quinta-feira, 25 de setembro de 2014

MENTIRINHAS ELEITORAIS LULISTAS ÀS ESPENSAS DA MAQUINA ESTATAL...


Wlamir Silva
Professor
Historiador

A propalada saída do Brasil do "mapa da fome" merece alguns cuidados. Primeiro ela não ocorreu agora, mas entre 2005 e 2007, como mostra o mapa da FAO abaixo. E se ocorreu entre 2005/2007, considerando o tempo que uma política pública leva para aparecer nas estatísticas, pouco ou nada tem a ver com o bolsa-família, criado em 2004, e o Fome Zero (o elogio do petista José Graziano, hoje na FAO, ao programa é simbólico e... eleitoreiro), como se sabe, foi um fracasso.

                    http://www.fao.org/hunger/en/

De fato já havia uma tendência de "redução da extrema pobreza"  desde 2001, como mostram os especialistas. Incluindo o período FHC e, se quisermos mais, na fase "mais neoliberal" do governo Lula, sob a direção econômica de manutenção estrita da política anterior por Antonio Palocci, ministro até 26 de março de 2006. Queda fruto de políticas nascidas após a Constituição de 1988, impacto da universalização da ampliação da aposentadoria etc., e de nascentes políticas compensatórias.

Além disso houve, recentemente, uma mudança na metodologia da FAO, fazendo com que 2013 para 2014 o percentual "de fome" tenha caído, "magicamente", de 7% para 1,8%. Nada de excepcional, são índices que tratam de extrema, mas extrema mesmo, pobreza. Por eles, hoje, mais da metade da América Latina está fora do "mapa da fome", só a Bolívia teria uma "fome" moderadamente alta.

                         http://www.fao.org/hunger/en/

Para o Brasil, a questão é a de entender porque a quinta economia do mundo, sem conflagrações, com os recursos naturais e o grau de institucionalidade que possui - bem diverso da África, onde praticamente está confinada esta tragédia -, está em 79º no Índice de Desenvolvimento Humano. Abaixo em educação e expectativa de vida mesmo da média da nossa "poderosa" América Latina. Em 58º, em 64 avaliados, no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), atrás de Vietnã, Eslovênia, Portugal, Grécia, Emirados Árabes, Uruguai e Albânia, entre outros.

O quadro mundial mostrado pela FAO mostra um avanço generalizado, até porque uma das características do neoliberalismo é exatamente criar políticas compensatórias que minoram a extrema pobreza. Além da urbanização e das novas tecnologias de produção de alimentos. Sim, elas são capazes de superar a fome, o problema é de distribuição de riqueza, de exploração... Por isso o governo Lula seguiu e aprofundou uma tendência que já vinha de FHC.

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No Brasil isso convive bem com a pobreza - travestida de "classe média" - dos 66% de famílias com renda de R$ 2.034 (dados de 2013). E com a falta de saneamento, saúde, educação e segurança que "complementam" a penúria salarial. Políticas compensatórias não vão resolver isso. Em perspectiva histórica, o capitalismo eterniza boa parte disso. Pior quando isso é cinicamente comemorado, pois é despolitizante.

E, cá entre nós, você acredita que na América Latina só haja "fome" moderadamente alta na Bolívia? Que não há fome no Brasil? Enfim, mentirinhas eleitorais difundidas por quem tem a máquina pública nas mãos e faz "horário eleitoral" até em Assembleia da ONU...




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