quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nossas propostas "impossíveis" e o sentimento de impotência do povo


Não é somente em São João del-Rei que as propostas dos partidos realmente socialistas e comunistas são consideradas irreais, impossíveis, irrealizáveis. Como praticamente sempre essas propostas são propostas de fortalecimento popular, de verdadeira democracia, o que existe então é um forte sentimento popular de impotência.


A população toda sabe que os votos são comprados e vendidos, que o dinheiro é que movimenta as máquinas eleitorais, de forma que se a frente socialista não compra votos e não queima dinheiro público é considerada fora do jogo. Ou seja, a população toda, ou 99%, que não compra votos nem sonha em gastar dinheiro nenhum com política,se sabe fora do jogo político. Cabe aqui o velho ditado sempre usado em referência ao povo: “Se o boi soubesse a força que tem, não iria para o matadouro”. O povo ainda acredita que só pode o que já faz, ou seja, tentar adivinhar de 4 em 4 anos qual político será menos bandido. São bois que se contentam em escolher o chefe do abatedouro.

Uma de nossas propostas mais importantes, a revogabilidade dos mandatos, uma bandeira da Comuna de Paris de 1971, por exemplo, é a defesa de que o povo precisa ter o poder de depor seus governantes com um simples plebiscito, evitando violências. Não são poucos, porém, que consideram essa proposta irrealizável, ou seja, grande parte do povo não acredita na possibilidade de ter o poder de depor os governantes, a não ser no caso de uma explosão social.  Essas pessoas se reconhecem, portanto, como servos, submissos, como cidadãos de segunda categoria, impotentes para se garantirem contra qualquer subgovernante de plantão. Têm para isso até um ditado que devia constar de um Manual do Escravo: “Quem pode manda, quem tem juízo obedece”, um ditado que reforça a subserviência.

Outra proposta importante é a própria realização da vontade popular. Estamos propondo implantar em São João o que se chama “impostos progressivos”, que já são realidade em vários municípios brasileiros e coisa velha nos países mais adiantados do mundo. O IPTU, por exemplo, deixaria de ter só uma alíquota, e seria diferenciado, incidindo mais sobre os ricos e sobre as grandes empresas , e menos sobre quase todo o povo. Quando o eleitor acha isso irrealizável, acha impossível pagar menos impostos, é porque já se considera dominado e roubado, está rendido ao ladrão, em completa impotência. 

A grande maioria das pessoas identifica imediatamente nossos candidatos como pessoas comuns, gente do povo, e mais uma vez ao não acreditar na vitória de nossos candidatos certamente se projetam neles. Não acreditam na própria vitória. Uma pessoa simples, pobre, sem vínculos com os caciques da politicagem nacional, ou seja, como os próprios eleitores, não poderia se eleger. A impotência está na cultura política de um eleitorado que pensa assim.

Não vamos nos render aos sentimentos de impotência do povo, nem recuar meio milímetro. Não é tempo de recuar. Também não vamos “entrar no jogo”, que é na verdade entrar na escola de corrupção. Seria jogar dentro de uma máquina de fazer corruptos toda nossa militância, de forma que daqui há uns dez anos os jovens que hoje nos procuram porque têm sentimentos revolucionários seriam todos bandidos versados na politicagem, mas incapazes de uma revolução.

Nossas propostas “impossíveis” são a única possibilidade. Impossível é continuarmos como é hoje. Impossível é que um “bom prefeito”, ou “um prefeito melhor” resolva nossos problemas ou ao menos deixe de criar problemas. Impossível é um carro quebrado funcionar antes de ser consertado, só porque se trocou o piloto.

A aliança com um candidato “que pode ganhar”, portanto, seria para nós não somente uma rendição, uma derrota disfarçada, mas seria também adotarmos o complexo de impotência do povo. Reforçaríamos a subserviência, daríamos exemplo de covardia, ao deixarmos de dar um exemplo de coragem. O Partido Comunista deve fazer alianças, mas não por motivos mesquinhos ou superficiais como “poder ganhar” ou “para eleger o menos ruim”. Até ao fazer alianças o Partido Comunista tem que exemplificar coragem.

Precisamos voltar nossas baterias contra o sentimento de impotência que domina o povo. É hora de parar de chorar as derrotas populares e começar a lembrar de suas vitórias. É tempo de mostrar caminhos, de falar do futuro, de varrer o medo e a escuridão.  Vamos continuar esclarecendo às pessoas que o poder deve e pode ser delas, e vamos explicar como isso é possível, até elas se convencerem. Se até lá tivermos que passar por malucos ainda será um preço pequeno.

Um comentário:

Pedro disse...

Olá,
muito bons os textos meus camaradas!
falando em futuro, conheçam este trabalho do Crie Futuros, há muitas propostas interessantes, possiveis, realizaveis...
http://criefuturos.com/

um abraço

PEDRO LAGO

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