segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Crise de superprodução empurra mundo para a guerra

Por que os líderes mundiais estão marchando para a guerra ao invés de costurarem a paz ? São crescentes e incessantes os alarmes de guerra. O Irã está sob ameaça dos EUA e seus paus mandados há muitos anos, e agora a Primavera Árabe deu oportunidade para a guerra na Líbia e na Síria. A Líbia foi destruída por 4 meses de guerra civil e bombardeios estrangeiros, mas a voracidade pela guerra não foi satisfeita. Outros países, como Coréia, Cuba e até a Venezuela vivem sob ameaça imperial, mas seu poder de causar estragos e de resistir é maior que o apresentado pelos países árabes, muito divididos e despreparados militarmente. Melhor para os EUA é fazer a guerra no centro da Ásia, bem longe de casa, no terreno que se quer conquistar. Seria a conquista do mundo! Em óbvia reação, os boatos crescem de que o presidente Hu, da China, já deu ordens ao Exército Vermelho de que se prepare para a guerra, e de que iniciou tramites para uma aliança com a Rússia. A Rússia já deu declarações públicas de que está se preparando para destruir o cerco de mísseis que os EUA estão montando contra ela, já moveu navios de guerra e mísseis para a Síria.

Por que se caminha para outra catástrofe mundial ? Há menos de uma semana, no início de Dezembro de 2011, a bolsa de valores de São Paulo teve grande baixa devido a informações sobre a maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce. A Vale precisou renegociar preços, reduzindo-os !!! A queda da demanda de aço é o mais importante indicador das crises de superprodução! Marx já explicou há uns 150 anos, e desde então vem se confirmando que a economia capitalista tem ciclos de superprodução, quando o excesso de produção de mercadorias, que não podem ser absorvidas pelo mercado, leva empresas a terem prejuízos e quebrarem, aumentando o desemprego e daí diminuindo ainda mais o poder de consumo, agravando a superprodução e daí por diante. A crise só acaba quando grande quantidade de forças produtivas e destruída, ou por falência ou, mais rapidamente, pela guerra ! É verdade que há alguns anos o mundo vive uma crise crônica de superprodução, mas mesmo assim continuam havendo períodos de agravamento.

A TV só divulga uma faceta distorcida e amena da crise econômica, praticamente reduzindo-a a crises financeiras desse ou daquele governo, até outro dia dos EUA, agora da Europa. Bobagem, as crises financeiras - o endividamento dos EUA e da Europa - não são nem sequer a pontinha do iceberg. Todo país capitalista tem dívidas, e alguns defendem que a dívida é a verdadeira riqueza de um país. Se até os particulares conseguem negociar dívidas, quanto mais os países. É claro que os países europeus da zona do euro perderam um grande poder de negociação com os credores quando abriram mão de emitir as próprias moedas. Uma coisa é um credor que emite o próprio dinheiro, outro um credor normal, que tem que ganhar seu dinheiro. O mercado sentiu essa fraqueza dos governos europeus e cobrou juros mais altos. Mas mesmo assim, se se tratasse somente de uma crise financeira, necessariamente se resolveria em pouco tempo, na pior das hipóteses com fortes desvalorizações do dólar e do euro.

Contudo, o problema é outro. O que leva os EUA e a Europa a se endividarem e daí suas moedas a se enfraquecerem é que estão perdendo o controle do planeta. Apesar da queda da URSS, nas últimas décadas os EUA e seus aliados não conquistaram mais espaço e ainda se dividiram, por exemplo com a criação do euro, que foi uma facada no dólar. A superprodução é outro aspecto dessa perda de poder, pois também significa que mercados antes dos EUA e da Europa agora estão em disputa.

A saída protecionista está fechada pela própria estratégia de domínio dos EUA, que criaram e defenderam com unhas e dentes a Organização Mundial do Comércio, e em sua própria área de influencia condena o protecionismo. A estratégia de construir o capitalismo na China também não pode ser combinada com uma virada protecionista nas relações mundiais. Ou seja, para os capitalistas vai ficando difícil ao mesmo tempo defender o capitalismo contra o socialismo e continuar no topo da economia capitalista. Uma saída óbvia para os EUA e a Europa, se não houvesse o perigo da China rumar para o socialismo, seria isolar a China economicamente, tomando seus mercados. Mas então os comunistas retomariam o controle do Partido Comunista Chinês.

Guerras pequenas não estão resolvendo nada. As guerras do Iraque e do Afeganistão, de vários anos, não foram suficientes para aquecer a economia nem dos EUA, e nesses países já não havia muita capacidade produtiva para ser destruída. A guerra civil na Líbia destruiu o país que até então tinha o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África, mas também não satisfez a voracidade da economia capitalista. Outras pequenas guerras portanto também não vão resolver, e é mais arriscado para os EUA uma guerra com países como Coréia, Cuba e Venezuela, que podem resultar em fortes baixas no próprio território estadunidense e, como já foi dito, não resolveriam a crise. A guerra com a Coréia seria nuclear, possivelmente extinguindo a Coréia, a Coréia do Sul ocupada e o Japão, além de atingir a costa oeste dos EUA. A guerra com Cuba e a Venezuela poderia resultar em uma revolução latino americana, deixaria os EUA sem seu petróleo mais barato e atingiria o sudeste dos EUA, e talvez toda a costa leste.

A guerra na Ásia, mesmo nuclear, poderia poupar o território estadunidense, mas certamente prejudicaria diretamente Rússia e China. Em caso de vitória, os EUA se estabeleceriam firmemente no maior continente do planeta, cujas riquezas são imensas. Seria, de fato, o domínio do mundo pelos EUA. Os atos terroristas da Al Quaida, provocados pela própria CIA, que sempre esteve por trás desse grupo terrorista, foram a desculpa para ocupar o Afeganistão e o Iraque. Agora a crise política na Síria e o suposto perigo nuclear iraniano são novas desculpas. A retirada de tropas estadunidenses do Iraque, longe de ser um bom sinal, parece uma preparação de ataque contra o Irã. É de praxe retirar as tropas que podem ser alvos fáceis para o país que se pretende agredir.

Diante dessas evidências, não se pode descartar que China e Rússia não esperem pela agressão dos EUA, e tomem a ofensiva na Ásia. Em ambos os casos, além de ser uma questão de sobrevivência, poderia ser uma saída para evitar ou adiar a volta dos comunistas ao poder. Na Rússia, o Partido Comunista e seus aliados venceram as eleições parlamentares e foram golpeados pelo governo. Grandes manifestações se espalham pelo país. Na China, volta a crescer a ala maoista do Partido Comunista no poder. Em todos os dois casos os capitalistas estão certos em prever que os comunistas adiarão seus planos para colaborarem em uma guerra contra o Império.

Na América Latina duas prioridades devem ser assumidas. 1 - Acelerar a revolução. 2 - Incentivar os governos latino-americanos a fortalecerem a UNASUL, com destaque para os projetos de defesa do continente.

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