sexta-feira, 31 de agosto de 2012

UFSJ permanece em Greve

Os professores da UFSJ, em Assembléia ontem, decidiram manter a greve, que já passou de 3 meses. O governo se recusa a reajustar dignamente seus funcionários, enquanto aumenta os próprios salários e os dos políticos bem acima da inflação. O argumento de não existir dinheiro é mentiroso, como tudo nesse governinho, pois o país está emprestando dinheiro ao FMI, fazendo Copa do Mundo e Olimpíadas. A verdade é que o PT é o novo PSDB, é hoje o partido que deseja destruir a educação pública, o partido dos donos de escolas. Não é a toa a revoada de tucanos para os ninhos petistas.



A economia de São João del-Rei se ressente como se fosse uma cidade agrícola atingida por uma seca. Com quase 90 mil habitantes e somente 20 mil empregos formais, a ausência de centenas de professores e milhares de estudantes é sentida pelo comércio. Não é o caso somente dos professores. Toda vez que o governo federal diminui o poder de consumo de seus funcionários, dos funcionários de estatais e autarquias, dos aposentados e pensionistas, São João del-Rei sofre, o comércio vende menos e daí compra menos, atingindo toda a cadeia produtiva. A política chamada recessiva, que limita o poder de consumo do povo, normalmente com a desculpa de conter a inflação, é fatal para uma cidade com 22 mil aposentados, onde entre 3 a 5 mil entre os 20 mil empregos formais são empregos públicos.

A economia real se resolve no terreno da produção, ou melhor, não é apertando os professores e outros funcionários públicos que um governo sério combate a inflação, mas estimulando a produção. Os últimos 20 anos provam que a iniciativa privada não tem capacidade para desenvolver o país, que continua exportando sobretudo matérias primas. Para conter a inflação em um país que cresce pouco, a política dos governos tem sido arrochar salários. Somente o investimento direto do governo, não somente com encomendas para a incompetência privada, mas também com a criação de empresas socialistas, pode transformar o Brasil na potência que precisa ser.

O que caracteriza a socialização de uma empresa não é seu caráter estatal. O Brasil tem inúmeras estatais que estão longe de serem socialistas. Socializar é tornar social, não somente a propriedade oficial, mas o controle. O defeito das estatais brasileiras é que são na verdade controladas por políticos e cabos eleitorais, ou seja, o controle é privado e não público. Sob controle público, com transparência absoluta digital, um complexo de empresas públicas desenvolveria o país, prescindindo em poucos anos do apoio governamental. Não é necessário restringir em nada o mercado e a livre iniciativa, e na verdade por um bom tempo, várias décadas, até a economia socialista dar conta de satisfazer todas as necessidades, seria necessário salvar constantemente o setor privado, facilitando ao extremo a vida dos pequenos empreendedores.

Mas os governos, tucanos e petistas, bem pagos para isso, têm sustentado as teses capitalistas, e esperam que o mercado por si só, dirigido pelo mercado financeiro, ressuscite e ande. Apesar do fracasso de suas políticas, insistem nelas, e continuam destruindo o setor público, não só as empresas e bancos, mas também a educação e a saúde. Ensandecidos, acreditam que seus sócios e aliados se salvarão se puderem tomar o espaço ocupado pelo setor público. O resultado é a mediocridade econômica, e como a fé capitalista também assegura que as contas públicas precisam ficar equilibradas e que o dinheiro tem uma essência sagrada chamada lastro, esses mesmos governos penalizam os aposentados, os funcionários públicos, a educação e a saúde do povo.

Um comentário:

AF Sturt Silva disse...

A política do governo, realmente é caduca, pois em vez de investir naquilo ou naqueles que incrementam o consumo, no caso muito bem colocado, o aumento dos salários e consequentemente o poder de compra dos funcionários públicos, preferem dar dinheiro aos bancos para acumular bens de luxo ou usar esse dinheiro para especular.
Pior, é dar dinheiro para quem tem muito, aumentando nossa desigualdade social que a quarta da AL, mesmo sendo o sexto PIB mundial.
Sem contar que a política do governo para educação é ridícula. Eles não estão nem ai, se os professores tem um movimento de luta pela melhoria da educação. Tenta jogar a categoria contra a população, usando a mídia, passando a imagem de que a greve é só por que os professores são ambiciosos e querem mais e mais, não se preocupando nem um pouco com o caos que temos hoje na educação. Mas interessam em investimentos gigantescos nas particulares que de praxe tem um ensino de péssima qualidade.

Em relação às empresas estatais, é bom também dizer que elas são muitas vezes controladas pelo capital, já que vende ações nas bolsas, tem acionista, sem contar que a política econômica do governo é orientando pelo capital financeiro (bancos, fundos, trans. e etc.). Assim as decisões das estatais direta ou indiretamente vem dai ai.

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