domingo, 3 de outubro de 2010

Documento base para avaliação da participação do PCB nas eleições de 2010

Estamos divulgando esse balanço às 17 horas do dia da eleição, ou seja, finalizadas as votações e antes dos resultados, de forma a não influenciar negativamente os primeiros e não ser suspeito de ser influenciado pelos últimos.

Do ponto de vista das decisões políticas gerais – lançar candidaturas a todos os cargos pela primeira vez em 20 anos, e apontar para o socialismo – consideramos que foram corretas e que já nos deram o que queríamos, ou seja, o Partido cresceu, apareceu, existe perante a opinião pública e está atraindo bons militantes.

Há também de louvar a coragem dos candidatos de “botarem a cara a tapa” sem uma estrutura de campanha e sem uma probabilidade real de serem eleitos. Além do que, há de se considerar que a pouca estrutura do partido refletiu numa baixa estrutura de campanha (leia-se dinheiro), o que já sinalizava desde o início para grandes dificuldades durante o processo.

Também houve uma boa disposição de muitos militantes para ajudar no trabalho, mesmo diante de todas as dificuldades estruturais.

Outro aspecto positivo, trata-se da maturidade do partido em participar do processo com chapa própria. Temos cada vez mais a clareza da importância da eleição como mais um momento da luta política, que não devemos abdicar, pois por mais anti-democrático que seja (pois o dinheiro manda), é um momento aberto de debate e que condiciona os rumos do Estado. Ao menos é o caso de alguns militantes.

Outros aspectos positivos caberiam ser ressaltados, mas devemos ir aos aspectos negativos. Até porque a autocrítica é essencial, pois só iremos avançar se superarmos nossos erros.

Esse balanço, contudo, se dedica a questões menores, táticas, e uma doença que atinge quase todos os novos militantes comunistas, assim como o sarampo atinge quase todas as crianças, o “esquerdismo”.

Célula de São João del-Rei:

- A campanha só foi feita durante poucos dias, nas duas últimas semanas;
- Foram feitos poucos contatos, e com atraso, apesar de existir uma extensa lista de possibilidades;
- Foram rodados somente 20 mil panfletos, dos quais 9 mil ainda estavam estocados até a última semana. Ao final da campanha, ao menos 2 mil panfletos restaram desses 20 mil. Cerca de 6 mil foram enviados por correio para 39 endereços fora de São João del-Rei, e mais alguns milhares foram levados para Belo Horizonte, Ipatinga, Santa Cruz de Minas e Ribeirão das Neves, de forma que a distribuição em São João del-Rei deve ter sido de menos de 10 mil panfletos. Outros materiais também sobraram estocados;
- Esses panfletos foram feitos com atraso, ficando prontos quase no meio da campanha. Ficaram com excesso de texto, tanto que mal aparecem a foto, o nome e o número do candidato, e menos ainda dos demais candidatos do Partido;
- Nenhuma faixa foi afixada;
- Desde o início foi pouco ou nenhum o envolvimento da militância com a campanha eleitoral. Ex: De São João del-Rei somente Alex esteve presente à Conferência Eleitoral, à qual, aliás, não compareceram metade dos membros do CR;
- Viagens planejadas não foram feitas para que se fizesse campanha em São João del-Rei, mas esta campanha também não foi feita;
- A arrecadação foi tão deficiente quanto toda a campanha;
- A campanha foi praticamente somente do candidato a deputado federal Alex Lombello Amaral, um pouco do candidato ao Senado Rafael Pimenta, e muito pouco dos outros candidatos. Candidato Alex que, aliás, praticamente não fez campanha. Do ponto de vista da militância desse candidato, é necessário confessar que só participou decentemente mesmo nas gravações para TV, na Internet e nos 4 debates para que foi chamado, todos em Belo Horizonte. Não visitou dez casas, não pediu dez votos. Ou seja, do ponto de vista prático, de preparar um candidato de São João para tentar elege-lo vereador em 2012, pode ter sido escolhido o candidato errado;
- Não foram indicados fiscais para o dia das eleições;

Os dois principais objetivos dessa célula nessas eleições ainda não foram cumpridos:

- A campanha não serviu para criar o Partido em nenhuma das cidades vizinhas, das quais somente Prados foi visitada quase por acaso no penúltimo dia de campanha;
- O Partido em São João del-Rei não conseguiu ainda se organizar concretamente fora da Universidade, apesar da vitória de termos trazido uma base de metalúrgicos para dentro do partido.;

Propaganda na TV e no Rádio:

- Os nossos programas de TV destacaram-se, sobretudo os parlamentares, porque os concorrentes abaixaram ainda mais o nível. A cor vermelha foi deixada para nós, abandonada até por nossos aliados. Só nosso programa tinha fundo musical. Nossa legenda foi de longe a melhor, a mais visível, o que é prova de respeito pelo eleitor. Ainda tivemos a sorte de nossos programas ficarem na “beirada”, queremos dizer, no início ou no fim do horário eleitoral, sendo vistos por quem ainda não desligou ou acabou de ligar a TV;
- Porém, a entrada de internautas em nossas páginas, único indicativo que temos para medir o resultado de nossas propagandas no horário gratuito, não cresceu significativamente. Existem duas possibilidades para explicar esse fato – ou nossas propostas políticas é que não fazem eco, ou não conseguimos expressa-las, ou seja, precisamos de técnicas mais poderosas, a exemplo da animação, e de uma linguagem eficiente. Em números, a entrada nos sites do Partido duplicaram em Julho, logo que foram anunciadas as candidaturas, ou seja, as eleições atraíram visitantes, mas o início dos programas eleitorais na TV, em meados de Agosto, elevaram as visitas, mas muito menos do que o desejado. Em outras palavras, não convencemos a não ser uma minoria já esclarecida, e não podemos culpar as questões técnicas por isso;
- O melhor indicativo que tivemos do sucesso de nossas campanhas nas TVs mineiras foram os diversos processos movidos por Aécio Neves e Anastásia contra um dos programas de governador. Os tucanos choveram processos contra o PCB, sobretudo por causa de uma charge que sintetizou uma crítica em si.

Minas Gerais:

- Diversos camaradas merecem elogios pelos seus esforços pessoais, sem os quais não teríamos nem candidatos. Além dos candidatos, que sacrificaram-se por três meses em campanhas sem recursos, diversos militantes e simpatizantes;
- A campanha se desenvolveu por conta desses esforços individuais dos camaradas, não pelo Partido organizado. Pelo contrário, sendo lançados vários membros da direção estadual como candidatos, o funcionamento dessa direção cessou de vez;
- Não foi feito um trabalho de envolvimento da militância com as eleições. Um fórum mais amplo só foi convocado para a última hora, perto da data de inscrição das candidaturas, e foi o Ativo - Conferência Eleitoral, esvaziado, ao qual já nos referimos;
- Todos os materiais foram feitos às pressas, com as consequências que se viram. Não foram debatidos coletivamente, sendo que no máximo foram postados na Internet dias antes de serem impressos, permitindo aos camaradas fazer críticas;
- Quase tivemos nossa chapa impugnada porque não se prestava contas ao TRE (de movimentação nenhuma, fique claro) há dez anos!
- A campanha foi feita inteira sem a existência de uma direção municipal na capital do estado;
- Houve um programa político positivo para o estado de MG, que diferenciou-se por fazer uma análise aprofundada sobre o governo Aécio-Anastasia, coisa que nem os petistas tiveram a decência de fazer. No entanto, a confecção deste programa foi igualmente precária, sendo feito durante a campanha. Além do que, sua diagramação ficou ruim, pois ficou muita informação num pequeno espaço (com letras pequenas), o que deve ter estimulado a leitura mesmo de muitas pessoas mais politizadas.

Esquerdismo:

- Somos obrigados a concluir que a grande maioria de nossos militantes nunca leu “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, em primeiro lugar porque são anti-eleições, em segundo porque são anti-alianças;
- O partido, por meio de falas do camarada Ivan Pinheiro e dos documentos do comitê central, reproduz uma postura acertadíssima, de que o PCB não é dono da verdade, nem é ainda um partido revolucionário (ser um instrumento da revolução é nossa busca), nem mesmo que vamos fazer revolução sozinhos. Mas este comportamento não se revela em muitos militantes. Muitos ficam a serviço de falar mal dos outros, como se fossemos o baluarte da revolução e sintetizássemos a “verdade revolucionária”.
- A resistência à participação eleitoral só faltou se expressar em palavras. Em Minas os militantes resistiram a iniciar o debate eleitoral, e como já dissemos, esvaziaram a Conferência Eleitoral. A direção estadual teve parte da culpa, ao não chamar com a devida antecedência os debates eleitorais, marcando somente o Ativo-Conferência, já citado;
- A resistência às alianças se revelou muito grande quando o CC se propôs a fechar uma aliança com Plínio de Arruda Sampaio, e diversos militantes protestaram indignados. Aterrissemos! Se existem resistências a alianças com Plínio, como poderemos existir em pequenas cidades de Minas nas quais o PSOL e o PSTU não existem, as vezes nem o PT existe, ou é fraco, ou é parte das oligarquias, e a disputa se dá entre famílias ou coligações de famílias, que se apoderaram das siglas partidárias? O que farão nossos militantes nessas 700 cidades mineiras? Ficarão sempre isolados?
- Entre os que participaram, e sabem que é esquerdismo deixar de participar das eleições, existe uma boa parte que é praticante de um esquerdismo velado, pois se contentam com uma participação que não é participação, mas somente protesto, e uns poucos até defendem isso;
- Contrariando a concepção leninista de que as alianças e os compromissos são necessários, predominam análises preconceituosas e fetichistas. Preconceituosas porque completamente balizadas pelas siglas partidárias, que para o povo não valem nada, e para a esquerda brasileira são entidades com vida própria. Para entender Minas teremos que aceitar que a análise de uma sociedade não pode ser feita a partir somente de siglas partidárias. Em qualquer cidadezinha de Minas existe uma divisão social, mas ela não se expressa partidariamente como nas capitais e cidades de grande porte. Fetichistas porque consideram que fazer alianças transforma um partido, como quem acredita em amuletos que dão azar ou sorte, que fazem as pessoas ficarem assim ou assado, se “degenerarem”. Obviamente, isso não existe, o PT não se degenerou porque se aliou ao PL, mas sim muito, muito antes, quando roubava sindicatos na década de 80! Nunca existiu nada parecido com tal mágica.

Esse é um documento para ajudar na avaliação coletiva, ou seja, será modificado, ou até deletado totalmente. O debate será dia 5, às 10 horas da manhã. Nos encontraremos na cantina do Dom Bosco.

Alex Lombello Amaral
André Luan Nunes Macedo
Sammer Siman.

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