terça-feira, 26 de agosto de 2014

50 milhões de empregos para 200 milhões de brasileiros

Eis o melhor que o capitalismo pode fazer, depois de 12 anos em que mesmo a oposição de direita diz que estamos crescendo, e quando toda a mídia capitalista tem o descaramento de falar de “pleno emprego”, na verdade só temos 50 milhões de empregos. Crescer para esse povo do Partido Português é demorar 4 anos para aumentar os empregos em 10%. O índice de desemprego dessa gente, sejam tucanos ou petistas, é na verdade o índice de pessoas que todo mês vão ao SINE atrás de emprego, ou seja, é o índice dos desesperados, porque todo mundo sabe que o SINE quase nunca arranja nada. Que 6% de um povo esteja desesperado ao ponto de ir todo mês ao SINE não é um índice baixo.


Essa situação é tanto pior quanto há desequilíbrios entre as cidades, de forma que em São João del Rei são somente 20 mil empregos para 86 mil habitantes, um pouco abaixo, portanto, da média nacional. O resultado é o que conhecemos, desses 20 mil a grande maioria ganha um salário mínimo ou menos, e uns outros 20 mil trabalham precariamente na informalidade, as vezes não fazendo meio salário mínimo. Ainda sobram 46 mil, que não podem ser todos crianças, idosos e donas de casa. Essa é a situação que as forças que na verdade são agentes do estrangeiro, o Partido Português, dizem que é de “pleno emprego”, que é resultado de 12 anos de bonança, e que levaram um assessor de um dos candidatos a presidência da República a dizer que o salário está muito alto.

Pode-se compreender que portanto, se as coisas continuarem “bem”, a atual política econômica tucano-petista nos levará no máximo a 55 milhões de empregos nos próximos 4 anos, mas se forem mal... Ora, é a confissão do fracasso! É óbvio que, com 200 milhões de habitantes, precisávamos de 100 milhões de empregos no mínimo, e isso ainda não nos levaria ao pleno emprego.

Na realidade, mesmo que a economia mundial voltasse a fluir bem, o que não parece que vai acontecer, muito pelo contrário, ainda assim o Brasil não poderia continuar crescendo nem mesmo no ritmo medíocre da era petista (que já foi melhor em crescimento que a era tucana, de decrescimento), porque simplesmente o país não tem a necessária infraestrutura. No atual momento, ano de eleições, o governo está comprando de volta as cotas de energia elétrica de uma série de indústrias, gerando queda da produção e desemprego, porque a capacidade de produção de energia está tão próxima do consumo, que a seca faz o Brasil precisar escolher entre ter apagões ou diminuir a produção. Mas não falta só energia, faltam ferrovias quase por completo (foram reduzidas pelo período militar), faltam hidrovias também quase por completo, as estradas são na verdade picadas horrorosas, assassinas e geradoras de enorme prejuízo, faltam portos, falta especialização da mão-de-obra etc. Só não faltam impostos!

Assim como é incapaz de duplicar os empregos, o setor privado da economia é incapaz de criar por si só a infraestrutura necessária ao país. Os idólatras do mercado estão tentando fazê-lo funcionar desde que se livraram dos militares, mas o mercado é só isso ai que estamos vendo, não faz as mágicas que os crentes liberais esperam. Como se pode observar pelos discursos e pelos primeiros anos de governo, os militares a princípio também acreditavam na magia do mercado, mas depois tiveram que aceitar que ou bem criariam um grande parque de indústrias estatais ou nunca conseguiriam construir tanques e aeronaves no Brasil, assim como nunca teriam energia elétrica sequer para permitir que o mercado funcione. Por isso os militares foram pragmáticos, abriram mão da fracassada fé liberal e começaram a criar uma grande estatal para cada setor estratégico da economia, motivo pelo qual acabaram perdendo o apoio do Partido Português. De volta ao controle do Estado os recolonizadores entregaram tudo ao mercado, desde dinheiro vivo aos montes, como o fazem periodicamente, como empresas, setores da economia etc., e o resultado é que o país está até se desindustrializando.

Governo e oposição de direita mentem sobre o crescimento do país, tendo a cara-de-pau de comemorarem índices como 4% de crescimento ao ano. Outra vez, é a confissão do fracasso. Para o Brasil, crescer 4% e nada é a mesma coisa. O resultado é que a mídia e os políticos que ela protege vão perdendo cada vez mais credibilidade, pois dizem que a economia vai bem enquanto todo mundo vê o número de mendigos crescendo debaixo das pontes, assim como a criminalidade, e mesmo pessoas empregadas as vezes são obrigadas a recorrerem ao crime para complementar a renda.

É só o Estado que pode construir a infraestrutura do país, multiplicar os empregos e fazer crescer a produção na mesma proporção em que crescer a massa salarial do país. O mercado, para sobreviver, precisa, e precisará cada vez mais, da ajuda do Estado. Naturalmente, para que o Estado retome seu papel na economia, abandonado desde a crise de 1973, será necessário um novo regime político, mas isso é outro assunto.


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