quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ERRATA: A era nivaldista não acabou !

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Em 2012, quando Nivaldo foi derrotado pelo fracasso que nos desadministra, publiquei aqui mesmo um artigo com o título “Frente Socialista dobra votação – Era nivaldista encerrada – Gestão de Helvécio se iniciará sobre a sombra de Daniel Dantas”. Há menos de uma semana das eleições de 2016 podemos afirmar que erramos. A era nivaldista não terminou! Como diz o povo nas ruas, “o trator voltou”. As chances dos demais candidatos sempre foram muito pequenas, e agora são quase nulas, quase.

Quem sempre teve alguma chance foi Rômulo Viegas (PSDB), que seria o provável vencedor se Nivaldo fosse barrado pela justiça. Mas para vencer Nivaldo Rômulo precisaria somar todos os votos anti-nivaldistas. Precisaria, portanto, que Cristina (PT) não tivesse quase voto algum, ou mesmo que retirasse sua candidatura, mas quanto o Pt cobraria por isso? Os votos da Frente de Esquerda não iriam mesmo para Rômulo Viegas, mas antes para os nulos. É mais fácil talvez que a Frente de Esquerda esteja tirando votos de Nivaldo.  Além disso seria necessário que a campanha de Jânia, que tira votos de Nilvado, crescesse. Mesmo assim, talvez Nivaldo tenha mais votos que todos os 4 adversários somados, e nesse caso toda essa matemática eleitoral não vale nada, porque Rômulo poderia conseguir apoio dos outros 3 candidatos e ainda assim perderia. Mas mesmo que por milagre Nivaldo seja derrotado, esse milagre se chamará Jânia, de forma que virá da própria base nivaldista, e não do anti-nivaldismo.

É realmente impressionante que em 4 anos a imagem de Nivaldo, que parecia aposentado, tenha melhorado tanto. O maior cabo eleitoral dele é o atual prefeito, como todos sabem. O fracasso foi total! Tinha a maioria da Câmara dos Vereadores, a qual manteve por quase todo o mandato. Seu partido estava no governo federal, e na metade de seu mandato ganhou o governo estadual. Tinha apoio jurado dos professores da UFSJ. Apesar disso tudo, que nenhum outro prefeito nunca teve antes, é voz pública que foi o pior prefeito que já tivemos, tendo tomado esse título de Sidinho, que de 2004 a 2008 também conseguiu ressuscitar Nivaldo. Basta dizer que o atual prefeito sequer está tentando a reeleição, e que sua vice, que é a candidata petista, está amargando o quarto lugar nas pesquisas.

É simples, os petistas dizem que não tinham dinheiro nem para tapar buracos, e realmente a cidade ficou 4 anos esburacada, mas ao mesmo tempo têm mais de 800 cargos sem concurso na Prefeitura, o que soma mais de 1% da população da cidade! O prefeito chegou a reclamar de falta de dinheiro para pintar faixas, mas todo ano gastam milhares de reais com medalhinhas com as quais se condecoram uns aos outros... Dizem que não têm dinheiro para aumentar salários dos professores e outros que realmente trabalham, mas o orçamento anual da Câmara de Vereadores subiu de 1 milhão e meio para quase 5 milhões!

Agora, no fim do mandato, fizeram algo de decente melhorando a iluminação em alguns pontos, mas as verbas para isso sempre existem, pois pagamos para isso na conta da Cemig. Ou seja, a Prefeitura sempre teve o dinheiro para fazer esse serviço, mas só agora o conseguiu. A escolha da iluminação de leds foi correta, e economizará energia apesar do maior número de postes! Além disso, os postes são corretos do ponto de vista da poluição visual, pois eles dirigem a luz para baixo, ao invés de desperdiçá-la para o céu, confundindo aves a atrapalhando as observações astronômicas.

Contudo, nem se São João virasse a Cidade Luz o fracasso da administração petista seria reversível. E se Nivaldo realmente vencer, ficará pior, porque ele logo no primeiro mês provará que a Prefeitura tem recursos, desmoralizando completamente os petistas. Contudo creio que qualquer um dos 4 opositores que ganhasse conseguiria o mesmo – no primeiro mês mostrar serviço e acabar com as mentiras petistas! E se fosse alguém honesto, como Jordano, da Frente de Esquerda, o Pt ainda sofreria uma auditoria dessa gestão suspeita. Sim, suspeita, porque se faz menos que Nivaldo e o dinheiro some, algo está muito errado.

A Frente de Esquerda passou por dificuldades para se manter unida dessa vez, mas por fim se manteve. A campanha está boa, com grande receptividade por parte dos candidatos comunistas. Os petistas estão escondendo o vermelho e a estrela, mas os comunistas não têm tido problema nenhum com a cor vermelha e a foice e o martelo. O único problema é quando alguém acha que são petistas, mas ai é só explicar. Que os petistas e pseudobistas abram mão dos símbolos soviéticos, achamos mais que justo e honesto, pois eles nunca os mereceram, nunca foram sequer dignos deles. Mais ainda, é mesmo uma condição de paz, dos verdadeiros comunistas para os petistas, que eles parem de sujar nossos símbolos com suas patas! Quem chamava a União Soviética de ditadura, porque usa sua estrela e suas cores? Aproveitem que já estão mesmo passando essa vergonha de esconderem os símbolos e os troquem por alguma coisa que os represente.  E repetimos – fiquem felizes por ser um Nivaldo e não um Jordano na frente nas pesquisas, porque se nós ganhássemos lascaríamos em vocês uma auditoria!

domingo, 4 de setembro de 2016

GOLPISMO, “FORA TEMER” E AS CONTRAPRODUCENTES AMARRAS AO LULISMO

Wlamir Silva
Professor e historiador

A insistência da tese do “golpe”, acompanhada das agressões por epítetos de “canalhas” e “golpistas” aos que dela discordam ou, mesmo, aos que negam a ela alguma centralidade, demonstra a pretensão de direção e hegemonia do Lulismo. De fato, trata-se, de viabilizar a sobrevivência e o retorno, sem nenhuma autocrítica, desta força política em processo falimentar.


Slogans substituem o debate e a divulgação de temas graves


Pensar a organização dos trabalhadores em seu conjunto, em perspectiva da resistência em curto prazo e, principalmente, em longo prazo, é ainda mais incompatível com a sombra do discurso do “golpe”. Afinal, o apoio popular ao impeachment esteve, em maio de 2016, em 66%, e a rejeição a ele em 27% (Datafolha). O que aponta para as restrições da associação ao referido discurso.

A rejeição “de todos”, ser percebida em pesquisas de opinião, e a olho nu, e o desejo difuso de eleições gerais (62%, Datafolha, maio de 2016), expõe uma descrença para com o sistema político, ou com a política, que extrapola uma rejeição ao atual governo. O mesmo quadro já se dava com o governo anterior e se mantem, com diferenças inexpressivas, para o atual.

Se a questão premente são os direitos trabalhistas e de aposentadoria em risco, a tese do “golpe” também é um estorvo. A preservação de tais direitos tem peso quase secular no imaginário popular, e é preciso mobilizar este patrimônio ideológico e simbólico. E esta população, em sua imensa maioria, em especial nos segmentos menos remunerados, não rejeita o impeachment.

Além do que, a preservação de direitos se deveu, desde os anos 1950, ao Parlamento,
sensível às pressões do voto popular, mesmo com maiorias conservadoras. Insistir com a pecha de “golpista” ao Congresso e associar tais demandas a um projeto político falido – e que reformou a previdência, foi conivente e tramou a flexibilização trabalhista – é contraproducente.

Eficaz será a construção de pautas unificadas com base nos direitos a serem defendidos, evitando a sua confusão com slogans e palavras de ordem de fins outros. Pressionar o Congresso com listas de votantes nas medidas que retirem direitos no calor da crise. Apelar para o patrimônio destes direitos fortemente assentados no imaginário popular.

A longo prazo, é ainda menos atraente, para uma perspectiva política que se pretenda transformadora, reforçar amarras ao Lulismo. Visto que tal projeto foi pífio no que tange ao desenvolvimento econômico e criação de novos direitos, promoveu a cooptação e a fragilização da organização dos trabalhadores e aderiu e reforçou a política tradicional conservadora.

Em perspectiva histórica, há um longo e pedregoso caminho a percorrer: o de retomar as bases de organização social e política autônomas e o de construir projetos políticos mais claros junto à população. E esta clareza não implica em unidade prévia ou forçada, ou a imposição de uma posição sobre as outras.

Um novo caminho à esquerda deve ser o da abertura de campos de discussão, possibilidades de unidade e alianças mais ou menos amplas. Desde que com base em programas e intenções publicamente estabelecidas, respeito aos militantes e em consonância com uma pedagogia política junto à população.

Afinal, o reconhecimento de sermos, hoje, ínfima minoria, é um ponto de partida necessário para voos maiores. Atalhos sedutores de tomada do poder, irreais pelo vazio de seu pragmatismo ou pela vacuidade de seu espontaneísmo, são apenas desvios que, como vemos, cobram, cedo ou tarde, o seu preço com juros.