sábado, 9 de agosto de 2014

Lucro das estatais, prejuízo para o povo. Prejuízo das estatais, lucros para o povo!

Um dos argumentos mais freqüentes na boca dos privatistas é que “as estatais privatizadas davam prejuízo”. Incapazes de compreenderem o papel das empresas estatais, presos que estão aos raciocínios utópicos do século XVIII, os privatistas acham que empresas particulares e estatais são a mesma coisa, que devem funcionar com a mesma lógica. Ora, se fosse para as estatais fazerem o mesmo que as particulares fazem, para que precisariam existir?

Quando uma empresa estatal tem lucro, significa que o governo recebeu mais dinheiro, ou seja, é como se fossem impostos não autorizados por nenhum parlamento! Sabemos que nossos governos são corruptos, e sabemos que mais de 40% do orçamento da União é gasto pagando juros de dívidas de origem duvidosa. Em outras palavras, se uma estatal tem lucros isso significa mais dinheiro nas mãos de políticos e financistas. Atualmente, com as estatais vendendo ações na bolsa, isso piorou, indo parte dos lucros diretamente para financistas. Sendo assim, porque desejar que uma estatal tenha lucro?

O lucro de qualquer empresa é acrescido quando ela consegue elevar seus preços sem perder vendas, ou reduzir/congelar os salários, ou demitir, etc. Em outras palavras, é o povo que paga o lucro de uma estatal, ou porque paga preços mais altos, ou porque recebe salários menores, ou porque pode concorrer a menos concursos.

Os salários elevados e o grande número de empregados eram outras críticas constantes dos privatistas, mostrando nesse caso ignorância até mesmo de suas próprias utopias do século XVIII. Uma das melhores coisas que uma estatal pode fazer, além de oferecer preços baixos, é empregar muita gente e pagar bem! O dinheiro recebido por empregados públicos subalternos circula nas cidades, acaba nas mãos de comerciantes da cidade, circula, gera empregos. Se uma estatal paga mal e demite, esse mesmo dinheiro deixa de circular no Brasil, e vai para as contas estrangeiras de políticos corruptos e financistas, os agiotas internacionais.

O ideal é que as empresas estatais fiquem no zero a zero, ou se não, no vermelho, o que significa menos dinheiro nas mãos de políticos e financistas. Para isso as estatais devem investir, contratar e pagar bem. Para esse cálculo investimento não precisa contar como lucro reinvestido, ou melhor dizer, se houver lucro, que ele seja obrigatoriamente reinvestido. O que deve ser evitado são as retiradas para os governos e acionistas, que devem ser zerados. O caminho do dinheiro deve ser só dos governos para as estatais, nunca o contrário, porque o contrário significa do povo para o governo.

Para isso servem estatais, para algo que as particulares não podem fazer, que é viver no prejuízo. O que se pode fazer tendo lucros, as empresas particulares já são capazes de fazer. Contudo, é muito pouco o que o setor privado pode fazer. Na verdade, o setor privado precisa de constante apoio estatal até mesmo para existir. A economia de um país tem que ser embasada por infraestrutura e impulsionada por preços baixos de insumos, como só pode ser feito por estatais.

O Brasil vive hoje um gargalo energético, pois o setor sofreu privatizações. Esperavam os crentes smitianos que os capitalistas empatassem seu dinheiro em um setor no qual os retornos demoram décadas. Pior, os lunáticos que nos governam acreditam que obras públicas podem ser bem feitas e com rapidez por empreiteiras particulares. O resultado é que o país está impossibilitado de crescer por falta de portos, estradas, ausência de ferrovias, e agora falta até de energia. O grosso da infraestrutura e da indústria de base que sustentam o Brasil são ainda de trinta anos atrás, ou seja, de antes da era privatista.

Serão cegos os governantes e a grande mídia? Claro que não, eles são todos empregados dos financistas, ou micro-sócios deles, pois certamente estão amarrados por ações e títulos do tesouro. Acontece que o capital financeiro pode não ter pátria mas tem centros e interesses geoestratégicos, e o bem estar dos brasileiros por meio de um crescimento econômico planejado é contra esses interesses. O papel do Brasil segundo os interesses do capital financeiro é gerar lucros elevados e exportar matérias primas baratas. Já o crescimento econômico e o bem estar dos brasileiros significaria ficar com mais dessas matérias primas para nosso próprio consumo, portanto elevando o preço das mesmas, e perder menos dinheiro para o exterior.

Portanto, o privatismo é só uma das formas como o domínio do capital financeiro se apresenta, se justifica, se aprofunda, sem se revelar. As privatizações foram um fracasso para o desenvolvimento nacional, mas para os capitalistas financeiros significaram mais controle sobre o Brasil e mais lucros. O imperialismo contemporâneo se dá assim, pelas finanças, pois na medida em que grupos estrangeiros compram empresas aqui, eles também passam a financiar a imprensa e os políticos, dominando o país. De fato, as três empresas que são as maiores doadoras dos três candidatos à presidência da República mais fortes nas pesquisas (da mídia paga pelo mesmo dinheiro) são, as três, majoritariamente controladas por capital estrangeiro. Assim, ganhe quem ganhar, será um devedor do capital estrangeiro.

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