segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Síria já vive uma guerra civil que pode se alastrar


Defensores e oponentes do regime sírio reivindicam a paz, os primeiros em chocante inocência, os últimos em flagrante hipocrisia, porque o único nome que se pode dar para o que acontece hoje na Síria é guerra civil. Fora de dúvidas, o que explica a guerra civil tanto na Líbia quanto na Síria é a atuação criminosa dos EUA, de seus aliados menores a Europa ocidental, da Turquia, de monarquias árabes completamente submissas aos gringos e de Israel, que estimulam, sobretudo grupos radicais islâmicos a pegarem em armas. Nos diversos países árabes em que os governos são fantoches dos EUA, a revolução que já entrou na história como Primavera Árabe está acontecendo de forma bem mais pacífica, pois ninguém fornece armas aos manifestantes nem lhes estimula a praticar atos de guerra.

O quadro na Síria, porém, é mais complicado que na Líbia em diversos sentidos. Em primeiro lugar, a ditadura de Asad é mais hábil que a de Kadafi, como se nota até pela imagem apresentada por cada uma delas. Kadafi, desde que passou a se curvar, privatizou empresas, abriu a Líbia ao capital estrangeiro, fez diversas concessões, perdeu apoio interno e externo no mundo árabe. Até mesmo grupos palestinos apoiaram os rebeldes contra Kadafi. Asad, por outro lado, é um sustentáculo do Líbano e de grupos palestinos contra Israel. Kadafi não tinha o apoio do Irã, potência do Islã, mas Asad o tem. Ou seja, o apoio árabe de Asad é maior que o de Kadafi.

É verdade que sem o apoio dos bombardeios da OTAN (leia-se EUA, Inglaterra, França e Itália) os rebeldes não teriam derrotado Kadafi, mas no caso sírio, mesmo que a OTAN ou outra força bombardeasse o país, é possível que não mudassem a correlação de forças a favor dos rebeldes.

A situação geográfica da Síria diminui as chances de uma guerra rápida como a da Líbia. Esta última tem suas grandes cidades todas no litoral do mar Mediterrâneo, dominado pelos navios de guerra da OTAN. A Síria se espalha bem no centro do pedaço mais conflituoso do Oriente Médio, em uma região bem mais urbanizada, com caminhos bem mais complexos. Os rebeldes sírios têm dificuldades de se concentrar, enquanto o exército tem dificuldades de encontrá-los.

O prolongamento da guerra civil na Síria, que parece ser o objetivo dos EUA e seus capachos, é a coisa mais perigosa que pode acontecer. Israel se sentirá mais forte para agredir os palestinos, o Líbano, a própria Síria e talvez um governo egípcio desfavorável a Tel Aviv. Todas essas prováveis vítimas de Israel, sentindo medo, se tornarão perigosas. O próprio governo sírio pode pensar na guerra externa como forma de abafar a guerra civil reunificando o povo. Monarquias árabes abaladas pela Primavera podem pensar o mesmo. No caso sírio, possíveis alvos seriam Israel e a Turquia, que tem dado armas aos rebeldes e denunciado a ditadura de Asad, interessada que está em se firmar como potência na região. A queda da Síria também poderia apressar um ataque ao Irã, que assim perderia um aliado importante. Deve-se levar em conta que todas essas possibilidades acarretam a possibilidade inversa, ou seja, que o alvo provável de um ataque resolva atacar primeiro.

Não se pode esquecer que essa guerra civil se desenrola em meio a um mundo em revolução, o que acarreta mudanças rápidas no cenário. Ninguém sabe ainda qual papel terão os diversos governos que surgirão da Primavera Árabe. O que serão a Tunísia, a Líbia, o Yemem, o Egito? Nas eleições têm vencido os partidos islâmicos, trazendo a tona o fantasma da Argélia. A Argélia está passando sem muitos abalos pela Primavera Árabe porque já viveu sua própria primavera, e apesar de também não ser do agrado dos EUA, na Argélia não se pode estimular uma guerra civil porque a Argélia já viveu sua guerra civil, mais parecida com a síria que com a líbia, no estilo das guerras sujas, e pode-se dizer que até hoje vive o clima político de uma guerra civil, entre radicais islâmicos e militares laicos. Ou seja, a Argélia está vacinada, tragicamente vacinada. As revoluções, ao derrubarem regimes políticos, colocam todas as forças de uma nação em luta umas com as outras, em disputa pelo espaço deixado pelo regime derrubado. No mundo árabe, do qual a Argélia faz parte, existe uma forte tendência política que levanta Al Corão como fundamento de suas propostas políticas. Existe em contra-partida uma tendência que deseja seguir o exemplo do mundo cristão e criar estados laicos. A Primavera Árabe pode colocar essas duas forças em choque frontal em diversos países, sobretudo quando isso é estimulado, como o foi na Líbia e na Síria.

Ao contrário do que parece, o radicalismo religioso é estimulado pelos EUA, por Israel e outros interessados em dominar o mundo árabe. Quando agridem os árabes, os estadunidenses e seus capachos estimulam os árabes a se apegarem a suas tradições, a se lembrarem de seu poder passado, e isso leva direto às páginas de Al Corão. Na Líbia e na Síria, assim como no Afeganistão contra o comunistas, os EUA armaram grupos radicais islâmicos. Diante da impossibilidade de abafar a revolução, uma saída possível para os dominadores dos povos árabes é estimular exatamente os partidos islâmicos, na esperança de levar a revolução ao fracasso.

A Primavera Árabe ainda está se desenrolando, e nos próximos meses muita coisa acontecerá nas terras do Islã.

PS: A Rússia, também aliada da Síria, e da qual indesculpavelmente me esqueci no artigo acima, concentrado que fiquei no árabes e outros muçulmanos, acaba de atuar como fator que pode gerar a paz, presenteando Damasco com mísseis (foto acima), radares e outros equipamentos avançados de defesa aérea. Está assim neutralizada toda a aviação da OTAN, que só se "arrisca" contra alvos indefesos. Já os russos, sempre amigos dos amigos, ao contrário dos EUA que enforcam seus ex-aliados, movem tropas para o sul. Visa pacem para bellum...


Nota: Os camaradas de meu Partido me fizeram ver que uma frase desse artigo pode gerar confusão. No segundo parágrafo, falei de "apoio árabe". Não me referi aos governo árabes, quase todos monarquias fantoches dos EUA. Quis dizer que em todo país árabe, inclusive na Síria, existem grupos que apoiam os palestinos, os libaneses e o Irã (apesar dos iranianos não serem árabes), e que portanto tendem a apoiar o regime sírio, enquanto Kadafi não contava com essa mesma rede de apoios.

sábado, 26 de novembro de 2011

Governador tucano ensina professores estaduais a lutar

O Palácio da Liberdade está usando o Ministério Público para tentar impedir as divulgações do Sind-UTE, com destaque para as notas na TV. Na verdade essa é a primeira vitória do Sind-UTE em muitos anos, pois é a primeira vez que consegue incomodar o patrão da professorada. Existe um ditado popular segundo o qual cada um sabe onde dói o próprio calo. Meses com os estudantes sem aulas, a deserção de professores, o pior salário do país para professores, não são fatos que abalam um governo, pois com propaganda os governos jogam a culpa da greve sobre os professores, e jogam a culpa dos salários baixos em uma suposta falta de dinheiro, quando a questão verdadeira é como se distribui o dinheiro.

Esses mesmos tucanos que questionam os gastos do Sind-UTE com suas divulgações, aliás insuficientes, gastaram em oito anos um Bilhão e trezentos Milhões de reais de dinheiro público com sua própria publicidade, revelando mais uma vez a centralidade da comunicação na luta política. Três meses de greve só arrancaram do governo promessas de pagar melhor no ano que vem, palavras de quem não tem palavra, mas algumas inserções na TV das quais sequer tive notícia fazem esse mesmo governo se descabelar e tocar em um assunto do qual devia correr - gastos com publicidade ! Ou seja, o cala-a-boca na grande imprensa "mineira" e "brasileira", além do financiamento de centenas de órgãos de publicidade tucanos mal disfarçados como imparciais.

O governo mineiro continua (Novembro de 2011) pagando aos seus professores seiscentos reais e uns trocados, mas se esses professores soubessem lutar no campo político, se cada grupo de professores indignados de cada escola fossem distribuidores de jornais do Sind-UTE para a comunidade, e não somente público alvo das publicações do Sind-UTE, sem necessidade de greve nenhuma o governo pagaria mais e mais até aquietar os professores.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Mais um motivo para se extinguir o Senado

O Senado revogou, há dias, a lei que anexaria uma impressora às urnas eletrônicas, imprimindo os votos, como documentação para conferência, que hoje está extinta. Trata-se de uma atitude suspeita, pois as urnas eletrônicas têm sido desmascaradas em diversos países, o que é sempre abafado pela imprensa "brasileira". Se nem os bancos e as financeiras, que investem fortunas em segurança, conseguem deixar de ser vítimas de fraudes em seus caixas e computadores, só mesmo a propaganda pode fazer pessoas sensatas acreditarem que as urnas são a prova de fraudes. Trata-se do contrário, as fraudes eletrônicas, depois de apagados os programas, são quase a prova de serem descobertas. Se não há fraude, por que há defensores de que não se imprima os votos?

O Senado, dessa como de outras vezes, prova que é uma instituição criada para conservar o atraso, para impedir avanços. Só precisamos de uma casa legislativa nacional.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Queremos voltar à URSS", dizem os russos



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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No Brasil, que classe(s) compõem a foice de nosso símbolo ?

É chegado o momento de iniciar entre os comunistas um debate que não pode ser rápido, que necessariamente se arrastará e não chegará a ser consenso entre as organizações revolucionárias. Todos sabem que a foice (na verdade é um cutelo) e o martelo do símbolo comunista representam os camponeses e os operários, ou seja, a aliança de classes que permitiu a revolução soviética. Esse símbolo foi adotado pela maioria dos Partidos Comunistas do mundo porque representava em todos eles uma estratégia indispensável, forjar essa mesma aliança, ou seja, juntar a maioria do povo.

Hoje, no Brasil, os camponeses são somente 3% da força de trabalho, segundo o próprio MST. Existem trabalhadores rurais em diversas outras situações que não são camponesas, porque já aconteceu por aqui o previsto por Marx para o campesinato, ou seja, sua extinção gradual, sua migração em massa para as cidades, sua proletarização no campo mesmo, enquanto uns poucos se transformam em pequenos, médios ou grandes fazendeiros. Mas somando toda essa população rural, ainda não temos nem sombra da massa que foi campesinato com o qual os bolcheviques se uniram na Rússia e entre os quais os comunistas propagaram a revolução na China, no Vietnã e na Coréia. Ademais, boa parte dos pequenos fazendeiros, certamente a maioria esmagadora, longe de pensar em se aliar aos trabalhadores da cidade, os teme porque acha que o comunismo significaria que seriam tomadas suas terras.

O proletariado, por mais amplo que o consideremos, incluindo em sua fileiras todos os funcionários públicos e ainda a maioria das categorias de autônomos, ainda não chega, sozinho, a ser a maioria da nação. Portanto, somente a expulsão dos parasitas das fábricas não daria aos trabalhadores força suficiente para dirigir a nação sem fazer alianças.

A burguesia é cada dia uma minoria mais isolada e desmoralizada.

Então onde está o pendão da balança? O que sustenta o capitalismo? Que força se mantêm atrelada à burguesia a ponto de a manter no poder? E mais ainda, partidos de que base social conseguem enfraquecer os trabalhadores parasitando seus movimentos? Não é difícil notar que o que falta é a massa disforme, e no Brasil numerosíssima, chamada de pequena-burguesia, um povo que muitas vezes tem medo de comunistas, mas de entre os quais saem milhares de nossos melhores militantes.

É necessário começar a pensar e testar programas em que fique claro para essa massa que ela não será vítima de uma revolução, mas que compartilhará de seus benefícios.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre os choques entre estudantes e policiais na USP

Com a Constituição de 1988, da qual não somos fãs, só sobrou um motivo direto de choque entre a polícia e os universitários de todo o país - a proibição da maconha !

É verdade que os universitários se chocam com a polícia quando a polícia é mandada para bater em trabalhadores grevistas e em manifestantes, mas isso é diferente, não é um motivo direto de uma rivalidade exagerada. Exagerada - alguns policiais durante seus estudos escondem que são policiais e os estudantes dizem abertamente que não gostam de policiais. Se a rivalidade fosse somente resultante da repressão política, há muito tempo os estudantes só não gostariam da tropa de choque, não de toda a polícia.

Se não soubéssemos que a única forma de a maconha dar dinheiro é sendo proibida, poderíamos acreditar que essa proibição resultante de um fanatismo religioso e de preconceitos racistas só é mantida para alimentar a rivalidade entre os intelectuais e as tropas.

Três outros comentários são indispensáveis:

1 - Não é possível que um campus do tamanho da USP não seja policiada, e uma polícia universitária, sem poder de abrir fogo (que a PM não tem por lei mas tem de fato), não adiantaria nada na situação social brasileira. Sabemos que os campus gigantescos sem polícia viram alvos de ladrões, assaltantes, sequestradores, estupradores e locais de desova de cadáveres. Na UFMG a polícia passeia pelo campus da Pampulha há muitos anos, e os maconheiros se adaptaram a perder alguns fumódromos ao ar livre. O único conflito se deu por iniciativa da direção da Universidade, quando um fascista qualquer se aproveitou da viagem de um reitor e pediu que a polícia impedisse um filme sobre a maconha.

2 - Por parte dos policiais, levar dois maconheiros para delegacia é algo tipo fazer cera, descansar, fugir do serviço, pois é óbvio que esse tipo de prisão é uma bobagem, e que os maconheiros são soltos logo depois de assinarem uns papéis. Ou seja, é desperdício de dinheiro público, só isso. Portanto, foi muita estupidez da polícia prender esses dois maconheiros e gerar essa confusão. Se a ideia foi gerar o conflito para se impor, o comando dessa polícia precisa ser trocada por completa incapacidade política. Se a prisão foi decidida pelos policiais que a efetuaram, o comando é incompetente da mesma forma, pois devia ter dado instruções para que isso não acontecesse.

3 - A direção da Universidade devia deixar claro ao comando da polícia que os policiais foram chamados para defender os estudantes de criminosos, não para prender maconheiros. Que enquanto uma patrulha está levando um maconheiro para a delegacia, pode estar acontecendo um crime de verdade.

sábado, 5 de novembro de 2011

No país que deu ao mundo a palavra "democracia" o povo não pode decidir nada

Democracia é uma palavra de origem grega. É o nome dado ao regime político adotado por Clios, Atenas e dezenas de outras cidades gregas meio milênio antes de Cristo. Nesses regimes políticos os homens livres (escravos, mulheres e estrangeiros estavam fora) decidiam sobre todos os assuntos da cidade em Assembléias e Conselhos, elegiam e depunham seus generais, tesoureiros, diplomatas etc. Seus detratores é que cunharam o nome, que poderíamos traduzir pela expressão "poder do povão", embora literalmente fosse "poder dos povoados", ou poder das zonas políticas que depois das reformas de Clistenes tomaram o nome de "demos".

Esse nome depois foi usado por diversos regimes políticos, praticamente todos completamente diferentes entre si. A Grécia de nossos dias, e mais ainda o resto da União Européia, fazem questão de ressaltar serem democracias. Mais que isso, modelos de democracia! Pois bem, foi somente o primeiro-ministro grego recuar perante seu povo e propor um plebiscito sobre a situação do país e iniciou-se toda uma campanha mundial, em que entraram até as redes de TV "brasileiras", condenando desesperadamente a participação do povo grego nas decisões.

Vão ser cortados salários e benefícios, vão ser dificultadas as aposentadorias, reduzidos os investimentos públicos, sucateados os servições de saúde e a educação, elevados os impostos, e o povo não pode decidir se deseja esse caminho ou outro. Eis ai, mais uma vez, um retrato das "democracias" de nossos dias.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Grã-Bretanha vai deportar Julian Assange

Rompendo com séculos de tradição, a Grã-Bretanha vai deportar um refugiado político. Trata-se de Assange, o Australiano criador do Wikileaks. Existem contra Assange, na Suécia, denúncias montadas por agentes da CIA. Fato é que os EUA não engolem a divulgação de seus segredos sujos sem se vingar, e os países europeus estão reduzidos a colônias de forma que não podem se negar a participar da farsa.

Isso é que é a decadência de um império (aliás, curto e impotente) - criar um mártir só por vingança, pois não há outra utilidade, visto que Assange não pode desfazer o que fez.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ERRATA sobre as eleições do DCE da Universidade de Brasília (UnB)

A chapa Aliança pela Liberdade, vencedora, que propõe o fim das aparelhistas eleições diretas e sua substituição pelo poder dos Centros e Diretórios Acadêmicos, esclareceu em seu blog, http://liberdadeunb.blogspot.com/ , que nenhum de seus membros têm vínculos com partidos políticos, desmentindo as informações repassadas por nós, de que alguns seriam membros da juventude do DEM.

Eles negam, inclusive, terem idéias conservadoras.

Nota-se que não gostam de partidos políticos, mas mesmo assim terão que aturar nosso apoio. Se reclamarem, temos pronta para eles a resposta de Luis Carlos Prestes a Leonel Brizola de uma feita em que o PCB apoiou Brizola, e Brizola reclamou! Prestes então respondeu que isso não era da conta de Brizola, pois o Partido Comunista apoia quem bem entende.