sábado, 30 de abril de 2011

Movimento Diretas Já teve somente 2 votos no Campus Santo Antônio

Apesar do apoio do reitor, de um deputado federal e sua assessoria, de diretores da UNE e do partido governante, a opção por eleições diretas para representantes dos estudantes no Conselho Universitário teve somente 2 (dois) votos, sendo que todos os estudantes do Campus Santo Antônio, alguns milhares, podiam votar, e foram convocados por panfletos, recados nos quadros etc. Aconteceu uma Assembléia, onde os defensores das eleições diretas não apareceram, fugindo do debate, uma vez que só têm a dizer as mesmas propagandas da Justiça Eleitoral de sempre. Ao final dessa Assembléia os estudantes votaram em urnas, com voto secreto.

Que uma proposta que tem a seu favor o senso comum, a propaganda da Rede Globo e de toda a grande imprensa, a defesa armada dos EUA e seus satélites, seja assim derrotada é um fator a se levar em conta. Nos Congressos da UNE, uma concentração de lideranças, as eleições diretas são sempre derrotadas, mas nunca de forma tão massacrante. Ou seja, as bases, nesse caso, estão mais avançadas que as lideranças!

Em todo o país existem pessoas que já entenderam que as eleições diretas e os congressos respectivamente de DCEs e das UMES precisam ser substituídos por Conselhos de Entidades de Base, ou seja, de CAs e de Grêmios. Porém, nas Universidades, onde a coisa tem que começar, essas pessoas têm medo de enfrentar o senso comum, têm medo do escuro e do bicho papão! Olhem para São João del-Rei, percam esse medo infantil, organizem núcleos da Sociedade Defensora do Poder às Entidades de Base

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dilma está chamando a crise para o Brasil - Que democracia é essa ?

O governo Dilma está se tornando a traição dentro da traição. O governo Lula já foi, para os militantes que o apoiaram desde 1989, uma tremenda traição, mas o governo Dilma está conseguindo ser uma traição mesmo da linha de governo lulista! Lula confessou o que qualquer comunista entende facilmente, dizendo que foi necessário um operário metalúrgico retirante do nordeste para levar o capitalismo ao seu desenvolvimento ótimo no Brasil. De fato, em seus oito anos, longe de dar qualquer passo em direção ao socialismo, Lula desenvolveu o capitalismo. Porém, enquanto o mundo entrou em crise, o Brasil continuou crescendo, ancorado em exportações para a China e o Mercosul, e estimulado por gastos do governo que a oposição servil aos interesses estadunidenses criticava como irresponsáveis.

A população votou pela continuidade do rumo adotado por Lula, e mesmo entre capitalistas se votou em Dilma com medo de que os tucanos dificultassem as relações econômicas com os concorrentes dos EUA e cortassem gastos públicos. Felizmente, a sinalização de estreitamento de laços com os EUA não significa que o governo Dilma cederá à pressão da extrema direita para prejudicar as relações com a China, a Venezuela, a Bolívia e o Equador. Mas os cortes de verbas e a política recessiva, com a desculpa de conter a inflação, ou seja, pregando cautela, são na verdade um perigo tremendo.

Em um mundo em crise, repito, os investimento públicos têm sido uma salvação, pois compensam os desestímulo reinante na economia global. Se os preços sobem isso significa que é necessário produzir mais, de forma que os preços caiam. Ou seja, a inflação deve ser combatida crescendo, o que a história demonstra que é possível e também o jeito mais fácil. Porém Dilma fez a escolha tucana - limitar o aumento do salário mínimo, limitar os investimento e daí a criação de empregos, gerando talvez até desemprego, de forma a limitar o consumo. Ou seja, ela está escolhendo combater a inflação decrescendo, gerando sofrimento para o povo, colocando em risco várias empresas, colocando assim em risco a própria economia em conjunto, sob a pregação de prudência.

Se o povo quisesse essa política de conter o crescimento econômico, teria votado nos tucanos! Mas cada eleição serve para nos ensinar de novo que o povo não manda em nada, porque nossa democracia é isso ai.

Outra prova do que vale nossa democracia são os votos verdes, que foram muitos para uma campanha relativamente pobre, mas estão sendo completamente desrespeitados com a aprovação de um código florestal que não agrada os ambientalistas, com a construção da hidroelétrica ineficiente de Belo Monte etc.  

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Prefeito vetou homenagem a Pedro Chaves Walsh

Amanhã acontecerá a sessão da Câmara em que se tentará derrubar o veto e fazer essa justa homenagem. Somente porque o prefeito é implicado em denúncias feitas pelo senhor Pedro não é motivo para que tal homenagem não aconteça, mas pelo contrário é mais um justo motivo para a homenagem.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Diversos conselheiros ainda não sabem qual foi o próprio voto na reunião do Conselho Universitário do dia 18

Parece piada, mas é só uma tentativa de golpe. Simplesmente, os próprios conselheiros universitários em grande maioria não ouviram o reitor colocar o estatuto que ele quer impor em votação, e como ele afirma que a votação ocorreu, diversos conselheiros têm ido à secretaria perguntar em eles mesmos votaram !!?? Mudar o estatuto de uma Universidade em uma reunião, sem debates, sem ninguém nem saber em que votou, é algo que se for aceito pela justiça desmoraliza nosso sistema educacional. Se for assim, as Universidades não teriam mais regras, seriam propriedade dos reitores, que poderiam, cada um, modificar o estatuto a bel prazer de seu mandato.

O movimento criado pelo reitor para dividir os estudantes, o Diretas Já, composto quase somente de pré-candidatos petistas, diretores da UNE petistas e assessores de certo deputado, está comemorando a tentativa de golpe do reitor como uma vitória. Como se desmascaram! Dizem que são democratas porque ficam repetindo as propagandas do TSE, mas apoiam que um estatuto seja modificado sem debates, sem discussões. Ou seja, o que querem com as eleições diretas? O poder de impor coisas sem debater com as bases?

Na verdade conhecemos seus planos - querem eleições para conselheiro universitário para já as usarem para se lançarem, lançarem seus nomes na cidade. Tentarão vencer, porque ai também usarão os mandatos de conselheiros como vitrine para suas planejadas carreiras eleitoreiras. Depois continuarão usando o Diretas Já para se promoverem e tentarão tomar o DCE como aparelho, usando, como no país todo, eleições diretas. É a estratégia de sempre do parasitismo. Qual sua grande bandeira? As eleições diretas! E qual seu grande aliado? O reitor, ele mesmo uma prova ambulante do que são as eleições diretas!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Reação e Ação

Depois de 6 anos, enfim, levanta-se a bandeira que esperávamos por esse tempo todo, dada sua obviedade e poder demagógico, "Diretas Já" ! É isso que dá não ler Marx! Os caras fazem o favor de provocar nosso riso sendo provas vivas do que o barbudo escreveu no 18 Brumário, há mais de 150 anos, que na história as coisas até se repetem, sim, mas a primeira vez como tragédia e segunda como farsa. No caso brasileiro, a tragédia não foi lá essas coisas, foi mais uma decepção tremenda, de forma que a farsa também não é muito bem representada, só convence alguns diretores e uma parte minoritária dos seus próprios atores.

Que vejam bem todos os que, espalhados pelo país todo, compreendem que um Conselho de entidades de base é a única forma de organizar os movimentos universitário e secundarista de forma a crescerem livres de parasitas, mas têm medo enfrentar o fetiche das eleições diretas, sustentáculo da parasitagem! Foram necessários 6 anos, seis, para que se reunisse a coligação contra as entidades de base, o reitor a frente e alguns pré-candidatos petistas, e levantasse a bandeira das eleições diretas.

Eles trouxeram para São João os seus diretores da UNE, os assessores do deputado federal Reginaldo Lopes, militantes petistas de Santos Dumont, dois ônibus de estudantes de Sete Lagoas, que ainda não têm contato com o DCE e foram levados para barrar a porta da Reitoria, para impedir que os estudantes de São João del-Rei a ocupassem. Todo esse aparato sequer abalou o moral do estudantado, que impediu a votação no Conselho Universitário, e já está com suas assembléias gerais marcadas para decidir como devem ser as suas representações nesse órgão.

A reação retardada, 6 anos, gerou, como sempre, uma ação, e surgiu até uma organização para defender o poder das entidades de base, a Sociedade Defensora do Poder às Entidades de Base.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Reitor outorga novo estatuto da UFSJ em que DCE não tem representantes no Conselho Superior

A aprovação do estatuto da UFSJ, hoje, não foi uma votação, pois o tumulto impedia que tal acontecesse. O reitor, mesmo assim, afirma que está aprovado pelo Conselho Universitário um novo estatuto, sem consulta nenhuma à comunidade, contra os votos dos dois estudantes do Conselho Universitário, sem ouvir suas falas.

Agora, os representantes dos estudantes serão eleitos em eleições diretas! Ou seja, serão treinos para pré-candidatos a vereadores em 2012, terão o envolvimento de dinheiro, partidos políticos, fofocas, apelos emocionais, candidatos palhaços e no fim das contas não representarão os estudantes... que terão que ocupar a reitoria, soltar notas com denúncias, fazer manifestações para coisas que hoje resolvem dialogando no Conselho Universitário.

Os estudantes estão reunidos nesse momento, no Campus Santo Antônio, decidindo o que farão, mas é certo que darão respostas a altura.

O reitor não percebeu que com esse rompimento ele fez confissões enormes - confessou que os representantes do DCE o incomodam, e confessou que consegue representantes mais dóceis e maleáveis em grandes e caras eleições diretas.

Manifestação na BR 265

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Assembléia Geral dos Trabalhadores das Empresas de Ônibus de São João del-Rei

Nessa Sexta-feira, 15 de Abril, às 9 e às 15 horas, os trabalhadores das empresas de ônibus se reunirão para decidirem se entram em greve. Como todos sabem, a empresa de transporte urbano de São João del-Rei ganhou da prefeitura isenção de impostos de 240 mil reais, cobra uma passagem acima do valor cobrado em cidades vizinhas como Barbacena e Lavras, e acaba de estender sua concessão por mais 15 anos prorrogáveis por outros 15. Porém, quem for à Assembléia ficará sabendo quanto ganham os trabalhadores...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Três mil operários em greve em Congonhas

Acabamos de saber, por telefone, visto que a imprensa "brasileira" omite esse tipo de notícia, que em Congonhas, cidade há uma hora e meia de viagem de São João del-Rei, três mil operários estão em greve. O Sindicato dos Metalúrgicos de São João del-Rei está organizando uma pequena comitiva para ir a Congonhas apoiar os operários.

sábado, 9 de abril de 2011

Senhor Reitor,

Desculpe-nos incomodar durante suas férias repentinas, que mais parecem uma fuga, mas o senhor acusou na reunião do Conselho Superior da UFSJ de 4 de Abril de 2011 que “o PCB aparelha o DCE” da UFSJ. Então vamos te ensinar o que é e o que não é aparelhamento.

Quando o senhor faz shows do Inverno Cultural todos os anos em sua cidade natal, onde a UFSJ não tem um Campus, mas o senhor tem óbvios interesses políticos, isso é aparelhamento, e a prova é que as demais cidades vizinhas, onde o senhor não tem tantas possibilidades eleitorais, não são igualmente privilegiadas.

Quando a assessoria de imprensa de uma Universidade é reduzida a atuar como assessoria de imprensa do reitor, isso é aparelhamento.

Quando o senhor, nas eleições de 2011, trouxe à UFSJ somente uma candidata à presidência da República, a sua, e ainda transformou a capa do jornal da Universidade em um panfleto dela, isso é aparelhamento.

Aparelhamento é a gíria do movimento para quando um partido, ou personalidade, ou qualquer tipo de ator político, transforma uma entidade que deveria ser de todos em um “aparelho” seu. É ainda uma palavra branda, visto que lembra os “aparelhos” onde se escondiam organizações clandestinas que lutaram contra a ditadura. O termo mais exato é parasitismo, visto que as entidades assim atacadas, como uma pessoa atacada por um parasita, sofrem e com o passar do tempo definham.

O PCB teve um candidato em 2010 a deputado federal morador de São João del-Rei – Alex Lombello Amaral – mas onde se viu qualquer publicação do DCE com qualquer apoio, mesmo subliminar e indireto, a esse candidato? Em que ocasião o DCE chamou esse candidato para fazer campanha dentro da UFSJ? Teve esse candidato alguma estrutura financeira ou logística para que se possa acusar que a mesma veio do DCE?

O PCB de São João del-Rei já nasceu em 2007 rompido com praticas parasitárias, porque estudando a degeneração de partidos que um dia foram revolucionários e hoje degeneraram em capitalistas, notamos que esses partidos foram de fato parasitados pelos parasitas que criaram nos movimentos sindical e estudantil.

O PCB também não manipula os estudantes, como o senhor insinuou. Aliás, o senhor deve ter notado, quando conseguiu não se sabe como os telefones das casas de diretores de várias entidades de base, e ligou para eles, ano passado, pedindo-lhes que votassem em um estudante contra outro no Conselho de Entidades de Base, que esses estudantes não são manipuláveis, pois apesar da pressão e das dádivas, o senhor só conseguiu dois votos!!! Confessou durante a ocasião que sabe que o PCB não controla o DCE, porque nunca ligou para nenhum dirigente do PCB, só ligou para quem manda, os Centros Acadêmicos.

Deve ter sido a partir dessa sua experiência no movimento estudantil que o senhor percebeu que para ter conselheiros universitários dóceis entre os estudantes é mais fácil se os mesmos forem eleitos em grandes eleições diretas. Só não entendo como o senhor foi inocente de imaginar que os estudantes não perceberiam ou não se revoltariam contra essa manobra, ou se sabia que teria que enfrenta-los, como se atreveu, quando já foi derrotado por eles várias vezes.

O fetiche das eleições diretas, senhor reitor, pode ser forte entre seus aliados, mas não o é para essa geração que já nasceu sob a Constituição de 1988 e agora vem a conhecer na prática uma experiência democrática como a dos Conselhos de Entidades de Base. Eles até fazem eleições diretas nas próprias entidades de base, que são universos de poucas pessoas, mas sabem que em grandes eleições, em que reina o poder financeiro, os representantes estudantis na verdade serão do senhor ou de quem investir ainda mais dinheiro, e não dos estudantes.

Todos podem comparar - Essas dezenas de jovens estudantes que o senhor parece não querer ver mais nos Conselhos Universitários são o resultado da uma nova democracia que eles mesmos estão construindo, sem reis, sem chefes, sem influencia financeira, sem decisões entre quatro paredes. O resultado das eleições diretas nós também conhecemos, nossos prefeitos, deputados, vereadores, sindicatos e entidades estudantis parasitadas, reitores que não suportam opiniões divergentes de seus alunos....

Partido Comunista Brasileiro
São João del-Rei
9 de Abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

CONTRAPONTO: Resposta ao texto publicado pelo ex-militante do DCE e ex-vice prefeito petista

Original no http://carllosbem.blogspot.com/2011/04/lider-estudantil-e-petista-sim-senhor.html

O autor deste relato subestima a inteligência dos estudantes defensores do DCE das bases. O gênesis do ataque ao DCE está na provocação abertamente petista em retomar um modelo de organização que lhe favoreceu no passado, em simbiose com a sede do até então reitor da UFSJ pelo controle político da Universidade.

Não é de hoje que correligionários deste partido vêm tentando ações de boicote ao DCE. Em 2006 uma militante petista (Camila) foi deposta pelo CEB da coordenação do CTAN (DCE), por ter tirado uma foto do deputado Reginaldo junto a então recém-eleita diretoria de DCE e tê-la publicado no Folha das Vertentes, jornal petista. Ano passado um militante do PT (Adriano) tentou orquestrar uma grave intervenção feita pelo reitor na eleição do conselheiro universitário estudantil (vide www.anotacoesburocraticas.blogspot.com ).

E agora tal iniciativa que reivindica a volta ao passado parte do movimento “mudança” do PT. Ou seja, não é um problema de petismo em si, até porque pelo DCE passaram militantes do PT que somaram com a entidade (Rafael Kohatsu é um exemplo).A opção partidária não é colocada como um problema em si, pois seja ela qual for tem legitimidade, pelo simples fato de ser uma escolha.

Ademais, pessoalmente sei avaliar o papel do PT no país de trazer avanços, sendo que o maior deles é o de deixar a “direitosa” clássica fora do planalto por mais de oito anos. Durante o segundo turno de 2010 estive do mesmo lado que o autor, fui Dilma “desde criancinha”, pedi voto em público pra duas mil pessoas (no município de Açucena, o prefeito de lá - Ademir Siman/PT - é testemunha disso, o autor pode confirmar com ele).

Quanto ao reitor, faz um bom tempo que já colocou uma bandana petista na cabeça com as mesmas práticas aparelhistas que denunciamos (só que no âmbito da UFSJ). Aliás, vale registrar que este senhor, neste exato momento, se encontra repentinamente de férias, depois de lançar um tsunami japonês sobre sua própria cabeça.

O autor do texto cria a mesma falsa polarização que o reitor insiste: Coloca PCB de um lado e PT de outro, sendo que o PCB é mais um dos atores que defende o poder das bases sobre o DCE, assim como o fazem diversos CA’s, o fazem outros partidos, assim como o fazem diversos estudantes, tendo entre estes estudantes uma maioria sem partido que possui clareza no que diz.

Mas é claro que entendemos isso: Sem atribuir um dono ao DCE, como fariam para defender a volta ao passado? Trata-se de um texto com um lado humorístico também: atribui ao PCB “falta de argumento”, sendo que não são os pecebistas e nem os outros tantos defensores das bases que estão fugindo do debate. São os correligionários do passado que estão correndo do “tete a tete”, do “olho no olho”.

Ademais, tenta igualar o PCB na mesma pobreza política de seu partido, reduzindo “interesse local” a disputa de cargos públicos. Fazemos política local jogando ao lado dos trabalhadores, estudantes e povo oprimido, e se isso resvala em vocês o problema não está conosco, está em posições que eventualmente assumem (como a defesa da volta ao passado no DCE UFSJ).

Farei considerações sobre algumas pontuações do autor, pois são pedagógicas para diferir as concepções colocadas neste debate. No entanto, cabe reconhecer a importância de tal relato, na medida em que expõe verdadeiras conquistas do DCE do passado. Um importante “puxão de orelha”, pois por vezes assumimos o maniqueísmo na política, colocando como totalmente ruim tudo aquilo que é feito numa estrutura diferente da que defendemos, assim como por algumas vezes (ainda que menos) tendemos a colocar o que defendemos como algo “acima do bem e do mal”.

Vale reconhecer: a representação do DCE antes de 2004 não foi só de equívocos. Foi limitada, pois o grosso dos estudantes tinha oportunidade de se expressar no movimento somente na eleição pra DCE, que na maioria das vezes tinha um quórum que variava entre 10 e 20% de estudantes votantes. Havia sempre uma diretoria com poderes imperiais, que ditava a agenda do movimento.

Cabe também reconhecer que era o formato que tinha e pronto. Toda polêmica hoje ocorre porque este partido quer retroceder com o DCE. É aí que entramos apontando as limitações do passado, não estamos aqui apontando falhas por "esporte" ou por “falta do que fazer”.

E quando falo do passado, condeno este tipo de representação que deixa explícita no relato. O uso deliberado da entidade pra se eleger como vereador. E aqui não acuso o autor do que não posso provar (não afirmo que roubou, por exemplo. O máximo que faço é levantar minha estranheza deste autor ter dito publicamente num debate com o professor Éder, já na conjuntura DCE CEB, que adquiriram um sofá de R$ 3 mil reais antes de 2004). Mas posso provar que o autor usou a imagem da entidade, pois à sua época eram comuns jornais que traziam somente sua foto na capa. Isso é o aparelhismo de que tanto falamos.

Este tipo de representação leva a este tipo de relato. Eu fiz, eu aconteci. Quando me coloco ao lado do DCE das bases, estou defendendo uma prática política coletiva, que dá oportunidade de qualquer estudante ser agente da política, seja qual for sua ideologia. Estou falando da prática, pois hoje começa a se formar uma geração de estudantes que fez política de base.

São estudantes que estão se formando e levando para além da Universidade a prática política, seja no trabalho, no partido ou dentro de casa. Estudantes que, mesmo que não exercendo a ação política junto a partidos e/ou movimentos, saem com respeito ao movimento estudantil, aos movimentos sociais. Estudantes que estão habilitados para, inclusive, exercer funções públicas, sem encarar a política como profissão.

Diferente da geração do passado, em que o grosso dos estudantes saía avesso à política, com pouco ou nenhum respeito aos movimentos sociais. Uma geração que se fez numa prática política onde um ou outro “iluminado” tende a assumir política enquanto ofício, dependendo dela pra colocar comida no prato e gerando dependência naqueles que se propõe a representar.

O autor caracteriza este tipo de defesa que faço acima como proselitismo. Bom, se proselitismo for atuar em conjunto com as bases, de acordo com as demandas destas (e não das demandas sedutoras que "encaixam como luvas" em campanhas eleitorais), então creio que o DCE UFSJ faz proselitismo. Trata-se de “proselitismo” com repercussão real na vida estudantil, que discute desde o caráter ACADÊMICO até as questões econômicas mais imediatas dos estudantes.

É só recorrer aos últimos seis anos: discussão da natureza dos cursos de Divinópolis e Sete Lagoas, discussão do caráter de um possível consórcio universitário, atuação na NÃO-aprovação do Campus Piumhi – um projeto salvacionista de empresário que daria a UFSJ mais um campus de extensão, sendo que ela mal dá conta dos que tem hoje. Discussão sobre organização acadêmica (se departamento, centro de ensino ou os dois juntos), debate e mobilização em defesa da democracia universitária e soberania dos segmentos universitários.

Atuação junto aos estudantes de Divinópolis, conquistando garantias acadêmicas e estruturais. Ademais, DCE CEB proporciona CA's e DA's fortíssimos que, em repletos casos dos últimos tempos, têm sido decisivos nas diretrizes curriculares. Diferentemente do passado, onde os CA's e DA's eram débeis (quando entrei em 2003 na UFSJ funcionava dois ou três CA's, de doze existentes);

E também têm conquistas econômicas, não menos importantes, como: carteirinha do DCE gratuita PRA TODOS, redução de preço da cantina e xerox, garantia de auxílio alimentação para estudantes carentes enquanto não sai o famigerado R.U que pretende vender um prato por R$ 3.

Voltando ao depoimento, cabe algumas observações: o autor fala do meio-passe “DELE”. Só esquece de dizer que trata-se de um meio-passe meia-boca, pois impõe a utilização do desconto a um turno e uma vez por dia, como se estudar fosse só freqüentar sala de aula.Ademais, não me gabaria tanto deste meio-passe, pois a geração do passado passou anos falando de passe-livre, e depois que o presente autor virou vice prefeito de um prefeito TUCANO em 2004 não se falou mais nisso.

Quanto à lei de meia-entrada, o autor pode dizer que regulamentou as penas aos estabelecimentos, mas não pode dizer que instituiu meia entrada, pois ninguém institui algo que já é instituído, a legislação nacional já abarcava o município de São João del Rei, pois São João del rei está dentro do território brasileiro.

Quanto ao Inverno Cultural, por ter ampliado o seu raio de ação cabe os méritos pra geração do passado. No entanto, democratizar é algo bem diferente, pois continua sendo a autocracia universitária e a elite local quem manda. Caso interessante foi em 2007, que deveria ser ano de homenagem a Clara Nunes (sambista, negra e adepta de umbanda), e não foi por articulação da elite conservadora de São João. Foi o ano de homenagem a Capital Brasileira da Cultura, ou seja, foi “Homenagem a Homenagem”.

Quanto a terem barrado os cursos pagos, parabéns também. E quanto a barrarem taxas de utilização de ESPAÇO PÚBLICO, bão também; e, por fim, quanto a paridade de um terço, méritos também. Falta agora o DCE seguir no caminho desta luta e conseguir instrumentos efetivos de deposição de reitor, porque o quotidiano está mostrando que eleger é muito pouco.

Quanto a evolução do PT na educação superior, vivi isso na pele. Isso foi um dos grandes motivadores de minha campanha no segundo turno pró-Dilma, pois os tucanos “fu...” com o ensino superior até 2002. Só sugiro que não coloque o deputado Reginaldo como um feitor de favores. Ele é regiamente recompensado pela reitoria, pois desde 2004 o PT conta com correligionários participando como pró-reitores, em cargos de direção, e tem uma fraterna amizade com a “cereja do bolo da reitoria”, o reitor.

Este deputado sempre está nas fotos do panfleto da reitoria (chamado de jornal da UFSJ), e tem privilégios, pois sua candidata a presidência foi a única a visitar a UFSJ, estando na capa de uma edição do supracitado panfleto. Além do que, recebe uns R$ 180.000 por mês pra fazer estas coisas, dinheiro pago por nós (brasileiros); No mais, este “sonho” do R.U e moradia estão tão antigos que já estão podres, já são pesadelos. A Universidade cresce e nada!

Não morro de amores por um deputado que tem uma despesa de campanha DECLARADA (em 2010) de R$ 2.017.491,48 e uma arrecadação de R$ 2.028.939,79, tendo dentre alguns de seus doadores BMG – R$ 200.000, Camargo Correa – R$ 100.000, Galvão Engenharia R$ 100.000, Fernando Pimentel – R$ 82.435,82, Gerdau R$ 50.000,00. Isso porque acredito piamente que bancos, empreiteiras e grandes empresas não costumam doar algo por “amor no coração”. Estes dados foram tirados do site do TSE (http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.prestacaoconta2010/candidatoServlet.do ).

Por fim, se o PT se orgulha tanto de servir aos estudantes, que ele compareça nos debates colocados e explique com A + B porque defende a volta ao passado.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Relato contra a BANDIDAGEM

Eis neste link abaixo um relato denso e profundo de Vinicius Tobias, estudante da comunicação social da UFSJ.

Vinicius foi, até um determinado momento, massa de manobra no ataque que o reitor fez ao DCE em 2010, um ataque à imagem e semelhança do que ocorre hoje.

E fala do porque que é um defensor e participante hoje do DCE UFSJ.

Vale a pena ler e comentar!

http://anotacoesburocraticas.blogspot.com

terça-feira, 5 de abril de 2011

Reitor, UNE e PT contra a organização dos estudantes da UFSJ

Eis que o reitor da UFSJ, que não está suportando conviver com as opiniões divergentes dos alunos, aliou-se com o PT, que também não suporta um movimento social que não lhe seja submisso, e o PT chamou o seu rabo especializado em movimento universitário, o PC do B, que enviou seus militantes, que vieram sob a bandeira da UNE, ou seja, camuflados, e fizeram coro ao reitor. Que vergonha de um dia ter sido do PC do B - Na época, lutavamos, eu e vários camaradas, para que o o PC do B não se tornasse isso que se tornou. Veio agora, se desmoralizar perante todos os militantes estudantis da UFSJ, defendendo o indefensável, a mentira, o capitalismo. Eu na verdade ainda não sei nenhum detalhe de nada que aconteceu no Conselho Universitário ontem, mas somente de saber que foi uma baixaria ( os boatos correm) e os protagonistas acima citados, meu estômago já fica embrulhado.

O reitor é só isso, não deu conta sozinho, nem merece minha atenção. O PT era dono do DCE até as entidades de base libertarem essa organização em 2004, com nossa ajuda, claro. Não, o DCE não se tornou nosso, na verdade nunca tivemos maioria, nem um terço, nem um quarto do Conselho, e não temos esperança de tanto nem depois da Revolução. A pluralidade é total, a transparência é total. Nunca mais foram comprados sofás de 4 mil reais. Nunca mais os informativos do DCE ostentaram as fotos dos candidatos de qualquer partido. Nunca mais o DCE foi parasitado, transformado em "aparelho", em comitê eleitoral e sede partidária.

O que permite essa baixaria nos 200 DCEs do país são as eleições diretas, com as quais partidos que mais parecem quadrilhas, se apossam dessas organizações e as parasitam. Outra forma de legitimar o parasitismo de um partido sobre uma organização estudantil é o congresso, cujos exemplos são a UNE e, em São João del-Rei, a UMES, que já está morta, mas o PT mantém debaixo do braço. Todos se lembram de como a UMES foi usada em várias eleições, como se os estudantes apoiassem esse ou aquele candidato.

Esse parasitismo, longe de ser bom para os partidos que o praticam, é sua morte também. O exemplo é meu ex-partido, o PC do B, que de tanto criar parasitas no movimento estudantil, foi parasitado por esses mesmos parasitas e hoje é o que é. Por isso defendo, de forma intransigente, que os comunistas rompam com qualquer parasitismo, o que no movimento estudantil é fácil, pois basta denunciar as eleições diretas e congressuais e defender todo o poder para as entidades de base.

A resposta dos universitários da UFSJ deve ser a ofensiva, que já deviam ter feito a muito tempo, não somente contra o reitor, que não é nada, é uma luta interna contra vaidade e autoritarismo. A ofensiva deve ser contra os parasitas, a começar por São João del-Rei, onde os irmãos menores dos universitários não tem organização por que o PT quer ser o tutor deles.

domingo, 3 de abril de 2011

A Confissão do Reitor

O reitor da UFSJ tem tentado influenciar as indicações dos estudantes para o Conselho Universitário, órgão máximo da universidade, de forma a conseguir conselheiros dóceis. Ficou nacionalmente famoso o episódio em que esse mesmo reitor ligou para os Centros Acadêmicos pedindo votos para um estudante contra outro! Foi um sinal claro da força que essas organizações de base alcançaram na UFSJ desde que reformaram o Diretório Central dos Estudantes em 2004, pois em outras cidades os reitores ligam para os chefes partidários, não para os estudantes das entidades de base. Apesar dos telefonemas, os Centros Acadêmicos elegeram e confirmaram por quatro vezes o estudante que o reitor não queria!

Esses Conselhos são abertos a todos os estudantes, e neles têm voto as entidades de base, ou seja, os Centros Acadêmicos de cada curso, de forma que cada curso tem um voto. É portanto um parlamento, mas um parlamento completamente transparentes e aberto à participação. Esse Conselho, que lembra aos historiadores estruturas como os Soviets ou a Comuna de Paris, tem dirigido o DCE há 6 anos. Há seis anos, o DCE não é mais usado como trampolim eleitoral, não é mais usado como comitê partidário, não é mais usado com fonte de recursos financeiros, em uma frase, não é mais parasitado por carreiristas. O movimento universitário está então renascendo, com estudantes de verdade, e fala cada dia mais grosso com a reitoria e com a prefeitura da cidade.

O reitor enfim percebeu que nem com sua influencia pode controlar os conselheiros universitários eleitos e acompanhados pelo Conselho de estudantes, então está propondo uma mudança estatutária, em que os conselheiros deixariam de ser indicados pelo Diretório Central dos Estudantes e passariam a ser eleitos diretamente. Assim ele conseguiria conselheiros dóceis, pois eleições diretas grandes e caras elegem tiriricas, malufs, nivaldos, as câmaras dóceis aos prefeitos, são a consagração do poder financeiro, e não da democracia. Os estudantes mesmo, que participam do Conselho de estudantes, que fazem qualquer movimento estudantil, estarão alijados do Conselho Universitário, privados de voz, terão que negociar sempre com os pés, ocupando a Reitoria sempre que seus “representantes” tiverem votado contra seu desejo.

A eleição direta em uma Universidade é como em uma cidade, é a consagração do poder do dinheiro, dos interesses mais espúrios, da esperteza, é o que pode haver de mais anti-democrático em matéria de democracia, é o pior modelo de democracia, o estadunidense, que os EUA tentam impor ao mundo com guerras. Há 30 anos, quando os presidentes eram indicados pelos generais e as eleições eram controladas, a bandeira de Diretas Já foi útil, mas mesmo assim, hoje, é necessário confessar, foi enganosa. Foi uma grande mentira pregada ao povo pelo PMDB, por Tancredo, por Ulisses e adotada fanaticamente pelo PT desde então, que iguala democracia com eleições diretas. E mentir ao povo é sempre um mal, é sempre contra-revolucionário, é sempre um desserviço.

Existem diversas formas de democracia, e já existiram piores. Na Grécia antiga ficou famosa essa forma de Estado, da qual herdamos o nome, mas era na verdade o poder dos senhores de escravos. Os Demos atenienses eram compostos somente pela minoria de homens livres nascidos de pais e mães atenienses, e assim eram até as mais amplas democracias das cidades gregas, excluíam escravos, mulheres e estrangeiros. Na idade média Veneza foi a cabeça de uma democracia só de nobres, a República do Veneto, e como ela existiram outras. Durante os séculos XIX e XX se aprimoraram as democracias do dinheiro, cujo truque são as eleições diretas, que legitimam o poder da minoria detentora do capital. Por último surgiram democracias das pessoas, diretas e participativas na medida do possível, transparentes, abertas às pessoas e fechadas ao dinheiro, mas que ainda estão se aperfeiçoando. Ou seja, estamos tentando, ainda com resultados defeituosos, pela primeira vez democracias que correspondam ao significado atual da palavra grega – poder do povo – mas já temos certeza que o método não é a grande e cara eleição direta.

Que o reitor tenha feito o favor de confessar que precisa de eleições diretas para ter conselheiros dóceis é outra prova da ineficiência das eleições diretas – o reitor, eleito em eleições diretas, sendo que a última foi em si mais uma prova do que são esses jogos, é muito... hábil e inteligente, de forma a tentar fazer agora o movimento estudantil que não fez quando devia ter feito e confessar para todo o mundo as fraquezas do regime político em que se sustenta. Não é caso único, é a regra. No Brasil todo, se as Universidades Federais não fossem dirigidas por conselhos de professores e estudantes, mas somente pelos seus reitores, já teriam sido superadas pelas particulares.