domingo, 1 de julho de 2012

São João del-Rei vive uma tensão política que não tem nada a ver com as eleições municipais

Eleições municipais são as mais tensas, e essa promete, mas a tensão política em alta na cidade ainda não tem relação direta com essas eleições. Pelo contrário, talvez o início próximo da campanha eleitoral espalhe os movimentos sociais que têm apavorado os medrosos poderosos. A tensão tem relações com a vitalidade de alguns movimentos sociais, os independentes e livres de parasitas.


Embora a Funrei (agora UFSJ) exista há 25 anos, só de uns 8 anos para cá o movimento universitário começou a existir de forma independente. Antes ou o Diretório Central dos Estudantes era dominado pela reitor, ou era dominado por algum partido parasita que o utilizava como comitê eleitoral. Quando os universitários se  reorganizaram, acabando com o método pseudodemocrático que permitia o controle por parte de parasitas, as eleições diretas para o DCE, e substituíram isso por uma experiência de construir uma democracia de verdade, participativa, plural, aberta, seu movimento começou a renascer. A cidade começou a assistir, ano após ano, manifestações estudantis em número crescente. As vezes são manifestações muito vazias, mas mesmo assim são feitas. As vezes acontece uma grande manifestação, uma ocupação de reitoria, uma greve, coisas do tipo, e o canal de controle antes existente, que consistia no reitor telefonar para o chefe do partido que estivesse no controle do DCE, não existe mais, porque não existe partido nenhum com poder para controlar o DCE.

Até há alguns meses, o movimento que existia era somente universitário, pois a entidade dos secundaristas, a Umes, há muitos anos é outro nome da juventude petista, na prática não existe, mas ainda vende carteirinhas. A forma de controle dos parasitas sobre as Umes do país todo é o mesmo, um "congresso" anual, que em São João del-Rei é anunciado depois que aconteceu pelo jornal do PT, a Folha das Vertentes, uma imitação do jornal tucano, a Gazeta. Contudo, observando os universitários, os estudantes sanjoanenses aprenderam que existe um caminho, e têm tentado se organizar de forma independente. Como as escolas não deixam eles organizarem grêmios, ou não deixam os grêmios fazerem nada, e a Umes é controlada pelo PT, eles utilizaram um movimento da moda, o Anonymous, que embora seja aberto a todas as pessoas, em São João está cheio sobretudo de estudantes de ensino médio. A internet, sobretudo o facebook, também tem facilitado a organização dos jovens.

Esses estudantes estão em atividade há alguns meses, como se pode constatar pelos blogs deles, pelo facebook, e nos postes da cidade, com diversos cartazes e panfletos antigos deles colados. A inabilidade dos vereadores primeiro atrasou projetos polêmicos até surgir esse movimento, depois fortaleceu ainda mais o movimento estendendo os assuntos polêmicos por semanas, e o fortaleceu ainda mais com ameaças e provocações. O descontrole dos vereadores, do prefeito (que é acusado de ter mostrado o dedo do meio para manifestantes ontem) e do ex-governador (que é acusado de ter provocado os manifestantes ele mesmo, com a frase "vocês têm muito pouco dinheiro") pode ser influenciada, sim, pela tensão eleitoral, mas também só fortalecem o movimento.

As ameaças feitas por vereadores e paus mandados de vereadores contra menores são lastimáveis. Elas mostram não só despreparo, mas falta de caráter e de vergonha na cara. Em uma sociedade na qual precisamos que os jovens acordem, fiquem espertos, sejam gente, vereadores tentam intimidá-los, tentam fazê-los voltar à mediocridade. A sorte é que além de babacas esses covardes são burros, e com essas ameaças eles multiplicaram seus inimigos.

A visita eleitoreira dos chefes estaduais tucanos a São João ontem coincidiu com um momento de forte organização desses estudantes, em que alguns de seus líderes acabam de ser ameaçados, e os vereadores acabam de votar um projeto impopular. Naturalmente, dezenas de estudantes foram se manifestar contra as inaugurações eleitoreiras e depararam-se com um cenário ainda mais revoltante. Os chefes tucanos dessa vez mostraram um medo de povo muito mais exagerado que das vezes anteriores. Vários helicópteros, ruas e praças fechadas, toda a polícia da cidade por conta de afastar o povo de seus governantes. É muito medo! O que será que a P2 tem contado para o governador? Será que esse movimento de alguns dezenas de jovens é que coloca esse medo todo nos chefes tucanos?

O desafio que esse movimento de jovens estudantes sãojoanenses tem agora é passar vivo pelas eleições municipais. Naturalmente, líderes entre esses jovens apoiarão diferentes candidatos, alguns serão contra as eleições, em resumo, durante as eleições a unidade do movimento estará fragilizada. Qualquer ação corre o risco de ser acusada de estar beneficiando esse ou aquele candidato. Na verdade, em anos eleitorais todos os movimentos sociais sofrem, e muitos congelam suas atividades, pois se as realizam elas as vezes se tornam palanques eleitorais. Seria inteligente que os jovens aproveitassem o momento, em que os partidos estão ocupados com as eleições, para se organizarem de forma independente.

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