sábado, 9 de outubro de 2010

Os verdadeiros verdes: A prioridade ambiental e seu preço


O destaque dessas eleições, a votação da candidata “Verde”, reflete, entre várias coisas, a compreensão de parte da sociedade sobre a prioridade da questão ambiental. É inegável, aliás,que chegamos a um nível de destruição dos mares, dos rios, das matas, do solo, do ar, dos seres vivos, que estamos correndo sério risco, se não de extinção imediata, de vivermos crises agrícolas sérias, que multipliquem a fome, gerem guerras de proporções e em quantidade antes nunca vistas e ai, sim, podemos gerar nossa própria extinção, pois as nossas armas atuais usadas pelo mundo todo em grande escala somadas ao grau de destruição a que já chegamos sem tantas guerras... Porém, a questão ambiental é colocada ao público de maneira falsa, pois seu verdadeiro núcleo, sua verdadeira essência, sua raiz e seu tronco, não são nem citados. A questão ambiental, contudo, precisa ser resolvida, não em pequenas partes, em pequenas doses. Já não há tempo para uma transição lenta, e haverá menos ainda, pois a solução ainda irá demorar a começar! Ou seja, quando formos obrigados a tomar providências sérias, elas terão que ser bruscas, tão bruscas que exigirão o rompimento com a economia de mercado!!!

Expliquemos: A candidata “verde” não se propôs a solucionar o verdadeiro problema ambiental – praticamente toda a destruição ambiental não é feita pelas pessoas comuns, não é o lixo das grandes cidades (embora esse já seja um enorme problema, se fosse o único praticamente não teríamos um problema histórico), não é a fumaça dos carros e cigarros (desprezível essa última), não é nada das pequenas coisas, mas sim, 95% de nosso problema, é nossa produção! Ou seja, conforme a candidata verde constatou, consumimos demais, com destaque para os estadunidenses e europeus. O que ela não chegou a informar é que quase tudo isso que é consumido em excesso são inutilidades! São coisas que ninguém nem desejaria se não fossem produzidas e pior, propagandeadas em excesso! Em outras palavras, são instrumentos de charlatanice. E por conta dessas bugigangas, devemos caminhar para o apocalipse!!??

O problema é, para as economias de mercado essas inutilidades são indispensáveis! Não se pode pensar em parar de produzir nem 2% do que se produz, pois para essas economias isso significa crise profunda, perigo de quebradeira, é inaceitável. Aliás, não se pode nem mesmo pensar, eis como é brilhante o mercado, em conservar os níveis atuais de produção. Eles têm que crescer, só para as economias não entrarem em crise!

Exemplifiquemos: Chegará o momento em que precisaremos tomar medidas como proibir a publicidade de qualquer produto, extinguir os descartáveis, realmente priorizar o transporte coletivo em detrimento dos carros de passeio e essas são somente pequenas, leves, diante do tamanho do problema. Em uma economia de mercado isso resultaria em desemprego em massa, falências, gerando mais desemprego e mais falência, ou seja, seria insustentável. Um governo que tentasse tomar qualquer dessas medidas no Brasil controlado pelos capitalistas cairia antes de executá-la.

Como reduzir a produção sem gerar falências, desemprego, miséria? O Estado obviamente teria que garantir os empregos, e impedir as falências. E mais, teria que garantir que se continuasse produzindo o necessário e se deixasse de produzir sempre o mais supérfluo. Para tanto, teria que socializar as grandes empresas e propriedades rurais. Já nos fizemos compreender – a solução da questão ambiental só é possível colocando fim ao poder dos capitalistas, pois por mais que estes desejem, não podem tomar as medidas necessárias, pois estariam cometendo suicídio econômico. Não é a conclusão a que gostamos de chegar. Gostamos de ter tempo, sobretudo na economia, gostaríamos de uma transição lenta, sem traumas, daí sem guerra civil! Porém, vamos compreendendo porque a história humana tem sido tão cheia de explosões violentas e abruptas... Acontece que o grosso da humanidade só compreende que tem problemas, e que eles têm que ser resolvidos, quando já estão tão grandes, que as providências a serem tomadas são tão traumáticas, que se desencadeia uma dessas tempestades revolucionárias. Ou seja, continuaremos nos organizando devagar anos a fio, sempre pequenos, sempre tentando ensinar as pessoas a levantar a cabeça e seguir um caminho racional, mas elas continuarão em grande maioria de cabeça arriada até suas vidas piorarem de forma insuportável, e ai vão querer resolver tudo correndo, e nós teremos que estar preparados inclusive para essa impaciência infantil (lembrem-se da sorte de Danton).  

Gostemos ou não, não existe melhor maneira de ser verde do que sendo vermelho! 

Um comentário:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Tb comentei isso com o pessoal da cidade na comunidade do Orkut. Uma célula do partido comunista não serve só para discutir comunismo e falar bem de Cuba, como imaginam; pode-se e deve-se discutir ecologia, nos marcos do q vc fez aí. Em breve, com as mudanças climáticas, as massas vão sofrer muito mais, criando uma condição revolucionária. Faltam outras, mas veremos quais as consequências dessa.

Abs do Lúcio Jr.

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