quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Levantes na Tunísia e no Egito

No norte da África, nas margens do mar Mediterrâneo, o povo árabe acaba de derrubar uma ditadura na Tunísia, e está nas ruas para derrubar também a ditadura egípcia. Os dois ditadores sanguinários, o que caiu e o que vai cair, são apoiados pelos EUA, como sempre. Não é possível prever o que vai acontecer, se esses levantes populares realmente conseguirão resultar em Repúblicas democráticas, e muito menos se serão democracias capitalistas ou de um novo tipo, e não é plausivel que do outro lado do oceano, mergulhados em outra cultura, queiramos dar lições aos revolucionários árabes sobre a revolução que eles estão fazendo.

Além dos defeitos relatados por Lênin na obra genial "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", os esquerdistas atuais acrescentaram o mal hábito de colocar defeitos nas revoluções alheias, fazendo coro à imprensa capitalista. Na época de Lênin, como a única revolução socialista em curso era a soviética, os esquerdistas ditos comunistas (ou seja, que apoiavam em todo o mundo a revolução soviética) não tinham como criticar as revoluções alheias, então esses ignorantes "só" eram contra participar de eleições, fazer alianças e participar de organizações sindicais corrompidas. Se Lênin tivesse vivido mais uns anos, teria visto os grupos esquerdistas passarem a atacar a União Soviética, como hoje atacam as revoluções em curso.

Certamente, dada a importância estratégica dos países rebelados, os EUA, somados aos outros ditadores vizinhos e aos países europeus que orbitam Washington, farão tudo, usarão todos os recursos para manter no poder o ditador do Egito e entregar o governo da Tunísia aos mesmos que a governam há mais de 20 anos. Se o levante se espalhou da Tunísia para o Egito, pode se alastrar pelo mundo árabe, derrubando ditadores aliados dos EUA por todo lado, e por isso a luta será árdua nesses dois países. Os partidos comunistas são forças minoritárias nesses dois países, e precisam de todo o apoio do movimento comunista internacional, com destaque para os outros partidos comunistas árabes.


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