segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

PAPA MARQUETEIRO DEFENDE A VIOLÊNCIA E A CENSURA... A INQUISIÇÃO À ESPREITA...

Wlamir Silva
Professor
Historiador


                                        
O Papa "boa gente" Francisco I diz, ao seu estilo "informal", que "insultar a religião dos outros" resulta em uma "normal" reação violenta. No seu estilo marqueteiro, no contexto evidente dos atentados terroristas e dos assassinatos dos humoristas do Charlie, o papinha justifica o fato e defende, coerente, "limites para a liberdade de expressão"...

Francisco I foi escolhido, dentre tantas opções no mundo eclesiástico, para tentar reverter a perda de espaço da Igreja católica. Uma ação de reconstrução de imagem, bem ao gosto da política atual... Para isso faz gestos simbólicos para todo lado, jogando com a ideia de que luta contra "tradicionalistas",  e há quem veja nisso uma grande "revolução"...

Era muito pesada a imagem do Nosferatu alemão Ratzinger. Dando uma no cravo e outra na ferradura, Francisco vai mudando para não mudar, inclusive engabelando com um jogo de palavras dúbio, no qual clama para que os católicos sejam "revolucionários", quando se trata de chamá-los a defender uma conservadora vida austera... Na "hora da onça beber água", vem à tona o velho éthos inquisitorial...

Foi a razão e o livre pensamento que, a duras penas, fez recuar o reacionarismo católico, e de outras religiões. O revival religioso e sua promiscuidade com estados e movimentos de cunho político é certeza de retrocesso quanto à liberdade humana. A violência, claro, é sempre presente e, por vezes, apenas espera que a igreja em questão se fortaleça para pôr suas garras de fora...

Aliás, o papinha esteve agora nas Filipinas... E não disse nada sobre os terríveis rituais de autoflagelação e de violência realizado pelos católicos filipinos, com crucificações, espancamentos realizados por crianças (vide foto) e muito sangue. Não, a Igreja não toca em sua "reserva" de fanatismo e reacionarismo, é preciso que ela esteja lá, a postos...


    Crucificação católica com pregos de verdade nas Filipinas. O Papa tolera...
         http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm


Ou seja, o papinha não gasta saliva para conter a violência no âmbito de sua religião, no que teria autoridade, assim como não confronta o reacionarismo que se mantém firme no "rebanho". De fato manda recados para os mais crus de que alguns acenos são necessários para que não se perca o fundamental. E que se espere um novo, e velho, tempo no qual se possa reafirmar o poder de Deus na terra.


    Crianças surram "Cristo" nas Filipinas. Normal para o Papa...
          http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm


Anda no ritmo da Igreja quanto à punição de pedófilos (permitirá a ação da justiça?), e no reconhecimento, cheio de meias-palavras, da humanidade de homossexuais... O texto "avançado" que foi retirado de um documento do Vaticano (uma "derrota" do Papa?) falava de homossexuais como pessoas com "talentos e qualidades a oferecer à comunidade cristã”, ou seja, exatamente o argumento que a sociedade conservadora acolheu há décadas para "aceitar" homossexuais em certos nichos sociais... (1). Isso num contexto em que isso vem abalando a popularidade da Igreja... No ritmo de quem perdoou Galileu três séculos depois. Mas se anima a, num perigoso tom coloquial, justificar a velha violência inquisitorial e cruzadista contra os ímpios...

Ao papinha marqueteiro agride mais a "zombaria" que a violência em nome da religião. Claro,  bonachão e "boa gente", faz isso numa linguagem de comadres em porta de Igreja... Mas, conhecemos o contexto... Quem já não conheceu um católico bonachão, de voz mansa e "cheio de amor para dar" que, na hora certa, não faltou com seu apoio ao mais reacionário, à mais violenta ditadura? Pois é, ponham um desses "santinhos" numa escola de propaganda e marketing e terá um Papa Francisco...


1) http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38251/em+derrota+para+papa+francisco+bispos+apagam+de+texto+final+mensagem+de+abertura+a+gays.shtml

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