domingo, 9 de abril de 2017

Um caso em que os comunistas devem defender o livre mercado

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Temos um caso raro em que os comunistas devem defender o livre mercado e os capitalistas o estão atacando! Não estamos nos referindo à polêmica entre Xi Jimping e Trump. Quando defende o livre mercado Xi Jimping está defendendo os interesses nacionais chineses do atual momento, e quando defende o protecionismo Trump está defendendo os interesses nacionais dos EUA do atual momento. Nem tudo o que é bom para a China, ou para os EUA, é bom para o Brasil. Tomar como princípio, como verdade da ciência econômica, as posições do camarada Xi ou de Donald Trump além de absurda prova de pobreza teórica seria mais uma importação de receitas estrangeiras. O Brasil precisa de protecionismo não alfandegário, mas de insumos, com forte apoio de empresas estatais e uma política monetária atrevida. Mas esse não é o assunto desse artigo.

Temos um caso local! Os comerciantes da cidade conseguiram aprovar uma lei que dificulta a realização de feiras, tendo como alvo principal a famosa feira de roupas de Divinópolis, e que atingiu também a feira de artesanato que tem se repetido na avenida Tancredo Neves. O perfil ideológico desses comerciantes a respeito de economia política fica claro pela opção de vereador que os representou apresentando o projeto de lei, que é do DEM. Na prática, temos o DEM e comerciantes de discurso ultra liberal combatendo o livre comércio! Não é bem uma novidade. Ai estão as empresas de transporte coletivo, ai estão os taxistas, ai estão os postos de gasolina etc. Como seus bisavós eram liberais que viviam de escravos, e com argumentos liberais defendiam a escravidão, reduzida em seus discursos a propriedade privada, os atuais liberais vivem de seus monopólios! Soubessem defender os interesses da Pátria como defendem os seus interesses particulares e não viveríamos em um chiqueiro. Primeiro, contudo, eles teriam que acreditar que existe Pátria, ou seja, que os interesses coletivos de uma sociedade é que acarretam benesses ou problemas para os particulares. Estariam agora em boa situação econômica, e portanto não estariam preocupados com feirinhas.

Os comunistas precisam defender, na medida do possível, também os interesses imediatos das classes trabalhadoras. É mentira que as feiras acarretam desemprego. É mentira que as feiras podem falir os comerciantes. É verdade que se tem abusado do espaço na avenida Tancredo Neves e que as feiras ali não podem ser tão numerosas, mas é bom que aconteçam. A feira de roupas, por sua vez, é importante para a economia doméstica de várias famílias. Portanto, é nossa opinião que nesse caso os comunistas, fazendo coro aos trabalhadores, devem defender o livre comércio, ao contrário do DEM!

As reclamações dos comerciantes contêm muitas verdades. Os impostos sobre os comerciantes são mesmo abusivos. Os comerciantes pagam mais de 70% do ICMS que sai de São João Del Rei. Um imposto bizarro, que prejudica toda a economia exatamente porque incide sobre o comércio. Comerciantes de São João Del Rei não são a classe dominante nem brasileira, nem local. Do ponto de vista marxista são pequena-burguesia, e uma parte pobre e sofrida da pequena burguesia. Além do ICMS são taxados pelo município, têm que pagar uma série de impostos disfarçados de regras de segurança ou higiene, inclusive para particulares (a exemplo do monopólio de recarregamento de extintores de incêndio), são explorados pelos bancos etc.

O que está falindo muitos comerciantes locais, longe de serem as feiras, é a crise econômica, gerada pelas políticas liberais e recessivas de Dilma e Temer. Dois fanáticos monetaristas, que acreditam que fazem certo em conter gastos públicos. Dois otários na provável avaliação de Lula, que escolheu exatamente dois fanáticos para ter certeza de que deixariam os cofres cheios para ele gastar em 2018. As economias capitalistas precisam de constante incentivo, não podem parar de crescer, e os governos sempre precisaram incentivá-las, entre outras coisas, fazendo circular mais dinheiro. É ilusório, quase inexistente na história, que Estados de países capitalistas tenham a contas equilibradas, e irrelevante a longo prazo a balança comercial, pois ela tem que se compensar necessariamente, como mostram os gráficos (pois seja ouro, seja moeda estrangeira, a função das divisas é comprar no exterior, e só, não servem de comida). Desincentivar a economia, como Dilma e Temer fizeram e Temer continua fazendo, para resolver um problema político, quase cartorial, como o déficit público é irresponsabilidade. Mas nesse assunto nossos monopolistas locais são para lá de liberais, assim como o DEM.