domingo, 22 de março de 2009

COMITÊ CENTRAL DESTITUI DIREÇÃO DA PARAÍBA

COMITÊ CENTRAL DESTITUI DIREÇÃO DA PARAÍBA
FORMAÇÃO POLÍTICA E LUTA CULTURAL:O QUE FAZER?

Na última semana, o Comitê Central do PCB destituiu a direção estadual do partido na Paraíba devido à aliança com o governo corrupto do PMDB-PB de José Maranhão, agindo de maneira correta contra o oportunismo da cédula paraibana. Entretanto, muitos acreditam que o problema inicial deste processo seria uma questão de caráter, onde os representantes paraibanos são vistos como "maus elementos" e que a práxis oportunista pudesse ser freada através de uma “moral comunista” padronizada, voltando ao velho maniqueísmo na política. Como os comunistas devem enfrentar, portanto, esse problema relacionado ao poder e a corrupção? Quais seriam as táticas para que houvesse uma mudança nas práticas políticas nos espaços de disputa da sociedade civil? Como se diferenciar dos partidos de direita, servos do capital (que conduzem práticas corruptas e aparelhistas já naturalizadas) nos diferentes campos de atuação?
O caso paraibano nos mostra os efeitos colaterais da reprodução ideológica burguesa, onde muitos desses militantes por mais bem-intencionados que fossem, não possuíam um projeto inicial para construir uma disputa nas relações sócio-culturais. Somente através de um trabalho que proponha transformações na constituição do Estado que poderemos aplicar a democracia operária dentro dos nossos espaços de atuação; certamente, acreditamos que não há bem e mal nesse caso, e sim uma possível ineficácia na formação de intelectuais orgânicos na esfera do partido.
Argumentos relacionados ao moralismo são um equívoco, pois não conseguimos responder a um dos principais dilemas de luta existentes entre comunistas e sua atuação contra o capital; um problema que, certamente, se liga à cultura política existente e o nosso descaso em não querer mudá-la. O moralismo deve ser quebrado através de uma intervenção intelectual estruturada, onde as relações de poder seriam modificadas dentro do espaço da “pequena política” e que, consequentemente, num processo dialético, a “grande política” também seria repensada e reestruturada. Nesse sentido, devemos pensar em transformar as relações de cultura política existentes nos sindicatos, DCE’s, etc., tomando como base as propostas revolucionárias que a história nos forneceu, como a comuna de Paris, os Soviets na Rússia e a Constituição Cubana, por exemplo. Só através dos estudos que poderemos combater a lógica cultural hegemônica e, portanto, compreender o marxismo como uma ciência, e não como uma doutrina religiosa
André Luan Nunes Macedo- UJC/PCB São João del-Rei

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