domingo, 31 de outubro de 2010

Contra a reedição petista da censura

É crescente a diferenciação entre o PCB e o PCdoB, como o prova a proposta feita pelo deputado estadual do PCdoB de Minas Gerais de criação de um Conselho para controlar a imprensa no estado. A questão é de tal importância que exige uma análise passo a passo.

A realidade da imprensa brasileira

A chamada "liberdade de imprensa" é no Brasil "liberdade de empresa", é a liberdade que os capitalistas se dão de usarem fortunas para repetir mil vezes na cabeça de todos as versões dos fatos conforme lhes interessa. É um fato enfim confesso pelo até então escorregadio Lula, que irritado com os ataques de toda a grande imprensa à sua candidata, afirmou em alto e bom som que a imprensa brasileira é "controlada por meia dúzia de famílias".

Essa é, deve-se saber, a realidade da imprensa em qualquer país capitalista, e é obviamente um pilar indispensável da manutenção do Estado capitalista e portanto dessa forma de penar.

A "solução" petista

Diante dessa realidade, o PT, que nunca chega nem perto da raíz de nada, mais uma vez resolveu tentar um paliativo, e mais uma vez horrorizou as pessoas sensatas com uma proposta monstruosa e, sinceramente, imbecil. A idéia genial, pela qual se pretendia resolver o problema do monopólio dos ricos sobre a imprensa sem retirar dos ricos o controle da imprensa, é um Conselho Nacional das Comunicações, controlando essa imprensa de cima para baixo!!?? Mas não, segundo os "inventores" de tal "novidade" não se trata de censura, não, de forma alguma. É um grupo de pessoas, que decide coisas sobre toda a imprensa de um país ou de um estado, e não é censura!!?? Como não? Não é censura porque ao invés de composto por fascistas é composto por socialistas e petistas de diferentes matizes? Não é censura porque tem origem e composição democrática? E democrática quanto? Democrática como?

Reeditar a censura é uma vergonha e uma burrice. Logicamente, a idéia será bombardeada até a completa derrota. E nós, comunistas, como sempre, estaremos na linha de frente do combate à censura.

A solução democrática

Nossa solução para a imprensa brasileira é outra, nós lutamos pela democracia da imprensa, começando pelas TVs e rádios estatais, que devem ser modelos, estendendo-se a toda a imprensa. A imprensa é um poder público, não pode ser monopolizada por uma minoria rica, tem que ser democrática, ou seja, dirigida pela população que é por ela atingida.

Como todo poder público, a imprensa deve ser dirigida pelo povo e seus representantes, não por donos. Não há como chegar a esse objetivo sem começar dando o exemplo com as TVs e rádios públicas. Por diferentes métodos, começando pela democracia digital (decisões diretas dos telespectadores na Internet) até a ampliação e composição representativa dos Conselhos Editoriais. A palavra "representação" exige explicações práticas - Para nós os modelos de representação são a Comuna de 1871, os Soviets, as eleições cubanas etc., que são diferentes entre si. O que têm em comum? A possibilidade de revogar mandatos, presente em todas. O fato de nenhum desses parlamentos ser composto por profissionais e de nenhum parlamentar ganhar gordos salários. Serem eleitos os representantes em pequenas eleições, entre pessoas que moram ou trabalham ou estudam nas proximidades. Serem eleições sem dinheiro!

Propomos uma estrutura: Devem existir programações locais das TVs e rádios públicas, então devem ser criados Conselho Editoriais locais (e não como é hoje, que um chefete político qualquer em São Paulo decide o que vai ser veiculado sobre todas as regiões do país), absolutamente sem nenhuma remuneração ou ajuda de custo, representativos, ou seja, formados por universitários de cada curso, trabalhadores de cada categoria ou empresa, estudantes e professores de cada escola, representantes dos oficiais e dos praças de cada Força etc., ou seja, um grande parlamento. Esses Conselhos locais podem ser o colégio eleitoral dos representantes dos Conselhos Editoriais que devem decidir sobre as programações estaduais e nacional. Os representantes desses Conselhos Editoriais devem receber as passagens e ajuda de custo realmente necessária para as reuniões, que devem ocorrer em finais de semana. Como é óbvio, toda a direção das TVs e rádios públicas devem passar à direção desses Conselhos, e os os Conselhos nacional e estaduais não devem interferir nas programações locais.

Está ai uma proposta barata e democrática (que obviamente não é invenção minha) de direção para os meios de comunicação de propriedade pública. Em um país capitalista, antes de realizar a democratização dos meios estatais de comunicação, o Estado falar de criar Conselhos para controlar todos os meios de comunicação, mesmo prometendo que esses conselhos serão realmente democráticos (ao contrário do que prova a experiência), parece piada de mal gosto, pois é propor a censura falando de democracia.

Democratizar a imprensa estatal nos moldes que propusemos não é mais difícil que controlar a imprensa por meio de censura, e de forma muito menos autoritária.

Propomos ainda algo mais fácil ao governo, que combateria o monopólio capitalista da imprensa sem precisar dessa proposta suicida de reeditar a censura. O Ministério das Comunicações pode simplesmente liberar que os sindicatos dos trabalhadores, organizações dos universitários etc. tenham rádios e TVs locais. Antes de dar essa liberdade, que já quebraria o monopólio capitalista, falar de criar conselhos para controlar, é obviamente uma postura autoritária.

sábado, 30 de outubro de 2010

Chapa para o DCE UFMG defende adotar estatuto do DCE UFSJ

Foi registrada ontem a chapa "Todo poder aos DAs e CAs" concorrendo às eleições do Diretório Central dos Estudantes da UFMG. A única proposta dessa chapa é um novo estatuto, nos moldes do adotado pelo DCE-UFSJ em 2004, no qual as entidades de base, Diretórios Acadêmicos e Centros Acadêmicos, passam a controlar todo o DCE, retomando um poder que a Ditadura (1964-1985) lhes usurpou.

É pena que os partidos políticos não gostam dessa proposta! Somente o Partido Comunista Brasileiro - PCB - está na chapa com os estudantes que querem libertar o DCE-UFMG do "aparelhamento". A Consulta Popular preferiu montar uma chapa com o PCR, o PSOL e o PSTU montaram outra chapa, a UJS e o PT são a chapa situacionista, o PSDB montou uma chapa e estudantes da Engenharia montaram uma chapa que pelo nome parece ser só para fazer festa.

Continuaremos dando notícias.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

França - o governo contra a maioria

Sete em cada dez franceses são contrários à reforma que o governo francês aprovou hoje! O povo que tem a fama de ser o mais culto do mundo, que ostenta o maior número de livros lidos por ano, que gosta de passear em museus e galerias de arte, não consegue mandar no próprio país sob uma democracia semelhante à que temos nos Brasil (na verdade um pouco melhor, pois os franceses não aturariam a concentração de poder que abandonamos aos nossos presidentes, governadores e prefeitos). O mundo todo está assistindo, o povo francês nas ruas, lutando contra um aumento de dois anos na idade para aposentadoria, repetindo a todo o momento ao governo que 7 em cada 10 são contra o tal aumento. Mas o mundo todo também assistiu, hoje, que o povo francês não manda na França! A maioria dos deputados e senadores têm outras vontades, outras idéias, outros senhores!

De fato é assim em todo pais capitalista, e esse tipo de democracia louvada em verso e prosa pelos capitalistas (Rede Globo, Veja, Estadão, Estado de Minas e outros partidos de direita) sempre legitima o poder dos ricos fazerem o que é contra os interesses da maioria das pessoas. Se as pessoas decidissem diretamente sobre as coisas, nesse exemplo francês o dinheiro teria que sair da minoria rica, nunca da maioria trabalhadora, e no Brasil teríamos saúde, educação, empregos etc., enquanto escolhendo somente as pessoas para mandar e lhes cedendo o poder de fazer o que bem entenderem, o que temos, sempre, é o contrário da vontade do povo.

Outra coisa em que os franceses devem estar pensando é porque não têm o direito de substituir esses deputados e senadores que votaram contra a opinião de seus eleitores? Se um advogado não faz o que esperamos que faça, nós o despedimos e contratamos outro. Se não fosse assim, seríamos roubados e traídos na maioria das vezes que precisássemos de um advogado. Os deputados e senadores deviam ser advogados de seus eleitores, mas como não podem ser demitidos...

Deve-se notar que o exemplo francês liquida o argumento idiota de que o problema da democracia brasileira é que "o povo não sabe votar", pois se o povo tido como mais culto do mundo também não consegue fazer a mágica de transformar a eleições de pessoas em democracia, o nosso não vai conseguir nem em mais 500 anos. Não é o povo que é ruim (mesmo que seja) é o sistema político capitalista que não presta, para qualquer povo!

A França é a terra da Comuna de Paris. Nesse momento em que a democracia capitalista se desmascara, é hora de pensar em uma democracia superior, é tempo de pensar nos Comunards.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eleições pegam fogo no Brasil - Eleitor de Dilma é assassinado e Serra é ferido em confusão no Rio de Janeiro

Em uma rápida passada de olhos pelas notícias do twitter descobri essas duas notícias desagradáveis. Uma pessoa foi morta no Acre por sua opção eleitoral, e no do Rio de Janeiro aconteceu uma pancadaria entre militantes dos dois candidatos a presidência da República na qual um dos candidatos, o que executava as privatizações no governo FHC, foi ferido na cabeça (já passa bem). Isso há 11 dias da eleição! Era mesmo de se esperar esse tipo de coisas desse segundo turno extremamente tenso, em que os capitalistas mais ligados ao capital estrangeiro se acham no direito de retomar a cabeça do governo federal, e tendo escolhido um candidato incapaz de esconder o que é, apelaram para demonizar a candidata adversária. A coincidência entre os pontos "fracos" da candidata governista e a cultura fascista do bloco demotucano parece ter resultado em revelar esse fascismo, em propagandas sujas, respondidas por um lado e pelo outro em uma escalada. Não me lembro de tensão tão grande nem em 1989, de forma que, sobretudo a continuar e crescer esse clima, temos mais um ingrediente da crise da República de 1988, ou seja, dessa Constituição, pois em nossos dias uma República só pode ser substituída por outra República.

Não vou detalhar os casos, que serão notícia em todo canto. O ferimento do candidato vende-pátria será usado certamente pela sua campanha, e eu não estranharia que foi acertado por um de seus cabos eleitorais, saiba ele disso ou não. Tipo do trabalho de "provocador", ou seja, um infiltrado para fazer cagada ou levar os outros a fazê-la.

Por outro lado, a campanha demotucana tem feito tantos desafetos que é capaz de gerar ódios verdadeiros entre os adversários. Tem sido veiculada, por exemplo, uma campanha machista subliminar em que aparece a frase "Ela não vai dar conta", agradável certamente aos homens machistas e que pretende passar impune pelas mulheres, assim chamadas de burras. A mesma propaganda tenta mostrar Dilma como incompetente porque um pequeno negócio que teve faliu. Ora, isso é criminalizar as vítimas! Oitenta por cento das portas que se abrem no mercado em poucos meses estão fechadas, e quase nunca a culpa é do dono, mas das circunstâncias que se alteram com uma força muito maior que a de um trabalhador autônomo com suas pequenas propriedades. Também atacaram Dilma por ter participado da luta armada contra a ditadura, ou seja, ficaram do lado da ditadura. Condenaram o aborto, não hesitando em desagradar suas próprias correligionárias (que assim vão aprendendo o que têm a ganhar dos fascistas), só para jogar a religião no processo eleitoral.

Também é característica fascista ficar mudando da cara, falar hora uma coisa, hora outra, mesmo coisas sem sentido e que não se encaixam. A técnica de comunicação fascista joga todas as suas fichas na emoção, no espetáculo, no ímpeto, na falta de razão, na mentira repetida mil vezes. As promessas de aumentos de salários que seus governos nunca deram e as outras promessas escandalosas sumamente irritantes para as pessoas de bom senso são também do receituário de Goebels, que descobriu que esse negócio de ensinar, de falar a verdade, de espalhar a luz, é coisa nossa, comunista, e não deles, cujo objetivo é exatamente o contrário - a ignorância, a mentira e a escuridão.

Esse resurgimento dos galinhas verdes, cor agora decomposta em azul e amarelo e a ave levemente retocada, é outro sintoma da crise de nossa República, ou seja, da Constituição de 1988. Era de se esperar, pois o que interessa em uma Constituição é a organização dos poderes, ou seja, é quem manda! Essa parte na Constituição brasileira resultou nos últimos 20 anos de desmoralização, de crescente corrupção, de escândalos em número cada dia maior, impostos astronômicos e incompetência generalizada. Uma Constituição onde os políticos se dão aumentos de salários e outros benefícios! Uma Constituição em que o Executivo tem força para comprar a maioria do Legislativo, a força do Legislativo é atravancar e gerar crises. O Executivo legisla, o Legislativo tenta julgar e o Judiciário é que acaba tendo que mandar executar, poder esse aliás cujo único traço de democracia é a indicação dos Juízes do Supremo pelo presidente da República, ou seja, nada.

O que sustenta essa Constituição é a inexistência de opções. Todos sabem que uma Constituinte agora, composta pelos políticos que temos, seria pior que a de 1988. O povo fala de uma "Constituição que não seja feita pelos políticos", o que parece engraçado (e é), mas quer dizer uma Constituição feita por outro tipo de político. Essas pessoas (uma minoria que sabe que existe Constituição) não sabem que estão pedindo uma revolução. E mais engraçado é que existem pretensos revolucionários que desconhecem que uma coisa indispensável e muito importante de qualquer revolução é uma nova Constituição.

Por fim, que bela democracia! Em que mesmo estamos mandando? O povo está mandando em que, escolhendo entre o governo atual e os demotucano? Isso não é uma escolha, é um teste - Se o povo for despolitizado o suficiente para votar nos fascistas, então é sinal de que é possível lhe arrancar mais o couro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Transformar o apoio eleitoral em apoio de fato

Somando os 1.600 votos nominais de nossos dois candidatos a deputados federais com os 5 mil e 500 votos de legenda, tivemos 7 mil votos em Minas Gerais com nossos poucos segundos na TV, pois praticamente não tivemos mais nenhuma outra propaganda. Isso corresponde mais ou menos ao votos de nosso candidato a governador, confirmando que são votos ideológicos, partidários. Os votos dos deputados estaduais foram ainda maiores e nosso candidato a senador teve mais de 21 mil votos, ou seja, o triplo dos demais candidatos, possivelmente devido à defesa do fim do Senado, que no entanto poderia ter sido mais explorada ainda. Mas calculemos por baixo, consideremos que o Partido Comunista tem o apoio eleitoral de 6 mil eleitores mineiros, mesmo estando na oposição ao governo Lula enquanto existem diversos agrupamentos comunistas na base de apoio desse governo.

Esses 6 mil estão espalhados pelas Minas Gerais, o que significa praticamente inacessíveis pessoalmente, ou seja, se quisermos fazer contatos entre essas pessoas e visitá-las com objetivo de construir o Partido demoraremos umas duas décadas! O único método que existe para fazer contato com tanta gente tão espalhada é o inventado por Lênin, e defendido no Que Fazer?, ou seja, é usar a imprensa. Já usamos a Internet, mas para esse trabalho precisamos de um jornal de papel. A diferença é que nossas páginas precisam ser procuradas na Internet, e muitos nem as encontram, e só as buscam pessoas que já estão interessadas em nossa política. O jornal de papel chega às pessoas às quais os direcionamos, muitas das quais nunca nos procurariam. Em outras palavras, a Internet facilitou nosso crescimento espontâneo, ou seja, as pessoas que já têm a tendência de serem do Partido Comunista têm hoje mais facilidade de nos conhecer, mas para um crescimento planejado, estimulado, por exemplo, para cidades estratégicas, empresas estratégicas etc., o jornal que pode ser entregue in loco é indispensável.

Entre nossos ao menos 6 mil apoiadores devem existir uns 600 dispostos a contribuir para existência de um jornal comunista que circule por todas as Minas Gerais. Se lerem esse artigo e quiserem colaborar, entrem em contato:

lombelloamaral@yahoo.com.br ou 32 9951 9437 contatos do secretário de agitação e propaganda em Minas, Alex.

Ou deixem recado aqui mesmo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Dois projetos inconfessáveis em luta

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 2010 está marcado por ataques pessoais e desinformação de tal nível que já desagrada um eleitorado bovinamente conformado e conformista. Grande parte da enganação de nosso sistema político reside no fato de que o eleitorado é levado a escolher entre pessoas quando o que está em jogo são projetos. Nesse caso os dois projetos em disputa têm semelhanças vergonhosas e diferenças indiscutíveis, mas isso está escondido pela insignificante questão das pessoas dos candidatos, que são e eleitos continuarão a ser atores, que é o que são os presidentes, que vivem da maquiagem para as recepções, para os encontros, os lançamentos, as inaugurações, as entrevistas, as viagens etc. Ou seja, qualquer pessoa inteligente é capaz de perceber que os governos são feitos por milhares de pessoas, e não por "presidentes" maquiadinhos cujo negócio é rir para observadores e dizer frases de efeito. Portanto, não interessa se o candidato foi isso ou aquilo, é casado ou separado, vai a missa ou é ateu, como não interessa nada disso no ator de um filme, e tudo isso só é usado para enganar os trouxas.
A primeira semelhança entre a coligação demotucana (fascistas e direita em geral) e a coligação PMDB-PT (desde setores da direita até setores da centro-esquerda, de forma que estou chamando de centrista) é que são capitalistas. A segunda semelhança é que nenhuma das duas pode confessar isso. Pelo contrário, os fascistas apelaram para a desconversa de afirmar que já não existe essa questão de capitalismo e socialismo, classes etc., e o partido da cabeça da coligação se chama social democrata!!?? Já na coligação centrista existe até mesmo uma esquerda dita comunista que tem coragem de afirmar que o atual governo é o início da revolução socialista no Brasil !!?? Trata-se de muita hipocrisia.
O fato é que a coligação de direita é anti-nacional, é a mesma corrente política que vendeu o Brasil na década de 90, que vende os estados que governa e que acabaria de entregar tudo aos gringos. É também anti-popular, o que significa que seu negócio é destruir a saúde pública e a educação pública, pois assim aumentam os lucros de seus "apoiadores". Também tem o objetivo óbvio de aumentar o desemprego pois é isso que reduz os salários e eleva os lucros de seus mesmos "correligionários".
Já a coligação centrista acende uma vela para Deus e outra para o Diabo, e se sabemos que não vai fazer nenhuma revolução, não vai portanto resolver de fato nenhum dos graves problemas da nação, também sabemos que não vai destruir a nação, como pretendem os entreguistas, que são doidos para reduzirem o Brasil a um estado dos EUA. Não investirá na educação muito mais do que os 2,6 do PIB atuais, mas também não a destruirá (enquanto em SP o candidato tucano cortou verbas da USP e depois mandou a polícia invadir essa Universidade). O mesmo se pode dizer da saúde. De forma alguma a coligação centrista resolverá o problema de desemprego, pois não deseja a revolução, mas ao menos tem criado mais empregos do que os empregos que o tempo todo o capitalismo extingue. Essas migalhas são o que o proletariado brasileiro consegue arrancar com o atual grau de desorganização e ignorância.
Eis porque no primeiro turno lançamos candidatura própria, porque queríamos lançar propostas de solução, enquanto a coligação centrista não pode solucionar coisa alguma e a direita pretende é destruir. Agora, precisamos ajudar a derrotar os demo-fascistas nas urnas e depois arrancar as soluções nas ruas! É necessário reconstruir quase do chão o campo socialista.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O fascismo dos demo-tucanos

Eis que as eleições de 2010 revelaram o fascismo que desde os anos 80 estava escondido, restrito a guetos ou bandos pseudo-fascistas que os verdadeiros fascistas gostam de exterminar. No desespero de derrotar uma coligação de centro, a direita brasileira está apelando para o machismo, para o fanatismo religioso, para o anti-comunismo, para a criminalização dos movimentos sociais, para o apelo à agressividade contra os países vizinhos, em uma palavra, para o receituário fascista. A desproporção entre meios de luta e motivos nesse caso revela profunda luta de classes. A política externa não é suficiente para explicar tamanho desespero.

O governo Lula, que continuará com Dilma, é de fato um governo do PMDB, que tem os ministérios da Saúde, Educação, Comunicação, Defesa, a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados etc. Agora terá também a vice-presidência! Esse governo não deu nem um mísero passo em direção ao socialismo. Contudo, a direita não o tolera, e até se desmascarou no desespero por derrubá-lo. Porque? Porque é necessário derrubar um governo capitalista dirigido pelo PMDB?

Simplesmente porque ele distribui migalhas! De fato, para os financistas, ou seja, para os capitalistas, digo, donos do capital, chegamos a um ponto em que mesmo o assistencialismo vai se tornando intolerável. Os lucros de alguns setores capitalistas, como os bancos, cresceram absurdamente, mas a conciliação de classes continua se revelando como uma aliança entre gaviões e andorinhas, raposas e galinhas. Não há possibilidade!

Uma parte pequena mas influente (pois detentora dos meios de comunicação e outros meios de persuasão) de nossa sociedade vive da miséria alheia. Programas infames como o bolsa família já elevam os preços das diárias de trabalhadores das regiões mais pobres. A duplicação de vagas nas Universidades Federais reduziram os lucros dos tubarões do ensino particular que são hoje sustentados pelo Prouni, ou seja, pelo governo federal, mas mesmo assim, certamente, trabalham contra ele nessas eleições. Em resumo, os assistencialismos e reformas cosméticas do governo Lula já foram, para os capitalistas, indesejáveis. Por isso, essa parte desnaturada da nação, que vive de explorar os compatriotas que precisam trabalhar, deseja um governo próprio, disposto a gerar mais miséria, ignorância e doenças, pois é isso que dá bons lucros.

Os capitalistas precisam de lucros como nunca precisaram antes! As economias capitalistas, como se sabe desde fins do século XIX, têm taxas de crescimento cada dia menores. Essas taxas de crescimento até podem ser artificialmente infladas por guerras e outras formas de destruir, mas a tendência constante é para a queda. Hoje, as taxas de crescimento dos países capitalistas desenvolvidos são ridículas.

O proletariado, por seu turno, é forte pelo seu número e tem certa tradição, embora no Brasil esteja completamente desorganizado e despolitizado. Os governos petistas têm sido o que esse proletariado tem conseguido com sua força. É pouco, quase nada, mas os capitalistas já não toleram.

Conclusão óbvia - não se pode esperar nem uma trégua dos capitalistas! Não há, portanto, motivo algum para reduzir o passo. A "estratégia" petista de abrir mão de bandeiras, de até realizar os projetos do inimigo, se tinha o objetivo de cooptá-lo ou acalmá-lo, fracassou. Precisamo de um forte Partido Comunista para ajudar a organizar e politizar o povo trabalhador.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PCB lança nota política: Derrotar Serra nas urnas e depois Dilma nas ruas!

Embora não seja o normal desse blog publicar não-originais, esse caso é especial:


O PCB apresentou, nas eleições de 2010, através da candidatura de Ivan Pinheiro, uma alternativa socialista para o Brasil que rompesse com o consenso burguês, que determina os limites da sociedade capitalista como intransponíveis. As candidaturas do PCO, do PSOL e do PSTU também cumpriram importante papel neste contraponto.
Hoje, mais do que nunca, torna-se necessário que as forças socialistas busquem constituir uma alternativa real de poder para os trabalhadores, capaz de enfrentar os grandes problemas causados pelo capitalismo e responder às reais necessidades e interesses da maioria da população brasileira.
Estamos convencidos de que não serão resolvidos com mais capitalismo os problemas e as carências que os trabalhadores enfrentam, no acesso à terra e a outros direitos essenciais à vida como emprego, educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, cultura e lazer. Pelo contrário, estes problemas se agravam pelo próprio desenvolvimento capitalista, que mercantiliza a vida e se funda na exploração do trabalho. Por isso, nossa clara defesa em prol de uma alternativa socialista.
Mais uma vez, a burguesia conseguiu transformar o segundo turno numa disputa no campo da ordem, através do poder econômico e da exclusão política e midiática das candidaturas socialistas, reduzindo as alternativas a dois estilos de conduzir a gestão do capitalismo no Brasil, um atrelando as demandas populares ao crescimento da economia privada com mais ênfase no mercado; outro, nos mecanismos de regulação estatal a serviço deste mesmo mercado.
Neste sentido, o PCB não participará da campanha de nenhum dos candidatos neste segundo turno e se manterá na oposição, qualquer que seja o resultado do pleito. Continuaremos defendendo a necessidade de construirmos uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, permanente, para além das eleições, que conquiste a necessária autonomia e independência de classe dos trabalhadores para intervirem com voz própria na conjuntura política e não dublados por supostos representantes que lhes impõem um projeto político que não é seu.
O grande capital monopolista, em todos os seus setores - industrial, comercial, bancário, serviços, agronegócio e outros - dividiu seu apoio entre estas duas candidaturas. Entretanto, a direita política, fortalecida e confiante, até pela opção do atual governo em não combatê-la e com ela conciliar durante todo o mandato, se sente forte o suficiente para buscar uma alternativa de governo diretamente ligado às fileiras de seus fiéis e tradicionais vassalos. Estrategicamente, a direita raciocina também do ponto de vista da América Latina, esperando ter papel decisivo na tentativa de neutralizar o crescimento das experiências populares e anti-imperialistas, materializadas especialmente nos governos da Venezuela, da Bolívia e, principalmente, de Cuba socialista.
As candidaturas de Serra e de Dilma, embora restritas ao campo da ordem burguesa, diferem quanto aos meios e formas de implantação de seus projetos, assim como se inserem de maneira diferente no sistema de dominação imperialista. Isto leva a um maior ou menor espaço de autonomia e um maior ou menor campo de ação e manobra para lidar com experiências de mudanças em curso na América Latina e outros temas mundiais. Ou seja, os dois projetos divergem na forma de inserir o capitalismo brasileiro no cenário mundial.
Da mesma forma, as estratégias de neutralização dos movimentos populares e sindicais, que interessa aos dois projetos em disputa, diferem quanto à ênfase na cooptação política e financeira ou na repressão e criminalização.
Outra diferença é a questão da privatização. Embora o governo Lula não tenha adotado qualquer medida para reestatizar as empresas privatizadas no governo FHC, tenha implantado as parcerias público-privadas e mantido os leilões do nosso petróleo, um governo demotucano fará de tudo para privatizar a Petrobrás e entregar o pré-sal para as multinacionais.
Para o PCB, estas diferenças não são suficientes qualitativamente para que possamos empenhar nosso apoio ao governo que se seguirá, da mesma forma que não apoiamos o governo atual e o governo anterior. A candidatura Dilma move-se numa trajetória conservadora, muito mais preocupada em conciliar com o atraso e consolidar seus apoios no campo burguês do que em promover qualquer alteração de rumo favorável às demandas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Contra ela, apesar disso, a direita se move animada pela possibilidade de vitória no segundo turno, agitando bandeiras retrógradas, acenando para uma maior submissão aos interesses dos EUA e ameaçando criminalizar ainda mais as lutas sociais.
O principal responsável por este quadro é o próprio governo petista que, por oito anos, não tomou medida alguma para diminuir o poderio da direita na acumulação de capital e não deu qualquer passo no sentido da democratização dos meios de comunicação, nem de uma reforma política que permitisse uma alteração qualitativa da democracia brasileira em favor do poder de pressão da população e da classe trabalhadora organizada, optando pelas benesses das regras do viciado jogo político eleitoral e o peso das máquinas institucionais que dele derivam.
Considerando essas diferenças no campo do capital e os cenários possíveis de desenvolvimento da luta de classes - mas com a firme decisão de nos mantermos na oposição a qualquer governo que saia deste segundo turno - o PCB orienta seus militantes e amigos ao voto contra Serra.
Com o possível agravamento da crise do capitalismo, podem aumentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a repressão aos movimentos populares. A resistência dos trabalhadores e o seu avanço em novas conquistas dependerão muito mais de sua disposição de luta e de sua organização e não de quem estiver exercendo a Presidência da República.

Chega de ilusão: o Brasil só muda com revolução!


PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
COMITÊ CENTRAL
Rio de Janeiro, 13 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

Os verdadeiros verdes: A prioridade ambiental e seu preço


O destaque dessas eleições, a votação da candidata “Verde”, reflete, entre várias coisas, a compreensão de parte da sociedade sobre a prioridade da questão ambiental. É inegável, aliás,que chegamos a um nível de destruição dos mares, dos rios, das matas, do solo, do ar, dos seres vivos, que estamos correndo sério risco, se não de extinção imediata, de vivermos crises agrícolas sérias, que multipliquem a fome, gerem guerras de proporções e em quantidade antes nunca vistas e ai, sim, podemos gerar nossa própria extinção, pois as nossas armas atuais usadas pelo mundo todo em grande escala somadas ao grau de destruição a que já chegamos sem tantas guerras... Porém, a questão ambiental é colocada ao público de maneira falsa, pois seu verdadeiro núcleo, sua verdadeira essência, sua raiz e seu tronco, não são nem citados. A questão ambiental, contudo, precisa ser resolvida, não em pequenas partes, em pequenas doses. Já não há tempo para uma transição lenta, e haverá menos ainda, pois a solução ainda irá demorar a começar! Ou seja, quando formos obrigados a tomar providências sérias, elas terão que ser bruscas, tão bruscas que exigirão o rompimento com a economia de mercado!!!

Expliquemos: A candidata “verde” não se propôs a solucionar o verdadeiro problema ambiental – praticamente toda a destruição ambiental não é feita pelas pessoas comuns, não é o lixo das grandes cidades (embora esse já seja um enorme problema, se fosse o único praticamente não teríamos um problema histórico), não é a fumaça dos carros e cigarros (desprezível essa última), não é nada das pequenas coisas, mas sim, 95% de nosso problema, é nossa produção! Ou seja, conforme a candidata verde constatou, consumimos demais, com destaque para os estadunidenses e europeus. O que ela não chegou a informar é que quase tudo isso que é consumido em excesso são inutilidades! São coisas que ninguém nem desejaria se não fossem produzidas e pior, propagandeadas em excesso! Em outras palavras, são instrumentos de charlatanice. E por conta dessas bugigangas, devemos caminhar para o apocalipse!!??

O problema é, para as economias de mercado essas inutilidades são indispensáveis! Não se pode pensar em parar de produzir nem 2% do que se produz, pois para essas economias isso significa crise profunda, perigo de quebradeira, é inaceitável. Aliás, não se pode nem mesmo pensar, eis como é brilhante o mercado, em conservar os níveis atuais de produção. Eles têm que crescer, só para as economias não entrarem em crise!

Exemplifiquemos: Chegará o momento em que precisaremos tomar medidas como proibir a publicidade de qualquer produto, extinguir os descartáveis, realmente priorizar o transporte coletivo em detrimento dos carros de passeio e essas são somente pequenas, leves, diante do tamanho do problema. Em uma economia de mercado isso resultaria em desemprego em massa, falências, gerando mais desemprego e mais falência, ou seja, seria insustentável. Um governo que tentasse tomar qualquer dessas medidas no Brasil controlado pelos capitalistas cairia antes de executá-la.

Como reduzir a produção sem gerar falências, desemprego, miséria? O Estado obviamente teria que garantir os empregos, e impedir as falências. E mais, teria que garantir que se continuasse produzindo o necessário e se deixasse de produzir sempre o mais supérfluo. Para tanto, teria que socializar as grandes empresas e propriedades rurais. Já nos fizemos compreender – a solução da questão ambiental só é possível colocando fim ao poder dos capitalistas, pois por mais que estes desejem, não podem tomar as medidas necessárias, pois estariam cometendo suicídio econômico. Não é a conclusão a que gostamos de chegar. Gostamos de ter tempo, sobretudo na economia, gostaríamos de uma transição lenta, sem traumas, daí sem guerra civil! Porém, vamos compreendendo porque a história humana tem sido tão cheia de explosões violentas e abruptas... Acontece que o grosso da humanidade só compreende que tem problemas, e que eles têm que ser resolvidos, quando já estão tão grandes, que as providências a serem tomadas são tão traumáticas, que se desencadeia uma dessas tempestades revolucionárias. Ou seja, continuaremos nos organizando devagar anos a fio, sempre pequenos, sempre tentando ensinar as pessoas a levantar a cabeça e seguir um caminho racional, mas elas continuarão em grande maioria de cabeça arriada até suas vidas piorarem de forma insuportável, e ai vão querer resolver tudo correndo, e nós teremos que estar preparados inclusive para essa impaciência infantil (lembrem-se da sorte de Danton).  

Gostemos ou não, não existe melhor maneira de ser verde do que sendo vermelho! 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre os resultados eleitorais dos partidos brasileiros de esquerda ao governo Lula

Acabo de conseguir resultados mais detalhados (mas ainda não o mapa de nossos votos na legenda, que certamente são os mais interessantes), e minha cabeça ainda está fervilhando. Para não fazer uma análise otimista (coisa inútil e anestesiante) tenho que lutar contra a pressão das análises ufanistas e contra minha própria alegria em constatar que afinal a articulação TV-Internet, que era só com o que contavamos, não fracassou por completo, como a princípio imaginei. É como um aparelho novo, um original, que funciona pela primeira vez, obviamente ainda cheio de imperfeições. Já incomodou os adversários, motivando em Minas Gerais seis processos vindos dos advogados de Aécio e Anastásia, em São Paulo um processo vindo de Serra e uma cassação das candidaturas de motivações políticas, conforme se pode ser mais em http://pcb-campinas.blogspot.com/2010/10/nota-da-cpr-sp-sobre-apuracao-de-votos.html .

Então, para nos livrarmos desse otimismo, expliquemos logo: Nossos votos estão espalhados por muito mais cidades do que atingimos com nossos militantes e contatos! Ou seja, o dupla TV-Internet, em conjunto ou não (impossível saber), ampliou nosso leque de ação. Em 60 cidades de Minas Gerais Ivan Pinheiro teve dez ou mais votos e Fabinho teve isso em 87 municípios, um dos candidatos a deputado federal teve quatro quintos de seus votos espalhados em quase 200 cidades, sendo que só enviou material para menos de ciquenta, o candidato ao Senado, Rafael Pimenta, teve mais de cem votos em 27 cidades, em metade das quais o Partido não existe, e quando tivermos acesso aos detalhes dos votos de legenda é bem provável que estejam igualmente espalhados. Os programas de TV se foram, mas a Internet permanece.

Retornemos, porém, à avaliação realista e geral (pois até agora nos restringimos ao nosso Partido, o PCB, para o qual de qualquer forma valeu a pena lançar candidaturas) dos resultados, sem ufanismos nem derrotismos, mas a esquerda não se saiu bem. A direita, que se fez de morta, permitindo até que publicássemos notas desestimulando o voto “útil”, afinal venceu – conquistou o segundo turno, elegeu governadores em São Paulo e Minas no primeiro, e conseguiu criar uma outra terceira alternativa que não a oposição de esquerda, mas os verdes desbotados e atucanados, de forma que o desestimulo ao voto útil não veio para nenhuma das quatro candidaturas realmente de esquerda.

Os votos somados de PSOL, PSTU, PCB e PCO não somaram 1% dos votos válidos, que estão longe de ser todos, pois a abstenção atinge 18% do eleitorado e os brancos e nulos somam 9%, passando a soma de um quarto do eleitorado. Em Minas Gerais, a soma dos votos dos candidatos a deputados desses quatro partidos não dariam para eleger nem um só deputado federal.

Não é suficiente culpar por isso o poder financeiro, contra o qual sempre lutamos em todo o mundo, tendo em alguns lugares e mesmo no Brasil do século XX resultados muito melhores. Essas eleições são sim movidas a dinheiro, mas nossos votos são muito mais baratos que os votos de direita, e qualquer luta política sob o capitalismo, não só a eleitoral, é movida a dinheiro, e essa era a mesma realidade quando explodiram as revoluções proletárias todas desde a Comuna de 1871.

Temos que culpar:

a ) nosso despreparo, nossa falta de recursos, nosso amadorismo, nossa desorganização;

b ) nossa incapacidade de união ou de fechar outras alianças;

c ) nosso discurso voltado para nós mesmos.

Esse último ponto é crucial. Nessa eleição falamos para uma minoria que já pensa como nós, e foi isso que nossos votos representaram. Precisamos colher os ganhos organizativos disso, mas nas próximas eleições precisamos ser mais ofensivos e ousados, ou seja, temos que propor o que precisamos propor, mas de forma concreta, exemplificada, desenhada sempre que possível.

Sem fechar alianças, sem unirmos forças, não precisamos nem lutar. O eleitorado nos puniu por nossa desunião, claramente, pois nossa aliança em 2006 teve 8% dos votos, e nossas candidaturas separadas agora só tiveram 1%. A união nos daria ganhos de escala, além de simpatia do eleitorado de esquerda. A proposta do PCB de uma frente anti-capitalista é uma necessidade indiscutível, mas pode ter o nome que quiser. Parece que a Consulta deseja Assembléia Popular, e certamente o PSTU prefere outro nome, e certas tendências do PSOL também devem ter propostas. Nós devemos aceitar qualquer um. Mas claro, devemos saber que a reedição da Frente de Esquerda, tenha o nome que tiver, e mesmo que aglutine alguns movimentos sociais, ainda é uma aliança muito restrita.

Mas com ou sem união, e por mais que refinemos nosso discurso, sem existirmos realmente no país, sem termos jornais circulando entre centenas de milhares de pessoas, sem estarmos enraizados na sociedade, sem planejamento e preparação bem anteriores, não temos chance nenhuma de fazer nada, pois os eleitores só de Minas Gerais são 14 milhões.

Deixemos portanto a análise das esquerdas em geral de lado e voltemos para o Partido, que precisa partir para uma ofensiva organizativa imediata, colhendo os frutos da campanha. Como toda colheita, se não a fizermos na época certa ela se perde. Ao mesmo tempo, é necessário fazer o trabalho de formação política, de finanças, de propaganda com todos os novos camaradas, e ajudarmos os que estiverem sozinhos em suas pequenas cidades, que é o que Minas mais tem.

Como fazer todos esses trabalhos de uma vez só se ainda nem acabamos de resolver as burocracias eleitorais? Se temos que lutar para que nossos votos sejam divulgados em São Paulo, contra os tucanos que pretendem se reapoderar do país etc.? O que fazer para resolver esses problemas todos?

Temos que fazer nosso jornal. O jornal faz a propaganda, a formação, ajuda dos camaradas isolados em qualquer lugar, é a arma mais significativa em qualquer luta, e se custeará, e quando estiver funcionando bem ainda resultará em finanças para o Partido.

A maneira de existir esse jornal e ele fazer finanças, é o seguinte - Cada célula receberá no mínimo cem exemplares, pelos quais contribuirá com R$ 25,00. A célula que precisar de duzentos exemplares contribuirá com R$ 50,00 e assim por diante. Cada célula escolherá quantos jornais receberá e como arranjará a contribuição, aliás irrisória para uma célula inteira. Assim, enquanto nossa tiragem for de 3 mil exemplares, o Partido ganhará R$ 100,00 por edição. Quando for de 5 mil exemplares, supondo então um gasto de R$ 200,00 com Correio, ainda sobrarão para o Partido R$ 300,00. Quando a tiragem chegar a 10 mil exemplares, o Partido ficará com quase R$ 1.000,00 por edição, enquanto nenhum idiota resolver sufocar as bases com edições em excesso.

Esse é o cálculo para um jornal tamanho A2, ou seja, de uns 43 cm de altura e 63 cm de largura, dobrado ao meio, ou seja, com 4 paginas grandes.

A Internet nos ajudará a fazer esse jornal e esse jornal nos ajudará a divulgar nossas páginas na Internet.

Como se compreende com facilidade, para funcionar um jornal desses as bases terão que reconhecê-lo como o próprio jornal. Por isso, não me atrevo a ditar suas regras editoriais. Aguardo, ao mesmo tempo, artigos e sugestões de regras.   

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Candidato comunista de São João del-Rei teve votos em 197 municípios

É realmente muito interessante o resultado eleitoral de nosso candidato a deputado federal. Ao contrário do que temíamos, seus votos não foram concentrados regionalmente. Pelo contrário, Alex teve 277 votos na capital, Belo Horizonte, e somente 178 em São João del-Rei, seguidos por 54 em Juiz de Fora. O total de 1.163 votos está espalhado por 197 municípios! Confiram vocês mesmos: http://www.almg.gov.br/eleicoes2010/resultados/Candidato/Municipio/CG6CA2121.htm .

Isso significa que nossos votos foram em sua maioria por motivações políticas, por concordância com nossas propostas, e não por motivações pessoais. Também é uma clara comprovação do que foi dito no artigo abaixo sobre a campanha em São João del-Rei.

domingo, 3 de outubro de 2010

Documento base para avaliação da participação do PCB nas eleições de 2010

Estamos divulgando esse balanço às 17 horas do dia da eleição, ou seja, finalizadas as votações e antes dos resultados, de forma a não influenciar negativamente os primeiros e não ser suspeito de ser influenciado pelos últimos.

Do ponto de vista das decisões políticas gerais – lançar candidaturas a todos os cargos pela primeira vez em 20 anos, e apontar para o socialismo – consideramos que foram corretas e que já nos deram o que queríamos, ou seja, o Partido cresceu, apareceu, existe perante a opinião pública e está atraindo bons militantes.

Há também de louvar a coragem dos candidatos de “botarem a cara a tapa” sem uma estrutura de campanha e sem uma probabilidade real de serem eleitos. Além do que, há de se considerar que a pouca estrutura do partido refletiu numa baixa estrutura de campanha (leia-se dinheiro), o que já sinalizava desde o início para grandes dificuldades durante o processo.

Também houve uma boa disposição de muitos militantes para ajudar no trabalho, mesmo diante de todas as dificuldades estruturais.

Outro aspecto positivo, trata-se da maturidade do partido em participar do processo com chapa própria. Temos cada vez mais a clareza da importância da eleição como mais um momento da luta política, que não devemos abdicar, pois por mais anti-democrático que seja (pois o dinheiro manda), é um momento aberto de debate e que condiciona os rumos do Estado. Ao menos é o caso de alguns militantes.

Outros aspectos positivos caberiam ser ressaltados, mas devemos ir aos aspectos negativos. Até porque a autocrítica é essencial, pois só iremos avançar se superarmos nossos erros.

Esse balanço, contudo, se dedica a questões menores, táticas, e uma doença que atinge quase todos os novos militantes comunistas, assim como o sarampo atinge quase todas as crianças, o “esquerdismo”.

Célula de São João del-Rei:

- A campanha só foi feita durante poucos dias, nas duas últimas semanas;
- Foram feitos poucos contatos, e com atraso, apesar de existir uma extensa lista de possibilidades;
- Foram rodados somente 20 mil panfletos, dos quais 9 mil ainda estavam estocados até a última semana. Ao final da campanha, ao menos 2 mil panfletos restaram desses 20 mil. Cerca de 6 mil foram enviados por correio para 39 endereços fora de São João del-Rei, e mais alguns milhares foram levados para Belo Horizonte, Ipatinga, Santa Cruz de Minas e Ribeirão das Neves, de forma que a distribuição em São João del-Rei deve ter sido de menos de 10 mil panfletos. Outros materiais também sobraram estocados;
- Esses panfletos foram feitos com atraso, ficando prontos quase no meio da campanha. Ficaram com excesso de texto, tanto que mal aparecem a foto, o nome e o número do candidato, e menos ainda dos demais candidatos do Partido;
- Nenhuma faixa foi afixada;
- Desde o início foi pouco ou nenhum o envolvimento da militância com a campanha eleitoral. Ex: De São João del-Rei somente Alex esteve presente à Conferência Eleitoral, à qual, aliás, não compareceram metade dos membros do CR;
- Viagens planejadas não foram feitas para que se fizesse campanha em São João del-Rei, mas esta campanha também não foi feita;
- A arrecadação foi tão deficiente quanto toda a campanha;
- A campanha foi praticamente somente do candidato a deputado federal Alex Lombello Amaral, um pouco do candidato ao Senado Rafael Pimenta, e muito pouco dos outros candidatos. Candidato Alex que, aliás, praticamente não fez campanha. Do ponto de vista da militância desse candidato, é necessário confessar que só participou decentemente mesmo nas gravações para TV, na Internet e nos 4 debates para que foi chamado, todos em Belo Horizonte. Não visitou dez casas, não pediu dez votos. Ou seja, do ponto de vista prático, de preparar um candidato de São João para tentar elege-lo vereador em 2012, pode ter sido escolhido o candidato errado;
- Não foram indicados fiscais para o dia das eleições;

Os dois principais objetivos dessa célula nessas eleições ainda não foram cumpridos:

- A campanha não serviu para criar o Partido em nenhuma das cidades vizinhas, das quais somente Prados foi visitada quase por acaso no penúltimo dia de campanha;
- O Partido em São João del-Rei não conseguiu ainda se organizar concretamente fora da Universidade, apesar da vitória de termos trazido uma base de metalúrgicos para dentro do partido.;

Propaganda na TV e no Rádio:

- Os nossos programas de TV destacaram-se, sobretudo os parlamentares, porque os concorrentes abaixaram ainda mais o nível. A cor vermelha foi deixada para nós, abandonada até por nossos aliados. Só nosso programa tinha fundo musical. Nossa legenda foi de longe a melhor, a mais visível, o que é prova de respeito pelo eleitor. Ainda tivemos a sorte de nossos programas ficarem na “beirada”, queremos dizer, no início ou no fim do horário eleitoral, sendo vistos por quem ainda não desligou ou acabou de ligar a TV;
- Porém, a entrada de internautas em nossas páginas, único indicativo que temos para medir o resultado de nossas propagandas no horário gratuito, não cresceu significativamente. Existem duas possibilidades para explicar esse fato – ou nossas propostas políticas é que não fazem eco, ou não conseguimos expressa-las, ou seja, precisamos de técnicas mais poderosas, a exemplo da animação, e de uma linguagem eficiente. Em números, a entrada nos sites do Partido duplicaram em Julho, logo que foram anunciadas as candidaturas, ou seja, as eleições atraíram visitantes, mas o início dos programas eleitorais na TV, em meados de Agosto, elevaram as visitas, mas muito menos do que o desejado. Em outras palavras, não convencemos a não ser uma minoria já esclarecida, e não podemos culpar as questões técnicas por isso;
- O melhor indicativo que tivemos do sucesso de nossas campanhas nas TVs mineiras foram os diversos processos movidos por Aécio Neves e Anastásia contra um dos programas de governador. Os tucanos choveram processos contra o PCB, sobretudo por causa de uma charge que sintetizou uma crítica em si.

Minas Gerais:

- Diversos camaradas merecem elogios pelos seus esforços pessoais, sem os quais não teríamos nem candidatos. Além dos candidatos, que sacrificaram-se por três meses em campanhas sem recursos, diversos militantes e simpatizantes;
- A campanha se desenvolveu por conta desses esforços individuais dos camaradas, não pelo Partido organizado. Pelo contrário, sendo lançados vários membros da direção estadual como candidatos, o funcionamento dessa direção cessou de vez;
- Não foi feito um trabalho de envolvimento da militância com as eleições. Um fórum mais amplo só foi convocado para a última hora, perto da data de inscrição das candidaturas, e foi o Ativo - Conferência Eleitoral, esvaziado, ao qual já nos referimos;
- Todos os materiais foram feitos às pressas, com as consequências que se viram. Não foram debatidos coletivamente, sendo que no máximo foram postados na Internet dias antes de serem impressos, permitindo aos camaradas fazer críticas;
- Quase tivemos nossa chapa impugnada porque não se prestava contas ao TRE (de movimentação nenhuma, fique claro) há dez anos!
- A campanha foi feita inteira sem a existência de uma direção municipal na capital do estado;
- Houve um programa político positivo para o estado de MG, que diferenciou-se por fazer uma análise aprofundada sobre o governo Aécio-Anastasia, coisa que nem os petistas tiveram a decência de fazer. No entanto, a confecção deste programa foi igualmente precária, sendo feito durante a campanha. Além do que, sua diagramação ficou ruim, pois ficou muita informação num pequeno espaço (com letras pequenas), o que deve ter estimulado a leitura mesmo de muitas pessoas mais politizadas.

Esquerdismo:

- Somos obrigados a concluir que a grande maioria de nossos militantes nunca leu “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, em primeiro lugar porque são anti-eleições, em segundo porque são anti-alianças;
- O partido, por meio de falas do camarada Ivan Pinheiro e dos documentos do comitê central, reproduz uma postura acertadíssima, de que o PCB não é dono da verdade, nem é ainda um partido revolucionário (ser um instrumento da revolução é nossa busca), nem mesmo que vamos fazer revolução sozinhos. Mas este comportamento não se revela em muitos militantes. Muitos ficam a serviço de falar mal dos outros, como se fossemos o baluarte da revolução e sintetizássemos a “verdade revolucionária”.
- A resistência à participação eleitoral só faltou se expressar em palavras. Em Minas os militantes resistiram a iniciar o debate eleitoral, e como já dissemos, esvaziaram a Conferência Eleitoral. A direção estadual teve parte da culpa, ao não chamar com a devida antecedência os debates eleitorais, marcando somente o Ativo-Conferência, já citado;
- A resistência às alianças se revelou muito grande quando o CC se propôs a fechar uma aliança com Plínio de Arruda Sampaio, e diversos militantes protestaram indignados. Aterrissemos! Se existem resistências a alianças com Plínio, como poderemos existir em pequenas cidades de Minas nas quais o PSOL e o PSTU não existem, as vezes nem o PT existe, ou é fraco, ou é parte das oligarquias, e a disputa se dá entre famílias ou coligações de famílias, que se apoderaram das siglas partidárias? O que farão nossos militantes nessas 700 cidades mineiras? Ficarão sempre isolados?
- Entre os que participaram, e sabem que é esquerdismo deixar de participar das eleições, existe uma boa parte que é praticante de um esquerdismo velado, pois se contentam com uma participação que não é participação, mas somente protesto, e uns poucos até defendem isso;
- Contrariando a concepção leninista de que as alianças e os compromissos são necessários, predominam análises preconceituosas e fetichistas. Preconceituosas porque completamente balizadas pelas siglas partidárias, que para o povo não valem nada, e para a esquerda brasileira são entidades com vida própria. Para entender Minas teremos que aceitar que a análise de uma sociedade não pode ser feita a partir somente de siglas partidárias. Em qualquer cidadezinha de Minas existe uma divisão social, mas ela não se expressa partidariamente como nas capitais e cidades de grande porte. Fetichistas porque consideram que fazer alianças transforma um partido, como quem acredita em amuletos que dão azar ou sorte, que fazem as pessoas ficarem assim ou assado, se “degenerarem”. Obviamente, isso não existe, o PT não se degenerou porque se aliou ao PL, mas sim muito, muito antes, quando roubava sindicatos na década de 80! Nunca existiu nada parecido com tal mágica.

Esse é um documento para ajudar na avaliação coletiva, ou seja, será modificado, ou até deletado totalmente. O debate será dia 5, às 10 horas da manhã. Nos encontraremos na cantina do Dom Bosco.

Alex Lombello Amaral
André Luan Nunes Macedo
Sammer Siman.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

21 polêmicas que um deputado federal precisa provocar !

Esse devia ter sido o título usado nos nossos panfletos e nessa página, porque essa é a verdade, e é o que tentamos fazer sem sermos deputado, mas sendo somente candidato. Não vou fazer control c control v dessas propostas aqui. O leitor pode ler nesse mesmo blog todas as versões delas, desde a primeira escrita ainda no auge do inverno, até a última, da qual foram publicados 20 mil exemplares. Pode também ler explicações um pouco mais detalhadas sobre cada uma delas. Encontrará tudo isso nos últimos quatro meses de publicações desse blog.

Provocar essas polêmicas, a maioria delas, é provocar o debate sobre o Estado brasileiro, ou seja, sobre a organização política brasileira (sim, política e social, um denominador comum). É questionar a legitimidade do poder político, que no Brasil é o poder do capital, o poder do dinheiro. Algumas, menos importantes, de fato, são socialmente importantes, são necessidades de milhões de pessoas.

Os problemas não podem ser resolvidos antes que sejam levantados! Provocar polêmicas é isso, é apresentar à nação os problemas existentes, para que eles sejam resolvidos.

Sei que essas 21 polêmicas estão sob fogo cruzado. De um lado pelo senso comum, são lunáticas, pois o grosso dos eleitores lê propostas como se fossem promessas, algo a ser feito nos quatro anos de mandato, como um serviço a prestar, bem concreto, de preferência. De outro lado pelos esquerdistas, são revisionistas e o texto "Revolução não é insurreição armada", publicado no verso, é reformista, ou seja, não atacam o capitalismo, não citam o socialismo, não falam de luta de classes e o dito texto ainda tem um título que dá a entender que é possível fazer a revolução socialista pela via pacífica-eleitoral.

Ambos estão errados! Os primeiros precisam aprender que o melhor trabalho que um deputado pode fazer é levantar qualquer dessas 21 polêmicas, que são realmente solucionadoras de problemas, diversos. O resto é utopismo, no caso de uma ínfima minoria, ou malandragem, no caso da ampla maioria. O que a massa do eleitorado pede, contudo, é que os deputados se vendam aos governos federal e estadual, pois querem esmolas, ou seja, obras, uma ou outra repartição pública, coisas que já são da obrigação dos governos, mas que estes seguram para comprar os votos dos deputados. Então, se um deputado precisa "trazer coisas para a região", ele na verdade precisa se rebaixar, não polemizar nada, obedecer aos governos.

Os últimos precisam se lembrar que o papel de um comunista não é ficar falando de luta de classes, de socialismo e capitalismo, mas sim fazer a luta de classes, derrotar o capitalismo e construir o socialismo. Não devem confundir duas tarefas necessárias, mas diferentes, embora se auxiliem, que são estudar/ensinar o marxismo, e outra a agitação e propaganda. A linguagem das duas coisas não pode ser a mesma, porque no primeiro trabalho se dispõe de tempo, de espaço e se tem um publico que vai aprendendo e se familiarizando com conceitos, e no segundo trabalho se dispõe de pequenos panfletos, quase tempo nenhum e um público não familiarizado com nossas palavras, ou até que as compreende ao inverso! Então, temos que falar e escrever com as palavras do povo, e já falhamos nisso, pois muitas pessoas não entendem tudo.