terça-feira, 14 de agosto de 2012

Desvincular a imagem do PT a qualquer custo

É verdade que o Partido Comunista se desligou do governo Lula em 2004, mas até hoje muita gente confunde, pois por trinta anos o PT usou nossas cores, a estrela que era um símbolo soviético, confundindo-se com os comunistas. Nossos esforços de desvinculação não têm sido suficientes. A existência de uma legenda de aluguel do PT que também leva o nome de Partido Comunista dificulta essa desvinculação.



Porém, agora, durante essas eleições, precisamos conseguir a desvinculação, custe o que custar. A rigor, se existe algum canto do país onde o PCB está aliado ao PT, devia romper essa aliança de forma ríspida, e expulsar sem dó qualquer militante que não entenda essa necessidade. Acontece que o PT está no auge de sua popularidade, de forma que trata-se do momento certo para deixarmos claro que não somos petistas, nem filopetistas, nem sequer simpatizantes ou semelhantes aos petistas.

Depois das eleições, o PT fará outro ataque aos direitos dos trabalhadores, outro ataque contra as condições de vida do povo, elevará impostos, os preços subirão, o desemprego crescerá. A "grande imprensa" (leia-se imprensa estrangeira no Brasil) dirá a todos que se trata da "crise econômica mundial", e que o governo estará fazendo os ajustes necessários. Seja qual for a desculpa, a popularidade do PT despencará, pois é baseada exclusivamente na relativa estabilidade econômica, com a qual o povo brasileiro não está acostumado e, por ignorância, atribui ao governo Lula. De fato, a estabilidade, que os petistas mentem dizendo que é crescimento e estabilidade, é resultante das importações chinesas e do Mercosul, que foram decisão do Partido Comunista Chinês no primeiro caso, e de acordos internacionais anteriores ao governo Lula no segundo caso.

As importações da China não cairão tanto que justifiquem os cortes e arrochos que o PT promoverá depois das eleições, e a importações do Mercosul devem crescer por conta da entrada da Venezuela, um mercado enorme, que ganhamos em troca do Paraguai, um mercado minúsculo e que já é nosso com o Paraguai dentro ou fora do Mercosul. O PT vai usar a crise mundial como desculpa para roubar os trabalhadores e enriquecer seus sócios. Os banqueiros querem mais dinheiro, e o PT vai dar porque agora não passa de mais um partido capitalista.

O ÚNICO argumento em defesa do PT é o perigo da volta dos tucanos, mas também é um argumento mentiroso, porque o PSDB está derrotado, é um cachorro morto e fedendo. Os chefes tucanos já estão migrando para o PT. Em São João del-Rei as duas figuras de mais visibilidade do PSDB já migraram para o PT e uma delas é o candidato a prefeito do PT. Quase não existem mais socialistas dentro do PT, nem mesmo socialistas da boca para fora como normalmente eram a maioria deles.

Nessas eleições, por mais votos que isso nos custe, precisamos nos desvincular do PT. Não faria mal que levantássemos toda nossa história de choques com o PT, de bandidagens e traições petistas, desde a década de 80. Porque se não, depois, quando "a crise chegar", as pessoas que ainda não sabem que não somos petistas pensarão que somos ratos fugindo de um barco afundando.

Um comentário:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Muito lúcido seu texto.

Do tempo do movimento estudantil, dos intelectuais e militantes que eu conheci, vc e o Fábio do PCB são os únicos que permaneceram intelectuais revolucionários e amadureceram dentro dessa linha.

A maioria evoluiu como Paulo Lamac, para virar jovem pelego no PT ou do PSDB, são carreiristas e oportunistas, todos. Pareciam cheios de razão e nós, os irracionais. Mas de agora em diante a coisa vai mudar, e muito.

O melhor que fazemos é estudar, pq em termos teóricos estamos falando a mesma língua do PT: Caio Prado, Florestan, Lukács, Gramsci trotsquizante, o seminário de O Capital de FHC com Ianni e outros.

E a base do marxismo no Brasil é o marxianismo acadêmico. Ou seja: estamos numa sinuca de bico.

Abs do Lúcio Jr.



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