terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Por que o governo do Brasil criou a crise?

Existe uma crise mundial, desde 2008, e os dados indicam que ela está piorando. Porém, não foi essa crise que atingiu o Brasil. A crise brasileira foi criada, desde 2011, pelo governo brasileiro, como é fácil perceber. O Brasil está sob o guarda-chuva chinês, que só agora começou a furar, mas alegou a crise mundial para tomar medidas recessivas desde 2011. Por que um governo faz isso jogando contra os próprios votos?

A crise mundial é um fato. Trata-se de uma crise de superprodução mundial, causada pelo sucesso chinês. Quando a China inundou o mundo com seus produtos baratos, começou a levar a falência milhões de fábricas de todos os países do mundo. Desindustrializados, esses países perderam empregos, perderam poder de compra, e a própria China, hoje a fábrica do mundo, já não consegue vender tanto, e daí não compra tantas matérias primas, ou seja, a crise se agravou!

Até 2016, porém, o Brasil mal tinha sido afetado por essa crise. A crise que nos atingia era causada somente pelo nosso governo, que desde 2011 começou a tomar medidas recessivas, como aumentar taxas, impostos, cortar investimentos etc. Por exemplo, em 2015, o pior ano da última década do ponto de vista econômico, o auge dessa crise criada pelo governo, a inflação atingiu 11%, mas os maiores aumentos foram 50% na energia elétrica e 20% nos combustíveis. Ou seja, sendo que 11% é a média, a maioria dos produtos subiu menos que isso, e em seus custos tiveram que pagar 50% a mais de energia e 20% a mais de fretes, de forma que TUDO o que a maioria dos preços subiu é decorrente somente desses dois aumentos, ou seja, da vontade do governo petista.

Todos sabem que inflação causa perda de votos. Dilma sentiu isso em 2014, e em 2016 sentirá mais ainda nas eleições municipais. Por que então o governo gera inflação? Acontece que só existe uma maneira realmente eficiente de combater a inflação em uma economia de mercado – a produção não pode parar de crescer! Fim de papo. É a única saída verdadeira e saudável contra a inflação. A outra medida, tomada por FHC e que Dilma tentou imitar, é um remédio pior que a doença, é conter o consumo, é a recessão! O plano real não passou disso. FHC tirou o dinheiro do bolso dos brasileiros, e no dia mesmo da transição de moeda permitiu um salto enorme de todos os preços. Então, sem ninguém podendo comprar como os preços podiam subir mais?

Mas o problema atual é completamente diferente. Dilma não estava enfrentando uma inflação galopante quando começou a tomar medidas recessivas em 2011, nem quando as agravou em 2015 (com a mesma desculpa da crise mundial). Também não há um problema de endividamento. Metade do orçamento do governo é gasto com juros da dívida, ou seja, para manter os ricos ricos e vagabundos, mas isso não é um problema econômico, nem financeiro, mas político. Uma auditoria, que Dilma acabou de vetar, resolveria isso. Diversos tipos de lei podiam ser criadas para resolver isso. Contudo, são os caras que comem essa metade do orçamento que financiam as Dilmas, os Aécios, os Cunhas, os Bolsonaros, os Dirceus etc., e portanto nossos governantes governam para tirar mais dinheiro dos brasileiros para esses ladrões. Ou seja, não é um problema financeiro, é um programa de governo, de Estado, em vigor ao menos desde 1964. Como uma nova colônia, somos roubados por uma nova nobreza parasitária. Quando compramos uma cerveja de R$ 6,00, R$ 4,00 são impostos, e R$ 2,00 vão para esses parasitas, que usam parte desse nosso dinheiro para corromper os nossos políticos e continuarem nos roubando, e para facilitar o roubo mantêm o país funcionando porcamente.

Mas a dúvida continua. Para pagar seus patrões o governo não precisa perder popularidade, não precisa gerar inflação, até pelo contrário! O problema é mais concreto, não pode ser resolvido com prisões de bandidos e com canetadas. O problema é na economia real. A seca de 2013 ofuscou a crise energética, ao agravá-la e assim tomou a culpa por ela. Mas a verdade é que o Brasil já estava à beira de um apagão nos meses anteriores à seca. A política eleitoreira de Lula teve o mérito de soltar dinheiro na economia e fazê-la crescer, mas esse crescimento do mercado de miúdos não foi acompanhado pelo crescimento da infra-estrutura do país, que continua se arrastando e agora parou. Quando veio a seca a situação foi tão grave que o governo comprou cotas de energia de volta das empresas, ou seja, pagou para as empresas produzirem menos e demitirem, porque em caso contrário haveria apagão, em ano eleitoral.

O Brasil precisa de ferrovias, portos, muito mais energia etc. Tem tentado construir isso por via mercadológica, conforme a fé fanática de nossos governantes desde a extrema-direita até a “esquerda moderada” (Lula acaba de se confessar liberal. A “moderação” dos social-democratas é sempre capitulação). Contudo, é óbvio, o mercado só serve mesmo para os miúdos, pequenas lojas, botequins, salões etc., não para coisas importantes como desenvolver um grande país. Incapazes de romperem com seu fanatismo liberal (até porque são bem pagos para se manterem nessa igreja do fracasso) nossos carrascos se vêm obrigados a conter o crescimento do país, mesmo que gerando alguma inflação, pois temem uma catástrofe econômica muito maior.

O Brasil não passava de uma fazenda até a década de 1940, quando Getúlio, já há dez anos intervindo pesadamente na economia, sobretudo criando várias grandes estatais, conseguiu iniciar o processo de industrialização, e não somente surtos industriais como tínhamos tido até então. Desde então, quando o Estado continua intervindo e criando, o Brasil se desenvolve rapidamente, e quando os fanáticos liberais assumem o governo o país para e entra em crise. Ao esperarem do mercado que resolva os problemas nacionais, os liberais são ainda menos realistas que os religiosos esperando ajuda de um deus. Os religiosos podem alegar a infinitude do Universo em favor de sua ignorância, mas os liberais não podem alegar nada, são ignorantes só mesmo porque querem ser, uns porque são pagos para isso, outros porque são enganados pelos que são pagos para isso.

A vantagem das estatais, que nenhum liberal consegue entender, é exatamente não precisarem de lucro. É para isso que elas servem! Portanto, a Petrobrás, por exemplo, precisa ser reestatizada, porque na situação atual, com ações na bolsa, buscando lucro portanto, ela é tão ineficiente quanto qualquer empresa privada. Os liberais, tucanos, petistas e peemedebistas (são todos liberais), quando não privatizaram as estatais, abriram seu capital. Ou seja, jogaram fora seus próprios instrumentos de governo! Precisamos de uma Petrobrás realmente estatal, que possa ter prejuízos. Por exemplo, se for interessante que o combustível seja extremamente barato, que a Petrobrás tenha o prejuízo que for pelo tempo que precisar, mas o venda barato, e se for necessário, pelo contrário, não vender para estocar, que a Petrobrás fique sem vender até anos a fio. Para isso servem as estatais! Para atuar como robôs, ou como animais com tapa-olhos, já existem as empresas particulares, completamente amarradas por suas necessidades. Quando se abre o capital de uma empresa, além de se dar dinheiro para vagabundos, se esta amarrando essa empresa a obrigações que não nos interessa que as estatais tenham.


No momento, se tivéssemos governo, estaríamos confiscando todos os bens dos empresários e políticos envolvidos em corrupção, e criaríamos só com esses restos uma gigantesca construtora nacional, com a qual construiríamos toda a infraestrutura de que precisamos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O aumento das passagens e o Conselho Municipal de Transporte

Membros do Conselho de Transporte e origem de suas indicações
Membros do Conselho de Transporte e origem de suas indicações

Uma vereadora petista, defendendo o aumento das passagens de ônibus na pequena São João del Rei para R$ 2,75, disse que o prefeito, outro petista, só fez o que o Conselho de Transporte recomendou. Essa tentativa de inocentar o prefeito, como se vê no gráfico acima, é puro petismo.

Dos 45 membros que tem o Conselho, 18 são indicados como representantes de diferentes secretarias da Prefeitura e do Damae. A empresa, que está circulando sem licitação tem dois representantes, e o Sindicato a ela ligado tem mais dois. A PM e a Polícia Civil são dirigidas pelo governo estadual, Pimentel, também do Pt, cada uma com dois representantes. Por fim, a UFSJ tem dois representantes, e a reitora atual era a vice-reitora do prefeito quando este era reitor. Sendo assim, o Pt e a empresa de ônibus sozinhos têm maioria absoluta no Conselho, com 28 votos, em diferentes tons de azul no gráfico acima.

É um raciocínio comum aos taxistas (dois membros) e motoristas de vans (dois membros) que o aumento das passagens de ônibus permite o aumento dos preços de seus próprios serviços. Que mais pessoas desistam do transporte público me parece um objetivo lógico das Auto Escolas (dois membros).

Os votos normalmente contra aumentos de valores de passagens, representados em tons de verde, são minoria absoluta. Os usuários da área urbana inteira têm 3 representantes, e os da área rural têm 2. O DCE da UFSJ tem 2 e UMES mais 2. Somente 9 votos, entre 45 membros.

Os frequentadores das reuniões do Conselho, que conhecem seus membros, sabem dizer quem são, maioria militantes de que partido (advinhem) etc. É indiscutível que o Conselho foi montado sob completo controle do prefeito. Não é um Conselho representativo da população.

Esse Conselho é um exemplo típico dos vários conselhos que hoje existem em cada município, e um exemplo da política petista. Os Conselhos e o famoso Orçamento Participativo eram peças de propaganda para enganar o eleitorado de esquerda que exige ampliação da democracia. São, ou eram, formas de fingir que se amplia a democracia. O Orçamento Participativo nunca foi realmente um debate de orçamento. Uma porcentagem ínfima das verbas é destinada para pequenas obras e os representantes dos bairros brigam entre si para aprovar obras nos seus próprios bairros e não nos bairros dos outros. Um desserviço, jogando bairro contra bairro, como toda política fraudulenta. Já os Conselhos são todos mais representativos dos governantes que do povo, raramente são eleitos de forma honesta, raramente representam qualquer cidadão. Servem “para inglês ver” e para escudar os prefeitos.

Não existe omelete sem quebrar ovos. Não existe ampliação da democracia nos municípios sem liquidar a maioria dos poderes dos prefeitos e reformar as Câmaras. Não será com paliativos e com teatros que se ampliará a democracia.