terça-feira, 28 de outubro de 2014

As eleições da mudança não mudaram nada porque existem classes sociais

A palavra “mudança” foi disputada por todas as chapas que concorreram a essas eleições. Porém, como sempre, as eleições, do ponto de vista de seus resultados, não mudaram nada. Nem a chamada “onda conservadora” existe de fato. O que existe é crescente descontentamento com o que o povo chama de “a política” e é o regime político, o que fica óbvio em uma análise detalhada dos resultados e das eleições.


Todos, mesmo a situação, falaram de mudança porque desde Junho, e conforme as pesquisas, essa é a vontade do povo. Claro, por mudança no Brasil cada pessoa entende uma coisa. Por exemplo, quase todo o eleitorado petista (menos os Sarney, as Kátia Abreu, os Malufs e Newtões) colocou o Pt no governo e o mantém desde 2002 com esperança de mudanças. A esperança no Pt, contudo, tem caído. Dilma terminou os dois turnos com menos votos do que teve em 2010, destacadamente no primeiro turno, que são os votos realmente petistas.

O PSDb, que também falou de mudança, teve resultados estranhos, decadentes por um lado, com sabor de vitória por outro. No primeiro turno, só com 34 milhões de votos, ficou 5 milhões de votos abaixo do que teve com Alckmin em 2006, quando o eleitorado era bem menor. Decadência enorme! Porém, não sentiu a perda, pois só de conseguir chegar ao segundo turno, sendo que essa vaga estava em disputa, fez a derrota parecer uma vitória. Os tucanos comemoraram nas ruas, e os petistas, que realmente tinham vencido, não só com 8 milhões de votos à frente, mas porque o candidato tucano era muito mais fácil de derrotar que a candidata do PSB, ficaram amuados, amedrontados, sentiram-se derrotados. Já no segundo turno, os tucanos chegaram a 51 milhões de votos, 8 milhões a mais que Serra em 2010. Fica claro que esses 16 milhões de votos que ganharam foram o “voto útil” anti-Pt. O fato do candidato tucano ter perdido em Minas e no Rio de Janeiro, seu estado oficial e seu estado de fato, onde o eleitorado de Marina tendeu mais para o Pt, mostra o quanto esses 16 milhões do segundo turno foram “voto útil”, pois foram sobretudo em estados que não conheciam tão bem o candidato tucano. Aliás, eis ai a maior derrota do candidato tucano, ter perdido em Minas, onde também perdeu o governo do estado e a maioria da Assembléia Legislativa. Os 34 milhões do primeiro turno são a decrescente força tucana, já os outros 16 milhões são pessoas que simplesmente acreditavam que isso seria mudança, e que já não vêem mudança nenhuma no Pt. Claro, entre esses 16 milhões muitos acreditaram nas mesmas mentiras, são dominados de fato pela mesma ideologia, que os tucanos fiéis.

Um indicador que tem sido escondido e contra o qual ambos os candidatos que foram ao segundo turno usaram a polarização e o tensionamento, incluindo as pesquisas falsas, foi o abstencionismo, que pouco mudou de um turno para outro. Dos 140 milhões de eleitores, 38 milhões ou não compareceram, ou votam branco, ou nulo, sendo o voto obrigatório. É o maior abstencionismo sob a Constituição de 1988, indicando novamente a vontade de mudança. Sem a polarização esse total poderia ter crescido assustadoramente, desmoralizando ambos os candidatos, o que corresponderia perfeitamente ao sentimento do povo. Afinal, Dilma teve somente 42 milhões e Aécio 34 milhões no primeiro turno, crescendo, ela 12 milhões, e ele 16 milhões no segundo turno. Para esse crescimento de ambos contribuiu o acirramento, a polarização que foi criada. 28 milhões de brasileiros, que no primeiro turno não queriam nem um, nem outro, no segundo turno votaram contra ela ou contra ele. A técnica de gerar polarização funcionou. A desmoralização de perder para os nulos foi evitada por ambos.

Nem do bipartidarismo em que o país está mergulhado há 20 anos, nós nos livramos! Afirma-se que o Congresso Nacional ficará mais conservador que o atual. Isso é fruto da descrença na política, que não atinge a votação dos candidatos que se elegem pelo poder financeiro ou outras sujeiras. Pelo contrário, a descrença até aumenta o comércio de votos. Ou seja, o Congresso não reflete a sociedade, pelo contrário, cada dia se distancia mais do povo, e de uma das próximas vezes que for cercado por uma multidão incontrolável talvez vire cinzas. Não existe “onda conservadora”, o que existe é a decadência de uma fase da história da República, de um desenho de poder estabelecido em 1988, que caiu em descrença. A sensação de não mudança, somada à crise econômica mundial e à não solução dos problemas nacionais inauguram tempos conflituosos. As eleições fracassaram totalmente em representar o sentimento de mudança do povo. Isso terá um preço para o regime político.

Por que um eleitorado que deseja mudanças vota como votou? Como já dissemos, mudança pode significar muitas coisas diferentes, tanto que está expressa nos três blocos em que o eleitorado se separou no segundo turno. Nessas eleições um dos motivos que mais diferenciam as perspectivas das pessoas revelou-se em toda a sua força – as classes sociais e suas ideologias. Existe uma parcela da intelectualidade que quer fazer as classes desaparecerem por força da negação. Devem tomar cuidado, podem até ter problemas psicológicos por conta dessa mania de negar a realidade. Não há como entender nada dessas eleições se se negar a existência das classes.

A polarização que se criou, as mentiras criadas dos dois lados, só fazem sentido porque existem classes sociais. Candidatos muito parecidos, ambos corruptos, ambos mentirosos, ambos pagos pelos mesmos banqueiros, ambos cercados de gente suja, ambos medíocres em suas trajetórias recentes e propostas. Mas para os adversários de um lado e de outro era como se fossem inimigos temíveis, capazes de levar o Brasil ao socialismo ou ao fascismo. Ora, o que se lê por trás desses discursos amedrontados é sentimento de classe. O que faz os tucanos serem contra um governo que é imitação do deles? O que faz os petistas temerem um governo que eles imitam? Pergunto sobre as bases, claro, porque os políticos temem é perder seus empregos ou serem pegos em suas roubalheiras. Ora, o que ambos temem é só a classe adversária. Os tucanos não gostam do Pt exclusivamente porque a base social petista é o proletariado, e os petistas aceitam melhor esse partido que o PSDb (apesar de pouco diferirem) porque a base social do PSDb são burgueses e pequeno-burgueses que posam de burgueses. Para justificarem postura tão inconfessável inventam e inflam as pequenas diferenças. São como uma pessoa que tem problemas tão traumatizantes que cria uma história imaginária para representá-los e apagá-los. Como as pessoas (mesmo as normais e sem grandes traumas) têm suas memórias alteradas pelo próprio cérebro de forma a serem toleráveis, as classes sociais têm também suas ideologias. Como confessar que não se tolera um candidato porque ele é patrão, é o candidato do seu patrão, ou como confessar que se vota em um candidato porque assim seu empregado ganhará aumentos menores, talvez até perca direitos? Há que se inventar outros motivos ou se falar com eufemismos.

Nota-se que não estamos usando ideologia com o sentido que foi usado por Lênin, que tratava de estimular a luta ideológica, ou seja, a difusão da ciência socialista entre o proletariado. Concordamos com essa necessidade, mas estamos falando aqui de outra coisa. Estamos usando o termo como Marx o utilizava, ou seja, não como o que desejamos que seja a ideologia proletária, mas como o que ela realmente é. O proletariado brasileiro, a grande maioria do eleitorado petista, tem como centro de seu pensamento o cristianismo verdadeiro, de Cristo, que era igualitarista. Acreditam os brasileiros que “Jesus foi o primeiro comunista”, e por completa falta de estudos acham que o igualitarismo de Cristo é a mesma coisa que o comunismo de Karl Marx. É interessante que a burguesia brasileira e pequena-burguesia tucanas acreditam na mesma mentira. As piadas de comunistas da direita brasileira revelam que no nível de compreensão deles o marxismo é igualitarista, é idêntico ao cristianismo de Cristo. Mas a direita brasileira não seria cristã? Acontece que para a direita cristianismo é o catolicismo romano, anti-cristão por completo, incluindo as igrejas protestantes, que na verdade são muito mais parecidas com o catolicismo que com o cristianismo. A direita não reconhece Cristo como “o primeiro comunista”, e nem toca no assunto de que ele era igualitarista. Ao menos nesse pequeno ponto os proletas estão mais bem informados que os burgueses, sobre o cristianismo, do qual contudo também sabem muito pouco. Nota-se que o nível de compreensão do povo, mesmo dividido em classes, é semelhante, é o senso comum.

Que as classes sociais as vezes atuem contra seus interesses é coisa velha. Exemplo clássico é a nobreza francesa, responsável por iniciar a Revolução Francesa que a levou à guilhotina. Os nobres franceses não compreendiam que o regime político que tinham correspondia à sua conservação enquanto classe dominante. Não aceitaram pagar impostos e se revoltaram contra o Rei. Desmoralizaram o Rei que era seu escudo, e caminharam sozinhos para a guilhotina. Marx notou como a política é invertida, e como as classes muitas vezes, enganadas por suas ideologias, fazem o oposto do que seria saudável para elas. Naturalmente, uma classe só poderia se livrar de suas ilusões se atingisse o conhecimento científico, mas não existe na história humana momento em que as massas tenham atingido o conhecimento científico. As massas praticamente sempre têm um senso comum muito aquém da ciência. Aliás, para as massas ciência é o que elas aprendem nas escolas, ou seja, é um conhecimento pronto, uma verdade, ou seja, as pessoas em geral não sabem nem o que é a ciência em si.

Assim, sobretudo a burguesia e a pequena-burguesia, as classes brasileiras têm atuado contra seus próprios interesses. Na verdade, muitas vezes os interesses mais imediatos, e menos importantes, se impõem aos interesses maiores, e por isso mais distantes e menos compreensíveis. Vamos ao caso da burguesia. Claro que setores mais pragmáticos e inteligentes da burguesia ficaram com o Pt, como se nota pelo financiamento desse partido, assim como pela presença entre seus eleitores dos Maluf, dos Sarney, dos Collor, da bancada ruralista etc. Mas a massa da burguesia, que é exatamente a burguesia que não é ligada diretamente ao poder, ficou com o PSDb. Ora, o candidato do PSDb chegou a declarar que o Mercosul deve acabar!?! Praticamente o Mercosul é o único mercado externo que as indústrias brasileiras têm. Como pode interessar à burguesia ou à pequena-burguesia, com exceção de pequenos setores importadores, o fim do Mercosul? Ele deu outros exemplos de que, na verdade, só seria bom para interesses externos. Fato é que no Brasil ainda existe um partido anti-nacional. As diferenças entre o povo brasileiro e o velho Partido Português, nunca resolvidas, vira e mexe parecem sair do túmulo e puxar nossos pés. Por herança, a burguesia brasileira tem em sua ideologia toda uma crença anti-nacional, entreguista, colonial, e mistura isso com seus interesses reais. Depois da derrota eleitoral as bases tucanas chegaram a pregar o separatismo, completamente contra seus interesses reais. Não foi somente uma piada, refletiu velho sentimento anti-nordestino que grassa em São Paulo. Novamente, o ódio é de classe, pois os nordestinos são boa parte da força de trabalho de São Paulo. Claramente, paulistas, sobretudo burgueses, deviam adorar os nordestinos, dos quais exploram o trabalho, e amar o nordeste, mercado consumidor de seus produtos e fornecedor de matérias primas. Pode-se dizer que a riqueza de São Paulo se chama Nordeste. Contudo, a ideologia é mais forte que a razão. Um burguês não pode conviver com a compreensão de que explora o trabalho alheio, e portanto o nordestino o faz pensar em coisas das quais não gosta, daí tem raiva do nordestino, e camufla essa raiva com motivos banais. Claro, muitos proletários vêem nos nordestinos o concorrente, como acontece em qualquer local que recebe muitos imigrantes, e isso é largamente usado pela direita.

O caso da pequena-burguesia é sempre triste. Estranha classe, plural, extremamente sub-dividida, economicamente não é a mais pobre, é mais rica que o proletariado, mas do ponto de vista existencial é a mais mal tratada das classes. A pequena-burguesia está destinada a ser proletarizada, eis o ponto. Categoria por categoria é privada da capacidade de existir por conta própria e forçada a se tornar força de trabalho assalariada. Assim, o natural da pequena-burguesia é temer tudo e todos, e daí balançar de um lado para outro. Naturalmente, só com a maioria da burguesia os tucanos não chegariam a 51 milhões de votos. Claro que nesses milhões há proletários, lupen-proletários etc., mas o que mais se encontra ai são pequeno-burgueses. A pequena-burguesia não é uma burguesia pequena, embora o deseje. O termo me parece ter sido criado de forma irônica, usando petit, em francês. É uma classe ironizável. Não terá salvação nem um nem em outro lado, será proletarizada, pois é assim que o mercado funciona. Exemplo forte que apareceu nessas eleições são os médicos. Nas capitais muitos médicos já estão proletarizados, enquanto uns poucos tornaram-se burgueses, donos de grandes redes de hospitais. No interior esse processo está em curso. Paralelamente a isso o governo federal, diante da demanda popular, da incapacidade de multiplicar os médicos nacionais de um dia para outro, da incapacidade política de criar uma carreira nacional para os médicos, e de uma generosa oferta cubana, resolver trazer médicos estrangeiros. Os médicos brasileiros, naturalmente, caíram na armadilha petista, ficaram furiosos, foram estigmatizados, e muitos acabaram caindo nos colos dos tucanos. O candidato tucano teve a inteligência de abraçar a bandeira justa dos médicos, de criação de uma carreira nacional para o setor, que resolveria definitivamente o problema das cidades sem médicos. Porém, assim como o Pt já fez essa proposta no passado e não cumpriu, o PSDb também não poderia cumprir se tivesse vencido, pois os donos de hospitais são parte física da bancada parlamentar deles. Não há salvação para a pequena-burguesia enquanto pequena-burguesia. Uns poucos se tornam burgueses, a maioria é proletarizada. Essa classe não acaba porque surgem sempre novas categorias inteiras de pequeno-burgueses, pela força do mercado. Só para algumas décadas depois serem engolidas pelos burgueses. É uma classe sempre disputada pelas demais, seja como presa econômica, seja como anexação política.

A valorização do salário mínimo, que torna fiéis muitos eleitores ao Pt, é também o que torna muitos eleitores pequeno-burgueses anti-Pt, sem poderem confessar esse motivo, por ser torpe. Sabemos que os salários voltam ao mercado, comprando coisas, e portanto aumentam os lucros das empresas, pequenas ou grandes, mas estamos diante de um dos casos em que os interesses imediatos, menores, são mais fortes que os interesses maiores, mais importantes. Na verdade, para o empresário xucro (não estou dizendo que todos são) ou de alguns setores mais distantes do consumo popular é muito fácil ver os custos dos salários, e muito difícil ligar o aumento das vendas ao aumento dos salários.

Interessante é que a valorização do salário mínimo divide os trabalhadores. Na base eleitoral petista, majoritariamente proletária, existe uma massa que recebe o salário mínimo, mas existem também membros da chamada aristocracia operária, que recebem muito mais que um salário mínimo, com destaque para os setores que têm dependido de incentivos governamentais para manter o nível de empregos. Porém, a valorização do salário mínimo gera aumentos dos preços, e muitos proletários dos que ganham mais de um salário não conseguem reajustes iguais ao do mínimo. Nesse caso, perdem poder de compra real. È interessante também porque são exatamente setores mais organizados, que por isso conseguiram salários maiores que o mínimo. Por serem os setores mais organizados e mais instruídos do proletariado, talvez entre eles possa se desenvolver o socialismo marxista, superando o socialismo cristão que é dominante no Brasil. Nessa parte do proletariado deve-se encontrar muitos dos 38 milhões de votos nulos, pessoas que por algum motivo não se encaixaram nos discursos ideológicos, ou por ver através deles, desconstruí-los, ou por não ter interesse nenhum em acreditar neles. Também devem vir desse setor a maioria dos votos dos partidos à esquerda do governo. Ademais, se existe um estado onde a valorização do salário mínimo não beneficia quase nenhum trabalhador é São Paulo, onde os salários mínimos reais precisam estar muito acima do mínimo oficial, por força do custo de vida.

Os petistas comemoraram a vitória eleitoral apertada, com muito mais empolgação do que comemoraram a vitória de Lula em 2002. Acreditam os petistas que o maior inimigo do proletariado é o PSDb, que já fez mesmo muito mal à nação e sobretudo aos trabalhadores, mas estão enganados. Na verdade, se o Pt ainda tem um motivo para existir é a existência de um partido anti-nacional. Se Dilma subiu de 42 para 54 milhões de votos foi graças ao PSDb. Se militantes voluntários foram às ruas no segundo turno pedir votos para Dilma foi graças ao PSDb. Os líderes petistas sabem disso, tanto que fizeram de tudo para Aécio e não Marina ir para o segundo turno. O Pt manteve o PSDb vivo, porque vive dele. É o Pt, e não o PSDb, o maior inimigo dos trabalhadores. É o Pt que se infiltrou, parasitou e daí esvaziou os Sindicatos em todo o país. É o Pt que usa a força do proletariado, seus votos, suas cores, seus símbolos, suas esperanças, para dominar a República e saqueá-la tal e qual as elites sempre fizeram. O Pt desmoraliza, com sua existência corrupta, os trabalhadores. Confunde-os, faz de tudo para mantê-los desinformados e desorganizados, para continuarem seus reféns. Enquanto o Pt existir com a força que tem entre o proletariado brasileiro, não existe possibilidade nenhuma de se avançar para o socialismo. Na verdade, como bem sabem os Sarney, Malufs, Newtons Cardosos, Katias Abreus e Collors o Pt é o maior e melhor escudo com que conta o capitalismo brasileiro.

O proletariado venceu, mas como está enganado não vai ganhar quase nada com isso, e a burguesia perdeu, mas como também está enganada, deu sorte, manteve o Brasil firme nos eixos capitalistas. Se a burguesia tivesse vencido, teria perdido na prática, mas o proletariado teria perdido junto, porque o partido anti-nacional responde a interesses externos. A burguesia teria perdido mercados, e o proletariado portanto perderia empregos e daí sofreria mais arrocho salarial.

Apesar de ter sido uma vitória de Pirro, a vitória do proletariado desespera a burguesia porque mostra a sua força. Contra todas as TVs abertas, contra todos os jornais diários, contra os maiores fornecedores gratuitos de e-mails, contra a propaganda acirrada do Facebook (não dos usuários, mas do programa), contra todos os meios locais da burguesia, o proletariado ainda venceu, depois de 12 anos de um governo desgastante e vergonhoso. As armas que no passado eram suficientes para a burguesia, agora não são mais. O que sustenta políticamente o capitalismo agora é o Pt, um instrumento do qual a burguesia desconfia e não entende direito.


As eleições, mesmo no segundo turno, mostraram que o povo quer mudança, para alguns mudança era a troca de um partido por outro, para outros mudança é que “a política” toda mude, e para outros mudança é a ampliação de programas assistenciais de acordo com a caridade cristã. As eleições, contudo, em seus resultados, não proporcionaram nada disso, porque nunca servem para isso. As classes sociais estão tensas desde Junho, quando se enfrentaram nas ruas, e isso acontece porque o regime político está em crise, não se suporta mais “a política” atual, portanto algo deve vir a seguir, outra “política”, daí o temor de todos os lados, e do temor vem a atuação desesperada e irracional. 

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