quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Aulas da UFSJ devem voltar daqui há 10 dias - fracassa mais uma greve de professores

Conforme está acontecendo no país todo, a UFSJ está pronta para sair da greve. Vai sair com o que o governo quis dar, depois de uma das maiores greves já vividas pelas Universidades Federais. A política do governo federal voltou-se para o arrocho, para a recessão, e os professores não conseguiram fazer estragos suficientes na imagem do governo a ponto de o obrigarem a fazer uma exceção irrisória nessa política. Para a economia da cidade será um alívio, e para os alunos o aperto da reposição, que pode atingir até alguns dias das férias no final de 2013.



A Assembléia de hoje, 6 de Setembro, decidiu lançar um indicativo de volta às aulas daqui há dez dias, e enviou essa decisão para o resto do país, esperando o que as demais Federais vão decidir. Significa que haverá outra Assembléia daqui há dez dias em que devem encerrar a greve. Os estudantes vão começar a voltar à cidade.

O fracasso dessa greve é semelhante aos diversos fracassos de greves de professores de escolas públicas em todo o país. Os patrões desses professores são os governos, e os governos têm dinheiro para dobrar ou triplicar o salários dos professores, garantirem direitos e vantagens diversos, sem um arranhão nas contas públicas. Porém, isso não os agrada, pois se subirem os salários dos professores púbicos sabem que os salários das escolas particulares, suas ou de seus sócios ou parceiros políticos, também terão que aumentar os salários dos professores. Sabem que a profissão ganhará status e atrairá jovens capazes. E sabem que se ao invés de pagarem aos professores embolsarem o dinheiro isso não lhes custará nada.

O problema é esse, as greves de professores não custam nada aos governos. Elas não conseguem afetar significativamente os governos, porque não são feitas para isso. Os professores, federais, estaduais e municipais, ainda não aprenderam a politizar seus movimentos. Insistentemente, eles imitam, mal, as greves operárias. Esquecem que os operários produzem mercadorias que são vendidas, e que portanto quanto param as fábricas dão enormes prejuízos financeiros. Quando param os professores não dão prejuízos financeiros. Se querem querem ganhar qualquer coisa, os professores têm que aprender a tirar votos dos partidos governantes.

Um comentário:

Pablo Lima disse...

Não considero que a greve tenha fracassado. Durou mais de 100 dias, mobilizou professores do país inteiro, obrigou o governo a negociar, conseguiu um aumento superior à média do funcionalismo público, quebrou a apatia que reinava nas universidades públicas. Não foi uma revolução, mas contribuiu para desmascarar mais ainda o governo PT-PMDB. Revelou os problemas do plano de carreira e os problemas estruturais e cotidianos das Instituições Federais de Ensino Superior. Considero o saldo positivo. Não conseguiu tudo que estava na pauta, mas não foi um fracasso. Fracasso é o governo.

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