segunda-feira, 29 de novembro de 2010

EUA contra a liberdade de expressão

Nos últimos dias, os principais dirigentes políticos estadunidenses, chefes dos partidos Democrata e Republicano, manifestaram-se contra a existência de um importante meio de comunicação, o WikiLeaks, um dos poucos que se destacam da imprensa marrom e vendida de nossa sociedade. Esse site está publicando documentos que revelam as ações criminosas dos EUA pelo mundo.

Leiam mais em http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=9253:comunicado-de-wikileaks-em-galego-portugues&catid=87:comunicacom&Itemid=104&sms_ss=twitter&at_xt=4cf3bd7bf7c70d37,0 .

terça-feira, 23 de novembro de 2010

EUA agride Coréia para tentar iniciar outra guerra

A chamada Coréia do Sul, base militar estadunidense, ou para usar um termo antigo, colônia, militarmente ocupada, fez há algumas horas um bombardeio contra o litoral da República da Coréia. Os coreanos, combativos como sempre, reagiram imediatamente.

Não existe Coréia do Sul sem Estados Unidos. Se os soldados estadunidenses se retirarem, a Coréia se reunifica sob a hegemonia do norte, um regime de transição ao socialismo, muito isolado, mas também muito poderoso, tendo adotado, por força da constante agressão externa desde 1958, uma organização estatal praticamente militar. Se a Coréia do Sul, sob o risco de se tornar um campo de batalha, provoca o norte, só pode ser por decisão dos EUA, se não foi, na verdade, executada a agressão também por soldados estadunidenses, o que sempre é uma possibilidade.

Ou seja, está se cumprindo a previsão do comandante Fidel Castro Ruz, e os EUA estão criando outra guerra. Para que? Acreditam eles que podem se salvar da decadência econômica com essas guerras. Obviamente não podem, pois não têm mais a fatia do comércio mundial que tinham há 60 anos. Terminada a II Guerra, tinham no mínimo 40% de todas as transações comerciais do mundo em suas mãos, talvez tivessem até 60%. Hoje, restam no muito 20% desse total, de forma que o poder de consumo dos EUA tem caído constantemente, e isso se traduz em crises, aumento da pobreza e da miséria nesse país.

Os estudantes estadunidenses só estudam a própria história, e nota-se que não aprendem direito. Se não perceberiam que os EUA atingiram seu auge exatamente esquivando-se das guerras até ser obrigado a entrar. Perceberiam também que a guerra do Vietnã não aqueceu a economia das EUA mas a afundou, e que o atoleiro no Iraque e no Afeganistão também não estão ajudando.

Esse ano inteiro, os EUA estão tentando abrir uma nova frente de combate na Ásia, cercando a China pelo lado da Coréia e pelo sul, o Irã. Porém, o Irã tem se defendido diplomaticamente melhor, e é bem maior que a Coréia, o que conta nessa hora. A Coréia, certamente dada a sua cultura milenar, não mostra temer a guerra, e parece pronta, com mísseis e bombas nucleares, a varrer da Terra o Japão, as tropas estadunidenses de ocupação e talvez acertar uma bomba na costa oeste dos EUA, o que talvez inicie o previsível grande terremoto que colocará fim a San Francisco.

Que os EUA desejem toda essa destruição é normal, sobretudo do Japão, cujo mercado pretendem engolir, e a reconstrução de San Francisco seria um negócio "da China", mas o que realmente assusta é a tranquilidade com que China e Japão assistem esse perigo de aproximando. O Japão prestes a ser alvo de bombas nucleares do inimigo jurado e milenar, a China vendo as tropas estadunidenses fazendo um cerco. Será que só nos coreanos sobrou a lendária coragem dos orientais? Será que as divergências entre coreanos, chineses e japoneses continuará tão grande que não consigam se unir contra o inimigo comum que é os EUA? Essa desunião entre os orientais pode lhes custar uma guerra mais feia do que todas que vimos no século XX.

domingo, 21 de novembro de 2010

I Encontro Regional de Blogueiros Progressistas

Entre os dias 25 e 27 de Novembro acontecerá, em Juiz de Fora, o Primeiro Encontro Regional de Blogueiros Progressistas. Eis a programação:


25/11 (Quinta) - 19:00h
ABERTURA
Filme: Utopia e Barbárie

Debate com o Diretor Sílvio Tendler
Anfiteatro João Carriço
Entrada franca



26/11 (Sexta) - 21:00h
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
SHOW SERTÃO DA PALAVRA
Espaço Mezcla
Com Aliciane Rodrigues, Marcos Marinho e banda.
música popular brasileira e latinoamericana
onde a palavra, a poesia, tem grande destaque.
Ingresso antecipado a R$ 6,00
(no Mezcla - Rua Benjamim Constant, 720 - Centro - Tel.: (32) 3083 - 2351 e na Abertura do Encontro dia 25/11)


DEBATES
(Universo)


27/11 (Sábado)

08:00h
AS NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO
SEUS IMPACTOS NA ALDEIA GLOBAL
AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E A INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

Alex Lombello Amaral - Historiador
Laerte Braga - Jornalista
Thiago Adão Lara - Professor de Filosofia

12:00h
INTERNET O FUTURO DA COMUNICAÇÃO
RELAÇÕES HUMANAS E DIREITOS

Cláudia Cardoso - Blog Dialógico
Edmilson Costa - Pós-Doutor no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - UNICAMP
Maria Helena Falcão - Professora de Filosofia
Tarcísio Delgado - Advogado

15:00h
FORMAÇÃO DE GRUPOS

Desenvolvimento de Propostas para confecção e aprovação da Carta

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PSDB, PSTU, PSOL, PCR, CP, PT e UJS contra o poder dos CAs e DAs na UFMG

Quatro chapas, compostas pelos partidos acima, estão dedicando alguns minutos de suas falas em sala de aula para combater a proposta comunnard de substituir a palhaçada que nesse momento se pode assistir ao vivo e a cores na UFMG por uma democracia de verdade. Mas já ninguém pode parar o movimento, e qualquer resultado confirmará as denúncias da Chapa 3, A Hora é Essa: Todo Poder às Entidades de Base. Os CAs, DAs e Grêmios que se uniram em torno da propostas, e são muitos, certamente agora passam a ter como ponto de unidade esse objetivo, estratégico, de recuperar o controle do DCE-UFMG, que lhes foi roubado pela ditadura.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O marxismo e o movimento universitário brasileiro: Porque não existe unidade da "esquerda" na UFMG?

Foto do autor desse artigo em 2008. Em sua
defesa de dissertação de mestrado. Alex
estudou História na UFMG na década de 90.
Se especializou na UFSJ e é mestre pela UFJF.
Quem, entre uma democracia por conselhos (eu russo soviética) e as eleições diretas escolhe a última opção não é stalinista, nem trotskista, não é maoista, não é leninista, nem marxista, não é socialista, muito menos comunista, mas de fato, no assunto central da política, essa pessoa é capitalista, ou para usar um nome bonito para a mesma coisa, liberal. Existe a possibilidade de substituir a democracia capitalista pela qual o DCE-UFMG vive partidarizado por uma democracia de conselho, mais participativa, mais transparente, mais eficiente. É nessa hora que diferenciamos os comunistas dos carreiristas. Que no Estado burguês nós comunistas sejamos obrigados a aceitar regras individualistas, mercadológicas, corruptoras, enganadoras, em uma palavra, capitalistas, pois não temos forças para mudar isso agora, ao menos não por completo, compreende-se. Mas onde temos forças para fazer avançar a democracia para características proletárias, essa é nossa obrigação.

Observemos primeiro os sucessos revolucionários. O movimento considerado por Marx e Engels como inauguração da atuação política da classe operária, o Cartismo, lutava por democracia, pois exigia direitos políticos para os trabalhadores, e entre os direitos incluia-se que os mandatos durassem somente um ano, ou seja, quase inventaram a revogabilidade dos mandatos. O que Marx, que assistiu diversas revoluções na França, considerou mais avançando nesse país foi a Comuna de Paris de 1871, sobre a qual escreveu sua última obra, Guerra Civil em França, que a Estudos Vermelhos publicou com a tradução correta mas arbitrariamente trocou o título para A Comuna de Paris. Foram os comunards que inventaram a revogabilidade de todos os mandatos, ou seja, os eleitores poderem depor os políticos que elegeram.

A Comuna se deixou massacrar pelas armas, mas seu exemplo não foi esquecido. Em 1905, na Rússia, surgiram os Soviets, à semelhança da Comuna, embora não idênticos, e em 1917 os Soviets chegaram ao poder e elevaram a Rússia da destruição completa ao posto de grande potência. Os exemplos da Comuna e dos Soviets inspiraram as Comunas Populares da China, do Vietnã, da Coréia, assim como os exércitos revolucionários desses países e o Exército Rebelde de Cuba. Em outras palavras, democracia soviética é sinônimo de vitória das forças revolucionárias.

Deve-se acrescentar que o contrário também é verdade, ou seja, refluxos da democracia proletária geram refluxos revolucionários. Os Soviets existiram na URSS até 1936, depois o poder foi mantido por comunistas até 1953, perdido para a contra-revolução e se foi o socialismo. Na China também já não ouvimos mais falar de Comunas Populares, e cada dia mais escutamos falar de capitalismo na China.

Os teóricos marxistas confirmam esse raciocínio. Já mostramos que Engels e Marx apoiaram o Cartismo e a Comuna de Paris. Na Rússia, Lênin foi o descobridor de que o poder dos Soviets seria o poder do povo trabalhador, que eram quase a mesma coisa que o conselho que os parisienses chamaram de Comuna, quase com as mesmas regras. É de enorme importância para se compreender todo esse assunto o livro escrito no calor de 1917, O Estado e a Revolução, cuja tradução correta é também a da Estudos Vermelhos.

Gramsci, em Turim, inspirou verdadeiros Conselhos de Fábrica e criou um Conselho desses Conselhos na direção da organização dos trabalhadores de Turim, pelo que se nota sua posição bolchevique, pró soviética. Ele mesmo escreveu sobre isso, com destaque para “Sobre o movimento turinês dos conselhos de fábrica”. Na China, como já fica claro acima, Mao Zedung e Zo Enlai criaram Comunas Populares, assim como Ho Chi Minh acabou fazendo no Vietnã. Igualmente, quem observar as regras das eleições cubanas notará que a única sustentação da revolução cubana é a sua democracia, completamente ao contrário de tudo o que se diz por ai... Fidel é um defensor dessa democracia sempre ameaçada e cercada que lembra o sonho dos comunards.

Mas sempre existem contra-revolucionários enrustidos, que por conveniência se dizem marxistas, e podem até aceitar semelhanças entre a Comuna, os Soviets, Cuba, as Comunas chinesas, a organização sindical de Gramsci etc., mas quando se trata de perceber que devem apoiar uma experiência do mesmo tipo debaixo de seus narizes, ficam cegos. Eles apóiam longe e no passado, mas hoje e agora apóiam mesmo é o poder do capital, pois é a democracia capitalista que temos no Brasil, cada estado, cada município, e desnecessariamente também mantemos nos sindicatos, DCEs etc.

É de se esperar, enfrentaremos no campo marxista a afirmação que a democracia dos últimos 30 anos de DCE-UFMG não é capitalista, e que o poder dos CAs e DAs sobre o DCE não é semelhante aos Soviets e à Comuna, nem à organização sindical de Turim de Gramsci.

Onde estariam as semelhanças? No fato que a atual “democracia” do DCE é movida a dinheiro como toda democracia capitalista e o Conselho de CAs escapa desse controle? No fato que atualmente os estudantes só participam uma vez por ano, enquanto no Conselho participam sempre que querem? Em que no atual estatuto depor um diretor é praticamente impossível e com o poder do Centros e Diretórios Acadêmicos a deposição será, como nos Soviets e na Comuna, a regra? Ou no fato que nessa democracia capitalista por um ano um grupinho é dono do DCE, podendo decidir o que bem entender a portas fechadas, enquanto no Conselho as decisões são tomadas quotidianamente pela coletividade?

É impossível não afirmar que desconfiamos profundamente da honestidade e da vergonha na cara de quem “não vê” que a democracia, mesmo de um DCE, necessariamente é capitalista ou superior à capitalista, e nas opções dadas, é capitalista ou de conselho, em russo, soviética. Sobretudo desconfiamos da honestidade dos que se dizem leninistas e alegam sofrer dessa cegueira, pois nesse aspecto Lênin era até exagerado, só aceitando duas possibilidades na atualidade – ou bem uma democracia é capitalista ou socialista, burguesa ou proletária. Ou seja, alguns “leninistas” que conhecemos, ou nunca leram Lênin, ou acham que a democracia do DCE-UFMG é proletária, socialista, ou que fugindo à regra geral, as democracias do movimento estudantil não são uma coisa nem outra. Ou seja, em um momento ou em outro estão mentindo, ou estão mentindo ao afirmarem que leram Lênin ou ao afirmar que concordam com ele, ou seja, que são leninistas!

Também dentro da tradição marxista, mais precisamente leninista, nos perguntarão sobre a direção. Estamos entregando o poder às bases. Isso não é abrir mão de dirigir? Não, dirigir não tem nada haver com “aparelhar”. Para dirigir é necessário saber o caminho e saber indicar o caminho. Para tanto é melhor que os “dirigidos” estejam ouvindo! E mais, nós queremos dirigir de verdade, não oficialmente. Nos DCEs capitalistas quem ganha dirige oficialmente, e na prática não há nada para ser dirigido, quase não há movimento. Nos DCEs soviéticos (até agora só conheço o de São João) ninguém ganha, nem perde, e dirige, um movimento real, quem tem idéias. Ademais, deviam ter o bom senso de perceber que o mesmo Lênin que defendia o papel de vanguarda do Partido também foi o pioneiro na defesa do poder dos Soviets, ou seja, nem Lênin viu essa contradição que nossos “marxistas” querem ver no Brasil. Lênin não viu “basismo” nenhum nos Soviets, que eram no entando muito mais de base que o Conselho de CAs e DAs ao qual vamos entregar o DCE, mas os “leninistas” daqui veem em nossa proposta enorme “basismo”. Quando não têm muitos argumentos, esses nossos maravilhosos teóricos tupiniquins inventam nomes e acrescentam o sufixo “ismo”. Não pararam para constatar um pequeno detalhe – há 30 anos os DCEs brasileiras estão perdidos, a deriva, sem direção. Os partidos tem conseguido aparelha-los, raramente dirigir qualquer movimento.

Nossos aliados de algumas eleições pedem que recuemos de nossa tática em nome de uma tal “unidade da esquerda”. Que esquerda? Voltemos à origem do termo, na Revolução Francesa. À esquerda assentavam-se os republicamos, ou seja, os que desejavam uma democracia mais avançada do que a monarquia constitucional à moda inglesa, que era desejada pelo centro, e bem mais democracia do que suportavam os nobres absolutistas, assentados à direita. Se usarmos o mesmo critério, a posição quando ao Estado, quanto à forma de democracia, para a realidade atual, não encontramos esquerda nenhuma defendendo a democracia capitalista, que é obviamente a posição conservadora. Para se posicionar à esquerda, hoje, é necessário defender uma democracia mais avançada, sem vacilos e tergiversações. É claro que já houve tempo em que defender a democracia capitalista era necessário, a saber, sempre que se precisa derrubar o fascismo deve-se aceitar a democracia pela qual for possível montar a maior frente anti-fascista, e só (mas nessa época os trotskistas que hoje nos chamam para recuar em nome da unidade não aceitavam compor a frente anti-fascista!!??). Quando, como hoje, os fascistas estão isolados em minoria, ou seja, quando é o momento de avançar, não precisamos de capitalistas nem de vacilões nos atrasando. Quando o principal escudo capitalista, a democracia liberal, é colocada em xeque no DCE da mais importante Universidade de Minas Gerais, qualquer atitude em defesa do capitalismo, com qualquer justificativa, é uma declaração de guerra, é contra-revolução.

Certamente desses partidos ditos socialistas e comunistas, mas que estranhamente não defendem o poder das entidades de base sobre o DCE e sim a forma capitalista de poder, receberemos a estapafúrdia acusação de despolitização. Deixamos de falar da situação internacional, da brasileira, da mineira e até citamos pouco os problemas da própria UFMG, e por isso estaríamos com um discurso “limitado”, “só organizativo”. Que besteirada! Que inocência! Que incultura! A própria palavra “política” refere-se às Polis, as cidades-estado gregas, mas não se trata da “administração da cidade”, não, porque a Polis não era o aglomerado urbano, mas o Estado, ou seja, fazer política é atuar no Estado. A questão central da política seria “limitada”, “só organizativa”. Isso não é conservadorismo tal qual o do governo e o dos demotucanos? São mesmo muito politizados esses conservadores de bandeiras vermelhas, só não entendem a centralidade da... Polis! Pretendem fazer funcionar uma estrutura política, mas não se perguntam se essa estrutura é feita para funcionar, e para fazer o que? Estão “pensando que berimbau é gaita”, acreditam que uma máquina que há 30 anos é uma produtora de carreiristas, corruptos, aparelhistas, uma fabricante de rachas, discórdias, brigas, violências, fraudes etc., pode passar a fabricar lutas e cidadãos decentes ou até revolucionários.

Ou seja, despolitizadas são todas essas repetições das mesmas “verdades”, do mesmo catecismo, de obviedades, e promessas já feitas mil vezes, e que não tocam no assunto central da política, que é a Polis. Pode-se fazer política de diferentes formas – Pode-se simplesmente atuar no Estado sem questiona-lo (que é que quase todos sempre fazem) e essa atitude é conservadora; Pode-se buscar transformar os Estado aos poucos, que é uma atitude reformista, oficialmente a governista hoje, mas na prática os governistas não reformam nada, são conservadores, em todo canto; Ser revolucionário, para um marxista, é tentar construir outro Estado, com os restos do atual, com os recursos dele, mas não com suas formas! A questão da forma é de extrema importância para o Estado, e se confunde mesmo com seu conteúdo, uma vez que as classes são muito diferentes entre si, e a forma de organização que serve bem a uma não serve a outra. Marx percebeu bem a importância das formas, ou como dizemos hoje, do design, e divulgou entusiasmado, quando contou a história da Comuna de Paris. Lênin o percebeu na realidade russa, diante dos Soviets e dos Conselhos de Fábrica, o que está claro no Estado e a Revolução e em todos os seus livros posteriores. Gramsci, novamente, em Turim, experimenta e teoriza com os Conselho de Fábrica. Ou seja, os pseudo-marxistas que afirmam deforma leviana que a democracia é “só” a forma do Estado, que não devemos nos apegar a “questões de forma”, estão longe da fato do marxismo, do qual talvez tenham aprendido a parte mais nítida, a economia.

Também haverá o argumento do tempo, das fases, não seria ainda o momento de experimentar uma democracia mais avançada. Teríamos que esperar a revolução socialista para isso, pois esse argumento se baseia na idéia de que só é possível avançar em um lugar quando se avança em todos. Lembremos, então que os Soviets passaram a existir e a praticar o poder 12 anos antes da revolução de Outubro, entre 1905 e 1907, quando foram fechados pelo regime czarista. Também os Conselho de Fábrica de Turim existiram o tempo todo sob a monarquia constitucional que precedeu a ditadura fascista. E o que derrotou os turineses liderados por Gramsci foi que no resto da Itália o Partido Socialista se apegou a argumentos mentirosos como “não é hora pra ter poder das bases”. Que hora seria essa? A revolução seria uma espécie de “presente dos céus”? A prática do poder não é o que tende a tencionar processos de transformações?

Outro argumento amplamente utilizado é do tipo “a massa de estudantes não é politizada”. Ora, se o estudante não for capaz de apontar suas necessidades, quem será? Ou mesmo, se de fato esta massa não é politizada, como ela irá politizar-se, se não quando tiver a oportunidade de participar e exercer o poder? A sensação que fica é que os que usam tal argumento nasceram sabendo, vieram com o “dom da política” de fábrica. Ademais, aqueles que de fato possuírem o “dom da política”, tiverem amplo conhecimento dos caminhos que se deve percorrer, não terão problemas em politizar a “massa despolitizada”.

Existem momentos e locais para se tratar de todos os assuntos. Nossos jornais, do PCB e da UJC, existem para isso. Uma chapa composta por sete vezes mais estudantes sem partido que por membros da UJC, e composta com o objetivo revolucionário de substituir a democracia capitalista do DCE-UFMG por uma democracia de Conselho, não é o espaço para divulgarmos o que devemos divulgar em nossos jornais. Não se pode falar de acabar com o aparelhamento de um DCE e começar por aparelhar a própria chapa (que é, aliás, o normal). Na hora de defender um novo poder, soviético, não se pode vacilar, não se pode abrir mão de aliados nessa questão central em troca do luxo de reafirmarmos nossas posições já presentes em nossos blogs e jornais, e que acabamos de reafirmar nas eleições de 2010.

Por fim, é impossível não esclarecer que essa suposta politização dos grupos que usam bandeiras vermelhas mas estão conformados com o Estado atual, é uma politização também dentro da agenda dos capitalistas. Eles se acomodam no Estado capitalista e seguem somente os temas de debate capitalistas, colocados pela imprensa, pelos políticos, pelos governos capitalistas. Querem politizar ou querem agradar um determinado público?

Com a proposta que defendemos, de antes de mais nada entregar o poder do DCE aos Grêmios, Centros e Diretórios Acadêmicos, estamos impondo nossa agenda. Os capitalistas é que terão, para manter suas tetas, que entrar em um assunto do qual fogem e defenderem sua forma de democracia contra a nossa. Os oportunistas se afastarão ou deixarão cair as máscaras, pois  quando se coloca a questão magna do Estado, caem os disfarces.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

42 milhões de miseráveis são prova de que política agressiva dos EUA fracassou

A estratégia bélica dos EUA previa aquecer a economia com encomendas de armas, retirando os EUA de sua letargia econômica, mas como podemos ler nesse artigo de site galego Diário Liberdade, o número de pessoas que recorreram aos tíckets alimentação do governo em Agosto de 2010 foi 17% maior que em Agosto de 2009, chegando a 42 milhões! A política externa hostil está se revelando um desperdício de amigos e de recursos que podiam ser gasto com o bem estar público.

Vejam os números completos no link abaixo:

 http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=8372:wsj-42389619-de-americanos-dependem-do-bolsa-familia-para-comer&catid=89:laboraleconomia&Itemid=99&sms_ss=twitter&at_xt=4cd455ab3bac7e1e,0