quinta-feira, 10 de março de 2011

Infantilidades dos comunistas brasileiros no século XXI

Quando surgiu o movimento comunista internacional, liderado pelo Partido Bolchevique, os novos partidos, Comunistas, começaram a sofrer do que Lênin chamou de “doenças infantis”. Podemos dividir em três partes principais as críticas de Lênin no livro “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo”. Primeiro Lênin demonstrou que o preconceito dos revolucionários contra as eleições é inaceitável. Depois, que é impossível qualquer revolução, ou mesmo qualquer movimento comunista de verdade, sem alianças. Em terceiro que somente aos contra-revolucionários interessa que os comunistas fiquem longe das organizações de massas, mesmo que essas sejam controladas por pelegos. Em meio a tudo isso Lênin identificou um espírito de seita, o sectarismo, muito forte nos grupos políticos que apresentam sintomas de doença infantil. Hoje, podemos acrescentar ao menos duas características normais nos infantis esquerdistas, que é a mania de fazer oposição às revoluções dos outros, e em alguns casos o culto à luta armada. No Brasil, surgem características nacionais do esquerdismo, que assim como as utopias, nasce espontaneamente, pois é pura ignorância, pura falta de estudos do marxismo, são posições a que qualquer pessoa chega a partir do que aprende na TV, na escola, na família, na igreja e nas ruas, ou seja, a partir do senso comum.

Lênin inicia o Esquerdismo informando aos ignorantes que sem participar de várias eleições o Partido Bolchevique nunca teria derrubado o Tzar, e que foi necessário participar de eleições capitalistas mesmo depois de instalado o poder dos Soviets. Podemos acrescentar que também os revolucionários de Sierra Maestra construíram parte de seu movimento revolucionário participando de eleições, pois muitos dos que estavam com Fidel no dia do ataque a Moncada haviam participado com ele de diversas eleições. Hoje, como na época de Lênin, só restam dois casos em que revolucionários não participam de eleições, quando não podem ou quando não participar é a forma mais eficiente de participar. No primeiro caso estão lutando para que aconteçam eleições ou para poderem participar delas, e no segundo estão participando!

Porém, na totalidade dos agrupamentos brasileiros do campo revolucionário, existe horror às eleições. Constatamos em nossa última reunião da célula do Partido em São João del-Rei que nossa forma de participar das eleições é de fato uma forma de não participar. Não preparamos as eleições antes, não aprimoramos nossas táticas eleitorais, não pensamos realmente em eleger, e nossos militantes não se empolgam. Essa participação envergonhada é também um esquerdismo envergonhado, uma infantilidade, e um delírio! Delírio, miragem, esquizofrenia, pois afinal podemos afirmar que a frente eleitoral é aquela em que hoje mais atuamos, de dois em dois anos, a única em que atuam todas as células. Temos uma ou outra célula atuando no movimento sindical, uma ou outra célula atuando no movimento estudantil, mas nas eleições atuam todas as células, ainda que pouco e envergonhadas. Então porque não dar ao debate eleitoral a devida importância?

Portanto, também é uma infantilidade afirmar que não podemos criar células no interior “só para participar de eleições”. Como “só”? Nem nas grandes cidades conseguimos atuar em todos os movimentos. Em São João del-Rei, por exemplo, a atuação comunista é praticamente restrita à UFSJ. Então, como exigir dos camaradas espalhados pelas 800 pequenas cidades de Minas que não participem “só” das eleições?

Depois de debochar muito dos grupelhos que na sua época subestimavam as eleições, Lênin demonstrou o quanto eram inseguros e ingênuos por também não gostarem de alianças. Mais uma vez Lênin demonstrou que sem fazer muitas alianças, com os mais diversos agrupamentos nacionais e até inimigos da pátria, o Partido Bolchevique não teria chegado nem perto da Revolução. Isso também podemos dizer de todas as outras revoluções que vem seguindo a bolchevique durante os séculos XX e XXI – algumas até aconteceram sem que os revolucionários participassem de eleições pois em alguns casos não haviam eleições das quais participar, mas em TODAS as alianças foram indispensáveis, mutáveis, por vezes feitas com o próprio inimigo.

No Brasil, contudo, essa mania de não gostar de alianças é reforçada por uma das mais conhecidas frases cristãs, “diga-me com que tu andas e eu te direi quem és”, à qual de fato seguem os nossos “revolucionários”, ao invés de seguirem os conselhos de Lênin. Ou seja, “revolucionários” que não estudam servem mais para esperar o Reino dos Céus do que para lutar pela Revolução!

Uma análise completamente míope do governo Lula reforça o engano. Acreditam os esquerdistas que o PT se degenerou porque fez alianças com partidos como o PL e o PMDB, o que é uma inversão da ordem das coisas. Muito antes de chegar à presidência da República o PT já tinha riscado o socialismo de seus textos, já concordava com a maioria dos projetos e crenças da direita, já estava envolvido em escândalos em sindicatos (desde que nasceu), entidades estudantis, prefeituras etc. Mas essa crença de que o PT foi influenciado por seus novos aliados é interessante porque demonstra um dos principais motivos dessa infantilidade - é medo, insegurança! A falta de firmeza em uma estratégia e em táticas correspondentes, de que trataremos em outro artigo, leva ao receio de se deixar influenciar, ou de que a militância seja influenciada por outros.

No caso mineiro, o posicionamento ultra-esquerdista de restringir o leque de alianças gera situações ridículas, pois na maioria das pequenas cidades não existe nenhum partido revolucionário ou socialista, e não raro as forças mais avançadas de centenas dessas cidades estão em agrupamentos como o DEM ou o PSDB. Então, decretar letrinhas com as quais os comunistas não podem se aliar é o mesmo que decretar que o Partido Comunista não pode existir em umas 700 cidades mineiras. Lênin teria nojo de ditos revolucionários que atrasam a Revolução por conta de crenças religiosas, insegurança e ignorância de tudo o que ele escreveu! Um comunista precisa ser capaz de analisar cidade por cidade, cada contexto, as principais contradições, quais são as forças que realmente existem e o que elas realmente significam naquele contexto, e não tentar adivinhar o que é cada força pelo nome (letrinhas) que ela mesma escolheu.

Por fim, Lênin explica uma coisa muito óbvia, que qualquer um que pretenda atuar entre os trabalhadores tem que ir onde eles estão! Já naquela época havia a ilusão de, ao invés de enfrentar os parasitas que sufocam o movimento sindical, tentar criar outro movimento sindical, puro e revolucionário. Não é nem preciso dizer que os “revolucionários” brasileiros são também adeptos dessa ilusão. Se estivéssemos acordados nesse aspecto estaríamos atuando ao menos nas cinco maiores centrais sindicais, com as mesmas propostas para todas, filiando gente em todas, distribuindo e vendendo nossos materiais em todos os encontros. Porém, embora estejamos acostumados a décadas vendo que 80% ou mais dos sindicatos são parasitados, e não adotemos quanto a isso uma atitude de intolerância, muito menos quando se tratam de nossos próprios militantes, continuamos presos a uma dita ética que diz que temos que nos limitar só a uma central. No caso da central estudantil, a UNE, existem entre nós traidores que querem nos afastar de seus fóruns. Ou seja, o que as ditaduras sonharam a fazer, o que a direita deseja do fundo do coração, alguns de nossos próprios militantes se dispõem a defender em nome da mesma “ética” esquerdista e infantil.

Qualquer pessoa que realmente luta pela Revolução deve aprender com os revolucionários, sobretudo pelos que tiveram sucesso, e destes o mais brilhante foi Lênin. Sendo plenamente alfabetizado mesmo um chipanzé deixaria de ter infantilidades esquerdistas depois de ler “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, cujos argumentos são destruidores. Portanto, como essa doença atinge fortemente os agrupamentos revolucionários brasileiros, só podemos concluir que nossos camaradas se acham muito sabidos, acham que não têm nada a aprender com Lênin, e mentem ao dizer que leram esse livrinho.

De fato surgiram coisas novas desde 1923, quando esse livro começou a circular, e o esquerdismo passou a ter mais dois sintomas graves – o culto à luta armada e a implicância com as revoluções alheias.

O culto à luta armada é mais velho do que Lênin, já tinha quando este nasceu até nome, blanquismo, que consiste na ilusão de que um grupo de homens bem unidos, preparados e organizados pode realizar uma insurreição bem sucedida e fazer a Revolução. Ou seja, é tomar a Revolução pela sua aparência! O mais visível, o momento mais marcante, o dia D da Revolução, para esses inocentes se torna a própria Revolução. Depois da Revolução de Outubro, embora esta não tenha sido nem um pouco blanquista, o blanquismo retomou força, escondido dentro dos Partidos Comunistas. A Revolução Cubana também contribuíu sobretudo na América Latina, para essa ilusão. Como tem a mesma raíz das outras características esquerdistas, a ignorância, via de regra são os mesmos que têm preconceitos contra as eleições, contra as alianças e contra participar de organizações pelegas os que fazem o culto da luta armada. É perfeitamente natural que um jovem revolucionário deseje chegar rapidamente à Revolução e creia que pode fazê-lo por meio da luta armada, mas se estudar vai aprender que para se fazer uma Revolução é necessário muito mais que tiros e bombas.

O PCB se destaca pelo seu pacifismo, pois durante a ditadura, quando a moda na América Latina era combater as ditaduras a bala, nosso Partido acertou não seguir esse caminho então suicida. É hoje óbvio que esse acerto esteve ligado a um engano internacional, que foi a orientação do Partido Comunista da União Soviética, a partir de 1960, de se tentar em todo o mundo a “via pacífica para o socialismo” e de negar a luta armada por princípio. Claro que não se pode negar a luta armada em qualquer circunstância, e claro que em qualquer país chega uma hora em que as coisas são decididas pelas armas, de forma que a orientação do PCUS era um absurdo. Porém, nas circunstancias brasileiras de então era simplesmente suicídio pegar em armas, e em geral embora as armas vez que outra devam ser usadas, em qualquer país do mundo as Revoluções se fazem no campo nas idéias, e em 99% do tempo as armas são inúteis. Ou seja, o PCB estava certo, mas hoje, dentro do PCB, aparecem militantes cultuando a luta armada e negando esse acerto do passado.

No Brasil, país muito cristão, a maioria dos pretensos comunistas são ainda cristãos, cristãos mais verdadeiros que o Papa, mas ainda não comunistas, porque para isso têm que estudar não só os testamentos, mas os livros de Marx, Lênin, Engels, Gramsci etc., além de trabalhos teóricos sobre a realidade brasileira. Então, nosso esquerdismo tupiniquim tem muito de culto à pobreza, maniqueísmo, purismo, misticismo, todas coisas nada comunistas.

O culto à pobreza é especialmente anti-comunista, mas na verdade forte entre os comunistas brasileiros. Acredita-se que o comunista tem a obrigação de ser pobre, e que o rico não pode ser comunista. É claro que tal preconceito está ligado a um engano muito difundido, segundo o qual comunismo seria igualitarismo. Também está relacionado a uma compreensão idólatra dos trabalhadores. No final do século XX e início do XXI entrou na moda cultuar especificamente os trabalhadores rurais. Os pobres seriam os revolucionários, naturalmente. Como todos que já estudaram Lênin e Marx sabem, os que pensam assim não leram nem um nem outro, ou se não são gênios brilhantes para terem derrubado seus argumentos. Deve-se destacar que Marx, Engels, Lênin, Fidel e diversos outros revolucionários não tiveram origem pobre, muito pelo contrário, Engels era industrial e Fidel latifundiário.

O maniqueísmo é também presente na maioria de nossas análises. O lado bom e o ruim, a esquerda e a direita, os proletas e os capitalistas, trotskistas e stalinistas com quem se pode e não se pode aliar, o pobre e o rico. Por isso Lênin chamava a coisa de Infantil, porque só as crianças pensam assim, os adultos começam a perceber a imensa complexidade da coisa. Comunistas não são militantes braçais, precisamos de cientistas, que portanto têm que entender o mundo em seus detalhes e não tentar simplificá-lo.

Era normal, desde a década de 40, grupos esquerdistas se identificarem como trotskistas, tanto que uma coisa virou sinônimo da outra para a maioria das pessoas. De fato, Trotski não era tão esquerdista quanto seus pretensos seguidores, e o uso de seu nome é um pouco de distorção, como blanquismo vindo de Blanqui. Eram ambos revolucionários que não podem ser julgados no lugar de seus pretensos seguidores. Porém, combater, no Brasil, o trotskismo e as infantilidades é quase sempre a mesma coisa! Portanto, é óbvio que os comunistas devem ler Trotski, mas não devem se curvar às limitações infantis de seus pretensos seguidores. Deve-se acrescentar que hoje existem grupos ditos stalinistas mas tão esquerdistas quanto os trotskistas.

È completamente normal que um partido que está crescendo filie jovens esquerdistas o tempo todo, pois o esquerdismo brota do capitalismo, é a vontade de derrubar o capitalismo sem a ciência de como se faz uma revolução. Mas precisamos combater esse esquerdismo com determinação, pois estamos mergulhados nele. De fato, por vezes o aceitamos como normal, e isso nos enfraquece e impede de realizar nosso trabalho.

14 comentários:

PCB Ipatinga disse...

Textinho grande, héim, Alex! Poderia ir mais ao ponto e falado que gostaria que o PCB de São João fizesse aliança com o PT para a prefeitura logo de uma vez!

Em relação as críticas aos esquerdistas, vc tem razão, e principalmente, eles são assim pq não estudam, e olha que os livros do Lênin são pequenos e com uma linguagem fácil ...

alex disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alex disse...

Xará, na verdade nosso projeto não passa por aliança com o PT em São João, o que até poderíamos pensar no futuro, mas no momento não, pois estamos ainda pensando na aliança com PSTU e PSOL.

Porém, em outras cidades defendemos até alianças com o PMDB ou "piores" (resolvi postar novamente só para incluir essas aspas). E daí? Lênin fez diversos tratados com o Kaiser da Alemanha, e Stálin com Hitler etc.

Agora, sobre "os" esquerdistas, note que você começou seu comentário com uma declaração para lá de esquerdista, além de venenosa. A simples preocupação com alianças dos outros é uma coisa esquerdista, infantil, desnecessária.

alex disse...

E mais uma coisa - para fazer uma comentário digno de vergonha como "textinho grande", você devia fazer em seu nome. Fica parecendo que os camaradas de Ipatinga não conseguem ler um texto minúsculo desses, enquanto a reclamação é sua, que é de BH. Eu, se fosse da base de Ipatinga, já estaria ofendido com esse comentário.

PDX Ivan Diniz Macedo disse...

Ai que saudade dos debates teóricos e das alfinetadas infantís inévitáveis nessas terrinhas. Mas valeu a iniciativa, Alex, porque hoje em dia o povo só lê e escreve em 140 caracteres.. Imagina se é capaz de refletir. É isso aí, a luta continua!
Otto Ramos (leitor convidado, ex-petista e hoje filiado ao PV)

PCB Ipatinga disse...

Tá como PCBIpatinga pq meu login no google qdo trabalho com blogs é esse mesmo, tentei alterar, mas não consegui.

Em relação ao tamanho do texto, normal o comentário, se pretendemos dialogar com o povo que, ou não tem tempo (pq trabalha), ou não tem paciência com textos grandes, seria de grande auto - crítica aos comunistas pensarem uma maneira melhor de comunicarem com a massa de maneira mais direta e concisa. É bem mais eficiente. A menos que o público do texto seja outro...

Em relação a alianças, na leitura do texto, é isso que ficou implícito para o leitor que não escreveu ele, quer queira, quer não.

Alex - BH

AF Sturt Silva disse...

O texto faz sentido. Na verdade é a primeira vez que vejo um texto seu Alex elogiando o braço direito do Lênin na revolução Russa.



Fora algumas coisas, concordo com o texto. A revolução cubana não foi só uma guerrilha, ela teve guerra civil como teve apoio das massas, seja ela camponesa ou urbana.



Sobre a questão do igualitarismo, os debates sobre isso estão a todo favor em Cuba devido às reformas pré-mercado, que segundo os cubanos vão atualizar o socialismo, enquanto oposicionistas estão divulgando que isso é a continuação da restauração capitalista que foi iniciada em 80/90.



Agora entrando na polemica, a proposta não é fundar outro estado? Já que Marx dizia que o estado burguês não serve para os trabalhadores. Até que ponto podemos ir com nossa política reformista?O PT começou assim onde os quadros do partido passaram a ocupar prefeituras e esse pratica política do institucional só foi crescendo. Antes achava que isso era corrupção,mas depois passaram a não ver isso com essa radicalidade e estas praticas políticas de alianças(com estado capitalista,com as estruturas da sociedade do capital e não em si com os partidos)ajudaram a fazer o que o PT é hoje...



Só para fechar, essa que comunismo é igualitarismo, culto a pobreza ou mesmo repartição com o próximo provem dos cristãos, por que é próprio em nossa cultura como é dos seguidores de Cristo juntarem as coisas sem mesmo refletir. Não estou chamando eles de burro,mas quanto falamos em igualdade e solidariedade, que o marxismo prega, eles tem a ideia formada sobre isso,que vem da igreja ,por isso acaba misturando as coisas em vez de completar uma com a outra,como a tentativa dos nossos camaradas venezuelanos de incluir o marxismo no cristianismo e no bolivarismo.

AF Sturt Silva disse...

Sobre o tamanho do texto tem que ser assim mesmo,menor fica muito mal explicado e leva a cair em erros.

O que eu acho que devemos fazer é o que autor das eras da revolução,capital,dos imperios e do extremos fez em relação a outros historiadores marxistas.

Passou a escrever seus texto mais fácis, para que leigos podessem entenderem,mas sem cair na vulgaridade e na superficialidade.

Sammer Siman disse...

Camarada Sturt,

Sim, a idéia é construir outro Estado. Mas Lênin diz, e isso é o óbvio, que só construiremos outro a partir do que temos, a partir do lixo que temos.

Não podemos ver o Estado como algo essencialmente ruim, mesmo sendo um Estado burguês. Ele tem capilaridade real na sociedade, faz garantia real de direitos, por mais que essa garantia seja limitada. A simples supressão do Estado, além de impossível, nos levaria a barbárie, e se barbárie levasse a revolução, o Haiti já estaria apontando como o baluarte do socialismo.

Ademais, perceba bem o enfoque do texto: Temos que ter a luta política institucional como uma vertente de luta. Reformismo seria somente fazer a disputa institucional (negando a disputa nas bases sociais), e fazê-la sem um viés crítico, sem propor mudanças de fundo.

Penso que o Alex tem respaldo suficiente, pois defendeu, por exemplo, revogabilidade de mandatos em sua campanha. E isso não é reformismo, isso é luta pela ampliação do Estado, e se há ampliação, há aumento das contradições, pois os dirigentes de hoje não estão dispostos a dividir poder, a mudar as estruturas.

PCB/UJC São João del-Rei disse...

Camaradas,

Fico feliz em saber que alguns esquerdistas já se posicionaram. Infelizmente, eles fazem parte do meu Partido. E, mais infeliz ainda é mostrar o desrespeito com um tema que é tão complexo como esse e acreditar que o texto feito pelo camarada Lombello está grande demais! Quanta ausência de reflexão!
Caro Alex (que desrespeitosamente se identifica como PCB Ipatinga), se você acha que fazer alianças é uma "heresia", realmente você desconfia da capacidade comunista inclusive do vice-prefeito de Borda da Mata.
A política de alianças parte de questionamentos conjunturais (quais são as forças de uma determinada cidade? Quem é progressista e quem não é? De qual lado um comunista deve ficar?), e não de suposições dogmáticas, estreitas e autoritárias.
Além do mais, o comentário é desrespeitoso com a base de São João del-Rei, porque parece que, mesmo que façamos ou não uma aliança com os petistas, somos tratados como oportunistas. Espero que esse tom seja somente de um camarada, que poderia nos responder de imediato.
Atenciosamente,
André Luan Nunes Macedo- Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista (UJC)

alex disse...

Camarada Af Stuart, não sei bem a que se referiu como "braço direito de Lênin na Revolução". Espero que não seja ao livro "Esquerdismo, doença infantil do comunistmo", pois esse livro não tem nada de direita. Aliás, não existe, como querem fazer crer tanto esquerdistas quanto carreiristas e oportunistas, que Lênin seja divisível. Já existiram organizações no Brasil que só estimulavam ler o "Que Fazer?", ou só estimulavam ler o "Esquerdismo", acreditando que um era mais a esquerda e outro mais a direita.

Note que essa idéia ridícula de dividir Lênin em dois serve nas entrelinhas para dizer que os esquerdistas são mais de esquerda, são mais socialistas, são mais revolucionários que os leninistas, mas isso é nitidamente falso. Os grupelhos esquerdistas não leriam o "Esquerdismo" por ser esse um livro de Lênin à direita, mas na verdade não leêm porque não têm argumentos contra os argumentos do Lênin, então não estimulam a leitura uns aos outros. Os esquerdistas, os infantis, via de regra, são tropas auxiliares da direita, uns porque querem ser, outros porque são ignorantes e daí feitos de bobos.

THIAGO disse...

muito bom o texto, poderia ter escrito com mais exemplos para evitar analises que contradiz o que esta escrito.
por exemplo a tentativa de aliança com o psol e o pstu, q ao que parece em são joao seria o campo de aliança a se constituir.
o problema das alianças não serem as que idealizamos, pode ser um resquicio da hegemonia catolica com seu purismo, deixa espaço para analises equivocadas de quais são os setores progressista dentro da realidade conservadora do capitalismo brasileiro e assim acontece volta e meia alianças com setores conservadores q não corresnponde com as nossas aspirações transformadoras...
mas isso é facil de identificar, cada ação tem uma reação... e a reação dos oportunistas é a desconstrução de um instrumento a serviço da revolução socialista....
não sei se fui claro. mas parabens pelo texto, muito bom...
Thiago. sete lagoas MG

AF Sturt Silva disse...

Alex,

eu quando escrevei "braço direito do Lenin na revolução russa",eu estava me referindo ao Trotski.Talvez usei o termo errado.Acho que uma coisa é o que o Trotski defendeu(esquerdimo e pureza é claro)e outra é o que seus seguidores fizeram em nome dele.O Morenismo (LIT) é uma das sua piores vertentes.

AF Sturt Silva disse...

Sammer Siman,

Conconcordo com a sua colocacação.Acho que o termo reformismo não foi empregado em uma boa hora.Mais o que eu quis dizer é que temos que sempre ter cuidado de não deixarmos o sistema cooptar os nossos movimentos.Serão esses que darão sustentabilidade para as vitórias eleitorais e nas ruas.

Se temos que ir onde atua os trablhadores temos que ir onde a luta está,inclusive nas esferas da burguesia.

Postar um comentário