terça-feira, 30 de outubro de 2012

Não sobrará nem um computador ou carro funcionando na prefeitura

Não se trata só de São João del-Rei mas do país inteiro. Com exceção dos municípios onde os prefeitos elegeram seus candidatos ou se reelegeram, como acontece de 4 em 4 anos, será tudo saqueado. No primeiro ano de mandato, em parte por ser verdade, em parte por ser uma ótima desculpa, os prefeitos não farão o que precisam sob a alegação de que ainda estarão "arrumando a casa", que novamente é o mesmo, em toda cidade, de 4 em 4 anos. O fato de acontecer a mesma coisa em 5 mil e tantos municípios, por décadas, precisa ser reconhecido e colocado em pauta, pois trata-se do verdadeiro problema.



Claro que algumas cidades são mais vigiadas, para sermos claros, as capitais. É mais perigoso para um prefeito arrasar uma prefeitura em caso de derrota se ele for de uma capital, mas no caso da maioria dos 5000 e tantos municípios, tudo é destruído, saqueado. Não sobra um carro funcionando, pois as peças são retiradas. Não sobra um computador inteiro, pelo mesmo motivo. Sobram todas as dívidas que podem sobrar dentro da lei e algumas fora da lei. Isso é feito mais pela rivalidade política que pelo valor do saque. Ninguém vai preso! No caso de escândalo um ou dois bodes expiatórios.

O primeiro ano de mandato é o melhor para se roubar, uma vez que está mais distante das eleições de dali há 4 anos, e é coberto pela desculpa de que a prefeitura está endividada e arrasada. Ao mesmo tempo, repor carros, computadores etc. é sempre um ótimo negócio para os prefeitos e para as empresas que os vendem. Em outras palavras, a corrupção e o mercado se entendem bem! A rigor, a corrupção é a forma como dois mercados, o eleitoral e o de bens e mercadorias, interagem.

Nada disso é novidade para ninguém, mas a maioria das pessoas não aceita qual é a raiz do problema, e culpa os políticos, os corruptos e os eleitores. A imprensa também sustentada pela corrupção apedreja os corruptos que são pegos, e insinua que a culpa é de quem os elegeu, e a massa engole, a maioria xingando os políticos em geral, e uma grande parte, achando que é mais esperta, culpando o eleitorado, chegando exatamente à conclusão planejada. O regime político, a forma como o poder é organizado, distribuído, como ele é de fato, não entra em pauta na imprensa sustentada pelo dinheiro.

Contudo, por mais que seja uma informação que muita gente não gosta de assimilar e prefere desconhecer, o regime político é o problema que temos em mãos. A ideia simplória de que são as pessoas o problema e a solução, ou seja, que basta trocar pessoas até colocar no comando um messias, ou a ideia pseudo politizada de que o eleitorado precisa avançar, precisa aprender, são na verdade as formas de defesa do próprio regime político. Esse regime político se baseia na ideia de que as pessoas, o eleitorado, escolhem os governantes, e assim dirigem seus próprios destinos. Ou seja, as "criticas" alimentadas pela imprensa contra esse ou aquele corrupto ou contra a incapacidade do eleitorado são somente reafirmações do regime político, e não a sua negação.

Cada detalhe de nossa sociedade, inclusive esse da transição entre prefeitos rivais, prova que precisamos de um regime político melhor.

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