sábado, 24 de maio de 2014

Governo está pagando para indústrias reduzirem produção

A maior prova do fracasso das teorias liberais vigentes na política econômica brasileira desde a eleição de Collor em 1889 até hoje é o gargalo energético persistente. Diziam os liberais que nas mãos do mercado tudo se desenvolveria, e agora o país não pode crescer, e tem mesmo que decrescer, porque não consegue produzir mais energia, não tem ferrovias, suas “estradas” são picadas com asfalto e faltam portos. Já era hora de muito mais setores da pequena burguesia e do proletariado terem aterrissado, estudado um pouco de história, para saberem que sempre foi o estado, com forte ação econômica estatal, que impulsionou a economia de qualquer país.


Por conta da insegurança energética as indústrias têm cotas de energia, ou seja, energia já encomendada, ou seja, quase já vivem um racionamento permanente. Como as reservas de água na região sudeste, região montanhosa onde as usinas elétricas foram construídas em série e mesmo assim são muito produtivas, estão quase vazias, e é ano eleitoral, para evitar apagões e racionamentos o governo está comprando de volta as cotas de energia, a preços da Lua.

Os preços são tão bons que algumas metalúrgicas estão desligando seus alto fornos. Para cumprir contratos feitos anteriormente essas firmas estão comprando o mesmo produto que produzem de concorrentes chinesas. Mesmo assim ainda ganham mais que se estivessem produzindo, pois o valor pago pelo governo pelas cotas de energia é muito alto.

Os governos respondem a essa realidade com propaganda mentirosa. Enquanto vemos as ruas cheias de mendigos, de craqueiros, assistimos os golpes e os crimes se alastrando, sabemos que os salários não sobem, e que se o salário mínimo cresce todos os outros salários são em compensação reduzidos ao mínimo, e vemos que os aposentados vão sendo todos reduzidos ao mínimo, os governos, petistas e tucanos, insistem em afirmarem que está acontecendo distribuição de renda, que as coisas estão melhorando.

Mentira ainda mais indecente é sobre o desemprego. O país tem cerca de 180 milhões de habitantes, e somente 46 milhões de empregos formais, somando públicos e privados. Apesar disso os governos FHC, Lula e Dilma insistem em divulgar um desemprego pequeno, um índice que conta as pessoas que foram, naquele período, por exemplo, em um mês, procurar emprego no SINE. Ninguém divulga a pesquisa do IBGE informando que 18 milhões de brasileiros já desistiram de procurar emprego.


Naturalmente, os preços sobem, pois os impostos sobem, as taxas de energia e água sobem, e a população cresce. Só é possível realmente combater inflação produzindo mais, aumentando a oferta de produtos, pois os preços são influenciados pela relação entre oferta e procura, como até os capitalistas sabem. Mas o país está impedido de produzir mais porque não tem a infraestrutura necessária, uma vez que caiu na esparrela liberal, privatizou suas empresas mais importantes, entregou as indústrias básicas da economia ao mercado, e o mercado, conforme era óbvio para todo e qualquer marxista, transformou tudo em mercadoria. Nas mãos do mercado o dinheiro se foi e a capacidade de produção energética se estagnou, ao contrário da distribuição e de seus preços, que cresceram estratosfericamente, e agora o país não pode crescer, e pior, por conta de uma seca tem que descrescer, reduzindo sua produção industrial e seus empregos. Uma seca é suficiente para desmentir as ilusões da economia liberal.

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