quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sobre a reforma politica, o plebiscito e a direita "brasileira"


A "reforma" politica proposta pela presidenta é cosmética, com possibilidades de retrocessos benéficos somente ao poder financeiro. Porém, mesmo assim, os partidos da direita, nesse caso com aliança do PMDB, maior partido desde 1988, formam uma frente feroz contra a mini-reforma e sobretudo contra o plebiscito. A frente dos partidos de direita, porque na verdade são os verdadeiros partidos, estão a Globo e a Veja e horda de similares. Desde o anúncio por parte da presidenta de que convocaria o tal plebiscito sobre uma possível reforma política, cujos itens ainda nem se sabia, a direita entrou em histeria, não fala de outra coisa. Por que? Analisemos. Vejamos primeiro cada item da mini-reforma que acabou proposta:

terça-feira, 9 de julho de 2013

Do transporte público coletivo de São João del Rei às alianças de classes



Em artigo recente no São João del Pueblo, o camarada Alexandre Marciano foi muito claro a respeito da situação do transporte coletivo em São João del Rei depois da vitória dos manifestantes que acamparam em frente à prefeitura. Na onda das manifestações que tomaram o país, os movimentos socais de São João del-Rei, com destaque para os estudantes, conseguiram convocar uma gigantesca manifestação, a maior da história da cidade. Em decorrência o prefeito abaixou a passagem de ônibus em 15 centavos. A segunda manifestação não foi tão expressiva, mas mais determinada, decidiu se transformar em um acampamento em frente à prefeitura. O prefeito então recuou mais uma vez e cancelou a fraudulenta licitação da empresa Presidente, do mesmo dono da Gol, o que aliás já era uma antiga decisão judicial. Agora, para que realmente essas vitórias resultem em melhorias, é necessário conseguir influenciar nas decisões sobre o que será do transporte público municipal.

O perigo todos conhecem, é uma Presidente ser substituída por outra, ou seja, não mudar nada. Isso pode ser feito com ou sem empresa pública. Em Belo Horizonte existe a BH Trans, que nominalmente é a empresa pública que dirige o transporte coletivo, mas na prática a BH Trans não tem nenhum ônibus e todas as linhas estão nas mãos das grandes empresas, como a Presidente. Aliás, é muito provável que vários ônibus que hoje circulam aqui tenham circulado em BH e outras grandes cidades grandes por vários anos. Os motoristas e cobradores também não são pagos pela BH Trans, mas pelas empresas que são concessionárias das linhas.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Caiu a Presidente; agora é derrubar o monopólio!

Em São João Del Rei, as manifestações de junho também trouxeram conquistas para a cidade. Além da empresa de ônibus Presidente abaixar o valor da passagem, um processo na justiça que andava emperrado finalmente saiu e a sentença foi a exclusão da empresa do processo licitatório. O acúmulo de lutas da Frente de Luta pelo Transporte Público ajudou ao movimento ter uma organicidade e uma direção/reivindicação clara e objetiva: FORA PRESIDENTE!!!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

PCdoB: adesismo e demagogia.



A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Manuela D'Ávila denuncia a "petulância" dos seus colegas que, segundo ela, acham “que os eleitores não saberiam opinar a respeito de temas complexos”. Será que ela acha mesmo que alguém deveria se sentir diminuído por não fazer em escassos dias o que os políticos não fizeram por décadas?

Ou trata-se de mera demagogia, apenas comprovando a promiscuidade do PCdoB com as práticas tradicionais do nosso parlamento, assim como com o clientelismo, a promiscuidade com o Executivo e com o tráfico de influências e a consequente coparticipação em tudo o que hoje é repudiado nas ruas?

A agenda pouco clara e polêmica emperrada no parlamento, em parte por falta de interesses, em parte pelas profundas dúvidas, é brandida como falsa solução da crise de representação pela qual passamos e corre o risco de se tornar mais uma frustração desmobilizadora. E o PCdoB só está preocupado em manter sua ascensão adesista...


 http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/2013/07/1305969-e-petulancia-achar-que-eleitor-nao-sabera-opinar-sobre-reforma-politica-diz-manuela-davila.shtml

quarta-feira, 3 de julho de 2013

PLEBISCITO? FARSA NÃO...

Como já prevíamos, a proposta de plebiscito  enviada ao congresso pelo governo se limita a cinco pontos: financiamento público ou privado de campanha; sistema eleitoral (voto proporcional ou distrital); manutenção ou não da suplência para senador; fim ou não do voto secreto em deliberações do Congresso; e manutenção ou não de coligações partidárias proporcionais. Ainda se fala em discussão do voto em "lista fechada".


A definição dos termos do plebiscito ficará a cargo do Congresso e pontos mais sensíveis como limitação de mandatos, diminuição de salários e estrutura de gabinete, a fidelidade a programas partidários e o fortalecimento dos congressos partidários, ou o fim das emendas individuais, continuam mesmo de fora... Não é à toa que o presidente da câmara tenha considerado o texto "respeitoso"...

Do que se propõe levar a voto, uma grande salada...

Num momento em que a população se arrepia com a irresponsabilidade dos gastos públicos, é bem provável que o financiamento público seja rejeitado. E sem mudar a estrutura partidária e a influência de políticos sobre a máquina pública - simbolizada pelas emendas individuais, mas não restrita a elas - e a estrutura de reeleição dos super-gabinetes, um sistema misto de financiamento público e privado será uma farra...

Já a suplência para senador e o fim do voto secreto em deliberações do congresso precisariam mesmo ir a plebiscito? Ou poderiam ser propostos já e aprovados sob o calor das manifestações, de tão evidentemente antipopulares e antidemocráticas?

Já o sistema eleitoral, em questões como o voto proporcional, distrital ou misto e manutenção ou não de coligações partidárias proporcionais, é possível votar nisso com um mínimo de consciência até setembro?

O chamado "distritão", com a eleição dos mais votados em cada Estado, independente da votação dos partidos ou coligações, é resgatar a representatividade do voto ou sepultar o que resta e o que poderia surgir de programas partidários ou ideológicos

O voto em lista fechada - no qual o partido apresenta seus candidatos em ordem hierárquica e os elege de acordo com ela - sem a valorização dos congressos partidários não seria o controle de tudo pelas oligarquizadas direções partidárias?

E congressos partidários podem ser representativos enquanto deputados podem alugar frotas ônibus e pagar lanches, "brindes" cargos de confiança para seus "apoiadores", face à absurda estrutura de gabinete de que dispõem, das relações promíscuas com o empresariado, oriunda de seu poder de negociação de verbas e contratos junto ao governo, e do empreguismo governamental?

O governo que nunca se preocupou com reforma política faz um golpe de prestidigitação, de mágica, para sair da crise que cultivou por mais de uma década. O saldo disso vai ser pífio. Mas o pior pode ser transformá-lo numa farsa de democracia direta e, assim, desqualificar o instituto do plebiscito.