sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No Brasil, que classe(s) compõem a foice de nosso símbolo ?

É chegado o momento de iniciar entre os comunistas um debate que não pode ser rápido, que necessariamente se arrastará e não chegará a ser consenso entre as organizações revolucionárias. Todos sabem que a foice (na verdade é um cutelo) e o martelo do símbolo comunista representam os camponeses e os operários, ou seja, a aliança de classes que permitiu a revolução soviética. Esse símbolo foi adotado pela maioria dos Partidos Comunistas do mundo porque representava em todos eles uma estratégia indispensável, forjar essa mesma aliança, ou seja, juntar a maioria do povo.

Hoje, no Brasil, os camponeses são somente 3% da força de trabalho, segundo o próprio MST. Existem trabalhadores rurais em diversas outras situações que não são camponesas, porque já aconteceu por aqui o previsto por Marx para o campesinato, ou seja, sua extinção gradual, sua migração em massa para as cidades, sua proletarização no campo mesmo, enquanto uns poucos se transformam em pequenos, médios ou grandes fazendeiros. Mas somando toda essa população rural, ainda não temos nem sombra da massa que foi campesinato com o qual os bolcheviques se uniram na Rússia e entre os quais os comunistas propagaram a revolução na China, no Vietnã e na Coréia. Ademais, boa parte dos pequenos fazendeiros, certamente a maioria esmagadora, longe de pensar em se aliar aos trabalhadores da cidade, os teme porque acha que o comunismo significaria que seriam tomadas suas terras.

O proletariado, por mais amplo que o consideremos, incluindo em sua fileiras todos os funcionários públicos e ainda a maioria das categorias de autônomos, ainda não chega, sozinho, a ser a maioria da nação. Portanto, somente a expulsão dos parasitas das fábricas não daria aos trabalhadores força suficiente para dirigir a nação sem fazer alianças.

A burguesia é cada dia uma minoria mais isolada e desmoralizada.

Então onde está o pendão da balança? O que sustenta o capitalismo? Que força se mantêm atrelada à burguesia a ponto de a manter no poder? E mais ainda, partidos de que base social conseguem enfraquecer os trabalhadores parasitando seus movimentos? Não é difícil notar que o que falta é a massa disforme, e no Brasil numerosíssima, chamada de pequena-burguesia, um povo que muitas vezes tem medo de comunistas, mas de entre os quais saem milhares de nossos melhores militantes.

É necessário começar a pensar e testar programas em que fique claro para essa massa que ela não será vítima de uma revolução, mas que compartilhará de seus benefícios.

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