sexta-feira, 22 de outubro de 2010

França - o governo contra a maioria

Sete em cada dez franceses são contrários à reforma que o governo francês aprovou hoje! O povo que tem a fama de ser o mais culto do mundo, que ostenta o maior número de livros lidos por ano, que gosta de passear em museus e galerias de arte, não consegue mandar no próprio país sob uma democracia semelhante à que temos nos Brasil (na verdade um pouco melhor, pois os franceses não aturariam a concentração de poder que abandonamos aos nossos presidentes, governadores e prefeitos). O mundo todo está assistindo, o povo francês nas ruas, lutando contra um aumento de dois anos na idade para aposentadoria, repetindo a todo o momento ao governo que 7 em cada 10 são contra o tal aumento. Mas o mundo todo também assistiu, hoje, que o povo francês não manda na França! A maioria dos deputados e senadores têm outras vontades, outras idéias, outros senhores!

De fato é assim em todo pais capitalista, e esse tipo de democracia louvada em verso e prosa pelos capitalistas (Rede Globo, Veja, Estadão, Estado de Minas e outros partidos de direita) sempre legitima o poder dos ricos fazerem o que é contra os interesses da maioria das pessoas. Se as pessoas decidissem diretamente sobre as coisas, nesse exemplo francês o dinheiro teria que sair da minoria rica, nunca da maioria trabalhadora, e no Brasil teríamos saúde, educação, empregos etc., enquanto escolhendo somente as pessoas para mandar e lhes cedendo o poder de fazer o que bem entenderem, o que temos, sempre, é o contrário da vontade do povo.

Outra coisa em que os franceses devem estar pensando é porque não têm o direito de substituir esses deputados e senadores que votaram contra a opinião de seus eleitores? Se um advogado não faz o que esperamos que faça, nós o despedimos e contratamos outro. Se não fosse assim, seríamos roubados e traídos na maioria das vezes que precisássemos de um advogado. Os deputados e senadores deviam ser advogados de seus eleitores, mas como não podem ser demitidos...

Deve-se notar que o exemplo francês liquida o argumento idiota de que o problema da democracia brasileira é que "o povo não sabe votar", pois se o povo tido como mais culto do mundo também não consegue fazer a mágica de transformar a eleições de pessoas em democracia, o nosso não vai conseguir nem em mais 500 anos. Não é o povo que é ruim (mesmo que seja) é o sistema político capitalista que não presta, para qualquer povo!

A França é a terra da Comuna de Paris. Nesse momento em que a democracia capitalista se desmascara, é hora de pensar em uma democracia superior, é tempo de pensar nos Comunards.

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