domingo, 31 de outubro de 2010

Contra a reedição petista da censura

É crescente a diferenciação entre o PCB e o PCdoB, como o prova a proposta feita pelo deputado estadual do PCdoB de Minas Gerais de criação de um Conselho para controlar a imprensa no estado. A questão é de tal importância que exige uma análise passo a passo.

A realidade da imprensa brasileira

A chamada "liberdade de imprensa" é no Brasil "liberdade de empresa", é a liberdade que os capitalistas se dão de usarem fortunas para repetir mil vezes na cabeça de todos as versões dos fatos conforme lhes interessa. É um fato enfim confesso pelo até então escorregadio Lula, que irritado com os ataques de toda a grande imprensa à sua candidata, afirmou em alto e bom som que a imprensa brasileira é "controlada por meia dúzia de famílias".

Essa é, deve-se saber, a realidade da imprensa em qualquer país capitalista, e é obviamente um pilar indispensável da manutenção do Estado capitalista e portanto dessa forma de penar.

A "solução" petista

Diante dessa realidade, o PT, que nunca chega nem perto da raíz de nada, mais uma vez resolveu tentar um paliativo, e mais uma vez horrorizou as pessoas sensatas com uma proposta monstruosa e, sinceramente, imbecil. A idéia genial, pela qual se pretendia resolver o problema do monopólio dos ricos sobre a imprensa sem retirar dos ricos o controle da imprensa, é um Conselho Nacional das Comunicações, controlando essa imprensa de cima para baixo!!?? Mas não, segundo os "inventores" de tal "novidade" não se trata de censura, não, de forma alguma. É um grupo de pessoas, que decide coisas sobre toda a imprensa de um país ou de um estado, e não é censura!!?? Como não? Não é censura porque ao invés de composto por fascistas é composto por socialistas e petistas de diferentes matizes? Não é censura porque tem origem e composição democrática? E democrática quanto? Democrática como?

Reeditar a censura é uma vergonha e uma burrice. Logicamente, a idéia será bombardeada até a completa derrota. E nós, comunistas, como sempre, estaremos na linha de frente do combate à censura.

A solução democrática

Nossa solução para a imprensa brasileira é outra, nós lutamos pela democracia da imprensa, começando pelas TVs e rádios estatais, que devem ser modelos, estendendo-se a toda a imprensa. A imprensa é um poder público, não pode ser monopolizada por uma minoria rica, tem que ser democrática, ou seja, dirigida pela população que é por ela atingida.

Como todo poder público, a imprensa deve ser dirigida pelo povo e seus representantes, não por donos. Não há como chegar a esse objetivo sem começar dando o exemplo com as TVs e rádios públicas. Por diferentes métodos, começando pela democracia digital (decisões diretas dos telespectadores na Internet) até a ampliação e composição representativa dos Conselhos Editoriais. A palavra "representação" exige explicações práticas - Para nós os modelos de representação são a Comuna de 1871, os Soviets, as eleições cubanas etc., que são diferentes entre si. O que têm em comum? A possibilidade de revogar mandatos, presente em todas. O fato de nenhum desses parlamentos ser composto por profissionais e de nenhum parlamentar ganhar gordos salários. Serem eleitos os representantes em pequenas eleições, entre pessoas que moram ou trabalham ou estudam nas proximidades. Serem eleições sem dinheiro!

Propomos uma estrutura: Devem existir programações locais das TVs e rádios públicas, então devem ser criados Conselho Editoriais locais (e não como é hoje, que um chefete político qualquer em São Paulo decide o que vai ser veiculado sobre todas as regiões do país), absolutamente sem nenhuma remuneração ou ajuda de custo, representativos, ou seja, formados por universitários de cada curso, trabalhadores de cada categoria ou empresa, estudantes e professores de cada escola, representantes dos oficiais e dos praças de cada Força etc., ou seja, um grande parlamento. Esses Conselhos locais podem ser o colégio eleitoral dos representantes dos Conselhos Editoriais que devem decidir sobre as programações estaduais e nacional. Os representantes desses Conselhos Editoriais devem receber as passagens e ajuda de custo realmente necessária para as reuniões, que devem ocorrer em finais de semana. Como é óbvio, toda a direção das TVs e rádios públicas devem passar à direção desses Conselhos, e os os Conselhos nacional e estaduais não devem interferir nas programações locais.

Está ai uma proposta barata e democrática (que obviamente não é invenção minha) de direção para os meios de comunicação de propriedade pública. Em um país capitalista, antes de realizar a democratização dos meios estatais de comunicação, o Estado falar de criar Conselhos para controlar todos os meios de comunicação, mesmo prometendo que esses conselhos serão realmente democráticos (ao contrário do que prova a experiência), parece piada de mal gosto, pois é propor a censura falando de democracia.

Democratizar a imprensa estatal nos moldes que propusemos não é mais difícil que controlar a imprensa por meio de censura, e de forma muito menos autoritária.

Propomos ainda algo mais fácil ao governo, que combateria o monopólio capitalista da imprensa sem precisar dessa proposta suicida de reeditar a censura. O Ministério das Comunicações pode simplesmente liberar que os sindicatos dos trabalhadores, organizações dos universitários etc. tenham rádios e TVs locais. Antes de dar essa liberdade, que já quebraria o monopólio capitalista, falar de criar conselhos para controlar, é obviamente uma postura autoritária.

2 comentários:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex.

Bom ver vc tocar nesse assunto, a imprensa, que motivou uma postagem bastante polêmica, ainda que por outros motivos, em meu blog.

Uma sugestão que faço é que as células devem fazer blogs para observar suas imprensas locais. Com isso, os jornalistas locais passam a visitar esses blogs e participar, ainda que com hostilidade, mas fica uma relevância social, principalmente pq é produzido um tipo de texto que só pode ser produzido naquela comunidade.

De fato, a imprensa jogará um papel fundamental no governo Dilma e o PT já percebeu isso. A vontade do PT é sempre mudar na infraestrutura e não nas estruturas: Lei Maria da Penha, Lei Seca, etc.

Isso decorre das experiências traumáticas de tentar mudar algumas estruturas que a esquerda brasileira teve nos governos Getúlio e Jango, assim como na experiência da luta armada contra o regime. A esquerda moderada, se é que podemos dizer assim, é agora extremamente moderada e evita cuidadosamente tocar nas estruturas.

Também acho que o tal projeto vai ser intensamente combatido enquanto censura de agora para frente e cairá. No entanto, sua proposta para a democratização não ficou clara. Acho que é negócio do PT é que ele precisa criar imprensa própria. Essa foi a minha sugestão em minha última postagem.

Olhando a Constituição de 88, vc pode ver que ela não proíbe a censura econômica. E ela é largamente praticada.

O Glauber Rocha comentou que preferia fazer cinema no Brasil do regime militar e enfrentar a censura política do que enfrentar a censura econômica de Hollywood, que ele adjetivou como sendo muito pior.

Eu creio que o PT quer uma instância mais elevada de reclamação e nem tanto assim de veto, para evitar farsas como as armadas pelo Jornal Nacional em 89 e agora no episódio bolinha de papel.

Abs do camarada Lúcio Jr.

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Eu sugiro que vc procure seus eleitores fazendo postagens agradecendo os votos nas comunidades orkut das pequenas cidade em que eles votaram em vc.

Abs do Lúcio Jr.

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