segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Avaliação do primeiro mês do governo petista em São João del Rei

Um mês é muito pouco tempo, sobretudo em uma transição em que uma oposição chegou à prefeitura. Toda uma série de questões ainda não podem ser tratadas, não se tem delas nem informações. Portanto só podemos analisar aqui dois assuntos: A transição em si e os assuntos urgentes.


Sobre a transição o sentimento geral é de decepção. O eleitorado do novo prefeito, que quase todo votou conduzido pelo discurso antinivaldista, foi surpreendido por uma equipe de governo que além de incluir um monte de tucanos, incluiu um monte de pessoas intimamente ligadas a Nivaldo. Ou seja, está faltando transição! Já se esperava a presença marcante de tucanos, dado o histórico político do prefeito, e porque de fato a maioria dos tucanos fez campanha para ele e não para seu candidato oficial, que ficou apoiado mesmo somente pelos chefes de BH. Mas ninguém esperava os nivaldistas no governo. Só ficou de fora a Frente Socialista, que aposta na oposição.

Pior é o boato que se espalha ligando as indicações de assessores e cabos eleitorais de Nivaldo para o novo governo às votações da Câmara de Vereadores do final de 2012. Haveria um trato espúrio pelo qual os vereadores que não foram reeleitos teriam o direito de ganhar empregos ou indicar pessoas para empregos (os famosos cargos de confiança) se votassem a favor do aumento dos salários dos novos prefeito, viceprefeita e vereadores. Não é novidade no Brasil, mas a regra do jogo. É elementar que os “cargos de confiança” precisam ser extintos em toda a República, reduzindo drasticamente o poder dos governantes. Sobre o número de cargos de confiança distribuídos, a prefeitura terá, por lei, que publicar nomes, cargos e salários, portanto o número exato, mas nem sempre as nossas leis são cumpridas. Enquanto não temos o número oficial, publicamos o boato, de que são uns trezentos.

Em transição ou não, existem questões que precisam ser imediatamente enfrentadas. Algumas são realmente de difícil solução.

Todo novo governo de São João del Rei, logo em seu primeiro ano, tem diante de si um Carnaval para tumultuar a transição. Esse ano o Carnaval acontecerá o mais cedo possível, logo no início de Fevereiro, dificultando o trabalho. Não falta dinheiro, apesar das dívidas as rendas dos municípios, sobretudo vindas do governo federal, têm crescido ano após ano. Mas não se trata só de dinheiro, existem diversas outras questões a resolver. Esse ano, até pela proximidade do Carnaval, a violência pode ser anormalmente elevada devido ao massacre que aconteceu há poucos dias em um ensaio da Escola de Samba São Geraldo, no qual foram assassinados quatro jovens completamente sem ligações com a rixa que deu início ao tiroteio. Os assassinos saíram de outro bairro especialmente para realizarem o massacre, recrudescendo a rivalidade entre gangues rivais, que normalmente se encontram e brigam no centro da cidade todo santo Carnaval. O massacre gerou boatos sobre o cancelamento dos desfiles e outros eventos carnavalescos, mas os interesses econômicos falaram mais alto, e só aconteceu o cancelamento dos ensaios das escolas de samba por uma semana. A prefeitura está divulgando que liberou uma boa bolada para as escolas de samba e blocos carnavalescos.

Um problema quase anual são as enchentes, que acontecem exatamente na época do ano em que estamos, mas a estiagem de 2012 foi especialmente dura, e o governo federal parece ter ligado todas as turbinas das hidroelétricas, porque as represas estão todas vazias. Portanto, esperamos, o novo prefeito deu sorte e não enfrentará enchentes logo nos seus primeiros meses de mandato. Os institutos de meteorologia e o Corpo de Bombeiros, por outro lado, estão avisando que o perigo de cheias existe, sim, e maior que no ano passado. Certamente, o novo prefeito está avisado, e como liberou uma boa grana para as escolas de samba e blocos, é certo que existe dinheiro para auxiliar as vítimas de uma possível enchente.

O movimento de jovens da cidade, destacadamente o Anonymous, criou para o prefeito uma outra questão, da qual está tentando fugir, de forma que só piorará as coisas. Aconteceu no final de 2012 um aumento de passagem dos ônibus municipais realmente abusivo, colocando a passagem de São João del Rei acima do preço cobrado em Brasília e Florianópolis. A empresa de ônibus é especialmente hostilizada por ter usado um vereador antipático aos manifestantes para prevalecer nas relações com a prefeitura e na licitação. Contudo, existe forte boato de que o prefeito não pode desagradar a empresa de ônibus, com a qual teria acordos. Aliás, o vereador ligado a essa empresa votou a favor dos aumentos salariais todos... Sendo assim, diante de uma manifestação contra o aumento da passagem, o prefeito não se comprometeu com nada, só criou uma comissão, e todos sabemos o que são as comissões em nosso país. Ele foi habilidoso em descer da Prefeitura e conversar com os manifestantes, mas logo mostrou inabilidade, quando só o que “concedeu” foi em criar uma comissão para discutir o assunto, e pior, ofendeu os manifestantes mais politizados perguntando quem eram seus líderes.

Também a Câmara de Vereadores, agora com quatro petistas ao invés de uma, decepcionou a população logo nesse início de mandato, duplicando o número dos próprios assessores...

Não é um início muito bom, mas é só o início.

Nenhum comentário:

Postar um comentário