terça-feira, 29 de dezembro de 2015

As forças políticas de São João del Rei já estão em campo para 2016


Conforme artigo de meses atrás no São João del Pueblo, as eleições municipais de São João del Rei já começaram! Os dois principais candidatos, Rominho e Nivaldo, já estão praticamente em campanha. Agora é a fase de montagem das chapas, das coligações, da preparação logística, em resumo, é talvez o momento em que as eleições realmente se decidem.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PÃO DOCE COM BOLACHA: RELATIVIZANDO O GOLPE NO PASSADO PARA FORJAR O FALSO GOLPE NO PRESENTE

A farsa histórica não agrega consciência

A comparação esdrúxula da crise atual com a conjuntura de 1964 alcançou o paroxismo. Para defendê-la, até mesmo edulcoram-se o golpe e a ditadura impostos em 64! Um “pão doce com bolacha”! O golpe que se desenharia no horizonte é pior! E se requenta uma velha e inusitada ameaça oligárquica! E ainda uma estranha e caricatural luta de classes... Com objetivos políticos menores, arrisca-se a uma farsesca comparação histórica que não contribui para a reflexão da sociedade e, em especial, a classe trabalhadora (1).

Um golpe sem militares, sem Guerra Fria e sem apoio estadunidense, sem IPES ou IBADE, sem articulações com setores empresariais e com os grandes proprietários de terra fincados no ministério da Agricultura... Uma ameaça oligárquica a ser barrada por Ciro Gomes, Renan Calheiros e afins! Uma guinada do capital contra o governo que enriqueceu os bancos, as mineradoras, os agroexportadores e as empreiteiras, tendo com eles não só excelentes relações políticas, mas também promíscuas relações financeiras... Relações cada vez mais evidentes para a população e a classe trabalhadora, e cuja defesa se resume, cada vez mais, ao "todo mundo faz".
De um capitalismo que vai, estruturalmente, muito bem obrigado. Que não tem contradições com políticas compensatórias, recomendadas pelo Banco Mundial, e adora créditos públicos, já teve atos e promessas de flexibilização trabalhista e, apenas, se ressente um pouco da incompetência em infraestrutura...
O delírio micro-coletivo vê até “milícias fascistas” em ação. Um ex-ministro neoliberal, antigo defensor de uma reforma típica do Estado mínimo, vê a democracia ameaçada pelos “liberais” e em risco “os direitos civis e o sufrágio universal”! Outro, defensor da tese embolorada de um liberalismo fora de lugar no Brasil, opõe um suposto “campo popular” aos “os interesses do dinheiro”. Um “filósofo” fala de uma etérea “energia sequestrada” da sociedade em defesa de “um sistema estruturalmente podre e corrupto”.

Delírio que abstrai o desconforto da sociedade para com o governo, em especial para com o estelionato eleitoral realizado por Dilma Rousseff e sua trupe. A rejeição popular para com um Estado incapaz de gestão e planejamento, inchado de assessores inúteis e imerso em esquemas de corrupção. Fatos visíveis a olho nu, até porque se multiplicam e refletem em administrações estaduais, municipais e órgãos públicos, tais como as universidades. Abstraem este incômodo refletido nos 70% de aceitação do impeachment nas pesquisas de opinião. Que esses intelectuais certamente atribuirão à manipulação da mídia, afinal, “campo popular” sem povo, faça-me o favor...

A senhora Marilena Chauí, autora da comparação do golpe de 64 com um “pão doce com bolacha”, diz que o impeachment é a “a ‘cereja no bolo’ da direita”, de uma pauta conservadora no Congresso. Citando a redução da maioridade penal e a lei antiterrorismo. A redução da maioridade penal, um ataque ao “campo popular” que tem apoio de quase 90% da população mais pobre, que não entende nada de si mesma, uma lástima... E uma lei antiterrorismo curiosamente proposta e defendida pelo governo a ser derrubado... Para a senhora Chauí trata-se da “vitória completa do capital na luta de classes”. Com o apoio de “uma classe média [a cômica obsessão da filósofa] ‘proto fascista’ para implantar um governo reacionário”. 
O que importa o delírio destas “esquerdas” alavancando o impeachment, ou não, de Dilma Rousseff a um fato transcendental? Certamente muito pouco para o desenrolar do imbróglio institucional. Isso porque eles têm alguma razão: são as oligarquias que o definem. Oligarquias no sentido posto por Robert Michels, ou seja, de grupos que controlam o jogo político em detrimento do seu caráter representativo, não exatamente no sentido dado pelos delirantes. Aliás, já o fazem, sempre o fizeram, e não o deixaram de fazer, "podre e corrupto", nos últimos treze anos. Menos ainda para a representação de interesses dominantes, obviamente bem equacionados no mesmo período.
Virtualmente inútil para o desatamento da crise, em qual sentido que se dê, o delírio, que alude a paranoicos fascismos de ocasião e a paralelos históricos descabidos, apenas contribui para a ridicularização de um patrimônio ideológico já bastante desgastado. Aliás, em boa parte pelos treze anos de Lulismo e seu amálgama de plena conformidade com a ordem do capital, e com suas formas políticas mais grosseiras, e mobilização de elementos simbólicos “de esquerda”. Apelar para “fascismos”, “oligarquias” e “capital” para isso apenas reforça este despolitizante divórcio com a realidade, promovido pelo Lulismo e muito bem recebido pelos setores dominantes e conservadores.
Enquanto isso, um embate de oligarquias políticas busca uma rearrumação de fôlego curto – e o que se esperaria do nível de anomia política ao qual chegamos? – que não mexe com a ordem instituída, para o bem e para o mal. No último movimento, as articulações governistas junto ao Supremo Tribunal Federal barram as ações do presidente da Câmara e dão força ao Senado, onde é mais forte o governo, ao mesmo tempo em que, sintomaticamente, indica o relaxamento de prisões oriundas da Operação Lava-Jato. Como isso repercutirá na opinião pública? Ora, isso não importa, não é mesmo? O “campo popular” somos "nós"...

Pode-se, legitimamente, defender o mandato de Dilma Rousseff. A mobilização delirante de certos argumentos, no entanto, é de fato preocupante. A busca de "fascistas" embaixo das camas, a elaboração de uma "oligarquia" que não existe ou está em todo lugar, e o ficcional embate com o "capital", são invenções despolitizantes. Despolitizantes porque se não são desde já evidentemente delirantes, o serão logo. E, pior, este delírio parece, e mais parecerá, uma jogada maquiavélica.

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1) http://www.viomundo.com.br/politica/para-chaui-golpe-agora-fara-64-parecer-pao-doce-critico-do-pt-arantes-relembra-milicias-fascistas-para-schwarcz-estrategia-da-oposicao-foi-tornar-pais-ingovernavel-nobre-diz-que-brasil-vie-eng.html


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Cunha já caiu, Dilma não cairá agora, mas também não terminará o mandato

Como podem notar, não tenho tido tempo para escrever artigos de opinião política, apesar da efervescência do momento, mundial e brasileira. Contudo, dada a gravidade aparente das lutas palacianas em Brasília, sou obrigado a deixar clara minha opinião.

O governo Dilma está fraco, provavelmente não durará até 2018, pois mesmo a saúde da presidente é fraca, e em um tempo de crise o peso sobre ela é maior ainda, torando muito difícil que ela se sustente por mais três anos. Então, mesmo que por milagre ela consiga se sustentar politicamente, por exemplo favorecendo-se da estupidez dos adversários, diversos outros problemas tocaiam esse governo. Fato é que "adoecer" é para ela uma boa estratégia. Na suposição de que ela seja derrubada nesse momento (note-se que agora meses ou até semanas estão fazendo diferença) e contra a vontade, teremos uma crise política, forte divisão do país, tanto regional quanto social, com muitas consequências imprevisíveis, mas algumas óbvias, como forte agravamento da crise econômica (ninguém coloca o capital no mercado em uma sociedade tensa).

O processo de impeachment aberto por Cunha se fragilizou pelo fato de ter sido aberto por ele, e por, claramente, ser resposta ao prosseguimento das investigações sobre ele. Esse processo está comprometido, não tem legitimidade em canto nenhum do mundo, pois os colaboradores do golpe claramente não contam. Porém é provável que muitos dos mesmos argumentos sejam usados em um processo posterior e com legitimidade, depois que Cunha se for, e ele se vai.

Um presidente da Câmara que não pode viajar para o exterior por medo de ser preso pela Interpol é uma piada, insustentável, só ainda não caiu porque o regime está quase tão corrompido quanto ele. Com ele se desmoraliza mais um pouco a "bancada evangélica". Os evangélicos de verdade estão sendo desmoralizados e caluniados pela existência desses deputados ditos evangélicos, maioria de pastores que usaram o dinheiro ganho com serem pastores para se elegerem, campeões de processos por corrupção (as igrejas não são vigiadas e eles portanto não têm treino em fraudes comparável aos empresários, aos parasitas de sindicatos e de entidades estudantis, aos advogados de grandes empresas etc.) e protagonistas de episódios vergonhosos.

A saída de Cunha e de Dilma, provavelmente nessa ordem, não colocará fim na crise política, mesmo porque o discurso de Temer já indica é mais crise. Mesmo que não fosse Temer, e que o vice fosse o mais preparado dos brasileiros, não escaparíamos de mais e mais crise, porque é o regime de 1988 que se foi. No vácuo deixado por ele as forças sociais disputam, e isso é o que vemos como crise política. Não estamos errados, um período de crise é um período de transformações.