segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Minas Educadora?

Nas últimas eleições, assistimos a mudança do governo estadual e a classe dos professores imaginou mudança nos rumos da educação de Minas Gerais. No entanto, a mudança de governo não resultou numa alteração de princípio para uma mudança de fato.
Devemos lembrar que no governo estadual passado do PSDB, os professores estavam alijados de opinar nas políticas educacionais que foram impostas contra a vontade dos educadores e, pior ainda, o governo vergonhosamente propagandeava uma qualidade mantida por um rótulo que pouco escondia a péssima realidade do produto. A farsa do PSDB caiu naquela eleição e foi comemorada pela classe educacional de Minas Gerais.
O PSDB conseguiu ser tão nocivo para a educação que, aparentemente, mostrava-se natural o caminho de desfazer as burrices impostas pelos surdos tucanos que não conseguiram nenhum tipo de apoio no setor educacional. Era notório a política do PSDB para sucatear e derrubar um setor que a sociedade considera fundamental e que deve ser garantido pelo Estado.
Nesses seis meses de governo PT-Pimentel, assistimos a uma esperança na classe educacional: o Sind-Ute, sindicato petista, sentou em mesas de negociações com o governo. Algo tão simples mas que o PSDB não soube fazer! Mas a esperança vai tomando contornos de, novamente, descrença com os acontecimentos na educação.
Com relação aos salários historicamente defasados por anos de calamitoso (des)governo tucano, o governo PT-Pimentel prometeu pagar o piso nacional dos professores na campanha eleitoral mas, logo de cara, anuncia que vai pagar o piso somente no último ano da sua gestão! Tragicamente, o novo palanque do governo petista, o Sind-Ute anunciou a bomba como se fosse um acordo histórico!!!
Senão vejamos o cálculo dos professores: o salário será ajustado anualmente em, aproximadamente, 8% ao ano para chegar no valor do piso. Simples se não fosse um fator que tal matemática não torna claro: usa os números do amanhã como se fossem os números de hoje! Não levaram em conta nem mesmo que o ajuste anual poderá ser equivalente a inflação do ano e que o valor do piso nacional deverá ser corrigido e o acordo chegará já defasado! Nem mesmo o cenário atual sustenta mais promessas demagógicas do governo PT-Pimentel; ao contrário estamos assistindo cortes enormes nas áreas sociais, entre elas a educação.
Enquanto isso, servidores das superintendências regionais de ensino continuam em greve uma vez que o governo PT-Pimentel descumpriu acordos firmados no início do ano com os servidores. A greve continua com mesas de negociações mas, até o momento, sem perspectivas do Pimentel cumprir com sua palavra.
Por conta das discussões salariais, o governo PT-Pimentel continua a reduzir suas verbas para a educação de maneira que quase passa desapercebida pelo conjunto da sociedade. As turmas tem recebido um número crescente de alunos. Em São João Del Rei, torna-se comum turmas com mais de 40 alunos! Não nos esqueçamos que o governo PT-Pimentel continua com a ideia de acabar com o ensino noturno e, com isso, as turmas do diurno do ensino médio ficam cada vez mais superlotadas. O noturno resiste somente no Garcia de Lima e com aumento de exigências burocráticas para a inscrição nesse curso.
O Estado continua a enxugar suas verbas para a educação também quando obriga os alunos a cursarem as turmas de aceleração. Estas, feitas para alunos com defasagem de idade e que ficam obrigados a cursarem dois anos em um ano só, sem reprovação e, portanto, sem precisar aprender nada.
Lembremos ainda que, enquanto os profissionais da educação colocam em foco as disputas pela reparação de perdas salariais históricas, passa impunemente outros mecanismos burocráticos que servem para derrubar o sistema educacional. Como exemplo disso, temos as aprovações automáticas onde o Estado pressiona supervisores e professores a, primeiro, colocar o aluno na progressão parcial e, no ano seguinte, fazer o aluno passar de ano. Na prática, acontece que não há mais reprovações e o aluno, sabedor disso, mesmo preso em sala de aula, não mais se esforça para fazer provas, uma vez que não será reprovado se tirar zero em suas avaliações.
Torna-se um paradoxo para o professor pois se coloca na encruzilhada: fazer o aluno aprender ou passá-lo de ano? O governo PT-Pimentel, por enquanto, defende fazer passar de ano assim como nas famigeradas políticas tucanas de outrora que, infelizmente, correm o risco de se consolidarem enquanto (des)política educacional. Sabemos que nos governos liberais o aluno representa somente um número para o Estado, o chamado custo-aluno e o governo PT-Pimentel parece seguir a mesma lógica.
Ao que parece, por enquanto, não houve uma mudança efetiva nos rumos da educação em Minas Gerais. Pior, a classe educadora desilude-se e assiste desorganizadamente o desmonte do Estado enquanto prestador de um serviço considerado essencial para a construção de uma nação com menos injustiças e desigualdades sociais. Será que estamos educando de fato as futuras gerações?

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