quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nas capitais e grandes cidades as manifestações estão sendo combatidas por novas táticas policiais

Nas manifestações do Rio e de São Paulo nos dias passados a tática dos governos mudou! A polícia uniformizada foi reduzida em número e em agressividade, e grupos "a paisano", ou seja, vestidos de civis, infiltraram-se nas manifestações, atacaram os manifestantes de esquerda, depois se dedicaram a atos de vandalismo. Não é uma novidade na história. Também como sempre, os fascistas se uniram aos policiais camuflados, e uma massa de despolitizados os seguiu. Nos próximos dias podemos esperar o uso de todo tipo de tática para sabotar o movimento contestatório.



O ataque aos grupos de esquerda é estratégico para quem quer o fim das manifestações, pois é uma tentativa de decapitar o movimento, de tirar dele seus elementos que têm alguma experiência, e deixar as massas que se manifestam pela primeira vez nas mãos dos "provocadores", gíria que se usa para policiais infiltrados. É fácil fazer esse ataque valendo-se da desunião da esquerda, de seus erros táticos nos últimos anos, e da aversão geral contra os partidos políticos, que não é mais que um sinal de aversão pelo sistema político como um todo.

Naturalmente, os partidos de esquerda não podem recuar, não recuarão, e nas próximas manifestações é provável o confronto entre a esquerda e a polícia infiltrada, os fascistas e os parvos que os seguirem. Para o público parecerá a divisão violenta do movimento, mas será somente mais uma ação policial. Não tenhamos ilusões, haverão infiltrados a favor e contra as bandeiras vermelhas, instigando o confronto pelos dois lados.

Ao mesmo tempo, líderes das passeatas começam a ser seguidos, vigiados e espionados. A dita democracia brasileira age com os mesmos métodos sujos de qualquer ditadura, e isso contra uma simples contestação, sem projeto ainda, e portanto sem chances de derrubar o regime.

Outra tática que começou a ser usada, e nesse caso para o país todo, é a publicação das mais diversas e desencontradas teorias da conspiração. A primeira tática de imprensa era desconhecer, depois foi criminalizar, e agora, quando a população se irritou com a criminalização dos manifestantes, a tática é confundir. Haveria o perigo de um golpe, ou de uma revolução, partidos estariam manipulando, o objetivo seria derrubar esse ou aquele político... Em resumo, tudo o que possa desanimar alguns manifestantes.

O desespero dos políticos é completo, como mostram seus recuos não só no preço da passagem em diversas cidades, mesmo em São João del-Rei, mas também o recuo dos deputados, que resolveram adiar a  votação da absurda PEC 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público, ou seja, uma PEC para proteger os corruptos.

Nenhum movimento dura para sempre, e se um movimento de contestação do regime político ainda não pode substituir esse regime político, porque ainda não tem essa maturidade, ele normalmente vai sofrer refluxos. Mas nem por isso vamos deixar a repressão desmantelar o movimento com suas táticas sujas. Vamos vencer o divisionismo criado pela polícia e continuar em frente obtendo as vitórias possíveis.


Um comentário:

filipe disse...

Parabéns, bom post!
Impressionante, este acordar - ainda que estremunhado e desorganizado - do povo irmão do Brasil. Manifestações gigantescas em dezenas de cidades, de facto, já não permitem leituras "instaladas" no status quo; os comunistas, os verdadeiros democratas e patriotas brasileiros devem estar com o seu povo neste despertar, combatendo a provocação da direita neofascista (agentes policiais incluídos) e dos anarco-fascistas e apontando os caminhos das mudanças populares que os brasileiros ambicionam. Há anos que valem por dias, mas há dias que valem por anos! Então, não percamos nenhum minuto...Abração fraterno de um portuga ao povo irmão brasileiro.

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