sexta-feira, 8 de abril de 2011

CONTRAPONTO: Resposta ao texto publicado pelo ex-militante do DCE e ex-vice prefeito petista

Original no http://carllosbem.blogspot.com/2011/04/lider-estudantil-e-petista-sim-senhor.html

O autor deste relato subestima a inteligência dos estudantes defensores do DCE das bases. O gênesis do ataque ao DCE está na provocação abertamente petista em retomar um modelo de organização que lhe favoreceu no passado, em simbiose com a sede do até então reitor da UFSJ pelo controle político da Universidade.

Não é de hoje que correligionários deste partido vêm tentando ações de boicote ao DCE. Em 2006 uma militante petista (Camila) foi deposta pelo CEB da coordenação do CTAN (DCE), por ter tirado uma foto do deputado Reginaldo junto a então recém-eleita diretoria de DCE e tê-la publicado no Folha das Vertentes, jornal petista. Ano passado um militante do PT (Adriano) tentou orquestrar uma grave intervenção feita pelo reitor na eleição do conselheiro universitário estudantil (vide www.anotacoesburocraticas.blogspot.com ).

E agora tal iniciativa que reivindica a volta ao passado parte do movimento “mudança” do PT. Ou seja, não é um problema de petismo em si, até porque pelo DCE passaram militantes do PT que somaram com a entidade (Rafael Kohatsu é um exemplo).A opção partidária não é colocada como um problema em si, pois seja ela qual for tem legitimidade, pelo simples fato de ser uma escolha.

Ademais, pessoalmente sei avaliar o papel do PT no país de trazer avanços, sendo que o maior deles é o de deixar a “direitosa” clássica fora do planalto por mais de oito anos. Durante o segundo turno de 2010 estive do mesmo lado que o autor, fui Dilma “desde criancinha”, pedi voto em público pra duas mil pessoas (no município de Açucena, o prefeito de lá - Ademir Siman/PT - é testemunha disso, o autor pode confirmar com ele).

Quanto ao reitor, faz um bom tempo que já colocou uma bandana petista na cabeça com as mesmas práticas aparelhistas que denunciamos (só que no âmbito da UFSJ). Aliás, vale registrar que este senhor, neste exato momento, se encontra repentinamente de férias, depois de lançar um tsunami japonês sobre sua própria cabeça.

O autor do texto cria a mesma falsa polarização que o reitor insiste: Coloca PCB de um lado e PT de outro, sendo que o PCB é mais um dos atores que defende o poder das bases sobre o DCE, assim como o fazem diversos CA’s, o fazem outros partidos, assim como o fazem diversos estudantes, tendo entre estes estudantes uma maioria sem partido que possui clareza no que diz.

Mas é claro que entendemos isso: Sem atribuir um dono ao DCE, como fariam para defender a volta ao passado? Trata-se de um texto com um lado humorístico também: atribui ao PCB “falta de argumento”, sendo que não são os pecebistas e nem os outros tantos defensores das bases que estão fugindo do debate. São os correligionários do passado que estão correndo do “tete a tete”, do “olho no olho”.

Ademais, tenta igualar o PCB na mesma pobreza política de seu partido, reduzindo “interesse local” a disputa de cargos públicos. Fazemos política local jogando ao lado dos trabalhadores, estudantes e povo oprimido, e se isso resvala em vocês o problema não está conosco, está em posições que eventualmente assumem (como a defesa da volta ao passado no DCE UFSJ).

Farei considerações sobre algumas pontuações do autor, pois são pedagógicas para diferir as concepções colocadas neste debate. No entanto, cabe reconhecer a importância de tal relato, na medida em que expõe verdadeiras conquistas do DCE do passado. Um importante “puxão de orelha”, pois por vezes assumimos o maniqueísmo na política, colocando como totalmente ruim tudo aquilo que é feito numa estrutura diferente da que defendemos, assim como por algumas vezes (ainda que menos) tendemos a colocar o que defendemos como algo “acima do bem e do mal”.

Vale reconhecer: a representação do DCE antes de 2004 não foi só de equívocos. Foi limitada, pois o grosso dos estudantes tinha oportunidade de se expressar no movimento somente na eleição pra DCE, que na maioria das vezes tinha um quórum que variava entre 10 e 20% de estudantes votantes. Havia sempre uma diretoria com poderes imperiais, que ditava a agenda do movimento.

Cabe também reconhecer que era o formato que tinha e pronto. Toda polêmica hoje ocorre porque este partido quer retroceder com o DCE. É aí que entramos apontando as limitações do passado, não estamos aqui apontando falhas por "esporte" ou por “falta do que fazer”.

E quando falo do passado, condeno este tipo de representação que deixa explícita no relato. O uso deliberado da entidade pra se eleger como vereador. E aqui não acuso o autor do que não posso provar (não afirmo que roubou, por exemplo. O máximo que faço é levantar minha estranheza deste autor ter dito publicamente num debate com o professor Éder, já na conjuntura DCE CEB, que adquiriram um sofá de R$ 3 mil reais antes de 2004). Mas posso provar que o autor usou a imagem da entidade, pois à sua época eram comuns jornais que traziam somente sua foto na capa. Isso é o aparelhismo de que tanto falamos.

Este tipo de representação leva a este tipo de relato. Eu fiz, eu aconteci. Quando me coloco ao lado do DCE das bases, estou defendendo uma prática política coletiva, que dá oportunidade de qualquer estudante ser agente da política, seja qual for sua ideologia. Estou falando da prática, pois hoje começa a se formar uma geração de estudantes que fez política de base.

São estudantes que estão se formando e levando para além da Universidade a prática política, seja no trabalho, no partido ou dentro de casa. Estudantes que, mesmo que não exercendo a ação política junto a partidos e/ou movimentos, saem com respeito ao movimento estudantil, aos movimentos sociais. Estudantes que estão habilitados para, inclusive, exercer funções públicas, sem encarar a política como profissão.

Diferente da geração do passado, em que o grosso dos estudantes saía avesso à política, com pouco ou nenhum respeito aos movimentos sociais. Uma geração que se fez numa prática política onde um ou outro “iluminado” tende a assumir política enquanto ofício, dependendo dela pra colocar comida no prato e gerando dependência naqueles que se propõe a representar.

O autor caracteriza este tipo de defesa que faço acima como proselitismo. Bom, se proselitismo for atuar em conjunto com as bases, de acordo com as demandas destas (e não das demandas sedutoras que "encaixam como luvas" em campanhas eleitorais), então creio que o DCE UFSJ faz proselitismo. Trata-se de “proselitismo” com repercussão real na vida estudantil, que discute desde o caráter ACADÊMICO até as questões econômicas mais imediatas dos estudantes.

É só recorrer aos últimos seis anos: discussão da natureza dos cursos de Divinópolis e Sete Lagoas, discussão do caráter de um possível consórcio universitário, atuação na NÃO-aprovação do Campus Piumhi – um projeto salvacionista de empresário que daria a UFSJ mais um campus de extensão, sendo que ela mal dá conta dos que tem hoje. Discussão sobre organização acadêmica (se departamento, centro de ensino ou os dois juntos), debate e mobilização em defesa da democracia universitária e soberania dos segmentos universitários.

Atuação junto aos estudantes de Divinópolis, conquistando garantias acadêmicas e estruturais. Ademais, DCE CEB proporciona CA's e DA's fortíssimos que, em repletos casos dos últimos tempos, têm sido decisivos nas diretrizes curriculares. Diferentemente do passado, onde os CA's e DA's eram débeis (quando entrei em 2003 na UFSJ funcionava dois ou três CA's, de doze existentes);

E também têm conquistas econômicas, não menos importantes, como: carteirinha do DCE gratuita PRA TODOS, redução de preço da cantina e xerox, garantia de auxílio alimentação para estudantes carentes enquanto não sai o famigerado R.U que pretende vender um prato por R$ 3.

Voltando ao depoimento, cabe algumas observações: o autor fala do meio-passe “DELE”. Só esquece de dizer que trata-se de um meio-passe meia-boca, pois impõe a utilização do desconto a um turno e uma vez por dia, como se estudar fosse só freqüentar sala de aula.Ademais, não me gabaria tanto deste meio-passe, pois a geração do passado passou anos falando de passe-livre, e depois que o presente autor virou vice prefeito de um prefeito TUCANO em 2004 não se falou mais nisso.

Quanto à lei de meia-entrada, o autor pode dizer que regulamentou as penas aos estabelecimentos, mas não pode dizer que instituiu meia entrada, pois ninguém institui algo que já é instituído, a legislação nacional já abarcava o município de São João del Rei, pois São João del rei está dentro do território brasileiro.

Quanto ao Inverno Cultural, por ter ampliado o seu raio de ação cabe os méritos pra geração do passado. No entanto, democratizar é algo bem diferente, pois continua sendo a autocracia universitária e a elite local quem manda. Caso interessante foi em 2007, que deveria ser ano de homenagem a Clara Nunes (sambista, negra e adepta de umbanda), e não foi por articulação da elite conservadora de São João. Foi o ano de homenagem a Capital Brasileira da Cultura, ou seja, foi “Homenagem a Homenagem”.

Quanto a terem barrado os cursos pagos, parabéns também. E quanto a barrarem taxas de utilização de ESPAÇO PÚBLICO, bão também; e, por fim, quanto a paridade de um terço, méritos também. Falta agora o DCE seguir no caminho desta luta e conseguir instrumentos efetivos de deposição de reitor, porque o quotidiano está mostrando que eleger é muito pouco.

Quanto a evolução do PT na educação superior, vivi isso na pele. Isso foi um dos grandes motivadores de minha campanha no segundo turno pró-Dilma, pois os tucanos “fu...” com o ensino superior até 2002. Só sugiro que não coloque o deputado Reginaldo como um feitor de favores. Ele é regiamente recompensado pela reitoria, pois desde 2004 o PT conta com correligionários participando como pró-reitores, em cargos de direção, e tem uma fraterna amizade com a “cereja do bolo da reitoria”, o reitor.

Este deputado sempre está nas fotos do panfleto da reitoria (chamado de jornal da UFSJ), e tem privilégios, pois sua candidata a presidência foi a única a visitar a UFSJ, estando na capa de uma edição do supracitado panfleto. Além do que, recebe uns R$ 180.000 por mês pra fazer estas coisas, dinheiro pago por nós (brasileiros); No mais, este “sonho” do R.U e moradia estão tão antigos que já estão podres, já são pesadelos. A Universidade cresce e nada!

Não morro de amores por um deputado que tem uma despesa de campanha DECLARADA (em 2010) de R$ 2.017.491,48 e uma arrecadação de R$ 2.028.939,79, tendo dentre alguns de seus doadores BMG – R$ 200.000, Camargo Correa – R$ 100.000, Galvão Engenharia R$ 100.000, Fernando Pimentel – R$ 82.435,82, Gerdau R$ 50.000,00. Isso porque acredito piamente que bancos, empreiteiras e grandes empresas não costumam doar algo por “amor no coração”. Estes dados foram tirados do site do TSE (http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.prestacaoconta2010/candidatoServlet.do ).

Por fim, se o PT se orgulha tanto de servir aos estudantes, que ele compareça nos debates colocados e explique com A + B porque defende a volta ao passado.

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