma”, estão longe da fato do marxismo, do qual talvez tenham aprendido a parte mais nítida, a economia.

Também haverá o argumento do tempo, das fases, não seria ainda o momento de experimentar uma democracia mais avançada. Teríamos que esperar a revolução socialista para isso, pois esse argumento se baseia na idéia de que só é possível avançar em um lugar quando se avança em todos. Lembremos, então que os Soviets passaram a existir e a praticar o poder 12 anos antes da revolução de Outubro, entre 1905 e 1907, quando foram fechados pelo regime czarista. Também os Conselho de Fábrica de Turim existiram o tempo todo sob a monarquia constitucional que precedeu a ditadura fascista. E o que derrotou os turineses liderados por Gramsci foi que no resto da Itália o Partido Socialista se apegou a argumentos mentirosos como “não é hora pra ter poder das bases”. Que hora seria essa? A revolução seria uma espécie de “presente dos céus”? A prática do poder não é o que tende a tencionar processos de transformações?

Outro argumento amplamente utilizado é do tipo “a massa de estudantes não é politizada”. Ora, se o estudante não for capaz de apontar suas necessidades, quem será? Ou mesmo, se de fato esta massa não é politizada, como ela irá politizar-se, se não quando tiver a oportunidade de participar e exercer o poder? A sensação que fica é que os que usam tal argumento nasceram sabendo, vieram com o “dom da política” de fábrica. Ademais, aqueles que de fato possuírem o “dom da política”, tiverem amplo conhecimento dos caminhos que se deve percorrer, não terão problemas em politizar a “massa despolitizada”.

Existem momentos e locais para se tratar de todos os assuntos. Nossos jornais, do PCB e da UJC, existem para isso. Uma chapa composta por sete vezes mais estudantes sem partido que por membros da UJC, e composta com o objetivo revolucionário de substituir a democracia capitalista do DCE-UFMG por uma democracia de Conselho, não é o espaço para divulgarmos o que devemos divulgar em nossos jornais. Não se pode falar de acabar com o aparelhamento de um DCE e começar por aparelhar a própria chapa (que é, aliás, o normal). Na hora de defender um novo poder, soviético, não se pode vacilar, não se pode abrir mão de aliados nessa questão central em troca do luxo de reafirmarmos nossas posições já presentes em nossos blogs e jornais, e que acabamos de reafirmar nas eleições de 2010.

Por fim, é impossível não esclarecer que essa suposta politização dos grupos que usam bandeiras vermelhas mas estão conformados com o Estado atual, é uma politização também dentro da agenda dos capitalistas. Eles se acomodam no Estado capitalista e seguem somente os temas de debate capitalistas, colocados pela imprensa, pelos políticos, pelos governos capitalistas. Querem politizar ou querem agradar um determinado público?

Com a proposta que defendemos, de antes de mais nada entregar o poder do DCE aos Grêmios, Centros e Diretórios Acadêmicos, estamos impondo nossa agenda. Os capitalistas é que terão, para manter suas tetas, que entrar em um assunto do qual fogem e defenderem sua forma de democracia contra a nossa. Os oportunistas se afastarão ou deixarão cair as máscaras, pois  quando se coloca a questão magna do Estado, caem os disfarces.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

42 milhões de miseráveis são prova de que política agressiva dos EUA fracassou

A estratégia bélica dos EUA previa aquecer a economia com encomendas de armas, retirando os EUA de sua letargia econômica, mas como podemos ler nesse artigo de site galego Diário Liberdade, o número de pessoas que recorreram aos tíckets alimentação do governo em Agosto de 2010 foi 17% maior que em Agosto de 2009, chegando a 42 milhões! A política externa hostil está se revelando um desperdício de amigos e de recursos que podiam ser gasto com o bem estar público.

Vejam os números completos no link abaixo:

 http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=8372:wsj-42389619-de-americanos-dependem-do-bolsa-familia-para-comer&catid=89:laboraleconomia&Itemid=99&sms_ss=twitter&at_xt=4cd455ab3bac7e1e,0

domingo, 31 de outubro de 2010

Contra a reedição petista da censura

É crescente a diferenciação entre o PCB e o PCdoB, como o prova a proposta feita pelo deputado estadual do PCdoB de Minas Gerais de criação de um Conselho para controlar a imprensa no estado. A questão é de tal importância que exige uma análise passo a passo.

A realidade da imprensa brasileira

A chamada "liberdade de imprensa" é no Brasil "liberdade de empresa", é a liberdade que os capitalistas se dão de usarem fortunas para repetir mil vezes na cabeça de todos as versões dos fatos conforme lhes interessa. É um fato enfim confesso pelo até então escorregadio Lula, que irritado com os ataques de toda a grande imprensa à sua candidata, afirmou em alto e bom som que a imprensa brasileira é "controlada por meia dúzia de famílias".

Essa é, deve-se saber, a realidade da imprensa em qualquer país capitalista, e é obviamente um pilar indispensável da manutenção do Estado capitalista e portanto dessa forma de penar.

A "solução" petista

Diante dessa realidade, o PT, que nunca chega nem perto da raíz de nada, mais uma vez resolveu tentar um paliativo, e mais uma vez horrorizou as pessoas sensatas com uma proposta monstruosa e, sinceramente, imbecil. A idéia genial, pela qual se pretendia resolver o problema do monopólio dos ricos sobre a imprensa sem retirar dos ricos o controle da imprensa, é um Conselho Nacional das Comunicações, controlando essa imprensa de cima para baixo!!?? Mas não, segundo os "inventores" de tal "novidade" não se trata de censura, não, de forma alguma. É um grupo de pessoas, que decide coisas sobre toda a imprensa de um país ou de um estado, e não é censura!!?? Como não? Não é censura porque ao invés de composto por fascistas é composto por socialistas e petistas de diferentes matizes? Não é censura porque tem origem e composição democrática? E democrática quanto? Democrática como?

Reeditar a censura é uma vergonha e uma burrice. Logicamente, a idéia será bombardeada até a completa derrota. E nós, comunistas, como sempre, estaremos na linha de frente do combate à censura.

A solução democrática

Nossa solução para a imprensa brasileira é outra, nós lutamos pela democracia da imprensa, começando pelas TVs e rádios estatais, que devem ser modelos, estendendo-se a toda a imprensa. A imprensa é um poder público, não pode ser monopolizada por uma minoria rica, tem que ser democrática, ou seja, dirigida pela população que é por ela atingida.

Como todo poder público, a imprensa deve ser dirigida pelo povo e seus representantes, não por donos. Não há como chegar a esse objetivo sem começar dando o exemplo com as TVs e rádios públicas. Por diferentes métodos, começando pela democracia digital (decisões diretas dos telespectadores na Internet) até a ampliação e composição representativa dos Conselhos Editoriais. A palavra "representação" exige explicações práticas - Para nós os modelos de representação são a Comuna de 1871, os Soviets, as eleições cubanas etc., que são diferentes entre si. O que têm em comum? A possibilidade de revogar mandatos, presente em todas. O fato de nenhum desses parlamentos ser composto por profissionais e de nenhum parlamentar ganhar gordos salários. Serem eleitos os representantes em pequenas eleições, entre pessoas que moram ou trabalham ou estudam nas proximidades. Serem eleições sem dinheiro!

Propomos uma estrutura: Devem existir programações locais das TVs e rádios públicas, então devem ser criados Conselho Editoriais locais (e não como é hoje, que um chefete político qualquer em São Paulo decide o que vai ser veiculado sobre todas as regiões do país), absolutamente sem nenhuma remuneração ou ajuda de custo, representativos, ou seja, formados por universitários de cada curso, trabalhadores de cada categoria ou empresa, estudantes e professores de cada escola, representantes dos oficiais e dos praças de cada Força etc., ou seja, um grande parlamento. Esses Conselhos locais podem ser o colégio eleitoral dos representantes dos Conselhos Editoriais que devem decidir sobre as programações estaduais e nacional. Os representantes desses Conselhos Editoriais devem receber as passagens e ajuda de custo realmente necessária para as reuniões, que devem ocorrer em finais de semana. Como é óbvio, toda a direção das TVs e rádios públicas devem passar à direção desses Conselhos, e os os Conselhos nacional e estaduais não devem interferir nas programações locais.

Está ai uma proposta barata e democrática (que obviamente não é invenção minha) de direção para os meios de comunicação de propriedade pública. Em um país capitalista, antes de realizar a democratização dos meios estatais de comunicação, o Estado falar de criar Conselhos para controlar todos os meios de comunicação, mesmo prometendo que esses conselhos serão realmente democráticos (ao contrário do que prova a experiência), parece piada de mal gosto, pois é propor a censura falando de democracia.

Democratizar a imprensa estatal nos moldes que propusemos não é mais difícil que controlar a imprensa por meio de censura, e de forma muito menos autoritária.

Propomos ainda algo mais fácil ao governo, que combateria o monopólio capitalista da imprensa sem precisar dessa proposta suicida de reeditar a censura. O Ministério das Comunicações pode simplesmente liberar que os sindicatos dos trabalhadores, organizações dos universitários etc. tenham rádios e TVs locais. Antes de dar essa liberdade, que já quebraria o monopólio capitalista, falar de criar conselhos para controlar, é obviamente uma postura autoritária.

sábado, 30 de outubro de 2010

Chapa para o DCE UFMG defende adotar estatuto do DCE UFSJ

Foi registrada ontem a chapa "Todo poder aos DAs e CAs" concorrendo às eleições do Diretório Central dos Estudantes da UFMG. A única proposta dessa chapa é um novo estatuto, nos moldes do adotado pelo DCE-UFSJ em 2004, no qual as entidades de base, Diretórios Acadêmicos e Centros Acadêmicos, passam a controlar todo o DCE, retomando um poder que a Ditadura (1964-1985) lhes usurpou.

É pena que os partidos políticos não gostam dessa proposta! Somente o Partido Comunista Brasileiro - PCB - está na chapa com os estudantes que querem libertar o DCE-UFMG do "aparelhamento". A Consulta Popular preferiu montar uma chapa com o PCR, o PSOL e o PSTU montaram outra chapa, a UJS e o PT são a chapa situacionista, o PSDB montou uma chapa e estudantes da Engenharia montaram uma chapa que pelo nome parece ser só para fazer festa.

Continuaremos dando notícias.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

França - o governo contra a maioria

Sete em cada dez franceses são contrários à reforma que o governo francês aprovou hoje! O povo que tem a fama de ser o mais culto do mundo, que ostenta o maior número de livros lidos por ano, que gosta de passear em museus e galerias de arte, não consegue mandar no próprio país sob uma democracia semelhante à que temos nos Brasil (na verdade um pouco melhor, pois os franceses não aturariam a concentração de poder que abandonamos aos nossos presidentes, governadores e prefeitos). O mundo todo está assistindo, o povo francês nas ruas, lutando contra um aumento de dois anos na idade para aposentadoria, repetindo a todo o momento ao governo que 7 em cada 10 são contra o tal aumento. Mas o mundo todo também assistiu, hoje, que o povo francês não manda na França! A maioria dos deputados e senadores têm outras vontades, outras idéias, outros senhores!

De fato é assim em todo pais capitalista, e esse tipo de democracia louvada em verso e prosa pelos capitalistas (Rede Globo, Veja, Estadão, Estado de Minas e outros partidos de direita) sempre legitima o poder dos ricos fazerem o que é contra os interesses da maioria das pessoas. Se as pessoas decidissem diretamente sobre as coisas, nesse exemplo francês o dinheiro teria que sair da minoria rica, nunca da maioria trabalhadora, e no Brasil teríamos saúde, educação, empregos etc., enquanto escolhendo somente as pessoas para mandar e lhes cedendo o poder de fazer o que bem entenderem, o que temos, sempre, é o contrário da vontade do povo.

Outra coisa em que os franceses devem estar pensando é porque não têm o direito de substituir esses deputados e senadores que votaram contra a opinião de seus eleitores? Se um advogado não faz o que esperamos que faça, nós o despedimos e contratamos outro. Se não fosse assim, seríamos roubados e traídos na maioria das vezes que precisássemos de um advogado. Os deputados e senadores deviam ser advogados de seus eleitores, mas como não podem ser demitidos...

Deve-se notar que o exemplo francês liquida o argumento idiota de que o problema da democracia brasileira é que "o povo não sabe votar", pois se o povo tido como mais culto do mundo também não consegue fazer a mágica de transformar a eleições de pessoas em democracia, o nosso não vai conseguir nem em mais 500 anos. Não é o povo que é ruim (mesmo que seja) é o sistema político capitalista que não presta, para qualquer povo!

A França é a terra da Comuna de Paris. Nesse momento em que a democracia capitalista se desmascara, é hora de pensar em uma democracia superior, é tempo de pensar nos Comunards.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eleições pegam fogo no Brasil - Eleitor de Dilma é assassinado e Serra é ferido em confusão no Rio de Janeiro

Em uma rápida passada de olhos pelas notícias do twitter descobri essas duas notícias desagradáveis. Uma pessoa foi morta no Acre por sua opção eleitoral, e no do Rio de Janeiro aconteceu uma pancadaria entre militantes dos dois candidatos a presidência da República na qual um dos candidatos, o que executava as privatizações no governo FHC, foi ferido na cabeça (já passa bem). Isso há 11 dias da eleição! Era mesmo de se esperar esse tipo de coisas desse segundo turno extremamente tenso, em que os capitalistas mais ligados ao capital estrangeiro se acham no direito de retomar a cabeça do governo federal, e tendo escolhido um candidato incapaz de esconder o que é, apelaram para demonizar a candidata adversária. A coincidência entre os pontos "fracos" da candidata governista e a cultura fascista do bloco demotucano parece ter resultado em revelar esse fascismo, em propagandas sujas, respondidas por um lado e pelo outro em uma escalada. Não me lembro de tensão tão grande nem em 1989, de forma que, sobretudo a continuar e crescer esse clima, temos mais um ingrediente da crise da República de 1988, ou seja, dessa Constituição, pois em nossos dias uma República só pode ser substituída por outra República.

Não vou detalhar os casos, que serão notícia em todo canto. O ferimento do candidato vende-pátria será usado certamente pela sua campanha, e eu não estranharia que foi acertado por um de seus cabos eleitorais, saiba ele disso ou não. Tipo do trabalho de "provocador", ou seja, um infiltrado para fazer cagada ou levar os outros a fazê-la.

Por outro lado, a campanha demotucana tem feito tantos desafetos que é capaz de gerar ódios verdadeiros entre os adversários. Tem sido veiculada, por exemplo, uma campanha machista subliminar em que aparece a frase "Ela não vai dar conta", agradável certamente aos homens machistas e que pretende passar impune pelas mulheres, assim chamadas de burras. A mesma propaganda tenta mostrar Dilma como incompetente porque um pequeno negócio que teve faliu. Ora, isso é criminalizar as vítimas! Oitenta por cento das portas que se abrem no mercado em poucos meses estão fechadas, e quase nunca a culpa é do dono, mas das circunstâncias que se alteram com uma força muito maior que a de um trabalhador autônomo com suas pequenas propriedades. Também atacaram Dilma por ter participado da luta armada contra a ditadura, ou seja, ficaram do lado da ditadura. Condenaram o aborto, não hesitando em desagradar suas próprias correligionárias (que assim vão aprendendo o que têm a ganhar dos fascistas), só para jogar a religião no processo eleitoral.

Também é característica fascista ficar mudando da cara, falar hora uma coisa, hora outra, mesmo coisas sem sentido e que não se encaixam. A técnica de comunicação fascista joga todas as suas fichas na emoção, no espetáculo, no ímpeto, na falta de razão, na mentira repetida mil vezes. As promessas de aumentos de salários que seus governos nunca deram e as outras promessas escandalosas sumamente irritantes para as pessoas de bom senso são também do receituário de Goebels, que descobriu que esse negócio de ensinar, de falar a verdade, de espalhar a luz, é coisa nossa, comunista, e não deles, cujo objetivo é exatamente o contrário - a ignorância, a mentira e a escuridão.

Esse resurgimento dos galinhas verdes, cor agora decomposta em azul e amarelo e a ave levemente retocada, é outro sintoma da crise de nossa República, ou seja, da Constituição de 1988. Era de se esperar, pois o que interessa em uma Constituição é a organização dos poderes, ou seja, é quem manda! Essa parte na Constituição brasileira resultou nos últimos 20 anos de desmoralização, de crescente corrupção, de escândalos em número cada dia maior, impostos astronômicos e incompetência generalizada. Uma Constituição onde os políticos se dão aumentos de salários e outros benefícios! Uma Constituição em que o Executivo tem força para comprar a maioria do Legislativo, a força do Legislativo é atravancar e gerar crises. O Executivo legisla, o Legislativo tenta julgar e o Judiciário é que acaba tendo que mandar executar, poder esse aliás cujo único traço de democracia é a indicação dos Juízes do Supremo pelo presidente da República, ou seja, nada.

O que sustenta essa Constituição é a inexistência de opções. Todos sabem que uma Constituinte agora, composta pelos políticos que temos, seria pior que a de 1988. O povo fala de uma "Constituição que não seja feita pelos políticos", o que parece engraçado (e é), mas quer dizer uma Constituição feita por outro tipo de político. Essas pessoas (uma minoria que sabe que existe Constituição) não sabem que estão pedindo uma revolução. E mais engraçado é que existem pretensos revolucionários que desconhecem que uma coisa indispensável e muito importante de qualquer revolução é uma nova Constituição.

Por fim, que bela democracia! Em que mesmo estamos mandando? O povo está mandando em que, escolhendo entre o governo atual e os demotucano? Isso não é uma escolha, é um teste - Se o povo for despolitizado o suficiente para votar nos fascistas, então é sinal de que é possível lhe arrancar mais o couro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Transformar o apoio eleitoral em apoio de fato

Somando os 1.600 votos nominais de nossos dois candidatos a deputados federais com os 5 mil e 500 votos de legenda, tivemos 7 mil votos em Minas Gerais com nossos poucos segundos na TV, pois praticamente não tivemos mais nenhuma outra propaganda. Isso corresponde mais ou menos ao votos de nosso candidato a governador, confirmando que são votos ideológicos, partidários. Os votos dos deputados estaduais foram ainda maiores e nosso candidato a senador teve mais de 21 mil votos, ou seja, o triplo dos demais candidatos, possivelmente devido à defesa do fim do Senado, que no entanto poderia ter sido mais explorada ainda. Mas calculemos por baixo, consideremos que o Partido Comunista tem o apoio eleitoral de 6 mil eleitores mineiros, mesmo estando na oposição ao governo Lula enquanto existem diversos agrupamentos comunistas na base de apoio desse governo.

Esses 6 mil estão espalhados pelas Minas Gerais, o que significa praticamente inacessíveis pessoalmente, ou seja, se quisermos fazer contatos entre essas pessoas e visitá-las com objetivo de construir o Partido demoraremos umas duas décadas! O único método que existe para fazer contato com tanta gente tão espalhada é o inventado por Lênin, e defendido no Que Fazer?, ou seja, é usar a imprensa. Já usamos a Internet, mas para esse trabalho precisamos de um jornal de papel. A diferença é que nossas páginas precisam ser procuradas na Internet, e muitos nem as encontram, e só as buscam pessoas que já estão interessadas em nossa política. O jornal de papel chega às pessoas às quais os direcionamos, muitas das quais nunca nos procurariam. Em outras palavras, a Internet facilitou nosso crescimento espontâneo, ou seja, as pessoas que já têm a tendência de serem do Partido Comunista têm hoje mais facilidade de nos conhecer, mas para um crescimento planejado, estimulado, por exemplo, para cidades estratégicas, empresas estratégicas etc., o jornal que pode ser entregue in loco é indispensável.

Entre nossos ao menos 6 mil apoiadores devem existir uns 600 dispostos a contribuir para existência de um jornal comunista que circule por todas as Minas Gerais. Se lerem esse artigo e quiserem colaborar, entrem em contato:

lombelloamaral@yahoo.com.br ou 32 9951 9437 contatos do secretário de agitação e propaganda em Minas, Alex.

Ou deixem recado aqui mesmo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Dois projetos inconfessáveis em luta

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2010 está marcado por ataques pessoais e desinformação de tal nível que já desagrada um eleitorado bovinamente conformado e conformista. Grande parte da enganação de nosso sistema político reside no fato de que o eleitorado é levado a escolher entre pessoas quando o que está em jogo são projetos. Nesse caso os dois projetos em disputa têm semelhanças vergonhosas e diferenças indiscutíveis, mas isso está escondido pela insignificante questão das pessoas dos candidatos, que são e eleitos continuarão a ser atores, que é o que são os presidentes, que vivem da maquiagem para as recepções, para os encontros, os lançamentos, as inaugurações, as entrevistas, as viagens etc. Ou seja, qualquer pessoa inteligente é capaz de perceber que os governos são feitos por milhares de pessoas, e não por "presidentes" maquiadinhos cujo negócio é rir para observadores e dizer frases de efeito. Portanto, não interessa se o candidato foi isso ou aquilo, é casado ou separado, vai a missa ou é ateu, como não interessa nada disso no ator de um filme, e tudo isso só é usado para enganar os trouxas.
A primeira semelhança entre a coligação demotucana (fascistas e direita em geral) e a coligação PMDB-PT (desde setores da direita até setores da centro-esquerda, de forma que estou chamando de centrista) é que são capitalistas. A segunda semelhança é que nenhuma das duas pode confessar isso. Pelo contrário, os fascistas apelaram para a desconversa de afirmar que já não existe essa questão de capitalismo e socialismo, classes etc., e o partido da cabeça da coligação se chama social democrata!!?? Já na coligação centrista existe até mesmo uma esquerda dita comunista que tem coragem de afirmar que o atual governo é o início da revolução socialista no Brasil !!?? Trata-se de muita hipocrisia.
O fato é que a coligação de direita é anti-nacional, é a mesma corrente política que vendeu o Brasil na década de 90, que vende os estados que governa e que acabaria de entregar tudo aos gringos. É também anti-popular, o que significa que seu negócio é destruir a saúde pública e a educação pública, pois assim aumentam os lucros de seus "apoiadores". Também tem o objetivo óbvio de aumentar o desemprego pois é isso que reduz os salários e eleva os lucros de seus mesmos "correligionários".
Já a coligação centrista acende uma vela para Deus e outra para o Diabo, e se sabemos que não vai fazer nenhuma revolução, não vai portanto resolver de fato nenhum dos graves problemas da nação, também sabemos que não vai destruir a nação, como pretendem os entreguistas, que são doidos para reduzirem o Brasil a um estado dos EUA. Não investirá na educação muito mais do que os 2,6 do PIB atuais, mas também não a destruirá (enquanto em SP o candidato tucano cortou verbas da USP e depois mandou a polícia invadir essa Universidade). O mesmo se pode dizer da saúde. De forma alguma a coligação centrista resolverá o problema de desemprego, pois não deseja a revolução, mas ao menos tem criado mais empregos do que os empregos que o tempo todo o capitalismo extingue. Essas migalhas são o que o proletariado brasileiro consegue arrancar com o atual grau de desorganização e ignorância.
Eis porque no primeiro turno lançamos candidatura própria, porque queríamos lançar propostas de solução, enquanto a coligação centrista não pode solucionar coisa alguma e a direita pretende é destruir. Agora, precisamos ajudar a derrotar os demo-fascistas nas urnas e depois arrancar as soluções nas ruas! É necessário reconstruir quase do chão o campo socialista.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O fascismo dos demo-tucanos

Eis que as eleições de 2010 revelaram o fascismo que desde os anos 80 estava escondido, restrito a guetos ou bandos pseudo-fascistas que os verdadeiros fascistas gostam de exterminar. No desespero de derrotar uma coligação de centro, a direita brasileira está apelando para o machismo, para o fanatismo religioso, para o anti-comunismo, para a criminalização dos movimentos sociais, para o apelo à agressividade contra os países vizinhos, em uma palavra, para o receituário fascista. A desproporção entre meios de luta e motivos nesse caso revela profunda luta de classes. A política externa não é suficiente para explicar tamanho desespero.

O governo Lula, que continuará com Dilma, é de fato um governo do PMDB, que tem os ministérios da Saúde, Educação, Comunicação, Defesa, a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados etc. Agora terá também a vice-presidência! Esse governo não deu nem um mísero passo em direção ao socialismo. Contudo, a direita não o tolera, e até se desmascarou no desespero por derrubá-lo. Porque? Porque é necessário derrubar um governo capitalista dirigido pelo PMDB?

Simplesmente porque ele distribui migalhas! De fato, para os financistas, ou seja, para os capitalistas, digo, donos do capital, chegamos a um ponto em que mesmo o assistencialismo vai se tornando intolerável. Os lucros de alguns setores capitalistas, como os bancos, cresceram absurdamente, mas a conciliação de classes continua se revelando como uma aliança entre gaviões e andorinhas, raposas e galinhas. Não há possibilidade!

Uma parte pequena mas influente (pois detentora dos meios de comunicação e outros meios de persuasão) de nossa sociedade vive da miséria alheia. Programas infames como o bolsa família já elevam os preços das diárias de trabalhadores das regiões mais pobres. A duplicação de vagas nas Universidades Federais reduziram os lucros dos tubarões do ensino particular que são hoje sustentados pelo Prouni, ou seja, pelo governo federal, mas mesmo assim, certamente, trabalham contra ele nessas eleições. Em resumo, os assistencialismos e reformas cosméticas do governo Lula já foram, para os capitalistas, indesejáveis. Por isso, essa parte desnaturada da nação, que vive de explorar os compatriotas que precisam trabalhar, deseja um governo próprio, disposto a gerar mais miséria, ignorância e doenças, pois é isso que dá bons lucros.

Os capitalistas precisam de lucros como nunca precisaram antes! As economias capitalistas, como se sabe desde fins do século XIX, têm taxas de crescimento cada dia menores. Essas taxas de crescimento até podem ser artificialmente infladas por guerras e outras formas de destruir, mas a tendência constante é para a queda. Hoje, as taxas de crescimento dos países capitalistas desenvolvidos são ridículas.

O proletariado, por seu turno, é forte pelo seu número e tem certa tradição, embora no Brasil esteja completamente desorganizado e despolitizado. Os governos petistas têm sido o que esse proletariado tem conseguido com sua força. É pouco, quase nada, mas os capitalistas já não toleram.

Conclusão óbvia - não se pode esperar nem uma trégua dos capitalistas! Não há, portanto, motivo algum para reduzir o passo. A "estratégia" petista de abrir mão de bandeiras, de até realizar os projetos do inimigo, se tinha o objetivo de cooptá-lo ou acalmá-lo, fracassou. Precisamo de um forte Partido Comunista para ajudar a organizar e politizar o povo trabalhador.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PCB lança nota política: Derrotar Serra nas urnas e depois Dilma nas ruas!

Embora não seja o normal desse blog publicar não-originais, esse caso é especial:


O PCB apresentou, nas eleições de 2010, através da candidatura de Ivan Pinheiro, uma alternativa socialista para o Brasil que rompesse com o consenso burguês, que determina os limites da sociedade capitalista como intransponíveis. As candidaturas do PCO, do PSOL e do PSTU também cumpriram importante papel neste contraponto.
Hoje, mais do que nunca, torna-se necessário que as forças socialistas busquem constituir uma alternativa real de poder para os trabalhadores, capaz de enfrentar os grandes problemas causados pelo capitalismo e responder às reais necessidades e interesses da maioria da população brasileira.
Estamos convencidos de que não serão resolvidos com mais capitalismo os problemas e as carências que os trabalhadores enfrentam, no acesso à terra e a outros direitos essenciais à vida como emprego, educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, cultura e lazer. Pelo contrário, estes problemas se agravam pelo próprio desenvolvimento capitalista, que mercantiliza a vida e se funda na exploração do trabalho. Por isso, nossa clara defesa em prol de uma alternativa socialista.
Mais uma vez, a burguesia conseguiu transformar o segundo turno numa disputa no campo da ordem, através do poder econômico e da exclusão política e midiática das candidaturas socialistas, reduzindo as alternativas a dois estilos de conduzir a gestão do capitalismo no Brasil, um atrelando as demandas populares ao crescimento da economia privada com mais ênfase no mercado; outro, nos mecanismos de regulação estatal a serviço deste mesmo mercado.
Neste sentido, o PCB não participará da campanha de nenhum dos candidatos neste segundo turno e se manterá na oposição, qualquer que seja o resultado do pleito. Continuaremos defendendo a necessidade de construirmos uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, permanente, para além das eleições, que conquiste a necessária autonomia e independência de classe dos trabalhadores para intervirem com voz própria na conjuntura política e não dublados por supostos representantes que lhes impõem um projeto político que não é seu.
O grande capital monopolista, em todos os seus setores - industrial, comercial, bancário, serviços, agronegócio e outros - dividiu seu apoio entre estas duas candidaturas. Entretanto, a direita política, fortalecida e confiante, até pela opção do atual governo em não combatê-la e com ela conciliar durante todo o mandato, se sente forte o suficiente para buscar uma alternativa de governo diretamente ligado às fileiras de seus fiéis e tradicionais vassalos. Estrategicamente, a direita raciocina também do ponto de vista da América Latina, esperando ter papel decisivo na tentativa de neutralizar o crescimento das experiências populares e anti-imperialistas, materializadas especialmente nos governos da Venezuela, da Bolívia e, principalmente, de Cuba socialista.
As candidaturas de Serra e de Dilma, embora restritas ao campo da ordem burguesa, diferem quanto aos meios e formas de implantação de seus projetos, assim como se inserem de maneira diferente no sistema de dominação imperialista. Isto leva a um maior ou menor espaço de autonomia e um maior ou menor campo de ação e manobra para lidar com experiências de mudanças em curso na América Latina e outros temas mundiais. Ou seja, os dois projetos divergem na forma de inserir o capitalismo brasileiro no cenário mundial.
Da mesma forma, as estratégias de neutralização dos movimentos populares e sindicais, que interessa aos dois projetos em disputa, diferem quanto à ênfase na cooptação política e financeira ou na repressão e criminalização.
Outra diferença é a questão da privatização. Embora o governo Lula não tenha adotado qualquer medida para reestatizar as empresas privatizadas no governo FHC, tenha implantado as parcerias público-privadas e mantido os leilões do nosso petróleo, um governo demotucano fará de tudo para privatizar a Petrobrás e entregar o pré-sal para as multinacionais.
Para o PCB, estas diferenças não são suficientes qualitativamente para que possamos empenhar nosso apoio ao governo que se seguirá, da mesma forma que não apoiamos o governo atual e o governo anterior. A candidatura Dilma move-se numa trajetória conservadora, muito mais preocupada em conciliar com o atraso e consolidar seus apoios no campo burguês do que em promover qualquer alteração de rumo favorável às demandas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Contra ela, apesar disso, a direita se move animada pela possibilidade de vitória no segundo turno, agitando bandeiras retrógradas, acenando para uma maior submissão aos interesses dos EUA e ameaçando criminalizar ainda mais as lutas sociais.
O principal responsável por este quadro é o próprio governo petista que, por oito anos, não tomou medida alguma para diminuir o poderio da direita na acumulação de capital e não deu qualquer passo no sentido da democratização dos meios de comunicação, nem de uma reforma política que permitisse uma alteração qualitativa da democracia brasileira em favor do poder de pressão da população e da classe trabalhadora organizada, optando pelas benesses das regras do viciado jogo político eleitoral e o peso das máquinas institucionais que dele derivam.
Considerando essas diferenças no campo do capital e os cenários possíveis de desenvolvimento da luta de classes - mas com a firme decisão de nos mantermos na oposição a qualquer governo que saia deste segundo turno - o PCB orienta seus militantes e amigos ao voto contra Serra.
Com o possível agravamento da crise do capitalismo, podem aumentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a repressão aos movimentos populares. A resistência dos trabalhadores e o seu avanço em novas conquistas dependerão muito mais de sua disposição de luta e de sua organização e não de quem estiver exercendo a Presidência da República.

Chega de ilusão: o Brasil só muda com revolução!


PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
COMITÊ CENTRAL
Rio de Janeiro, 13 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

Os verdadeiros verdes: A prioridade ambiental e seu preço


O destaque dessas eleições, a votação da candidata “Verde”, reflete, entre várias coisas, a compreensão de parte da sociedade sobre a prioridade da questão ambiental. É inegável, aliás,que chegamos a um nível de destruição dos mares, dos rios, das matas, do solo, do ar, dos seres vivos, que estamos correndo sério risco, se não de extinção imediata, de vivermos crises agrícolas sérias, que multipliquem a fome, gerem guerras de proporções e em quantidade antes nunca vistas e ai, sim, podemos gerar nossa própria extinção, pois as nossas armas atuais usadas pelo mundo todo em grande escala somadas ao grau de destruição a que já chegamos sem tantas guerras... Porém, a questão ambiental é colocada ao público de maneira falsa, pois seu verdadeiro núcleo, sua verdadeira essência, sua raiz e seu tronco, não são nem citados. A questão ambiental, contudo, precisa ser resolvida, não em pequenas partes, em pequenas doses. Já não há tempo para uma transição lenta, e haverá menos ainda, pois a solução ainda irá demorar a começar! Ou seja, quando formos obrigados a tomar providências sérias, elas terão que ser bruscas, tão bruscas que exigirão o rompimento com a economia de mercado!!!

Expliquemos: A candidata “verde” não se propôs a solucionar o verdadeiro problema ambiental – praticamente toda a destruição ambiental não é feita pelas pessoas comuns, não é o lixo das grandes cidades (embora esse já seja um enorme problema, se fosse o único praticamente não teríamos um problema histórico), não é a fumaça dos carros e cigarros (desprezível essa última), não é nada das pequenas coisas, mas sim, 95% de nosso problema, é nossa produção! Ou seja, conforme a candidata verde constatou, consumimos demais, com destaque para os estadunidenses e europeus. O que ela não chegou a informar é que quase tudo isso que é consumido em excesso são inutilidades! São coisas que ninguém nem desejaria se não fossem produzidas e pior, propagandeadas em excesso! Em outras palavras, são instrumentos de charlatanice. E por conta dessas bugigangas, devemos caminhar para o apocalipse!!??

O problema é, para as economias de mercado essas inutilidades são indispensáveis! Não se pode pensar em parar de produzir nem 2% do que se produz, pois para essas economias isso significa crise profunda, perigo de quebradeira, é inaceitável. Aliás, não se pode nem mesmo pensar, eis como é brilhante o mercado, em conservar os níveis atuais de produção. Eles têm que crescer, só para as economias não entrarem em crise!

Exemplifiquemos: Chegará o momento em que precisaremos tomar medidas como proibir a publicidade de qualquer produto, extinguir os descartáveis, realmente priorizar o transporte coletivo em detrimento dos carros de passeio e essas são somente pequenas, leves, diante do tamanho do problema. Em uma economia de mercado isso resultaria em desemprego em massa, falências, gerando mais desemprego e mais falência, ou seja, seria insustentável. Um governo que tentasse tomar qualquer dessas medidas no Brasil controlado pelos capitalistas cairia antes de executá-la.

Como reduzir a produção sem gerar falências, desemprego, miséria? O Estado obviamente teria que garantir os empregos, e impedir as falências. E mais, teria que garantir que se continuasse produzindo o necessário e se deixasse de produzir sempre o mais supérfluo. Para tanto, teria que socializar as grandes empresas e propriedades rurais. Já nos fizemos compreender – a solução da questão ambiental só é possível colocando fim ao poder dos capitalistas, pois por mais que estes desejem, não podem tomar as medidas necessárias, pois estariam cometendo suicídio econômico. Não é a conclusão a que gostamos de chegar. Gostamos de ter tempo, sobretudo na economia, gostaríamos de uma transição lenta, sem traumas, daí sem guerra civil! Porém, vamos compreendendo porque a história humana tem sido tão cheia de explosões violentas e abruptas... Acontece que o grosso da humanidade só compreende que tem problemas, e que eles têm que ser resolvidos, quando já estão tão grandes, que as providências a serem tomadas são tão traumáticas, que se desencadeia uma dessas tempestades revolucionárias. Ou seja, continuaremos nos organizando devagar anos a fio, sempre pequenos, sempre tentando ensinar as pessoas a levantar a cabeça e seguir um caminho racional, mas elas continuarão em grande maioria de cabeça arriada até suas vidas piorarem de forma insuportável, e ai vão querer resolver tudo correndo, e nós teremos que estar preparados inclusive para essa impaciência infantil (lembrem-se da sorte de Danton).  

Gostemos ou não, não existe melhor maneira de ser verde do que sendo vermelho! 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre os resultados eleitorais dos partidos brasileiros de esquerda ao governo Lula

Acabo de conseguir resultados mais detalhados (mas ainda não o mapa de nossos votos na legenda, que certamente são os mais interessantes), e minha cabeça ainda está fervilhando. Para não fazer uma análise otimista (coisa inútil e anestesiante) tenho que lutar contra a pressão das análises ufanistas e contra minha própria alegria em constatar que afinal a articulação TV-Internet, que era só com o que contavamos, não fracassou por completo, como a princípio imaginei. É como um aparelho novo, um original, que funciona pela primeira vez, obviamente ainda cheio de imperfeições. Já incomodou os adversários, motivando em Minas Gerais seis processos vindos dos advogados de Aécio e Anastásia, em São Paulo um processo vindo de Serra e uma cassação das candidaturas de motivações políticas, conforme se pode ser mais em http://pcb-campinas.blogspot.com/2010/10/nota-da-cpr-sp-sobre-apuracao-de-votos.html .

Então, para nos livrarmos desse otimismo, expliquemos logo: Nossos votos estão espalhados por muito mais cidades do que atingimos com nossos militantes e contatos! Ou seja, o dupla TV-Internet, em conjunto ou não (impossível saber), ampliou nosso leque de ação. Em 60 cidades de Minas Gerais Ivan Pinheiro teve dez ou mais votos e Fabinho teve isso em 87 municípios, um dos candidatos a deputado federal teve quatro quintos de seus votos espalhados em quase 200 cidades, sendo que só enviou material para menos de ciquenta, o candidato ao Senado, Rafael Pimenta, teve mais de cem votos em 27 cidades, em metade das quais o Partido não existe, e quando tivermos acesso aos detalhes dos votos de legenda é bem provável que estejam igualmente espalhados. Os programas de TV se foram, mas a Internet permanece.

Retornemos, porém, à avaliação realista e geral (pois até agora nos restringimos ao nosso Partido, o PCB, para o qual de qualquer forma valeu a pena lançar candidaturas) dos resultados, sem ufanismos nem derrotismos, mas a esquerda não se saiu bem. A direita, que se fez de morta, permitindo até que publicássemos notas desestimulando o voto “útil”, afinal venceu – conquistou o segundo turno, elegeu governadores em São Paulo e Minas no primeiro, e conseguiu criar uma outra terceira alternativa que não a oposição de esquerda, mas os verdes desbotados e atucanados, de forma que o desestimulo ao voto útil não veio para nenhuma das quatro candidaturas realmente de esquerda.

Os votos somados de PSOL, PSTU, PCB e PCO não somaram 1% dos votos válidos, que estão longe de ser todos, pois a abstenção atinge 18% do eleitorado e os brancos e nulos somam 9%, passando a soma de um quarto do eleitorado. Em Minas Gerais, a soma dos votos dos candidatos a deputados desses quatro partidos não dariam para eleger nem um só deputado federal.

Não é suficiente culpar por isso o poder financeiro, contra o qual sempre lutamos em todo o mundo, tendo em alguns lugares e mesmo no Brasil do século XX resultados muito melhores. Essas eleições são sim movidas a dinheiro, mas nossos votos são muito mais baratos que os votos de direita, e qualquer luta política sob o capitalismo, não só a eleitoral, é movida a dinheiro, e essa era a mesma realidade quando explodiram as revoluções proletárias todas desde a Comuna de 1871.

Temos que culpar:

a ) nosso despreparo, nossa falta de recursos, nosso amadorismo, nossa desorganização;

b ) nossa incapacidade de união ou de fechar outras alianças;

c ) nosso discurso voltado para nós mesmos.

Esse último ponto é crucial. Nessa eleição falamos para uma minoria que já pensa como nós, e foi isso que nossos votos representaram. Precisamos colher os ganhos organizativos disso, mas nas próximas eleições precisamos ser mais ofensivos e ousados, ou seja, temos que propor o que precisamos propor, mas de forma concreta, exemplificada, desenhada sempre que possível.

Sem fechar alianças, sem unirmos forças, não precisamos nem lutar. O eleitorado nos puniu por nossa desunião, claramente, pois nossa aliança em 2006 teve 8% dos votos, e nossas candidaturas separadas agora só tiveram 1%. A união nos daria ganhos de escala, além de simpatia do eleitorado de esquerda. A proposta do PCB de uma frente anti-capitalista é uma necessidade indiscutível, mas pode ter o nome que quiser. Parece que a Consulta deseja Assembléia Popular, e certamente o PSTU prefere outro nome, e certas tendências do PSOL também devem ter propostas. Nós devemos aceitar qualquer um. Mas claro, devemos saber que a reedição da Frente de Esquerda, tenha o nome que tiver, e mesmo que aglutine alguns movimentos sociais, ainda é uma aliança muito restrita.

Mas com ou sem união, e por mais que refinemos nosso discurso, sem existirmos realmente no país, sem termos jornais circulando entre centenas de milhares de pessoas, sem estarmos enraizados na sociedade, sem planejamento e preparação bem anteriores, não temos chance nenhuma de fazer nada, pois os eleitores só de Minas Gerais são 14 milhões.

Deixemos portanto a análise das esquerdas em geral de lado e voltemos para o Partido, que precisa partir para uma ofensiva organizativa imediata, colhendo os frutos da campanha. Como toda colheita, se não a fizermos na época certa ela se perde. Ao mesmo tempo, é necessário fazer o trabalho de formação política, de finanças, de propaganda com todos os novos camaradas, e ajudarmos os que estiverem sozinhos em suas pequenas cidades, que é o que Minas mais tem.

Como fazer todos esses trabalhos de uma vez só se ainda nem acabamos de resolver as burocracias eleitorais? Se temos que lutar para que nossos votos sejam divulgados em São Paulo, contra os tucanos que pretendem se reapoderar do país etc.? O que fazer para resolver esses problemas todos?

Temos que fazer nosso jornal. O jornal faz a propaganda, a formação, ajuda dos camaradas isolados em qualquer lugar, é a arma mais significativa em qualquer luta, e se custeará, e quando estiver funcionando bem ainda resultará em finanças para o Partido.

A maneira de existir esse jornal e ele fazer finanças, é o seguinte - Cada célula receberá no mínimo cem exemplares, pelos quais contribuirá com R$ 25,00. A célula que precisar de duzentos exemplares contribuirá com R$ 50,00 e assim por diante. Cada célula escolherá quantos jornais receberá e como arranjará a contribuição, aliás irrisória para uma célula inteira. Assim, enquanto nossa tiragem for de 3 mil exemplares, o Partido ganhará R$ 100,00 por edição. Quando for de 5 mil exemplares, supondo então um gasto de R$ 200,00 com Correio, ainda sobrarão para o Partido R$ 300,00. Quando a tiragem chegar a 10 mil exemplares, o Partido ficará com quase R$ 1.000,00 por edição, enquanto nenhum idiota resolver sufocar as bases com edições em excesso.

Esse é o cálculo para um jornal tamanho A2, ou seja, de uns 43 cm de altura e 63 cm de largura, dobrado ao meio, ou seja, com 4 paginas grandes.

A Internet nos ajudará a fazer esse jornal e esse jornal nos ajudará a divulgar nossas páginas na Internet.

Como se compreende com facilidade, para funcionar um jornal desses as bases terão que reconhecê-lo como o próprio jornal. Por isso, não me atrevo a ditar suas regras editoriais. Aguardo, ao mesmo tempo, artigos e sugestões de regras.