quarta-feira, 17 de abril de 2013

Eleições diretas sofrem mais uma derrota na UFSJ

Há poucos dias aconteceram as eleições (diretas) para delegados ao Congresso da União Nacional dos Estudantes, conforme regras dessa entidade nacional hoje apagada, mas de grande e rica história. Como se sabe, já há oito anos o Diretório Central dos Estudantes da UFSJ é dirigido pelos Centros Acadêmicos. Estes no Conselho de Entidades de Base (Conselho de CAs) dirigem diretamente o DCE. Os partidos políticos que antes tinham no DCE um comitê tentam recuperar o controle dessa entidade o tempo todo, e para isso se unem à reitoria, que já aprendeu que dominar a maioria dos CAs é mais difícil que dominar uma só diretoria composta por militantes de um só partido.

Eis que nessas eleições recentes concorreram três chapas. Uma composta pelos militantes do DCE-UFSJ, que seguem a direção dos CAs, as outras por militantes partidários que têm defendido o retorno das eleições diretas sobre o DCE. Esse assunto não estava em pauta, mas as chapas defensoras da "democracia" liberal acharam que se misturassem as coisas e defendessem as eleições diretas ganhariam votos com isso! Levantaram o assunto, apresentaram-se como defensoras das eleições diretas! Resultado: A chapa ligada ao DCE obteve mais de 800 votos, contra cento e poucos de cada uma das chapas liberais.

O que impede o movimento estudantil de ser sacudido e ressuscitado no Brasil todo? O que impede os revolucionários de retomaram seu posto de direção destronando os corrompidos capachos do governo? Só a falta de coragem dos pretensos revolucionários para tomarem posições revolucionárias! A UJS assenta seu controle sobre a UNE no domínio que exerce sobre cerca de 200 DCEs espalhados pelo país. Isso não é só herança de quando a UJS lutava contra o neoliberalismo ao invés de apoiá-lo. Isso é capitalismo. É a forma de poder capitalista por excelência. A UJS domina dos DCEs por meio de eleições diretas como o PMDB domina a maioria dos municípios. O processo é o mesmo, só que o PMDB tem mais dinheiro, pode atacar presas maiores, e não é bem visto nos meios universitários. Tem sido assim que os pelegos dominam os sindicatos, e que todos os capitalistas, dos pelegos do movimento estudantil até os chefes das mais sanguinárias potências capitalistas se mantêm no poder.

Contudo, explicar a situação, defender uma nova democracia, na prática onde a correlação de forças permitir, na teoria onde não permitir, é trabalho revolucionário, no sentido leninista, de que só pode ser feito por pessoas preparadas para isso, que são quase sempre comunistas confessos. Enquanto os comunistas não conseguirem se desprenderem da propaganda liberal, da TV, que é praticamente a única voz que se levanta todos os dias para louvar nosso regime político, nada avançará. As eleições diretas para DCEs são fotografias das eleições diretas municipais, estaduais e nacionais. Se queremos denunciar que não temos democracia suficiente no Brasil, então temos que denunciar que também nos DCEs e Sindicatos o mesmo tipo de eleição não funciona, tem os mesmos ou piores defeitos. E se queremos ser acreditados, quando temos poder para fazer avançar a democracia, temos que fazer isso, colocar fim às eleições diretas e criar novo tipo de democracia. Temos que criar, nos Sindicatos e DCEs onde pudermos, formas de democracia mais avançadas, se queremos que o povo acredite que é possível uma democracia superior a essa que temos.

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