terça-feira, 25 de março de 2014

Em meio ao caos prefeito quer municipalizar Maria Fumaça



A cidade está a ponto de recuar para a Idade Média, mas no entanto recebemos informações de que o prefeito cismou de tomar para a administração municipal o controle sobre o trenzinho que vai de São João del-Rei a Tiradentes. Ainda se não existissem trabalhos urgentes a realizar, questões urgentes a resolver, essa idéia continuaria absurda.


Teve início hoje uma greve dos professores municipais, que exigem que o prefeito pague ao menos o piso, ou seja, que cumpra a lei. Esse mesmo prefeito defendeu um aumento de 10 para 15 mil no próprio salário em 2013 e já estava tentando outro aumento esse ano. Ele está fazendo licitação para comprar, para uso dele mesmo, um carro de mais de cem mil reais. Não falta dinheiro! Recentemente o orçamento anual da Câmara foi aumentado de pouco mais de um milhão para quase cinco milhões. Cinco milhões para trocar nomes de ruas! Os assessores que não existiam nem na época do parlamentarismo, foram recentemente criados e multiplicados para quatro. Mas os professores não receberam aumento nenhum em 2013 e o que se ofereceu para eles esse ano é ofensivo.

O transito está matando mais que as doenças e a criminalidade juntas, mas nenhuma providência é tomada. Só se fala de “providências” burocráticas, a municipalização do transito, que na verdade objetiva arrecadar com multas. Não vai ser com conversa fiada que resolveremos esse problema. Precisamos de inteligência e coragem.

Com malabarismos estatísticos os petistas afirmam que o desemprego está muito baixo. Na verdade só existem 46 milhões de empregos para 180 milhões de habitantes. Em São João é pior, são só 20 mil empregos formais para 86 mil habitantes. Um subproduto de taxas tão altas de desemprego é a criminalidade, que está naturalmente na Lua. Gente de direita não gosta dessa constatação, e tenta rebatê-la com a conversa moralista de que alguns abnegados sofrem o desemprego sem se tornarem bandidos. Como sempre a direita não consegue compreender como as coisas se interligam, e por essa incrível “inteligência” acha que o fato de existir uma maioria de passivos de alguma forma pode refutar o fato de que desemprego gera criminalidade.

O que uma Prefeitura pode fazer a respeito da criminalidade? Só duas coisas. Primeiro, espalhar câmeras de segurança, para ajudar logisticamente a polícia e as investigações. Segundo, criar empregos, mas ai já é pedir demais para essa geração política que ainda está presa em Adam Smith.
Agora, talvez para aparecer e tentar reverter a impopularidade que bateu em 75%, o prefeito cismou com esse negócio de municipalizar a Maria Fumaça. O resultado seria que o trenzinho estaria desativado em menos de 6 meses, dando um golpe pesado nas economias de São João del-Rei e Tiradentes. A reposição de peças de um equipamento ferroviário antigo é muito caro, e mesmo quando existisse dinheiro o processo licitatório que uma prefeitura tem que realizar acima de certo valor já deixaria o trem parado por meses. A manutenção é cara, são necessários alguns funcionários especializados e raros, quando sabemos que prefeituras mal conseguem contratar médicos.

Se não for uma prova de estupidez por parte dos petistas, pode ser simples maracutaia, ou seja, a Vale do Rio Doce querendo se livrar de uma linha que não está ligada a nenhuma outra, que não leva nada a lugar nenhum e que nem mesmo tem qualquer ligação com as finalidades da empresa. Essa linha foi comprada pela Vale em um pacote fechado. Levar essa linha, provavelmente deficitária, não foi uma opção, mas uma exigência para quem comprasse a rede inteira.

Se esse prefeito conseguisse municipalizar a Maria Fumaça, mesmo que criasse para administrá-la uma empresa pública com mais agilidade que uma prefeitura, será que ele criaria para essa empresa um estatuto democrático e transparente, que só permitisse concursados, ou encheria a estação de cabos eleitorais? É só ver o que ele e os aliados dele fazem no país todo para saber a resposta...

Naturalmente, defendemos a reestatização de todas as ferrovias, e a volta com toda força da Rede Ferroviária, mas isso só pode ser feito em larga escala. Uma ferrovia isolada, um pequeno trecho, é inviável. Ademais, as prefeituras do Brasil atual, com o atual grau de falência do regime político, não são indicadas para um empreendimento destes. Se o prefeito quer empresas públicas, ótimo! Nós também queremos! Mas crie empresas novas, com empregos novos, em setores ainda não explorados. Não arrisque tomar empresas que estão funcionando, colocando em risco os empregos e os benefícios de seus funcionários, ou será que a prefeitura pagará melhor que a Vale? Lembre-se que dos cerca de 25 mil turistas que a cidade recebe por mês quase todos só vêm pela Maria Fumaça.

A sorte é que essa municipalização não é fácil, até porque há duas cidades envolvidas e Tiradentes não deve querer se arriscar a ficar sem um de seus maiores atrativos turísticos. As pessoas passaram um ano reclamando que o prefeito parecia não ter tomado posse, mas quando ele resolve se mexer dá saudades de quando ele não faz nada. Ficamos ainda com a esperança de que ele já tenha desistido, alertado sobre o absurdo da ideia, ou mesmo que desminta tudo, que seria melhor do que se resolvesse teimar no assunto.

Para não ser acusado de só criticar, faço ainda uma sugestão. O prefeito poderia, sem assumir a responsabilidade e os riscos pela Maria Fumaça, entrar em acordo com a Vale para criar na mesma linha uma empresa municipal de transporte ferroviário, ligando o centro de São João del-Rei a Tiradentes. Isso certamente atrairia muito dinheiro de Tiradentes para São João, além de facilitar a vida dos trabalhadores de São João que todos os dias têm que ir e voltar de Tiradentes, e melhorar o próprio atendimento dos estabelecimentos de Tirandentes, hoje ridiculamente limitados em horário pelos horários de ônibus.

3 comentários:

Welber disse...

Quanta bobagem, Alex.
O que biscoito tem a ver com viagem à marte? Essa tal "municipalização" da qual você fala, com equívocos latentes, foi uma ideia há algum tempo. E, se ainda fosse um fato, coisa já descartada, ainda assim seria um acontecimento interessante. E isso não tem nada a ver com empregos da cidade, porque a Vale emprega muito pouca gente do município, sendo a maioria dos empregados da "maria fumaça" migrados de cidades onde a FCA possui atividades ferroviárias "normais".
Sua ignorância sobre o assunto é brutal. Mas é normal em fanáticos com dificuldade de ouvir.
O complexo ferroviário de São João mais os 12km de linha e a estação de Tiradentes são um monumento nacional, sendo o complexo um museu ferroviário que a Vale vem desmanchando há 15 anos, com perdas irreparáveis e a implantação de uma mentalidade completamente avessa ao que se entende como "cultura" num sentido lato.
De qualquer forma, o que você expõe neste texto é, me desculpe, apenas um BOATO. Fica evidente que não tem muita noção do que está afirmando, bem como, não conhece todas as instituições envolvidas (Inventariança da RFFSA, SPU, IPHAN, DNIT e ANTT). Mais ainda, não tem a mínima noção da amplitude do que se pode extrair desse patrimônio e, pelo que noto, nunca ouviu falar de arqueologia industrial, museologia e, pasmém, de todas as possibilidades da noção de história. Seu texto é um desserviço.
Concordo apenas com a importância da educação e do tema em pauta pelos professores do município.
Não se preocupe com essa municipalização do trenzinho, ela não ocorrerá, pelo menos não por este momento. Enquanto a SPU/Inventariança da Rede não tiverem um inventário sobre os bens desse complexo e o MPF não der sequência ao inquérito contra a Vale, nada muda nesse sentido.
Sem mais, por ora, agradeço pela atenção.

Abraços.

Alex Lombello Amaral disse...

Bom, mas tudo o que você disse não muda nada do que foi dito. Você xinga várias vezes, usa termos ofensivos, mas não mostra onde o raciocínio do texto está errado... Depois eu é que sou fanático... Notou alguma alteração de humor no meu texto? Porque no seu é só o que eu notei!
Ótima notícia que está tudo na justiça e esse prefeito não pode cagar no assunto... Boato? Sim, pode ser, mas eu confio mais em minhas fontes que nos desmentidos petistas... Afinal, minhas fontes não têm o hábito de mentir para mim... Sobre os empregos, o trenzinho não emprega só diretamente. Pelo contrário, grande parte dos turistas que vêm para cá vêm quase só por ele...

Welber disse...

Fato é esse: os empregos indiretos não mudam, independente do responsável a administrar a "maria fumaça". Se ela funciona (mesmo que de forma danosa ao patrimônio como ocorre neste momento), esta demanda se mantém.
As privatizações do setor ferroviário da década de 1990 foram extremamente danosas ao público dependente do transporte sobre trilhos e, na mesma medida, foram um desastre para a parte cultural que envolve este setor. Todos os museus e centros de memória criados na década de 1980 pelo Preserve/MT (e isso inclui o Museu de SJ com a "maria fumaça") sofreram uma degradação irreversível pela forma como a Vale/FCA encara a administração desses espaços e acervos.
Sobre esse tema, há denúncias e denúncias enviadas ao MPF e um inquérito se realiza desde 2010 para apuração desses fatos, onde a Vale é réu e já assinou alguns TAC. E nenhuma prefeitura, seja do PT, do PSDB, do PCB, do DEM ou do PRONA, daria conta de resolver satisfatoriamente tal problema, que se manteria como ações de governo e não de estado, ficando esse patrimônio sob as consequencias do humor de administrações inconstantes. É só dar uma procurada e verá que esse tipo de atividade sob a responsabilidade de prefeituras são todos desastrosos, com o resultado de verdadeiras ruínas.
E, como eu já disse, esse acervo está sob o conflito de muitas instituições que não falam a mesma língua e não resolvem a questão por uma série de razões que não enumerarei mas que são facilmente detectáveis com pouco esforço.

Postar um comentário