quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ao defender Genuíno o PCdoB desonra a memória de João Amazonas

No centro Amazonas e logo atrás dele Arruda.

Todos os antigos militantes do PCdoB sabem que João Amazonas nem olhava na cara de José Genuíno, a quem acusava de ter traído a Guerrilha do Araguaia. João Amazonas é um dos personagens da trilogia Subterrâneos da Liberdade, de Jorge Amado, o Mário, um dos principais heróis do livro. Foi membro do Partido Comunista por muitos anos, e na década de 60, quando a traição atingiu o movimento comunista no mundo todo, Amazonas liderou os comunistas brasileiros que mantiveram de pé a bandeira da Revolução. Podemos discordar das táticas adotadas pelo PCdoB, fundado por Amazonas, em diversos momentos, mas seria tremenda leviandade negar que Amazonas e grande número de seus camaradas foram bons comunistas, revolucionários, com grandes contribuições à pátria.

Amazonas não era um mentiroso! Se João Amazonas tinha acusações contra José Genuíno, então devemos acreditar em Amazonas. José Genuíno foi preso no dia em que chegou ao Araguaia, em uma posição onde não devia estar, na autoestrada, e não foi morto, como foram todos os outros capturados na mesma época, que aliás, se multiplicaram depois da captura dele.

Acabo de ler uma manchete do Vermelho, página do PCdoB na internet, defendendo José Genuíno. Como podem desonrar João Amazonas? Como podem desonrar os mortos no Araguaia? O que virou o PCdoB?

É chegada a hora de chamar João Amazonas, por meio de seus seguidores, de volta ao Partido Comunista. Se o PCdoB, por compromissos vergonhosos com o governo menchevique, joga na lama a memória de Amazonas, o PCB deve resgatar essa memória.

4 comentários:

AF Sturt Silva disse...

Concordo, na verdade tem muita gente da esquerda liberal fazendo a defesa do Genuínio, pq ao contrário do Dirceu, ele não teria jogado sujo diante das regras do jogo burguês. No entanto, desde de 90 ele defendia alianças amplas para que o projeto petista fossem melhor aceito na sociedade. Pra mim, o problema nem é entrar nos esquesmas de corrupção tradicionais de nossa política e do capitalismo, mas sim render-se (vender-se), principalmente em termos de programa e principios. O resto é pequena política num tempo em que frações com poucas diferenças diputam parcelas de poder nos governos.

Marco Lisboa disse...

Há uma imprecisão histórica: Genoino não foi preso no dia em que chegou ao Araguaia e nem mesmo numa autoestrada onde não deveria estar. Conheci Genoino em 1970, quando era o camarada Geraldo (mesmo nome que usou no Araguaia). Ele estava na região há quase 2 anos e era o estafeta do Destacamento B. Assim que o Destacamento A foi atacado, avisaram ao B, que por sua vez foi avisar ao C. Genoino foi até os pontos de apoio do Destacamento A, que havia sido atacado, nesse meio tempo. Não encontrando ninguém, voltou. O Destacamento B havia se internado na mata e ele se apressou, para poder cubrir um ponto com Glênio. Corria o risco de perder o contato. Ele tinha instruções de evitar as trilhas mas batidas (não havia estradas e muito menos autoestradas na região). Não o fez e foi capturado. Seu depoimento aos militares já foi publicado na imprensa. Vários outros guerrilheiros foram capturados na primeira e na segunda campanha e não foram mortos. A ordem de não deixar sobreviventes foi dada na terceira campanha. E o seu destacamento, o B sofreu poucas baixas nas primeiras campanhas. As baixas do destacamento C, que foram muitas, não podem ser atribuídasiretamente a qualquer denúncia de Genoino (assim como as baixas do destacamento B). Neste ponto o Relatório Arroyo, escrito por um membro da Comissão Militar da guerrilha é definitivo. Assim como o diário de Maurício Grabois. Durante o seu processo Genoino insistiu em divulgar que havia uma guerrilha no Araguaia, fato que o exército procurava negar e que poderia agravar a sua pena. Solto, escreveu e deu vários testemunhos sobre a Guerrilha numa fase em que o regime militar estava completando a sua transição. Foi expulso do PC do B por seu comportamento perante a repressão (não por João Amazonas, mas pelo CC). Como na época o partido atravessava uma luta interna que resultou na saída e ou na expulsão de vários membros, alega-se que a sua exclusão foi injusta, porque o seu comportamento, embora não tenha sido o de um quadro do partido, foi julgado com mais rigor do que o de outros quadros (Genoino adotava uma posição mais crítica em relação a avaliação da guerrilha).

Revistacidadesol disse...

Por tudo o que conhecemos do exército brasileiro, se Genoíno não tivesse traído não seria aceito no ministério da defesa. Eles não podem aceitar senão alguém de estrita confiança, pq são paranoicos e tem esqueletos do armário, tem q colocar alguém que tenha rabo preso com eles.

Revistacidadesol disse...


E outra, Marco: eu até acreditava em sua objetividade, até vc dizer que o grupo da mulher de Mao, preso no golpe de 76, era uma "quadrilha".

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