sábado, 5 de novembro de 2011

No país que deu ao mundo a palavra "democracia" o povo não pode decidir nada

Democracia é uma palavra de origem grega. É o nome dado ao regime político adotado por Clios, Atenas e dezenas de outras cidades gregas meio milênio antes de Cristo. Nesses regimes políticos os homens livres (escravos, mulheres e estrangeiros estavam fora) decidiam sobre todos os assuntos da cidade em Assembléias e Conselhos, elegiam e depunham seus generais, tesoureiros, diplomatas etc. Seus detratores é que cunharam o nome, que poderíamos traduzir pela expressão "poder do povão", embora literalmente fosse "poder dos povoados", ou poder das zonas políticas que depois das reformas de Clistenes tomaram o nome de "demos".

Esse nome depois foi usado por diversos regimes políticos, praticamente todos completamente diferentes entre si. A Grécia de nossos dias, e mais ainda o resto da União Européia, fazem questão de ressaltar serem democracias. Mais que isso, modelos de democracia! Pois bem, foi somente o primeiro-ministro grego recuar perante seu povo e propor um plebiscito sobre a situação do país e iniciou-se toda uma campanha mundial, em que entraram até as redes de TV "brasileiras", condenando desesperadamente a participação do povo grego nas decisões.

Vão ser cortados salários e benefícios, vão ser dificultadas as aposentadorias, reduzidos os investimentos públicos, sucateados os servições de saúde e a educação, elevados os impostos, e o povo não pode decidir se deseja esse caminho ou outro. Eis ai, mais uma vez, um retrato das "democracias" de nossos dias.

3 comentários:

Daniel Braga disse...

Essa mesma "democracia" é apregoada cada vez que um ditador não alinhado aos interesses do império e do capitalismo é derrubado. Democracia só serve se for para reproduzir um sistema excludente e opressor: Ya basta!

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Eu acho que podíamos chamar a crise de 2008 de "Crack de 2009", o que acha? Veja se consegue sugerir isso nas conferências e teses do partido.

Quando eu disse isso a um amigo economista, ex-diretor de banco, ele imediatamente anotou a sugestão. A crise ainda não tem nome, mas ainda a terá no futuro.

Eu uso, sempre que possível, a sua definição da "república de 88" para o momento que vivemos. Acho que nós intelectuais temos de criar conceitos. Eu inventei o conceito de "telelúmpen" para esse tipo de trabalhador degradado pelo crime que liga pelo telefone dizendo que seu filho foi sequestrado, etc.

Abs do Lúcio Jr!

Sam Joam d'el rey disse...

Toda a União Européia corre grande perigo... Quão irônico que o berço da democracia esteja sendo roubado pelos banqueiros, os políticos e os burocratas. Para todas aquelas crianças que pensam que vivem em uma democracia, a fusão entre estado e poder empresarial, por definição, chama-se fascismo... é fascismo puro e simples. Acabemos com esta farsa de democracia. (Gerald Celente: Acabemos com esta farsa de democracia)

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