domingo, 30 de outubro de 2011

O fim das eleições diretas e o início da democracia

A Universidade de Brasília está começando a viver o mais importante debate político que permeará todo o século XXI, por mais rápidas que as coisas estejam acontecendo. Trata-se da escolha entre tipos de democracia, ou para agradar os leigos, entre a democracia falsa que vivemos e outro tipo em construção. Por ser a única chave para os problemas de nosso mundo, esse debate é muito mais importante que as eleições de 2012, junto com as de 2014 e também mais importante que a crise econômica mundial que promete gerar maremotos políticos. Na UnB esse debate foi colocado no centro das atenções pela vitória de uma chapa de DCE que propõe o fim das eleições diretas para o DCE e sua substituição pelo poder dos Centros e Diretórios Acadêmicos.

Não é difícil constatar que a farsa democrática dos países "ocidentais" e de imitações espalhadas por todo o mundo se baseia em grandes eleições diretas. Também não é difícil perceber que as revoluções vitoriosas são as que se baseiam em outro tipo de democracia, com participação direta, debates sobre as coisas, e não a enganadora escolha de um chefe. Não há nenhuma regra que impeça os estudantes de jogarem no lixo a democracia ultrapassada dos capitalistas e exercerem um novo tipo de democracia, onde todos podem participar diretamente, a exemplo do que já fazem, desde 2004, na Universidade Federal de São João del-Rei.

Todos sabemos que o poder político em nosso país, assim como em quase todo o planeta, é de uma minoria de capitalistas muito ricos (das 400 famílias que controlam metade das riquezas do globo). Mas é óbvio que esse poder tem que se legitimar. É muito difícil manter um poder sem aceitação de uma boa parte da população submetida, de forma que sempre existiram formas de legitimar o poder. Enquanto funcionou, a argumentação foi religiosa, e hoje foi substituída pela argumentação democrática. Os capitalistas governam porque são eleitos políticos venais, jogando nas mãos dos eleitores a culpa de tudo. São as eleições diretas, portanto, a primeira proteção do capitalismo, sua mais forte defesa, assim como foi a mais forte arma para destruição das conquistas dos povos do leste europeu e da URSS.

Não é fácil explicar isso para o povo, nem mesmo para universitários, quando todos os dias as TVs fazem volumosa propaganda das eleições diretas, do poder do voto etc. Contudo, dar esse tipo de má notícia sempre foi o que diferenciou os revolucionários dos parasitas (carreiristas, corruptos e infiltrados). Sem derrubar o mito das eleições diretas como democracia, não é possível derrotar o capitalismo de forma bem derrubada, portanto, contrariando a opinião pública vigente, temos que fazer esse trabalho. Os ratos nunca têm essa coragem, a maioria vai se esquivar diante da crueza dos debates que virão, e uma minoria vai até adotar o discurso capitalista e defender as eleições diretas.

O momento não é para muita diplomacia - é importante denunciar como nunca o aparelhismo e a corrupção que caracterizam o movimento universitário dos últimos 30 anos, dirigido por eleições diretas. Se alguma força envolvida nesses casos de corrupção se levantar para defender as eleições diretas, deve ser imediatamente denunciada, de forma a ficar claro que esse tipo de "democracia" é o reino dos corruptos.

Sobre a acusação de dissolução do DCE, que será lançada pelas quadrilhas aparelhistas, deve ser respondido que o DCE na verdade vive dissolvido, pois reduzido a comitê eleitoral rotativo entre os partidos, e que agora será ressuscitado.

A argumentação de que o número de votantes foi baixo é hipócrita a olhos vistos, pois esse número sempre é inexpressivo, exatamente porque o movimento está desmoralizado, e está desmoralizado porque é parasitado por partidos ditos revolucionários mas que defendem o poder no modelo capitalista e também roubam como capitalistas.

Já está circulando também a acusação de que essa proposta é anti-partidária, despolitizadora etc., à qual se deve responder que são os próprios partidos que fazem uma constante campanha anti-partidária entre os universitários de todo o país, quando promovem suas sujeiras nas eleições e nas contas das entidades estudantis.

sábado, 29 de outubro de 2011

Estudantes da UNB votam pelo poder dos CAs e DAs sobre o DCE-UNB

Pela primeira vez os estudantes de uma grande Universidade Federal seguem o exemplo da UFSJ. Nas eleições diretas para o DCE da UNB venceu a chapa que propõe o fim dessas eleições e sua substituição por uma direção cujos membros são eleitos, também em eleições diretas, mas por curso, formando um parlamento, que em São João é conhecido como CEB, o Conselho de Entidades de Base, na UFMG é chamado de Conselho de CAs e na UFJF de CONCADA. Em toda Universidade os Conselhos de CAs são a mola mestra do movimento, mas só na UFSJ e agora, se o estatuto for mesmo reformado, na UNB, eles têm o poder oficial no mesmo movimento. Em cerca de outros 200 DCEs impera a eleição direta, e portanto os partidos e as máfias, a corrupção e a traição.

Em Brasília, os organizadores da chapa que propõe o poder das entidades de base são aliados a uma célula da juventude do DEM (ex-PFL), ou seja, reivindicam serem de direita. Que isso não sirva de desculpa para nenhum camarada defender a democracia capitalista contra o poder das entidades de base. As formas de organização política, as regras do jogo político, sejam quais forem, não são neutras. Essa questão não é adiável, nem contornável, nem menos importante que nenhuma outra, mas é sim a questão central, o poder, como ele se organiza, como acontece, com funciona. Em outras palavras, ser comunista é defender o poder organizado como na Comuna de Paris ou como nos Soviets. Não é possível ser comunista e defender que o poder seja organizado como no Brasil, nos EUA, França, Alemanha e países capitalistas em geral.

Deixemos mais claro. O poder capitalista se legitima nas democracias capitalistas em grandes eleições diretas. Quanto maior a eleição em número de eleitores, maior a influencia do dinheiro, portanto menor a democracia em seu significado literal de poder do povo. Defender as eleições diretas como modelo de democracia é defender o capitalismo. Não afirmar claramente que existem formas reais de democracia é deixar de fazer o que tem que ser feito; É dar tempo e combustível aos fascistas e a outros projetos autoritários; É não contribuir em nada para a revolução; É como se Lênin na Rússia tivesse medo de atacar o Tzar em seus jornais.

Certamente, a célula da UJS na UNB, se ainda existir, ou de Brasília, defenderá as eleições diretas, revelando mais uma vez a capitulação do PC do B ao capitalismo. É essencial que o PCB se pronuncie imediatamente a favor do poder dos CAs e DAs e que denuncie o PCdoB logo que ele fizer o favor de defender o indefensável.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ainda sobre a degeneração do PC do B

Com o pipocar de denúncias contra o Ministério dos Esportes, começam a surgir análises lunáticas sobre a degeneração do PC do B. Os fatos escandalosos seriam resultado do stalinismo, ou do maoísmo, da conquista do PCdoB pela AP etc. São somente formas como a esquerda cegueta brasileira tenta se defender, pois são como dizer - isso aconteceu com o PC do B porque eles têm tal matriz política-ideológica, que não é a nossa, portanto estamos imunes.

A degeneração do PC do B, como está explicado no artigo abaixo, tem raízes bem materiais, na sua história dos últimos 25 anos. A sua militância juvenil, a UJS, é treinada nas mesmas práticas agora descobertas no Ministério dos Esportes, no exercício do domínio sobre cerca de 200 DCEs, as UEEs e a UNE. Então, treinados nisso há duas décadas, não podiam fazer outra coisa! Eles podem até ter uma formação socialista teórica, mas o que eles sabem fazer mesmo, a prática deles, é essa ai que agora os jornais burgueses denunciam, e é capitalista.

Claro que se entra nesse caminho como se cai em uma armadilha. A influencia nas universidades é a grande fonte de vitalidade do PC do B, então seus militantes se empenham em mantê-la. Manter essa influência, desde o fim da ditadura para cá, se converteu em vencer todos os anos centenas de grandes e caras eleições diretas. De onde então pode vir o dinheiro? Vinha, antes do governo Lula, do próprio movimento, uns DCEs financiando as campanhas eleitorais para outros, assim como Congressos de UEEs e da UNE, e vice-versa, em um círculo de corrupção. Como as eleições e congressos acontecem o tempo todo, a militância acabava reduzida exclusivamente a esse "trabalho", que seria, na cabeça deles, revolucionário, pois corresponderia a uma acumulação de forças !?!?!

Trata-se de uma opção tática predatória, que está longe de ser exclusividade do PC do B.

Vejam só, camaradas, ao que ela leva - Nesses 30 anos o PC do B não conseguiu construir quase nada, e com esse escândalo pode perder mais da metade de tudo o que conseguiu com essa tática.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

PC do B - A degeneração desde os DCEs até o Ministério dos Esportes

Não era correto analisar o fracasso de meus antigos camaradas antes que as provas aparecessem, o que aconteceu hoje, quando se descobriu que uma ONG controlada pelo PC do B e presidida pela esposa do ministro dos esportes recebeu verbas do próprio ministério dos esportes. A denúncia do PM que foi filiado ao PC do B e esteve preso por corrupção pode não ter sido ela própria provada, mas abriu investigações que encontraram essa e logo encontrarão outras irregularidades inexplicáveis.

Sim, sei que encontrarão, embora já não seja do PC do B desde 2004 e esteja afastado especificamente desses ex-camaradas hoje enlameados no Ministério dos Esportes desde o século XX, porque assisti parte da degeneração dessa organização e posso calcular por alto a sua trajetória.

O PC do B, com enfase nessa ala do movimento estudantil, que controla o Ministério dos Esportes, se degenerou aparelhando os Diretórios Centrais de Estudantes, as Uniões estaduais e a União Nacional dos Estudantes. Claro que é possível um militante aparelhar uma entidade e não se corromper por isso, mas não é possível fazer isso a vida toda e não se corromper, muito menos para uma organização.

Marx, há 150 anos, já percebia que a prática diária tinha enorme papel na formação das pessoas, pois era essa a sua explicação para o papel que a classe operária então já conquistara na história - os operários eram mais unidos e disciplinados que os demais trabalhadores devido às suas condições de trabalho e vida. Os trabalhadores são disciplinados pelo trabalho diário nas industrias, mais do que por qualquer pregação a favor da disciplina, são unidos e desunidos igualmente pelas condições materiais em que se encontram, mais do que por qualquer sermão.

Hoje, não só o PC do B, mas grande parte da esquerda brasileira, tenta formar revolucionários em uma prática diária de carreiristas e corruptos. Um moleque entra em uma organização dita revolucionária com intenções revolucionárias e recebe a tarefa de "tomar" essa ou aquela entidade, para usá-la como "aparelho" para "tomar" outras entidades, em um círculo infinito. Alega-se que isso é acumular forças!

Onde estão as forças acumuladas pelo PC do B e por todos os outros partidos ditos revolucionários desde que adotaram essa estratégia predatória na década de 80 do século XX ? Elegem sequer um deputado federal sem os votos do PT ? Onde estão os jornais, as revistas e livros, as livrarias ? A imagem ao menos melhorou ? O que melhorou ? Em que as organizações revolucionárias se fortaleceram ? Em que o povo trabalhador se fortaleceu, a não ser com as experiências de fracassos ?

A estratégia de acumular forças pelo parasitismo dos movimentos sociais fracassou, só faltando mesmo para coroar tal fiasco o escândalo envolvendo o PC do B na corrupção do Ministério dos Esportes. Note-se que as acusações que manchavam o PC do B não eram provadas, o aparelhamento da UNE era até então somente um argumento político. A prova de corrupção no Ministério dos Esportes eleva esse argumento a fato publicamente reconhecido. O PC do B está reduzido a uma quadrilha perante a opinião pública.

Mais do autor sobre o assunto: Reflexões sobre 5 anos de política estudantil.

sábado, 22 de outubro de 2011

A "Doutrina Obama"


Os meios de comunicação estadunidenses estão comemorando o assassinato de Muamar Kadafi e definindo-o como um sucesso da "Doutrina Obama". A foto acima define bem do que se trata essa "doutrina".

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

São João del-Rei para o Povo Trabalhador - Reunião

Está marcada para essa Quarta-feira, dia 19 de Outubro, 17 horas, no Sindicato dos Metalúrgicos, próximo à rodoviária nova, uma reunião onde estarão presentes representantes do PSTU, do PSOL, do PCB, da Consulta Popular, das Brigadas Populares, anarquistas, socialistas sem partido etc.

Chegou o momento das pautas práticas, como a definição de um calendário, decisões sobre a sede e sobre publicações.

A reunião é aberta, como sempre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sobre os expurgos no PDT e no PTB de São João del-Rei

Quase ninguém sabe, mas dadas as leis eleitorais atuais, e suas regulamentações atuais, estamos na época em que os candidatos de 2012 têm que ser filiados, sob pena de não serem candidatáveis. Eis o contexto do que se deu com o PDT e o PTB. Como a maioria do partidos na maioria das cidades do Brasil, eram Comitês Provisórios, existentes por vontade das respectivas direções estaduais, e estas agora, na época de tomar essas decisões, entregaram suas siglas, bandeiras e números a outros cidadãos.

Quem passar por esses dias meia hora dentro de um cartório assistirá cenas lamentáveis de degradação humana, porque as coligações, jogando o jogo conforme suas regras, precisam lançar o maior número possível de candidatos. Para isso elas apelam para qualquer expediente, para qualquer tipo de candidato, mesmo para os que não sabem nem o que significa a sigla em que se filiam, ou a que usaram nas eleições passadas. Quanto mais candidatos lança uma coligação, é quase certo que terá mais vereadores, pois a eleição de parlamentares, a despeito do que entendem os eleitores, é partidária e proporcional, ou seja, cada coligação tem exatamente a porcentagem de vereadores que tem de votos válidos. Os eleitores, saibam ou não, gostem ou não, votam nas coligações.

As siglas partidárias, então, se tornam de extrema importância, uma vez que a lei impede a participação nas eleições para quem não é filiado e lançado por um partido. Como cada coligação só pode ter de candidatos, no máximo, o número de parlamentares mais 50%, os candidatos mais fortes à prefeitura precisam de mais partidos além daquele em que são filiados, para formarem mais de uma coligação para as eleições de vereadores. Não é a toa, é muito normal vencer as eleições o candidato a prefeito que tem mais candidatos a vereadores na sua base. Os partidos são então disputados a tapa, junto às direções estaduais.

De fato, o único canal de participação ativa na política eleitoral brasileira é o partidário, que está longe, como se nota pelo exemplo do PDT e do PTB de São João del-Rei, de ser democrático ou mesmo aberto. A proposta da rede Globo (ou seja, a proposta oficial dos bandidos que dominam o país) contudo é reduzir ainda mais esse canal de participação, extinguindo partidos e dificultando a vida dos partidos pequenos. Dizem, e basta que digam para que milhões de imbecis repitam, que existem partidos demais ! Ora, se com a quantidade que são já não são suficientes, sendo disputados com todo tipo de baixaria, como será se forem reduzidos?

A proposta capitalista (a da Globo e repetidores), é assustadoramente inábil. Em primeiro lugar, ela coloca para fora do jogo politico oficial a maioria das pessoas, obrigando-as a buscarem outros caminhos. Em segundo, ela só deixaria atuando os grandes partidos, que são exatamente os mais atingidos por dezenas de denúncias de corrupção. Talvez o objetivo seja o futuro estabelecimento de uma ditadura, regime mais ao gosto dos ricos, mas não é um plano inteligente, ajudar a desmoralizar um regime em que se tem hegemonia para tentar estabelecer um regime em que se tem mais poder ainda, parece um tiro no pé.

A nós comunistas cabe assistir e aproveitar ao máximo. Já chega de sermos nós, os maiores inimigos do capitalismo, os principais defensores da democracia capitalista. Nossa democracia é outra, verdadeira, soviética, completamente diferente da sujeira eleitoral.

domingo, 9 de outubro de 2011

A Rússia 20 anos depois da dissolução da URSS

A Rússia ocupa hoje o posto de primeiro país do mundo em número de suicídios de pessoas da terceira idade! Não é a toa, são esses russos que hoje estão na terceira idade que deixaram a URSS cair e são portanto corresponsáveis pela seguinte situação - A Rússia ocupa o primeiro posto também em:

- Origem do tráfico escravos;
- Suicídios de crianças e jovens;
- Enfermidades psiquiátricas;
- Crianças abandonadas pelos pais;
- Consumo de álcool e mortes por consumo de álcool;
- Em número de crianças que fumam;

- Em mortes por doenças cardio-vasculares;
- Em acidentes de trânsito;
- Em acidentes aéreos (13 vezes mais que a média);
- Em perda de população !!!


Ocupa o segundo lugar em:

- Número de assassinatos per capita;
- Em número de jornalistas assassinados nos últimos dez anos;
- Em número de pessoas que deixam o país;
- Em quantidade de burocratas;
- Em quantidade de presos per capita (perdendo só para os EUA).

Ocupa o terceiro posto em:

- Pornografia infantil;
- Difusão de seitas religiosas;
- Roubo de veículos;
- Produção de derivados de tabaco.

Em desenvolvimento tecnológico o país que lançou os primeiros satélites e fez avançar a corrida espacial caiu nesses vinte anos para a posição 62.

Em nível do gasto do Estado com os habitantes é o 72.

Em indicadores de saúde da população está na posição 127.

Esperança de vida entre os homens - posição 134.

Direitos e liberdades políticas - 159.

Em resumo, a contra-revolução foi uma tragédia social só comparável à peste negra. Os coitados que se deixaram enganar por ela estão pagando, por essa fraqueza, um preço exagerado, e rápido!

Fonte: http://josafatscomin.blogspot.com/ , cuja fonte foi  http://kprf.ru/crisis/edros/97554.html .

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ascenso de lutas na cidade de São João del-Rei


Por Petterson Ávila Corrêa
 
A cidade de São João Del Rei nos últimos sete meses do ano de 2011 foi palco de uma série de protestos. Foram mais de 10 manifestações ocorridas entre diferentes lugares: nas ruas, na câmara de vereadores, na prefeitura e na universidade. Só de agosto a setembro ocorreram seis manifestações populares promovidos por estudantes, professores, servidores públicos municipais e federais, trabalhadores industriais e outros. Numa cidade extremamente conservadora aonde predomina um forte clientelismo político e uma religiosidade (católica e evangélica) com práticas ainda muito retrógadas do ponto de vista da luta pelos direitos sociais, podemos dizer que as manifestações sucessivas ocorridas na cidade não foram pouca coisa. Além disso, coloca-se outro problema crônico: as principais mídias locais (jornais impressos, rádio e televisão) sempre a serviço de partidos e elites tradicionais da região, cumprem o papel histórico de “invisibilizar” as lutas dos movimentos sociais. 

De um modo geral, as manifestações foram relacionadas às reivindicações por uma democracia mais participativa, respeito às liberdades estudantis na universidade, melhores salários e condições de trabalho nas indústrias, respeito aos animais, melhorias no transporte público e luta por respeito e direitos sexuais. Vamos iniciarmos pelos acontecimentos que ocorreram no inicio do ano.

No inicio do primeiro semestre uma série de segmentos sociais (partidos políticos, associações de bairros, movimentos estudantis, sindicatos e cidadãos sem entidades) passaram por um processo de unidade importante por meio da chamada “Assembleia Popular do Campo das Vertentes” que teve papel fundamental na articulação de segmentos diversos da sociedade sanjoanense para discutir os problemas da cidade (transporte, privatização da água etc.), para fazer questionamentos. Uma delas foi à elaboração de um panfleto intitulado “Até aonde vai essa covardia” distribuído na cidade, protestando contra o monopólio da empresa de transporte público da viação Presidente que teve concessão da prefeitura para prestar serviço por mais 15 anos. Além disso, as reivindicações giraram em torno do péssimo serviço que é prestado, como passagem cara e que não atende a demanda de horário dos estudantes e dos trabalhadores. Infelizmente, por motivos que não cabe tratar aqui, a Assembleia Popular não conseguiu dar prosseguimento ao seu importante papel de unir os movimentos populares da cidade no segundo semestre.
Outro acontecimento que chamou a atenção da sociedade sanjoanense, foi uma série de protestos que aconteceu e vem acontecendo na Câmara de Vereadores. Em março, estourou uma grande polêmica quando um estudante protestou (junto com outros cidadãos ligados a movimentos sociais) contra o autoritarismo do presidente da Câmara (que é gerente do monopólio da viação Presidente) que cerceou o direito de fala de uma vereadora com mandato popular. Em virtude do protesto, uma apoiadora do presidente da câmara descontente com a manifestação do estudante veio a atingir o estudante com algumas bolsadas e até cadeirada. A sessão foi encerrada e virou caso de policia. Tal fato caiu em emissoras nacionais e causou grande repercussão na cidade. Numa outra sessão da câmara sequente, o estudante, ao protestar novamente com outros cidadãos contra o autoritarismo do presidente que não tomou providências quando a agressão física sofrida na reunião da câmara passada foi retirada pela polícia a pedido do presidente da câmara, e o estudante foi processado no Ministério Público Estadual.  Ver vídeo da agressão no:http://www.youtube.com/watch?v=5Hysaqf9RXg e http://www.youtube.com/watch?v=3alpiMsYUVY&feature=related.

Outra polêmica na câmara, que ganhou também grande repercussão na região, foi o fato de uma vereadora que descontente com a negligência do poder executivo quanto à falta de providências aos animais soltos na rua, disse que a solução era fazer uma lei para matar animais que tivessem soltos. Tal questão caiu também em emissoras nacionais e causou grande alarde na cidade. O pronunciamento da vereadora (que a principio foi mais um ato de indignação do que propriamente fazer uma lei para matar animais) despertou a ira da Sociedade Protetora dos Animais do município e de outros cidadãos, que superlotou a câmara de vereadores, inclusive com cachorros, reivindicando melhores tratos para os animais de rua. Tal questão resultou em protestos na rua e na construção de uma audiência pública posteriormente, com o intuito de fazer uma constante cobrança ao poder executivo quanto aos problemas dos animais soltos. Há de registrar ainda, outro acontecimento importante dessa Sociedade Protetora: ela protestou junto com outras entidades para pressionar o executivo (mas sem sucesso), a cumprir a Lei municipal Nº 4.217 de 30 de junho, 2008 que proibi o rodeio na cidade. Ver vídeo dos protestos no:http://www.youtube.com/watch?v=t6uNgKV4Oz4http://www.youtube.com/watch?v=IYNfC40Llho&NR=1 e http://www.youtube.com/watch?v=EURIA0k4e0Y&feature=related.

Outro acontecimento importante na câmara foi à manifestação do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), no dia nacional e mundial da luta contra a homofobia, em maio. Protestaram contra o preconceito e cobrou do município e da câmara políticas públicas que realmente atendam os direitos do movimento. Outra manifestação importante desse segmento que ocorre todos os anos na cidade é a Parada Gay das Vertentes, que vem crescendo a cada ano. Ver vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=-L9Sil9dLhU ehttp://www.youtube.com/watch?v=ORfC1l6M75o.

Atualmente (mês de setembro e outubro), a polêmica na câmara diz respeito ao aumento do número de cadeiras no legislativo municipal (de 10 para 13). Muitos cidadãos estão comparecendo na câmara (isso é raro), para protestar (influenciado notadamente pela mídia) contra o projeto que aumenta o número de vereadores. O baixo nível de atuação da maioria dos legisladores atuais tem causado muita indignação da população e de várias entidades sociais.

Outro local que ocorreu protestos importantes no primeiro semestre foi na UFSJ – Universidade Federal de São João Del Rei. Uma mudança de estatuto que prejudica a autonomia do DCE – Diretório Central dos Estudantes – de escolher seus representantes discentes para o CONSU – Conselho Universitário – desencadeou protestos ferrenhos em tal conselho que votou por quase unanimidade a favor do projeto. No dia da votação final da mudança de estatuto, a reitoria colocou muitos guardas na porta do conselho, aonde, por muita pressão do alunado, o reitor foi obrigado a aceitar a entrada dos alunos no conselho. Houve uma série de protestos mais intensos dentro e fora do conselho universitário, quando o presidente do conselho (que é o próprio reitor) colocou o projeto em votação e o aprovou sem consultar os conselheiros, e foi embora rápido para evitar protestos sobre ele. Esse acontecimento ficou conhecido e divulgado com a frase “o reitor é um trator”, pelo fato dele ter atropelado as votações e sair correndo do conselho. 

Acontecimento importante também relacionado à universidade foi o ato público realizado no final de agosto promovidos pelos estudantes, servidores técnicos (que estavam em greve), e professores, a despeito das reivindicações salariais das duas últimas categorias supracitadas. Esse ato também teve apoio do SINDMETAL – Sindicato dos Metalúrgicos de São João Del Rei – que aproveitou o ato também para fazer reivindicações trabalhistas. Os estudantes da universidade também aproveitou o momento para protestar contra o transporte caro e precário do município, e reivindicou da universidade o ônibus intercampi gratuito para os estudantes. Esse ato foi muito importante e inusitado do ponto de vista da unidade entre diferentes setores (estudantes, técnicos, professores e sindicalistas da metalurgia), que chamou a atenção de boa parte da cidade sobre os problemas que estão vivendo. Partes das reivindicações dos técnicos e dos professores foram atendidas pelo governo federal.

Manifestação importante ocorrida em agosto também foi a dos servidores municipais (em greve) que reivindicaram aumento salarial ao prefeito. Essa categoria fizeram alguns protestos no Centro da cidade e na câmara de vereadores, e num desses protestos, chegaram a ocupar a prefeitura por algumas horas para tentar negociar com o executivo. Depois de algumas semanas, tiveram parte dos seus direitos atendidos. 

Outro protesto de cunho municipal importante foi à manifestação dos professores municipais que reivindicou do prefeito eleições diretas para diretores nas escolas do município. O cargo de diretor das escolas do município é ocupado por indicação do prefeito. Os educadores percorreram as ruas do Centro da cidade fazendo fortes criticas ao prefeito que não queria abrir o diálogo para as negociações. Eles foram até a porta da prefeitura e tiraram uma comissão para irem até ao gabinete do prefeito para solicitar uma reunião. Foram atendidos. Posteriormente, depois de muita pressão e ameaças de greve, os educadores municipais conseguiram conquistar parte de suas reivindicações. Ficou acordado que em três escolas o prefeito ainda continuaria a indicar nomes para as escolas, e nas outras teriam eleições diretas.   

No dia 06 de setembro ocorreu outro protesto nas ruas do Centro da cidade. Dessa vez, a manifestação foi de alguns sindicatos da região, coordenado pelo SINDMETAL. Os questionamentos principais que permearam o protesto estavam relacionados a campanhas salariais e a questão da saúde do trabalhador. Tal manifestação, apoiado também por estudantes e técnicos da UFSJ, encerrou-se em frente ao Campus Santo Antônio da UFSJ, em solidariedade a lutas dos técnicos da universidade que estavam em greve. 

No dia 07 de setembro ocorreu como acontece todos os anos, o Grito dos Excluídos que percorreu do bairro Matosinhos ao Centro da cidade. Só que dessa vez, o Grito contou com a participação massiva dos estudantes da UFSJ que fizeram intensos protestos contra o aumento abusivo da passagem de ônibus no município, e manifestaram também a respeito de um acordo entre a reitoria da universidade com a Empresa de Transporte Presidente que não levou em conta as necessidades reais dos estudantes que queriam transporte gratuito e não apenas meio-passe para algumas dezenas de estudantes. Além disso, o protesto teve também, o objetivo de chamar a atenção da reitoria da universidade quanto ao processo de negociação entre uma comissão de estudantes e setores da reitoria que estavam discutindo a aquisição de um ônibus intercampi para a UFSJ. Mas de uma hora para outra, a reitoria fechou um acordo com a empresa de transporte público do município desconsiderando totalmente o que estudantes reivindicavam. Isso foi o estopim para mais uma crise dos estudantes com a reitoria que vem fazendo um longo processo de reivindicação pelo ônibus intercampi. Ver vídeo no: http://www.youtube.com/watch?v=8qCCp3s_edg e http://www.youtube.com/watch?v=FTkNi415cLU

Nesse processo de reivindicação dos estudantes pelo intercampi, foi realizado no dia 23 de setembro um protesto de bicicleta (chamado de bicicletada) com o tema NÃO VÁ DE PRESIDENTE, VÁ DE BIKE, em repúdio ao aumento abusivo da passagem pela viação Presidente. Além disso, a manifestação foi para pressionar a universidade a atender a demanda dos estudantes.  Gritos de ordem como: “Há, eu já falei, vou repetir, o intercampi vai ter que sair” permeou o protesto. Foi cobrado também na porta da prefeitura, melhorias na conservação da única ciclovia da cidade que se encontra em pleno estado de abandono, e mais incentivo do poder público ao transporte alternativo na cidade, já que o caos no trânsito por veículos motorizados são cada vez mais crescentes. Essa manifestação dos estudantes teve desfecho dentro do Campus Santo Antônio da UFSJ.
 
 FRENTE “SÃO JOÃO DEL REI PARA O POVO TRABALHADOR”
 
Alguns partidos políticos da cidade (PSTU, PCB e PSOL) em conjunto com outros grupos políticos como a Consulta Popular, Brigadas Populares e mais a participação de estudantes, professores e outros cidadãos, estão organizando uma frente de luta para participar das eleições municipais de 2012. Com o lema “São João Del Rei” para o povo trabalhador”, a frente organiza-se cada vez mais com o objetivo de construir um projeto popular junto às classes trabalhadoras. Além disso, a frente tem o objetivo também de denunciar os desmandos políticos tão enraizados na cidade fundamentados ainda num forte clientelismo. Mediante ao quadro lastimável que se encontra a politica sanjoanense, a frente entende que é necessário construir uma nova alternativa para os sanjoanenses, um projeto de administração que insira o povo no controle social da coisa pública. Mais do que participar das eleições, a frente pretende também continuar a construir a sua politica e defender suas bandeiras de luta independente de eleição.
 
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Esses são os relatos das lutas que a cidade de São João Del Rei vem vivendo no ano de 2011. Certo de que há muito que fazer, pois infelizmente as maiorias das lutas do povo se encontram fragmentadas e desprovidas da proposta de construir outro projeto de sociedade com mais justiça e controle popular, não podemos negar que uma cidade extremamente conservadora no que tange a política das (igrejas, universidade, escolas, os poderes legislativo, executivo e judiciário), tenha tido uma ascensão, ou melhor, um progresso no sentido de compreender que uma sociedade, só pode melhorar quando o povo se levanta contra tudo aquilo que fere a sua dignidade.
07 de outubro, 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Manifesto dos ex-militantes do PDT de São João del-Rei


A direção do PDT estadual destituiu, sem dar satisfações, a Comissão provisória do partido em São João del-Rei, nomeando para substituí-la, cidadãos não comprometidos com o partido - seus ideais e princípios - jogando para escanteio, companheiros de primeira hora filiados ao partido há mais de trinta anos e fundadores do partido na cidade. O motivo é que o PDT com aquela direção, por uma questão de coerência e princípios, não apoiaria  o atual prefeito nas próximas eleições. Muitos de seus membros atuam há mais de 4 anos em um movimento contra a corrupção pois fundaram uma ONG para tal fim.  O atual prefeito está condenado em 1ª instância e  permanece no exercício do mandato em virtude de liminar judicial. Tem mais de 30 processos na Justiça. O PDT local, desde sua fundação, jamais foi sigla de aluguel e sempre pautou e se espelhou nos ideais e disposição de luta deLEONEL BRIZOLA . A sigla a nível municipal jamais foi usada para acordos que favorecessem indivíduos ou grupos que viessem  ferir o interesses maiores da gentesãojoanense.
           Os insucessos eleitorais ocorreram porque não se curvaram aos costumes de comprar votos, que vai desde fornecimento de caminhões de areia, cascalho, intermediação na marcação de consultas e exames pelo SUS, distribuição de cestas básicas, fornecimento privilegiado de medicamentos do SUS, dentaduras, dinheiro, nomeação para cargos comissionados fantasmas e outros procedimentos que merecem investigações dos órgãos competentes.
           Nas eleições municipais passadas, os vários candidatos dividindo os votos contrários ao atual prefeito, contribuíram para sua eleição. Agora, querem recriar montagem eleitoral semelhante. Os estrategistas políticos do atual prefeito e de outros partidos envolvidos, não consideraram os motivos que geraram 15 mil votos nulos e brancos, uma forma de protesto e recado aos partidos políticos, pela má qualidade dos candidatos. Persistindo o esquema que estão montando, poderá haver mais de 50% de votos nulos e brancos em sinal de protesto pela má qualidade dos candidatos e falta de responsabilidade dos dirigentes partidários em levar a sério os anseios da gente sãojoanense.
            Suspeita-se que a destituição da Comissão do PDT atendeu a conluios de mesa derestaurante ou gabinete, envolvendo políticos de vários partidos, afastando companheiros leais, partidários, sem qualquer explicação, como recomenda as normas de relacionamento entre pessoas e no caso, entre correligionários, como se os membros do PDT de São João del-Rei fossem impostores, vacas de presépio, bonecos fantoches ou moeda de trocapara serem manuseados ou negociados ao bel prazer de interesses pessoais e inescrupulosos.
             A maioria dos pedetistas locais, também por coerência, princípios e alguns por fazerem parte da ONG para combate a corrupção, também não apoiaram certo candidato a deputado federal, suplente e originário do DEM, porque conforme divulgado pela mídia, estava condenado em 2ª instância, e pela Lei Ficha Limpa, não poderia candidatar-se, mas conseguiu liminar para tal. Fez campanha milionária, mesmo com  o apoio do prefeito, conseguiu apenas 2.500 votos num total de 60 mil eleitores.
              A direção estadual do PDT justifica a destituição da Comissão, em razão dos votos que aquele candidato obteve, dando-lhe o direito de indicar os membros da nova Comissão, que são cidadãos não afinados com os princípios pedetistas, que os recomende para a direção partidária: trabalham no gabinete do prefeito, outro foi ex - secretário e amigo particular do ex-prefeito e dono de empresa de projetos trabalhando para a prefeitura, outro funcionário do DAMAE.
              A destituição da Comissão do PDT, foi irresponsável, danosa ao  partido, diminui a atividade política, envergonha a democracia.                                                                        
               Apoderam-se da legenda, mas a militância não acompanha!

É possível enganar parte do povo todo o tempo, é possível enganar parte do tempo, todo o povojamais se enganará  todo o povo todo o tempo” (Abraham Lincoln)