domingo, 30 de outubro de 2011

O fim das eleições diretas e o início da democracia

A Universidade de Brasília está começando a viver o mais importante debate político que permeará todo o século XXI, por mais rápidas que as coisas estejam acontecendo. Trata-se da escolha entre tipos de democracia, ou para agradar os leigos, entre a democracia falsa que vivemos e outro tipo em construção. Por ser a única chave para os problemas de nosso mundo, esse debate é muito mais importante que as eleições de 2012, junto com as de 2014 e também mais importante que a crise econômica mundial que promete gerar maremotos políticos. Na UnB esse debate foi colocado no centro das atenções pela vitória de uma chapa de DCE que propõe o fim das eleições diretas para o DCE e sua substituição pelo poder dos Centros e Diretórios Acadêmicos.

Não é difícil constatar que a farsa democrática dos países "ocidentais" e de imitações espalhadas por todo o mundo se baseia em grandes eleições diretas. Também não é difícil perceber que as revoluções vitoriosas são as que se baseiam em outro tipo de democracia, com participação direta, debates sobre as coisas, e não a enganadora escolha de um chefe. Não há nenhuma regra que impeça os estudantes de jogarem no lixo a democracia ultrapassada dos capitalistas e exercerem um novo tipo de democracia, onde todos podem participar diretamente, a exemplo do que já fazem, desde 2004, na Universidade Federal de São João del-Rei.

Todos sabemos que o poder político em nosso país, assim como em quase todo o planeta, é de uma minoria de capitalistas muito ricos (das 400 famílias que controlam metade das riquezas do globo). Mas é óbvio que esse poder tem que se legitimar. É muito difícil manter um poder sem aceitação de uma boa parte da população submetida, de forma que sempre existiram formas de legitimar o poder. Enquanto funcionou, a argumentação foi religiosa, e hoje foi substituída pela argumentação democrática. Os capitalistas governam porque são eleitos políticos venais, jogando nas mãos dos eleitores a culpa de tudo. São as eleições diretas, portanto, a primeira proteção do capitalismo, sua mais forte defesa, assim como foi a mais forte arma para destruição das conquistas dos povos do leste europeu e da URSS.

Não é fácil explicar isso para o povo, nem mesmo para universitários, quando todos os dias as TVs fazem volumosa propaganda das eleições diretas, do poder do voto etc. Contudo, dar esse tipo de má notícia sempre foi o que diferenciou os revolucionários dos parasitas (carreiristas, corruptos e infiltrados). Sem derrubar o mito das eleições diretas como democracia, não é possível derrotar o capitalismo de forma bem derrubada, portanto, contrariando a opinião pública vigente, temos que fazer esse trabalho. Os ratos nunca têm essa coragem, a maioria vai se esquivar diante da crueza dos debates que virão, e uma minoria vai até adotar o discurso capitalista e defender as eleições diretas.

O momento não é para muita diplomacia - é importante denunciar como nunca o aparelhismo e a corrupção que caracterizam o movimento universitário dos últimos 30 anos, dirigido por eleições diretas. Se alguma força envolvida nesses casos de corrupção se levantar para defender as eleições diretas, deve ser imediatamente denunciada, de forma a ficar claro que esse tipo de "democracia" é o reino dos corruptos.

Sobre a acusação de dissolução do DCE, que será lançada pelas quadrilhas aparelhistas, deve ser respondido que o DCE na verdade vive dissolvido, pois reduzido a comitê eleitoral rotativo entre os partidos, e que agora será ressuscitado.

A argumentação de que o número de votantes foi baixo é hipócrita a olhos vistos, pois esse número sempre é inexpressivo, exatamente porque o movimento está desmoralizado, e está desmoralizado porque é parasitado por partidos ditos revolucionários mas que defendem o poder no modelo capitalista e também roubam como capitalistas.

Já está circulando também a acusação de que essa proposta é anti-partidária, despolitizadora etc., à qual se deve responder que são os próprios partidos que fazem uma constante campanha anti-partidária entre os universitários de todo o país, quando promovem suas sujeiras nas eleições e nas contas das entidades estudantis.

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