segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PRÉ-SAL PELO RALO OU O NEO-ENTREGUISMO

Wlamir Silva
Militante do PCB
Historiador

O Pré-Sal é a nova menina dos olhos do Lulismo sob a batuta de seu "poste", com direito a tropa na rua e promessas de benesses para o "social.

O interesse imediato é o de abiscoitar os R$ 15 bilhões de bônus de assinatura para melhorar o superávit primário. Ou seja, trata-se um recurso estratégico como um ajuste das contas que se alardeia estar sob controle e na mesma lógica de subordinação dos interesses nacionais ao mercado dominado pelas grandes corporações.



A insuspeita jornalista econômica Míriam Leitão questiona que as empresas estrangeiras envolvidas poderão copiar a tecnologia brasileira de exploração de águas profundas e "depois ir embora". Claro, para a sra. Leitão este perigo só existiria com as estatais chinesas... Não é fofa a confiança que os neoliberais têm nas grandes corporações internacionais? Pois é, o governo brasileiro também tem...

A justificativa subjacente é a urgente necessidade de investimentos. Como a indústria brasileira patina - para alguns especialistas o Brasil se desindustrializa - a pressa em dilapidar estas reserva petrolíferas se inscreve na já conhecida farra de commodities  que patrocina e alardeia modestíssimas conquistas sociais e preserva a estrutura patrimonial-oligárquica do Estado brasileiro.

O petróleo exportado será, claro, sugado pela máquina pública ineficiente e incapaz de planejamento estratégico. Como já ocorre com a inércia de realização de obras de infraestrutura e, no campo dos investimentos sociais, sobejamente demonstrado pela inócua utilização dos recursos dos royalties por estados e municípios produtores, aliás "aliados" do Lulismo.

Também Míriam Leitão observa que "logo depois de Libra será feita a 12ª rodada do petróleo e gás fora do pré-sal", pela qual serão leiloados "campos de shale gás que ficam abaixo do Aquífero Guarani". Segundo a jornalista, certamente não uma ecologista shiita, "há um enorme risco de contaminação".

Mas não há motivo para preocupações, pois Magda Chambriard, diretora-geral da ANP "disse que haverá um mês de consulta pública para se debater esses riscos". E, como conhecemos a dinâmica e criteriosa política nacional, confiamos plenamente na eficácia deste mês de consultas e debates, não é mesmo?

O Brasil se põe a dilapidar a toque de caixa um patrimônio energético não renovável que se escoará no mercado de commodities, recursos nacionais que deveriam ser gastos com parcimônia e cuidados ambientais pari passu ao nosso desenvolvimento industrial. Entregará recursos estratégicos e tecnologia duramente produzida a potências estrangeiras (não se esqueçam de que o leilão de Libras se dá após denúncia de espionagem internacional).

Como numa metáfora do modelo lulista, a incapacidade estratégica e a promiscuidade com formas políticas antidemocráticas e arcaicas é temperada com promessas de migalhas para a educação e a saúde. Como se não houvesse recursos para isso fora da entrega do petróleo. Como se os recursos naturais em constante dilapidação estivessem proporcionando isso. Como se esta não fossem também tarefas estratégicas e não objeto de arroubos eleitoreiros.

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2013/10/19/a-partilha-de-libra-512512.asp

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Elevação do teto da dívida dos EUA: A verdadeira questão

- "Nenhum compromisso! Eu vou explodir isso tudo"
- "Oh meu Deus! Ele é um homem bomba!"
- "Pior... Ele é um Republicano do Tea Party recusando elevar o teta da dívida!"

2013 tem sido um ano terrível para os EUA, e essa semana, 14 a 18 de Outubro de 2013, é possível que pela primeira vez em sua história esse país decrete uma moratória, ou seja, um calote internacional, o maior que já ocorreu! Não vou entrar aqui no debate sobre as consequencias, até porque não acreditamos que a degeneração mental dos capitalistas já tenha chegado a esse limite. O que nos interessa aqui é, aliás, exatemente esse ponto - o que leva os capitalistas às posturas irracionais que têm adotado? Nos EUA são contra elevar o teto da dívida, na Europa são contra aliviar a situação dos países mais pobres, no Brasil (sempre a caricatura) são contra o Bolsa Família. O que significa isso?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A QUEBRA DO MONOPÓLIO LULISTA É UMA BOA NOTÍCIA.



Wlamir Silva

Militante do PCB e Historiador - wlamir-silva@uol.com.br

A tentativa de organização da rede de sustentabilidade e a adesão de Marina Silva ao PSB somadas ao resgate pelo PSDB do seu discurso político são alvissareiros para a política brasileira. Pois podem reavivar o debate político com vistas às eleições do ano que vem pela quebra do virtual monopólio lulista em âmbito federal. Ainda que circunscrito a alternativas eleitorais conservadoras e à subjacente desorganização das esquerdas.

A quebra do monopólio lulista pode obrigar ao esclarecimento das posições da candidatura Dilma. Por exemplo, em relação a questões como as das privatizações, da paralisia das ações quanto à infraestrutura no campo econômico, do enfrentamento de questões estruturais como as do saneamento, saúde, transporte e educação e à manutenção e reforço de práticas clientelistas. O retorno do PSDB ao seu projeto político e ao patrimônio da era FHC pode forçar a provável candidatura Aécio à exposição de seus princípios e responsabilidades quanto à história recente. Quanto ao papel do Estado e a corresponsabilidade no enfrentamento das questões estruturais do saneamento, saúde, transporte e educação e das práticas clientelistas, que, é claro, não se acumularam apenas na última década.

A polaridade Dilma X Aécio pode obrigar ao cotejamento das pequenas diferenças entre dois projetos semelhantes. Privatizações, ou concessões, terão de ser explicadas em suas supostas necessidades e vantagens. Assim como a falência do SUS, o caos nos transportes e os dilemas da educação pública. A estratégia derrotada do mimetismo de Serra e a correspondente desnecessidade de assumir compromissos de Dilma nas últimas eleições não devem se repetir em 2014. Lembremo-nos de que as próximas eleições se dão sob o influxo difuso das manifestações de junho. E que as questões lá levantadas de forma instintiva serão motes da campanha. Dentre elas as práticas políticas clientelistas e de loteamento do Estado. A existência de três candidaturas com força relativa favorece a esta discussão, que deve ser alimentada pelos setores de esquerda e particularmente pelos comunistas, como um passo no sentido de qualificar a luta política no país.

Não deixa de ser interessante que Eduardo Campos e Marina Silva tenham assinalado como elemento do discurso de suas possíveis candidaturas a crítica à “velha política” patrimonialista e ao loteamento do Estado. Não que creiamos na plena crítica a estes princípios por eles – e nos cabe a crítica cotidiana e estratégica. Mas porque tais práticas foram sobremaneira naturalizadas pelo lulismo, sua crítica de há muito abandonada pelo PSDB e são encaradas como inexoráveis por setores mais à esquerda, dentro do PT ou do PCdoB, por exemplo, como um tributo necessário e neutro em busca de pequenas conquistas pontuais. Como se estas práticas não fossem incompatíveis com a emancipação social, que só pode avançar com a organização e a renovação da lógica política num sentido popular.

Faz parte importante de tal quadro as inconsistências ideológicas do PSB e da rede de Marina Silva. Pois elas levantam questões sobre o que são as práticas de real transformação social – cruzando também com o transformismo conservador lulista – e do que seria um real projeto revolucionário. Em tal conjunto de questões o conceito de rede pode provocar uma reflexão importante sobre a suposta oposição entre a passiva aceitação do partidarismo conservador e patrimonialista – já apontado pelo lulismo como um “realismo” – e a fragmentação pós-moderna da “rede”. Mas também, por que não, da discussão sobre a perspectiva de um partido revolucionário hoje, numa discussão necessária sobre questões como vanguarda e massas, movimentos sociais e eleições, representação política e possibilidades efetivas de uma frente de esquerdas. A ampliação do espectro de discussão política só favorece as nossas perspectivas.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Contra as eleições diretas para reitoria da USP

Normalmente o São João del Pueblo apoia o movimento estudantil, seja em defesa de pequenas como de grandes causas. Porém, nesse momento, quando estudantes ocupam a Reitoria da USP reivindicando eleições diretas para reitor, informamos a todos os nossos leitores que somos absolutamente contra! Não somos a favor de eleições diretas para reitor de universidade nenhuma. Aliás, acreditamos que as eleições diretas são um dos métodos mais antidemocráticos e fracassados que já se inventou de organização política.